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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Senhor Jeová e a Geografia da Terra de Israel


Um Breve Passeio Virtual Por Israel - Um Mundo à Parte - de Ontem de Hoje e de Sempre


Uma das razões por que muitos não conseguem entender a Bíblia é porque não há uma desconexão com a qual se possa evitar ter que olhar e compreender, também, a terra da Bíblia. Os 66 livros canônicos da Bíblia, assim como os apócrifos, todos, realmente se concentram apenas em um pedaço pequeno de terra estreito, no qual e pelo qual, as pessoas têm lutado ao longo de mais de 3.500 anos!

A Palestina bíblica é uma seção muito pequena de terra, entre Dan (no Norte) a Berseba (no Sul) são cerca de 250 km, com a distância média do mar Mediterrâneo ao rio Jordão de cerca de apenas 72 km!


Todavia, o moderno Estado de Israel é um pouco maior do que isso, uma vez que inclui todo o triângulo do deserto de Neguebe até Elate, mais 200 km ao sul de Berseba. Além disso, as curvas costeiras de Israel no Mediterrâneo expandiram, de modo que um ponto do território possa determinar 128 km de largura (se você desenhar uma linha a partir do Mediterrâneo, passando através de Berseba até o Mar Morto).

Na Israel moderna se você incluir a a "Margem Ocidental", os territórios da Judeia e da Samaria, é do mesmo tamanho do estado de Nova Jersey (se bem que esta não seja a melhor comparação, uma vez que quase ninguém vive (ou pode viver) nesse pedaço enorme de terra entre Berseba e Elate).

Tanto a topografia, quanto o clima, variam em graus enormes na Terra Santa. Você tem montanhas, montes, desertos, oásis, de uma só vez uma floresta, e ilhas. Lugares onde chove muito, e lugares que não vão ver chuva por muitos meses a fio. Deslumbrantes locais tropicais e outros locais que têm tanta vegetação quanto uma área de estacionamento. Você tem rios, lagos de água doce, mares de sal, e o mar Mediterrâneo. 

Em boa parte do território, os verões são bastante quentes mas, cai neve em boa parte dos rigorosos invernos, em locais como, por exemplo, a famosa pequena cidade de Belém (em hebraico: בית לחם, transl. Beit Lehem, lit. "Casa do Pão"), a Efrata (para diferenciá-la da outra Belém, no território da tribo de Zebulom e também para caracterizá-la como tendo sido formada por efratas, que é uma descrição para os membros da tribo israelita de Efraim, assim como para os possíveis fundadores de Belém, apesar dela ficar no território de Judá.

O Deus do Impossível: Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Miqueias 5:2
A ocorrência de neve entre os meses de Dezembro e Janeiro na região de Belém torná muito pouco provável a data do nascimento do Senhor Jesus na data tradicionalmente comemorada por muitos cristãos (25 de Dezembro). De maneira geral, é muito pouco provável que os pastores estivessem no campo e ao relento, com suas ovelhas, em vigília noturna, nesta época do ano. "Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho." Lucas 2:8. 

Nesta época inicia-se a estação das chuvas seguida por neve, a considerada estação de inverno, fazendo muito frio. Por isso, os pastores teriam seus rebanhos recolhidos e abrigados, e não nos campos e, nem tão pouco César Augusto teria convocado, por decreto, a todos do império para que fossem recensear-se com o clima impropício a ação do Estado nos dias do inverno.

Curiosamente, em Israel, encontra-se, ainda, o ponto mais baixo na Terra: o Mar Morto, que na sua parte mais aos Sul, está a um nível de 425 metros abaixo do nível do mar. Dá para entender o mistério de lugar aberto, onde a água precisaria se acumular a mais de 400m de altura para poder empatar com o nível do mar? Sem dúvida, é um dos lugares mais sobrenatural e impressionante de toda a Terra.

Uma das coisas maravilhosas que você como cristão pode fazer ao longo da sua vida, se você tiver uma oportunidade e se estiver com tempo algum desocupado, é dar umas boas voltas pela terra de Israel por si mesmo. Eu já estive em locais tão exóticos como o sudoeste japonês ou a Lapônia sueca, sempre viajando a trabalho mas, sempre encontrando bons momentos, também, para praticar o turismo cultural, todavia, conhecer Israel continua  sendo um sonho ainda irrealizado.

No entanto, de um modo virtual eu viajo bastante para Israel, não só pela frequência e interesse com que eu costumo ler a Bíblia mas, também, graças a inúmeros artigos, notícias e dissertações postadas e acessíveis ao compartilhamento na maior enciclopédia aberta da humanidade: a Internet. Sabendo utilizar bem, esse tipo viagem, pode se tornar também muito interessante e rico.

Mar da Galileia (também conhecido como lago Tiberíades ou lago Genesaré)
Viajar para Israel, para um cristão, faz com que a Bíblia, de uma maneira especial, ganhe vida, de múltiplas e variadas maneiras. Tudo que você tem a fazer, por exemplo, é estar em meio a uma não tão rara tempestade no meio do mar da Galileia, e ai você vai poder entender por que os discípulos estavam com tanto medo, especialmente se você estiver em um barco a remo.

Na verdade, o mar da Galileia (ou lago Tiberíades, ou lago Genesaré, ou ainda kinneret) não é um mar mas,  um lago de água doce. De fato, ele nem mesmo é tão grande assim: tem 19 km por 13 km, ou seja, apesar do formato bem melhor definido, ele é, no mínimo, 4 vezes menor que a represa de Jurumirim - SP. Nele entra o Rio Jordão, vindo do norte, mas não apenas o Jordão, também outros pequenos riachos e corredeiras menores, que chegam na face leste e nordeste do lago, descendo pela escarpa rochosa que vem das colinas de Golã. Todavia, o Jordão é o único rio que efetivamente sai do lago, pelo ponto extremo sul deste. Isso impressiona pois, o mar da Galileia é o lago de água doce de localização mais baixa em toda a face da Terra: a  superfície da água do lago se encontra ao nível de 200 m abaixo do nível do mar.

Se subirmos o rio Jordão, desde o ponto em que ele entra no lago Tiberíades (ou mar da Galileia), seguindo até uns 35 km rio acima, cruzaremos por uma região de agricultura fortemente desenvolvida.  Nesta região, o rio Jordão mais se parece com um belo canal de irrigação, tal é o cuidado com sua canalização e as benfeitorias em suas margens ao passar ladeando as fazendas e sítios. Naquele ponto de distância percorrida, durante toda a antiguidade, existiu um lago menor, de nome lago Semechonits (ou lago Huleh), todavia, atualmente, ele parece não mais existir.


Continuando a subir pelo Jordão, em direção ao norte, começamos a entrar  agora em uma região com aspecto um pouco mais selvagem e, se prosseguirmos ainda mais em direção ao sopé do monte Hermon, poderemos constatar que o rio se forma da junção de vários pequenos riachos e corredeiras, permanentemente alimentados pela neve do Hermon. Estamos chegando, então, na região da sede da antiga tribo de Dã, a chamada "tribo perdida do norte".

O rio Jordão, a partir de cerca de 35 km ao norte após o mar da Galileia.

Seja como for, virtual ou real, é viajando que você passa a entender a topografia, a geografia da terra, você entende a relação das localidades, das aldeias e das cidades, do homem e da natureza que o rodeia. Você entende como as batalhas históricas foram travadas e, mais, por que elas foram travadas em certos vales e no topo de certas montanhas específicas, e você poderá ficar ali naquele local e soltar a sua imaginação, visionando todo o cenário ocorrido antes de você estar ali. Talvez você possa até chegar a um entendimento consistente sobre porque Jeová escolheu o vale (ou planície) do Megido, também conhecido como planície de Esdraelon, para ser o local da batalha do Armagedom, o conflito final dos tempos.

O Vale do Megido começa a se espalhar para o norte e para o leste do Monte Carmelo, originando próximo a atual cidade litorânea de Haifa, e prossegue para o interior na direção ao leste, tendendo um pouco para sul, formando contiguidade com Vale de Jezreel, sendo que, na borda sul deste último, se encontra o sítio arqueológico da cidade de Megido. Esta região vem oferecendo uma passagem exuberante para viajantes internacionais desde os tempos antigos. 

O sítio arqueológico do Megido no alto do platô e o vale de Jezreel a frente
O sítio do Megido é uma das joias da arqueologia bíblica. Estrategicamente era a mais importante ponto de observação da rota terrestre do Antigo Médio Oriente, a cidade dominou o tráfego internacional por mais de 6000 anos, através dos tempos bíblicos. As civilizações vinham e se findavam, sucedendo-se novas casas e palácios construídos sobre as ruínas dos seus predecessores, criando um legado arqueológico sem paralelo de tesouros, que inclui templos monumentais, fortificações, e engenhosos sistemas de águas.

O grosso do comércio era, historicamente, feito por caravanas vindas do Egito por terra, seguido próximo a beira mar, cruzava de sul a norte todo o pais dos Filisteus, sendo, ainda, engrossada pelas atividade portuária dali, progredindo bem, logisticamente, a beira mar, até passar a cidade de Jope. Dai em diante, a rota era forçada a se desviar-se para o interior, adentrando a região da tribo de Manasses, devido ao obstáculo natural, formado pela serra do monte Carmelo.

Esta rota ficou conhecida como "Via Maris" e, o grosso das Caravanas usava a passagem de Aruna (Wadi Ara), para cortar a serra. Em um platô ao pé dessa Serra, próximo na saída da passagem de Aruna, se encontra a Cidade de Megido, formando uma cantoneira ideal para, de cima do platô, vigiar a rota no exato ponto de frente a vasta planície em que ela conflui para três diferentes direções.


Pelo mapa é possível verificar que a Cidade de Megido foi de extrema importância , tão importante como a própria cidade de Damasco, para o controle das rotas de comerciais entre o Egito e a Mesopotâmia.
A primeira referência bíblica ao a Megido é em Josué 12:21 quando o rei de Megido é relacionado em uma extensa lista contendo ao todo 31 reis cananeus que "Josué e os filhos de Israel feriram, aquém do Jordão para o ocidente, desde Baal-Gade, no vale do Líbano, até ao monte Halaque, que sobe a Seir; e Josué a deu às tribos de Israel em possessão, segundo as suas divisões." Josué 12:7. 

E prossegue em Josué 17:11-12: "Porque em Issacar e em Aser tinha Manassés a Bete-Seã e as suas vilas, e Ibleã e as suas vilas, e os habitantes de Dor e as suas vilas, e os habitantes de En-Dor e as suas vilas, e os habitantes de Taanaque e as suas vilas, e os habitantes de Megido e as suas vilas; três outeiros. E os filhos de Manassés não puderam expulsar os habitantes daquelas cidades; porquanto os cananeus queriam habitar na mesma terra.  E sucedeu que, engrossando em forças os filhos de Israel, fizeram tributários aos cananeus; porém não os expulsaram de todo."


Mapa da antiguidade de Monte Carmelo, Megido e Taanaque (Taanach), e os vales de Megido e Jezreel. A nordeste, o Lago da Galileia (Sea of Chinnereth). Mais ao norte Hazor, próxima do pequeno lago  que não existe mais.
Assim com o Megido, a cidade de Taanaque também ficava na borda setentrional da grande planície de Jezreel, só que mais ao sudoeste de Megido, também podia ser usada como rota comercial, porém, bem menos preferencial do que aquela que passa de frente a Megido, exigindo um desvio mais longo.


Passagem de Aruna, atual, e a rodovia 65.
A cidade de Megido veio a ser dominada plenamente pelos israelitas, somente a partir do reinado de Salomão, o que fez aumentar ainda mais a importância da rota comercial pelo vale de Jezreel, bem como pelo porto de Jope, uma vez que a crescente cidade de Jerusalém passava a definir um novo importante afluente comercial para ela.

"A razão da leva de gente para trabalho forçado que o rei Salomão fez é esta: edificar a casa do Senhor e a sua própria casa, e Milo, e o muro de Jerusalém, como também Hazor, e Megido, e Gezer." I Reis 9:15

Ambas as cidades estrategicamente fortificadas por Salomão, Megido e Hazor, faziam parte da rota comercial Via Maris, no trecho em que ela precisava atravessar para Damasco, fluindo por dentro do território de Israel. O trecho da rota entre Jope e Megido seguia aproximadamente o mesmo caminho que hoje faz a famosa rodovia 65.
O Megido é o único sítio arquelógico em terras bíblicas com vestígios de 30 cidades construídas uma sobre as outras. Cenário de muitas batalhas que decidiram o destino de nações e impérios. Guarda a mais importante via terrestre do mundo antigo, a Via Maris que ligava o Egito á Mesoptâmia. Juntou numerosas grandes figuras da história mundial, tais como o Rei Salomão de Israel e o Rei Josias o último monarca de Judá, Faraós como Thutmose III, Shishak e Neco do Egito e os Reis Tiglat III e Esar da Assíria e futuramente, atrairá o anti-Cristo.


“Então congregaram os reis no lugar que em hebraico se chama Armagedom” (Ap 16:16).
Sobre o vale local, Napoleão teria dito: "É o maior e mais propício campo de batalha sobre a face da terra." Se você puder estar ali, e puder subir num ponto de mirante elevado e lá de cima, olhar para baixo da montanha e olhar para aquele lugar todo, você pode entender por que ali teria sido em toda a história antiga um dos grandes campos de batalha do mundo. Em Geografia compreensão é algo muito importante.

Mapa de Jerusalém do tempo do Senhor Jesus Cristo
Se você entender, por exemplo, algo um pouco mais da geografia de Jerusalém, de que maneira a cidade se encontra alojada em um platô, você compreende por exemplo, aquilo que você lê sobre a prisão e sobre morte de Jesus Cristo e como Ele deixou a cidade aquela noite, enquanto Ele era traído e como Judas chegou até Ele, depois, "...junto com grande multidão com espadas e varapaus, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo." Mt 26:47

Judas, você se lembra, deixou a "Última Ceia", e foi-se a traí-lo. Após, junto dos demais discípulos, Jesus saiu, para fora da cidade e atravessou o ribeiro de Cedrom, subindo em seguida ao Monte das Oliveiras ... É muito significativo isso, porque nessa época, da Páscoa, cordeiros estavam sendo abatidos aos milhares e eles eram abatidos na parte de trás do monte do templo e o sangue corria pela encosta pedregosa abaixo, de trás do monte do templo, que está no lado leste de Jerusalém, descendo para o vale do Cedrom, o qual o ribeiro de Cedrom atravessa.

Próximo ao que foi um dia a antiga porta oriental (hoje chamada de "porta dourada" e que se encontra selada), que dava acesso direto ao antigo templo de Jerusalém, olhando para fora, há uma inclinação para baixo, em direção ao ribeiro, que leva para atravessar o riacho e há uma inclinação para a direita de volta para o Monte das Oliveiras. Sobre a pequena colina mais adiante está a cidade de Betânia e mais longe ao sul está Belém.

Proximidade do Getsemani e Monte das Oliveiras nos Dias Atuais
Jesus e seus discípulos desceram aquela colina e tiveram que atravessar o riacho de Cedrom. Nessa época do ano, época de Páscoa, o Cedrom ainda está cheio de água, mas ele se torna um riacho eventualmente seco no verão.

Todavia, naqueles dias, ele decerto tinha água, e a água deveria até estar vermelha de sangue por causa dos milhares de cordeiros que haviam sido sacrificados naquele mesmo dia, e cujo sangue costumava atingir aquele pequeno riacho. Não estaria Jesus cruzando-o, com um ato simbólico do Seu próprio sacrifício como o Cordeiro de Deus? Esse tipo de coisa é muito emblemática, e faz viva, para todo sempre, a Palavra de Deus.

Vista da cidade de Jerusalém atual observava de uma aeronave sobrevoando diretamente sobre o Monte das Oliveiras. Separando a  "Cidade Velha"  do Getsemani,  lá embaixo, na linha sinuosa descampada, o vale do riacho Cedrom - acima, entrando pela Cidade Velha,  o Domo da Rocha (mesquita de Omar) com sua cúpula brilhante. O templo que existiu no tempo de Jesus ficava ao lado dele (ver prox. foto).
Assim, dai surge a compreensão de alguns de que a geografia é, realmente, muito importante. Se você entender um pouco da geografia, para o norte, na Galileia, ou para leste, para o Jordão, e Betabara – local do batismo e berço do cristianismo, você vai entender muito a riqueza das histórias bíblicas.

Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário,
que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor:
 Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor,
 o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada. (Ezequiel 44:1-2)
Para isso, você tem que fechar algumas lacunas em alguns dicionários bíblicos e atlas. Mas hoje em dia, nem é mais necessário você ter inúmeros dicionários bíblicos e atlas em sua própria casa. Claro que não é ruim, caso você os tenha mas, hoje em dia é bastante vasta a quantidade de material que outrora residia só em papel e outros meios de suporte ainda mais perecíveis, mas que vieram a ser digitalizados, e hoje podem ser compartilhados por um número muito grande de pessoas, o tempo todo, para verificar a topografia e suas relações, e nos permitir imaginar mais realisticamente, caminhando pelas mesmas trilhas em que caminharam Moisés, Josué, Davi, Daniel, o próprio Senhor Jesus e outros.

Outra ferramenta geográfica importante, hoje em dia, é o Google Earth. Basta você digitar, mesmo em Português: “Jerusalém, Israel” e em poucos segundos você viajará e terá a sua disposição a imagem dos dias atuais desta antiga cidade, que lhe permitira explorações as mais variadas, bastante farte im informações e imagens. É uma poderosa ferramenta de conhecimento geográfico, e de uso gratuito numa versão bastante apreciável.

Uma outra vantagem onteressante da "viagem virtual", que só a Internet do século 21 foi capas de propiciar de maneira tão rica e, ao mesmo tempo barata, é que você pode andar (com seus olhos), com facilidade, até mesmo por locais restritos, nos quais, na realidade, as autoridades de administração local, por uma série de motivos, não permitiriam que você transitasse, ao vivo, mesmo pagando para isso. 

Se um dia eu viajar para Israel de verdade, eu me sentirei como que voltando a lugares onde eu antes já estive, porque, de fato, já estive mesmo, só que virtualmente, avaliando escalas, medindo distâncias de um jardim para outro, de uma aldeia para a outra, de uma cidade para outra, de um pais para outro, etc.

Quando você começa a trabalhar (e se divertir) assim, tudo o que passar, toda a história e compreensão da Escritura Sagrada, torna-se maravilhosamente mais rico e vivo. A cultura hebraica sempre levou a questão dos "nomes e seus significados" muito a sério em relevância. Aliás, está é uma característica bastante marcante do idioma hebraico. Por exemplo, “Jordão” é uma palavra que significa “descer profundamente”, e é justamente assim que se comporta o rio que recebeu este nome.


O rio Jordão começa em três locais no norte de Israel, e uma das suas fontes (a principal) provém de uma montanha chamada Monte Hermon, que é, na verdade, um conjunto de montanhas com três distintas cimeiras, que se elevam a nordeste do mar da Galileia, na fronteira entre o Líbano e a Síria, na zona tampão entre Síria e área militarmente ocupada pelo atual Estado de Israel, a uma altitude de 2814 m acima do nível do mar, e a foz do rio Jordão, depois de percorrido todo o seu vale, chega a estar a cerca de 400 m abaixo do nível do mar, depois que ele deságua no Mar Morto (que não é mar, mas um lago), o que significa que o rio Jordão ao longo de todo o seu curso, da nascente, nas cimeiras do Hermon, até a foz, desce a incrível marca de mais de 3200 m!

Topografia de Israel e do Rio Jordão - Compare a altitude do Jordão com a de Jerusalém e com a do "Monte Nebo, que está na terra de Moabe bíblica (atual Jordânia)" Dt 32:49 - Descer ao Vale do Jordão é descer ao mais profundo vale existente na terra. "Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo: Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão; e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo"; 
Olhando para o Lado de Israel, de certa altitude do Monte Nebo - Creio que deva ser bastante raro a ocorrência de dias de céu mais aberto do que isso, em que se possa ver mais longe mas, o Senhor Jeová preparou e Mouses pode ver (a uma altitude entre 800m e 850m  acima do nível do mar). Lá embaixo, no sopé da montanha existe um povoado jordaniano que naquele tempo não existia - O rio Jordão está passando mais adiante, lã no meio do vale (no meio da foto, a cerca de 23 km daqui do ponto de observação, em linha reta) - Bem a direita da imagem, da pra ver apenas um nuance, uma ponta da cidade de Jericó atual (que fica após a travessia do Rio Jordão, cerca de 28 km em linha reta). Ali é, desde os tempos bíblicos, o povoamento humano localizado em mais baixa altitude do mundo começando em cerca de 300 m negativos.

O rio Jordão é curto, mas a partir das suas cabeceiras nas montanha (cerca de 160 quilômetros ao norte da desembocadura do rio no Mar Morto antes de chegar a território jordaniano o rio forma o lago Tiberíades (o famoso, mar da Galileia por onde Jesus andou, literalmente, sobre as águas), cuja superfície já se encontra a cerca de 200 ~ 210 metros, abaixo do nível do mar.

O principal tributário do rio Jordão é o rio Yarmuk. Poucos quilômetros logo após o Jordão sair do Mar da Galileia Perto da junção desse dois rios, o Yarmuk forma a fronteira entre Israel no noroeste, a Síria no nordeste e a Jordânia no sul. Já a cerca de metade do caminho entre a saída do mar da Galileia e a entrada no Mar Morto, o rio Az Zarqa, o segundo principal afluente do rio Jordão, chega e se esvazia totalmente dentro da margem leste dele.

A fenda do vale tem cerca de 99 km de extensão (em linha reta) e vai desde o entrocamento com o rio Yarmuk, no norte até o ponto da desembocadura, no mar Morto (ou seja, cerca 380 km se considerarmos que  se estende até a região de Al Ácaba, no extremo sul, a oeste da península do Sinai, bem depois de ter terminado o Mar morto, como é de costume alguns visualizarem).

Mar Morto (a região Terrestre mais baixa de toda a Terra - mais de 400 m abaixo do nível do mar

Aquele trecho de 99 km é que é referido comumente como “O Vale do Jordão”, que é, em geral, delimitada por uma escarpa íngreme, tanto na margem leste quanto na oeste, e o vale atinge uma largura máxima de 22 km em alguns pontos. O vale é conhecido como a Ghawr Al (que significa a depressão, ou vale, também conhecido como Al Ghor).

No mês de Abril (estação de primavera no hemisfério norte), que é a época de colheita (e lá eles tem apenas uma colheita/ano e não múltiplas colheitas como o que acontece, em geral, aqui no Brasil). O lado do Monte Hermon, que está diretamente de frente para o norte do rio Jordão, vai derretendo a maior parte de sua neve de inverno, durante esta temporada particular.

Rio Jordão em sua vazão máxima de primavera (no mês de Abril) correndo em direção ao Mar Morto.  "Do alto estendeu o braço e me tomou; tirou-me das muitas águas." Salmos 18:16. "A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas." Salmos 29:3. "Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te. Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão." Salmos 32:6.  
Deste modo, o rio Jordão que até então, parecia um rio calmo, adquire agora uma massa violenta e furiosa de água, aumentando a sua vazão em cerca de 50 vezes mais, e se tornando mais largo do que um campo de futebol em alguns trechos. As águas descem revoltas e espumantes num espetáculo magnífico.

O rugindo feroz das águas do caudaloso rio Jordão dessa época é deveras surpreendente e chega mesmo a ser assustador. Ai, então, eu me faço uma pergunta (a mim mesmo e ao Deus do universo), alias, uma pergunta apenas não mas, duas perguntas:
  1. Aquela água toda que desce violentamente pelo rio Jordão durante todo o mês Abril, e que continua a descer em menor volume o ano todo, não vai desaguar no Mar Morto? Para essa pergunta eu creio que sei a resposta, e ela é sim!

  2. E o Mar Morto, então, deságua aonde?
Afinal, o que acontece com a toda aquela água que desce pelo rio Jordão? Água que tem um significado simbólico de valor histórico, tanto para judeus quanto para cristãos, e que chega ao Mar Morto? Tudo bem que o rio Jordão é a única fonte de entrada de água ali mas, ela está sempre entrando, continuamente!

Bem, a explicação é a seguinte: quando o rio termina e ele se espraia em forma de um lago que chamamos de Mar Morto, com uma ampla lâmina d'água em uma região desértica e muito quente. Dai, uma boa parcela de toda aquela água vira, simplesmente, vapor atmosférico, mas essa pode não ser a maior parcela "água que some".

Algo que pode consistir num "quase desastre ecológico e histórico" causado por mãos humanas, ao sul do mar Morto, pois ele  acelera a evaporação da água e, creio, que só não se tornou pior pela misericórdia de Deus, que converte o mal em bem. Boa parte das grandes nuvens que podem ser observadas na imagem, muito provavelmente, provêm de tal evaporação, mas nada que o homem faça com suas mãos pode garantir que tais nuvens venham a ser úteis.
Além do mais, nos últimos 50 anos o mar Morto até mesmo diminuiu, ligeiramente, de tamanho, devido ao impacto ambiental causado pela implantação de salinas para exploração de cloreto de potássio, na parte extrema sul dele. Essa obra gigantesca, porém que pode se revelar um tanto quanto desastrosa, pode ser observada com ricos detalhes pelas imagens geradas por satélites do Google Earth.

A maior parcela da água entregue pelo rio Jordão ao mar Morto é, simplesmente, “devorada” por infiltração irrigando o solo, tanto redor da área do Mar Morto, quanto daquela área, mais ao sul onde se encontram as salinas de exploração de cloreto de potássio. Poderia se pensar que houvesse a tendência dela tentar prosseguir em direção sul, mas a partir dali a altitude da superfície o solo começa a se elevar, gradualmente, então ela simplesmente pode penetra no solo daquela região muito árida, que recebe menos de 50 mm de chuva por ano, até aparentemente desaparecer.

Mas ela, a água, está lá, no subsolo, e beneficiando alguma atividade agraria, existente tanto ao sudoeste e, principalmente ao sudeste do mar Morto (já na Jordânia, confira no Google Earth), em uma região onde tal atividade humana não seria possível sem ele, e sem o rio Jordão que o abastece.

Apesar das salinas de cloreto de potássio parecerem uma extensão natural do Mar Morto, elas não são: houve escavações ali que as formaram. Existe um apêndice do Mar morto, que surge por bombeamenteo e infitração, que ocorre em seu extremo sul. No entanto, é por um fino canal, escavado, que corre de norte a sul narginal à borda do desse apêndice, que a água captada por estação de bombeamento, drenando pelas tubulações 9 m3/s de água salgada, diretamente do Mar Morto, que é levada até a área de malha de salinas.

Compare mapas de Israel antigo com mapas atuais, tomando como referência, por exemplo, a pequena localidade de Arad, que fica muita próxima, e na mesma latitude, das ruínas da antiga Arad (Tel Arad) dos tempos do rei Davi. Não havia, nos tempos bíblicos, extensão do Mar Morto que fosse ao sul, para além da latitude de Arad, que é, praticamente, a mesma latitude de Berseba (Beer-sheba), que fica mais para oeste de Arad.


Sítio Arqueológico de Berseba nos dias atuais, distante poucos quilômetros a leste da cidade moderna.
Berseba, que foi uma importante localidade bíblica, onde Jeová proveu que fosse celebrada a paz entre Isaque (filho de Abraão, "que plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno. (Gênesis 21:33)) e Abimeleque (rei dos Filisteus), de modo semelhante ao que já havia ocorrido tempos antes, nesta mesma localidade, com os seus pais, e que os servos de Isaque cavassem um novo importante poço, para que eles se assentassem em paz e prosperassem (Gênesis 26:23-33). 

Todavia, hoje em dia, as salinas se estendem por aproximadamente uns 33 km mais ao sul do Mar Morto, provavelmente alagando terras e ruínas de alguma das localidades por onde andou Davi e seus correligionários, nos dias em que eles fugiam da perseguição do rei Saul, enquanto as mãos de Jeová os protegiam e sustentavam (veja I Samuel 23:24-28) em seu exílio.

Mas estas salinas ao sul não são a única ocorrrência de grande bombeamento de água a partir do Mar Morto, que é feita, também, em outros pontos, Uma grande estação de bombeamento, por exemplo, fornece água salgada do norte do Mar Morto para as fábricas, com cinco bombas de água poderosas com 5,000Hp cada, instalados. O projeto envolveu erguer estruturas marítimas de grande escala, dragagem, a criação de sistemas elétricos de alta tensão, obras de construção mecânica e civil e muito mais.


Sempre que tentamos entender as ações de Deus, um fator essencial em Sua natureza é que, embora Ele, de fato, seja o “Deus Todo-Poderoso” e o Soberano do universo, Ele também é “misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade” (Joel 2:13), conforme nos declararam os profetas. Ao meu ver, toda essa geografia e seus fenômenos curiosos revelam isso.

Além disso, o apóstolo Pedro descreveu a intenção básica de Deus para a humanidade em 2 Pedro 3:9: “... ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”.

É obvio, então, que a vontade básica de Deus para o ser humano é que este seja salvo, e que nenhum se perca. Portanto, partindo dessa compreensão, é possível discernir o Seu propósito em advertir tantas vezes o homem quanto ao que acontecerá “logo em seguida à tribulação daqueles dias” (Mateus 24:29), a reaparição gloriosa de Jesus.

O principal objetivo do período de tribulação será abalar os alicerces de todo sistema humano e invadir o pensamento e coração do homem com todo tipo de juízos e atos de misericórdia, de modo que todos que estiverem vivos durante aquele período de desfecho da história, possam por fim perceber que Jeová existe e que ele é o único Deus e, da necessidade de invocar o nome do Senhor e de adorá-lo, em Espírito e em Verdade.



Deus do Impossível (Trazendo a Arca)

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer

O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer

O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível

Dedico este estudo ao Pr. Gilvan, um homem somples, e de Deus, amante da palavra inspirada e meu amigo, pastor da Igreja A. D. Betel para as Nações - em Osasco - SP - Brasil

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Jesus e Maria Madalena


Consideremos o relato bíblico a respeito de algumas mulheres:

Sobre Maria Madalena (Maria de Magdala, da cidade de Magdala):

Liberta dos demônios por Jesus (Lc 8:2);
Servia a Jesus com seus bens (Lc 8:2-3);
Esteve ao pé da cruz (Mt 27:56; Mc 15:40; Jo 19:25);
Observou o sepultamento de Jesus (Mt 27:61; Mc 15:47);
Chegou cedo ao sepulcro (Mt 28:1; Mc 16:1; Lc 24:10; Jo 20:1);
Viu a Jesus ressuscitado (Mt 28:9; Mc 16:9; Jo 20:11-18).

Sobre certa pecadora:

“E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento.” (Lc 7:37).

Essa pecadora não pode ser identificada com Maria Madalena, nem com Maria, de Betânia. Maria Madalena é citada nominalmente pelo mesmo evangelista, em Lucas 8:2: “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios”.

Sobre Maria (Maria (da cidade) de Betânia, irmã de Marta e Lázaro):

  • Tinha ela uma irmã chamada Marta (Lc 10.39);
  • Assentou-se aos pés de Jesus e ouviu a Sua palavra (Lc 10.39);
  • Maria, de Betânia, irmã de Marta eram ambas irmãs de Lázaro, a quem Jesus fez reviver (Jo 11.18...).
Maria, em Betânia:

  • Enquanto Marta servia, Maria ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos (Jo 12.3);
  • Foi em Betânia, na casa de Simão, o leproso (Mt 26.6; Mc 14.3);
  • Foi em Betânia, onde estava Lázaro, que se achava presente. Estavam ali Marta e Maria (Jo 12.1-3).
Sobre as três últimas Marias, não há razão para não considerar tratar-se de apenas uma pessoa, isto é, Maria irmã de Marta, irmãs de Lázaro, a quem Jesus ressuscitou.

Maria Madalena não pode também ser confundida com a pecadora referida pelo apóstolo João: “Os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério” (Jo 8.3).

Outra coisa é que Maria Madalena, aquela mulher que acompanhava Jesus e o servia, que esteve junto da cruz e foi a primeira a vê-lo ressuscitado e que o anunciou aos outros irmãos, tem recebido, durante séculos de cristianismo, uma pecha desagradável que jamais mereceu.

Apesar do fato de Jesus ter expulsado dela 7 demônios (Lucas 8:2), não existe qualquer referência que afirme que aquela pobre mulher, antes de conhecer a Jesus, tenha sido uma prostituta! Nenhuma referência sustenta tal hipótese.

Talvez a confundam com a mulher pecadora, que regou os pés de Jesus com lágrimas e enxugou-os com seus próprios cabelos. (Lucas 7:36-50).

Madalena significa: Natural de Magdala, povoado situado às margens do mar da Galiléia. (Não há nenhuma indicação de que esta Maria seja a pecadora mencionada no cap. 7 de Lucas).

Portanto, o registro bíblico não nos autoriza a dizer que Maria Madalena fosse prostituta, e que se trata da mesma pessoa citada em Lucas 7.36-47 e João 8.3.

Estas são algumas verdade Bíblica, para dirimir algumas confusões que, infelizmente, permeiam o imaginário popular e que parecem ter se tornado comuns, inclusive, a alguns grupos de cristãos, notadamente aquele que menos buscam fazer estudos bíblico mais sérios.

Todavia existe ainda, associado a imagem de Maria, de Magdala, toda uma lenda, a qual é difícil até de se julgar, se é mesmo fruto, apenas, da confusão fantasiosa, ou se, ao contrário, é fruto de uma bem pensada, planejada e articulada gestão maldosa perpetrada por grupamentos humanos, os quais, ao longo da história, tem se rendido ao ocultismo, que é o lado ruim do mundo espiritual.

Embora não haja qualquer indício de cunho bíblico, de que o Senhor Jesus e Maria de Magdala tenham tido qualquer proximidade amorosa, tais suposições, que na verdade já vêm sendo plantadas a muitos séculos, ganharam ainda mais corpo, nos últimos anos, através do estudo de textos apócrifos, e foram alimentadas por uma boa dose de imaginação, interesses econômicos e conflitos políticos entre organizações religiosas cristãs e organizações religiosas ocultistas.

Com efeito, uma das literaturas apócrifas mais conhecidas é “O Evangelho de Filipe”, um escrito extrabíblico, provavelmente compilado no século III da Era Cristã – portanto, não escrito por nenhum contemporâneo de Jesus – e que da testemunho até beijos entre o suposto casal, Jesus e Magdala.

Todos esses textos compartilham a teologia gnóstica, baseada numa espécie de revelação secreta e esotérica. Com isso, Maria Madalena passou a ser usada pelos gnósticos como um símbolo do “conhecimento verdadeiro” que eles teriam de Jesus, e de a verdadeira Maria Madalena, a qual eles consideram a real predileta de Cristo e da qual eles próprios se tornaram seguidores.

Tais ocultistas, apesar de alegarem, não conseguem comprovar o “convívio” deles próprios com Maria Madalena, mas, de certo, eles se tornaram cultuadores ritualísticos da imagem dela. Eles, associam ainda, o conceito da “trindade”, na forma como este conceito foi, originalmente, concebido na religião politeísta do Egito antigo, como sendo “Pai, mãe e filho”, ou seja, seria Jesus, Madalena e o seu suposto filho.

O aspecto polêmico, e tardio, de tais textos torna bastante improvável que haja em seu conteúdo alguma memória histórica envolvendo a Magdala real. Inclusive, penso, nem ser necessário dizer, que o gnosticismo era combatido, desde cedo, pela comunidade cristã que seguia os ensinos apostólicos do primeiros séculos. Todavia, tais ensinamentos contrários sobreviveram. Como e por que isso acontece?

Porque mentiras podem ser contadas e repetidas, tantas vezes, como se fossem verdades, que cada vez mais se pareçam, aos olhos humanos, como verdades. Mesmo que haja evidências em contrário, nega-se as evidências, e pronuncia-se os maiores absurdos, na esperança de que tais mentiras repetidas inúmeras vezes, acabem se transformando em “verdades”. Mesmo que “a mentira tenha pernas curtas”, e, portanto, não vai muito longe, sempre existirão muitos que permanecerão na dúvida, o que já é uma vitória de propósito do mau.

Além do mais, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung chamou a atenção para o fato de que o inconsciente coletivo retém informações arquetípicas e impessoais, e seus conteúdos podem se manifestar nos indivíduos da mesma forma que também migram dos indivíduos ao longo do processo de desenvolvimento da vida e da história, ou seja, a mentira repedida incessantemente, se tornará, no mínimo, como um primeiro modelo ou imagem de alguma coisa, como uma antigas impressão sobre algo, posto que o subconsciente coletivo ou social, é uma estrutura inata que serve de matriz para a expressão e desenvolvimento da psique humana.

O que a mim parece, é que os acontecimentos, que não aconteceram por mero acaso, principalmente das últimas recentes décadas, tem provocado modificações de atitudes e de posturas, de tal modo que, o povo de hoje em dia, mais perdido do que nunca com relação às verdades bíblicas, e, mais a mercê do que nunca ante às deturbações daquilo que provém do lado mau do mundo espiritual, pela sua mais pura falta de conhecimento, e, por que não dizer, deserdados de virtudes naturais humanas como estão, formam, neste tempo atual, um quadro bastante estimulador para o desenvolvimento de tais investidas manipulativas.

Todavia, felizmente, agora especialistas nas Escrituras têm trazido a público novos elementos capazes de refutar definitivamente a tese do romance. “Os textos que mencionam esse tipo de envolvimento entre Maria, de Magdala e Jesus foram escritos pelo menos 100 anos depois dos evangelhos bíblicos”, aponta Ben Witherington III, especialista em Novo Testamento do Seminário Teológico Asbury, nos Estados Unidos. E a intenção de tais autores seria justamente combater visões mais ortodoxas do Cristianismo, então em fase de franca expansão. A maioria dessas fontes foi escrita em grego ou em copta, língua egípcia falada durante o período romano.

Mas quem foi Maria Madalena? Além do que se diz dela na Bíblia, particularmente no evangelho de Lucas, a tradição afirma que, devido ao nome por que era conhecida (Magdalini, em grego), ela provinha de Magdala, vilarejo de pescadores a noroeste do Mar da Galileia. Provavelmente, começou a seguir Jesus depois que ele expulsou dela sete demônios – fato que, segundo os historiadores, colaborou para disseminar sua imagem de “pecadora arrependida”.

Ao contrário de muitos rabis de seu tempo, Jesus era seguido também por mulheres. “Duas das qualidades extraordinárias de Jesus são o fato de que ele recrutava seguidores de ambos os sexos”, continua Witherington. Além de Madalena, havia Maria, mãe de Jesus; outra Maria, mãe de Tiago; Maria de Betânia, irmã da Marta e Lázaro; além de Joana, Suzana e outras. Contudo, é fantasioso imaginar que alguma delas tenha tido papel de destaque em seu ministério.

Todavia, a cultura judaica da época impedia que as mulheres ensinassem ou mesmo falassem em público. Relações intimas entre homens e mulheres “não casados” seriam aversivas o suficiente, para causar um enorme escândalo e censura. Nem mesmo o rei da Galileia, Herodes Antipas e sua amásia e cunhada Heródias escapavam de tal censura, que era feita pública e descaradamente, por João, o Batista.

É certo que, fora dos padrões da cultura e da tradição judaica, um grupo feminino acompanhava a comitiva de Jesus, e que elas eram aproveitadas para suprir serviços relativos a necessidades básicas como alimentação e abrigo. Algumas apoiavam a manutenção do serviço de pregação pública de Jesus, inclusive, com a doação de seus bens.

Só esses fatos já seriam suficiente para ser considerado escandaloso pelos judeus do século I, para quem as mulheres deveriam ficar em casa com seus maridos e, quando viajassem, teriam de ser acompanhadas por parentes do sexo masculino. Umas relação conjugal, ainda mais ilícita, entre Jesus e Maria Madalena não teria deixado de ser observada e nem perdoada pelos fariseus que vigiavam Jesus de perto.

Todavia, Maria Madalena, além de fazer parte da comitiva, era disponível, ou seja, solteira e ela era, de fato, muito comovida, não apenas pela mensagem da boa nova do reino de Deus, mas, assim como João e Pedro, de forma especial, também o eram, também pela pela figura pessoal de Jesus. Daí teriam surgido as insinuações de uma relação mais próxima entre Jesus e a mulher de Magdala.

Para nós, cristãos, essa hipótese pode ser rechaçada pelo que encontramos no próprio Novo Testamento, que cita claramente a família de Jesus, como seus pais e irmãos, não há nenhuma referência de que ele tenha tido filhos ou mesmo se casado”, lembra, embora o casamento fosse considerado quase uma obrigação religiosa no primeiro século.

Além do mais, quando pregava acerca do casamento, o próprio Senhor Jesus falou o seguinte: “Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.” Mateus 19:12

Nesta passagem, Jesus procurou explicar sobre a sua própria condição com relação ao casamento, a de que ele se manteria, como se manteve até o fim, celibatário como sinal do compromisso exigido por sua missão, como autor e consumador da fé, a serviço do reino de Deus.

A historiadora e arqueóloga Fernanda de Camargo-Moro, autora do livro Arqueologia de Madalena (Editora Record), lembra que as mulheres de então eram conhecidas pelo parentesco com alguma outra pessoa – normalmente, o marido, cujo nome era associado ao delas. “É possível até que ela nem tenha se casado com ninguém, já que sua alcunha é uma mera referência ao lugar onde nasceu”, opina. “Concluir que Maria Madalena era casada com Jesus é resultado de pesquisas superficiais e sem seriedade”, conclui.

Eu, particularmente, continuo a pensar que seja uma grande maldade, deliberada mesmo, e que oculta atras de si outros interesses, ainda bem maiores, da parte daqueles que odeiam a Deus. Como nada poderá ficar em oculto para sempre, com o tempo, Deus irá nos revelar.

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Leonardo da Vinci era um homem à frente de seu tempo. Seu interesse e criatividade em vários campos de estudo deram, séculos depois, origem a invenções como: salva-vidas, pára-quedas, bicicleta, entre outras. Uma de suas obras mais conhecidas é o afresco "A Última Ceia", pintada diretamente no refeitório da Igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão.

A Última Ceia data de1495-1497 e utiliza técnica mista, com predominância da têmpera e óleo, sobre duas camadas de preparação de gesso, aplicadas sobre reboco. Suas dimensões são 460 cm x 880 cm.

Foi feita por Leonardo da Vinci para seu protetor, o Duque Lodovico Sforza e representa a última ceia de Jesus com os apóstolos, antes de ser preso e crucificado, como descreve a Bíblia. É um dos maiores bens conhecidos e estimados do mundo. Ao contrário de muitas outras valiosas pinturas, nunca foi possuída particularmente, até porque não pode ser removida do seu local de origem.

O Duque mandou construir o convento para, entre outras coisas, servir de lugar para sepultar seus familiares. O tema era uma tradição para refeitórios, mas a interpretação de Leonardo deu um maior realismo e profundidade.

Parcialmente pintada na forma tradicional de um afresco, com pigmentos misturados com gema de ovo ao reboco úmido incluindo também um veículo de óleo ou verniz. Da Vinci testou uma nova técnica à solução das tintas com predominância da têmpera não sendo muito feliz. Não foi testada suficiente não se ajustando as condições climáticas da região e antes que o painel estivesse pronto, apareceram pontos deteriorados, que se agravaram durante os anos. A umidade natural da parede, diluindo as tintas, vem causando danos a esta obra prima.

Prestando bem a atenção, você irá perceber em várias imagens, um efeito característico da pintura de Leonardo: a delicada passagem de luz para a sombra, quando um tom mais claro mergulha em outro mais escuro, como dois belos acordes musicais. Esse procedimento recebe o nome de esfumado, em português.

A imagem da Última Ceia está baseada em João 13:21, no qual Jesus anuncia aos doze discípulos que alguém, entre eles, o trairia. Essa pintura, na história evangélica, é considerada a mais dramática de todas.
Acima, a obra legítima de Lenardo da Vinci, abaixo, a mesma pós-processada digitalmente.

Ao centro, o Cristo é representado com os braços abertos, em um gesto de resignação tranquila, formando o eixo central da composição. São representadas as figuras dos discípulos em um ambiente que, do ponto de vista de perspectiva, é exato (muito embora, do ponto de vista da realidade do que possa ter havido, desconsidera a tradição judaica, na qual, em ocasiões deste tipo, o mestre teria se assentado na cabeceira da mesa, e não em seu centro).

Da direita para a esquerda se encontram respectivamente Simão (o Zelote), Tadeu, Mateus, Felipe, Tiago (o Maior), Tomé, João, Jesus, Judas, Pedro, André, Tiago (o Menor) e Bartolomeu.

Da Vinci costumava fazer esboços e rascunhos de suas obras antes da versão final. Num desses esboços da "Última Ceia", ele literalmente escreveu, o nome de cada apóstolo retratado, eliminando dessa forma quaisquer dúvidas sobre quem são cada um dos personagens.

Da Vinci não foi o primeiro artista a retratar a cena da Última Ceia. Há diversas outras obras famosas sobre o tema, mas Da Vinci representou de uma maneira impressionante, justamente o momento da agitação dos discípulos, ao ouvirem o anúncio da traição: Serei eu, Senhor? Serei eu, Senhor? Serei eu, Senhor?, interrogavam-no os discípulos um após outro, mortos de espanto.

Todavia, o escritor Dan Brown faz uma verdadeira “viagem na maionese”, ao tentar adaptar a descrição da obra “Última Seia”, em sua própria obra, o livro “O Código da Vinci”. O ápice desse devaneio eu reproduzo logo abaixo, onde a parte do texto em AZUL corresponde a uma crítica minha:

Sophie aproximou-se ainda mais da imagem (aqui começamos bem: símbolos e imagens, ao gosto da preferência dos gnósticos). A mulher (eu não sei se da Vinci pretendeu fazer algum tipo de brincadeira, com sua própria obra, desenhando um personagem com feições afeminadas, onde ele mesmo afirmava estar desenhando o apóstolo João, portanto um homem, mas Dan Brown, quer, por toda lei, partir do pressuposto de que foi mesmo desenhado uma mulher ali) sentada à direita de Jesus era jovem e tinha um ar piedoso, com um rosto tímido, belos cabelos avermelhados e mãos tranquilamente entrelaçadas. É esta a mulher que podia, sozinha, fazer desmoronar a Igreja? (o objetivo primordial é colocado, abertamente, e logo de cara, aqui: “desmoronar a igreja”, porém Jesus havia dito: “ … edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”)
  • Quem é ela? - perguntou.
  • Essa senhora, minha querida - respondeu Teabing -, é Maria Madalena. (Segundo o croqui feito pelo próprio Leonardo da Vinci, não é não. É o apóstolo João. O por que dos traços nitidamente afeminados do retrato de João, só mesmo da Vinci saberia explicar.)
Sophie voltou-se.
  • A prostituta? (para o leitor atento da Bíblia, nada leva a crer que Madalena fosse uma prostituta).
Teabing teve uma curta inspiração entredentes, como se a palavra o tivesse ofendido pessoalmente.
  • Maria Madalena não era nada disso. Esse falso juízo é um legado da campanha de calúnias lançada pela Igreja primitiva. (Os gnósticos sempre acusam os cristãos justamente daquilo que eles mesmo fazem desde o início: mentir descaradamente. Não é de estranhar que o personagem Teabing, neste romance de aventura e ficção, seja o grande vilão oculto, fingido.) A Igreja precisava de difamar Maria Madalena para encobrir o seu perigoso segredo: o papel dela como Santo Graal. (a igreja não precisa, nem nunca precisou difamar Maria Madalena. Os Evangelhos apresentam ela como uma importante personagem entre os primeiros convertidos cristãos da Galileia. Já, quanto ao “Santo Graal”, originalmente no cristianismo, é uma expressão associada a uma lenda medieval que designa normalmente o cálice, que é tido como uma peça rica e valiosa, usado por Jesus Cristo na Última Ceia. A lenda narra que, no mesmo cálice, José de Arimateia teria colhido o sangue de Jesus, quando esse recebeu o golpe de misericórdia, durante a crucificação. Todavia, a Bíblia narra que: “Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” – João 19.34. Eu acredito que de todos os homens judeus que estavam presentes à crucificação de Jesus, nenhum esteve tão próximo do que o apóstolo João. João teria, com toda certeza, narrado o fato, caso o sangue precioso de Jesus tivesse sido coletado. Alguns cavaleiros cruzados, por ambição pessoal de ter em mãos peça de tal valor, teriam andado atrás dessa lenda.)

    Persistindo na acusação de “campanha de calúnia” da parte da igreja contra Madalena, mais adiante, em seu livro, o Sr. Dan Brown faz as seguintes colocações:

    "Madalena foi apresentada como prostituta com o objetivo de esconder as provas das suas poderosas ligações familiares." - e complementa - "Poucas pessoas sabem que Maria Madalena, além de ser o braço direito de Cristo, era já uma mulher poderosa.
    Maria Madalena era de descendência real."

    O Messias casado com uma princesa de israel poderia ser algo muito interessante para as autoridades dos fariseus ou para o zelotes revolucionários da época pois, afinal, assim mesmo era o tipo de Messias que eles sempre esperaram (e alguns ainda esperam até hoje). Todavia, Jesus não era assim. "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; entretanto o meu reino não é daqui." É curioso notar que, um pouco mais adiante em seu livro, Dan Brown, comete ele mesmo o lapso de relacionar Madalena como a suposta "certa pecadora", quando afirma:

    "A REVELAÇÃO DOS TEMPLÁRIOS: A MULHER com A JARRA DE ALABASTRO.
    Maria Madalena e o Santo Graal A DEUSA NOS EVANGELHOS Reclamando o Sagrado Feminino"

    A MULHER com A JARRA DE ALABASTRO”, está citada no versículo de Lucas 7:37, que diz: "E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento.”

    Além de não existir nada que possa ser usado para sustentar a associação de Madalena com esta "certa pecadora", eu chamo, ainda, a atenção para o trecho: "... da cidade, ...". Tal mulher que existia "na cidade" era conhecida como pecadora "na cidade". Que cidade era essa?

    De início, cumpre assinalar na descrição dos fatos, que os evangelistas formam dois grupos. De um lado, no capítulo 7: 37 de Lucas refere-se única e isoladamente à unção feita pela “pecadora arrependida”; e de outro lado, Mateus, Marcos e João nada mencionam sobre esta tal “mulher de má fama”, porém retratam uma outra ocorrência que possui algumas semelhanças: "Jesus ungido na cidade de Betânia", nos trechos de:

    Mateus 26:7 - Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de balsamo precioso, e lho derramou sobre a cabeça de jesus, estando ele reclinado a mesa. Judas não gostou e foi ter com os principais sacerdotes.

    Marcos 14:3 - A unção ocorreu em Betânia e dali a dois dias era a páscoa. Foi à mesa em casa de Simão, o leproso. … quebrando o vaso, derramou-lhe sobre a cabeça o bálsamo. Judas não gostou do que viu e resolveu entregar Jesus.

    João 12:3 - Jesus chegou a Betânia, seis dias antes da páscoa. Então deram-lhe ali uma ceia, Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele, quando ocorreu a unção. Judas não gostou do que viu, porque era ladrão e, tendo a bolsa, subtraía o que nela se lançava

    Nestas três passagens, tudo indica ser o mesmo evento, uma unção de Jesus ocorrida na cidade de Betânia, e existem ainda fortíssimas evidências de que a ungidora, nesta ocasião, foi Maria, de Betânia, a irmã de Jairo e de Marta, e não Madalena.

    Já a outra ocorrência, a de Lucas 7:37, " Um dos fariseus convidou-o para comer com ele;" não foi uma ceia preparada por seus amigos ou seguidores. Esta outra unção ocorreu numa cidade também não nominada. Assim ocorreu: "e estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas e os enxugava com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés e ungia-os com o bálsamo." A ungidora aqui (mulher sem nome declarado, mas de fama de pecadora nesta cidade) ungiu APENAS OS PÉS de Jesus, enquanto que Maria de Betânia ungiu TODO O CORPO DE JESUS, DESDE A CABEÇA ATÉ OS PÉS.

    Além do mais, não existe na unção narrada em Lucas, o caso da contrariedade de Judas Escariotes, mas sim, foi o próprio dono da casa, o anfitrião, quem se contraria, por causa da pecadora, causando que Jesus proponha-lhe uma parábola. O fato é que, nem Maria Madalena, e muito menos Maria de Betânia, eram mulheres que tinha má fama ou fama de prostituta, apesar de que, de Maria Madalena, haviam sido por Jesus, removidos sete demônios.

    Assim, fica claramente posto haver acontecido duas cenas mais ou menos idênticas, mas em lugares diferentes e em nenhuma pode-se afirmar que foi Maria Madalena a ungidora. Mas Dan Brown afirma categórico:

    "A REVELAÇÃO DOS TEMPLÁRIOS: A MULHER com A JARRA DE ALABASTRO.
    Maria Madalena e o Santo Graal A DEUSA NOS EVANGELHOS Reclamando o Sagrado Feminino"

    Como esta MULHER com A JARRA DE ALABASTRO, não pode ser a mesma mulher da unção ocorrida em Betânia, pois aquela foi Maria de Betânia, então, pela afirmação de Brown, só nos restaria crer, que Madalena pudesse mesmo ter sido a tal "certa pecadora, a de má fama na cidade" que chorando ungiu os pés de Jesus. Isso é justamente o que faz associar a imagem de má fama a Maria Madalena. Todavia, Madalena não era conhecida em em Betânia, pois ela era de Magdala e só em Magdala poderia ter tido, então, tal fama. A cidade de Betânia era bem próxima a Jerusalém, enquanto que Magdala ficava na margem oeste do Mar da Galileia, pouco ao norte de Tiberíades, mas distando aproximadamente 110 km de Jerusalém, e era, na verdade, tida como um vilarejo, de tão pequena que era.

    Além do mais, é improvável que uma Madalena estando ainda possuída de sete demônios, e antes de conhecer a Jesus, viesse de boa vontade, por conta própria, ungir-lhe os pés. Note que todos os demais casos de endemoniados que foram libertos por Jesus, narrados nos evangelhos, tais pessoas foram encaminhados até Jesus, por meio terceiros.

    Ocorre ainda que, se a "certa pecadora" ficou inominada por Lucas, havendo sido despedida pelo Mestre: "E disse a ela: Perdoados são os teus pecados. … A tua fé te salvou; vai-te em paz." Lucas 7:48-50, o mesmo não sucede com relação à Maria Madalena, encontrando-se claramente nomeada, segundo a narrativa evangélica, identificando-a dentre: “As mulheres que seguiam ... e que serviam a Jesus com seus bens”. Lucas 8:2,3

    Enfim, a verdade é que, sobre a identidade da pecadora ungidora dos pés de Jesus NADA PODE SER AFIRMADO e, de certo ainda, esse evento ocorreu anteriormente ao evento de Betânia, que aconteceu a poucos dias da prisão e morte de Jesus. Nestes dias, Madalena aparecerá em cena, na sequência dos acontecimentos, somente no momento em Jesus estiver, ainda vivo pregado a Cruz: "Estavam em pé, junto à cruz de Jesus, sua mãe, e a irmã de sua mãe, e Maria, mulher de Clôpas, e Maria Madalena."

    Voltando ao fluxo anterior do livro:

    O papel dela?
  • Como já disse - esclareceu Teabing -, a Igreja primitiva precisava de convencer o mundo de que o profeta mortal Jesus era um ser divino. (a igreja nunca precisou provar nada sobre a divindade de Jesus Cristo. Isso tem nos sido passado, desde de o início, por testemunho apostólico, e há os que têm fé para crer e há aqueles que não a têm.) Por essa razão, os evangelhos que descreviam os aspectos terrenos da vida de Jesus tinham de ser omitidos da Bíblia. (o autor, aqui, está se referindo, de modo velado, ao texto denominado “o evangelo de Filipe”, que constitui-se um dos livros apócrifos da biblioteca de Nag Hammadi, que é uma coleção de textos gnósticos. O gnosticismo é um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a mimetizar-se com o cristianismo nos primeiros séculos de nossa era, notadamente após a morte dos apóstolos, porém, sempre cobiçando destituir a igreja como transmissora das boas novas de Cristo, diante dos homens) Infelizmente para os primeiros editores, havia um tema terreno particularmente perturbador que aparecia mencionado em todos os evangelhos. (ao menos, esse não é o caso dos quatro evangelhos canônicos, ou seja, os que são aceitos como apostólicos autênticos, nem em algumas das diversas epístola apostólicas) - Fez uma pausa. - O casamento de Jesus Cristo. (uma afirmação absolutamente improvável)
  • Desculpe? - Os olhos de Sophie saltaram para Langdon, e depois de novo para Teabing.
  • Está historicamente registado (registrado aonde, a não ser na literatura gnóstica, que por ser tardia e pós-evangélica é considerada apócrifa), e da Vinci tinha com toda a certeza conhecimento do facto. A Última Ceia praticamente grita ao espectador que Jesus e Madalena eram um casal.
Sophie voltou a olhar para a reprodução do afresco.
  • Repare que Jesus e Madalena estão vestidos como imagens reflexas um do outro (devaneio gnóstico) - disse Teabing, apontando para as duas personagens centrais.
Sophie estava fascinada. E, sem a mínima dúvida, as roupas dos dois eram de cores inversas. (nem tanto assim, para reforçar o ocultismo, acredita-se que alguns restauradores do século XVIII, teriam mudado a cor da túnica de João, para um tom rosado, dando lhe aspecto ainda mais afeminado) Jesus usava uma túnica vermelha e um manto azul; Maria Madalena usava uma túnica azul e um manto
vermelho. Yin e Yang (símbolo exotérico religioso. Yin Yang é, na filosofia China e adjacências, uma representação do princípio da dualidade, ou seja, duas forças, tais como, ativo-passivo, marido-mulher, etc. O conceito tem sua origem no tao, base da filosofia e metafísica da cultura daquela região.)
- Aventurando-nos no ainda mais bizarro (aqui o autor traiu-se ao empregar tal termo, com a realidade da sua própria obra, que se não for vista apenas como um romance de ficção gnóstica, seria mesmo como algo bizarro) - continuou Teabing -, repare que Jesus e a sua noiva parecem estar unidos pela anca (digamos que da Vinci tivesse traído a “encomenda” do seu amigo e protetor, para quem ele fez a obra "ultima ceia", e tivesse pretendido, de fato, representar Maria Madalena, onde ele mesmo afirmava representar João, então ele teria sido um mentiroso que enganou a todos nós, que admiramos a obra, e confiamos na descrição original que diz que é João ali) e inclinam-se para longe um do outro, como que para criar entre ambos este espaço negativo claramente delineado.
Ainda antes que Teabing traçasse o contorno com o dedo, Sophie viu-o: a indiscutível forma de V no ponto focal da pintura. Era o mesmo símbolo que Langdon desenhara momentos antes e que
dissera representar o Graal, o cálice e o útero feminino (mais devaneios do exoterismo gnóstico de conotação carnal, sexual e apoiada em lendas)
  • Finalmente - disse Teabing -, se vir Jesus e Madalena como elementos da composição e não como personagens, verá uma outra forma óbvia saltar-lhe aos olhos. - Fez uma pausa. - Uma letra do alfabeto.
Sophie viu-a imediatamente. Dizer que a letra lhe saltou aos olhos seria um eufemismo. Subitamente, não via mais nada senão a letra. Bem no centro da pintura destacava-se o inquestionável desenho de um enorme e impecavelmente traçado M.
  • Um pouco perfeito de mais para ser coincidência, não acha? - perguntou Teabing. Sophie estava estupefata.
  • E está ali porquê?
Teabing encolheu os ombros.
  • Os teóricos da conspiração dir-lhe-ão que significa Matrimônio ou Maria Madalena (Nem Maria Madalena e nem ninguém, além dos 12 apóstolos, encontrava-se naquele recinto onde ocorreu a "última ceia". O trecho do evangelho Lucas 22:14 e bastante claro: “E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos.” Uma mulher poderia estar na comitiva itinerante, uma mulher poderia ser uma servidora, uma obreira, poderia até mesmo ser uma esposa (se fosse o caso), mas, definitivamente, não havia mulher alguma no apostolado. Todos os apóstolos haviam sido escolhidos por Jesus. Retirar João dentre os doze, para colocar, no lugar desse, Maria Madalena, é, no mínimo, algo sinistro e diabólico) Para ser honesto, ninguém sabe. A única certeza é que o M escondido não é resultado de um acaso. Inúmeras obras relacionadas com o Graal contêm um M escondido ... seja em marcas-de-água, camadas inferiores de pintura ou alusões composicionais. O mais evidente de todos os M é, claro, o que aparece no altar de Nossa Senhora de Paris, em Londres, concebido por um ex-Grão-Mestre do Priorado de Sião, Jean Cocteau.
Sophie pesou a informação.
  • Admito que os M escondidos são intrigantes, embora assuma que ninguém afirma que constituem prova do casamento de Jesus com Madalena.
  • Não, não - respondeu Teabing, que se dirigia a uma mesa próxima carregada de livros. - Como disse há pouco, o casamento de Jesus com Maria Madalena é um fato historicamente registado (registrado onde? O próprio Jesus explicou a sua situação, em Mateus 19:12, “Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.”). - Pôs-se a remexer nas rimas de livros. - Além disso, Jesus como homem casado faz infinitamente mais sentido do que a tradicional visão bíblica de Jesus como homem solteiro.
Literalmente, eunuco é um homem cujos testículos foram removidos por orquidectomia, ou então são congenitamente não-funcionais. Obviamente que nenhum desses dois casos deveria ser o caso de Jesus. Todavia, "alguém que a si mesmo se fez eunuco por causa do reino dos céus", é algo que, no judaísmo do tempo de Jesus, não era concebido com facilidade. No judaísmo era comum que os homens viessem a se casar. Jesus não havia sido ainda "cobrado" disso, pelos fariseus, pois aos 33 anos de idade ele era tido como jovem ainda, pelos padrões judaicos, mas decerto, com o tempo, caso permanecesse vivo e solteiro, passaria a sê-lo.

Porém, o que Jesus propôs ali, foi algo que pode ser expresso de maneira mais direta com o termo do latim, cælibatus, que significa "não casado" ou  “celibatário”. No cristianismo o homem é livre para fazer aquilo que lhe convém, com respeito a isso, casar-se ou não casar-se, para conservar-se mais disponível ao serviço do reino, como foi, inclusive, o caso do próprio apóstolo Paulo.

Durante este estudo, eu pude constatar que, uma boa parte das ideias nebulosas e confusas que se formaram em torno da imagem de Maria Madalena, é derivada de uma inocente e sincera preocupação, com aquilo que o imaginário popular pensa ser "a infeliz situação dela". Por ter sido possuída por sete demônios, associa-se a isso a ideia de que ela deveria ter sofrido muito, que poderia ser fisicamente doente ou mentalmente perturbada. Tem-se a impressão de que ela, apesar de possuir bens materiais, deveria ser solitária e muito triste. Sua alma deveria ser sofrida e ela tão infeliz que não poderia ir em frente sozinha.

Aos que pensam assim, eu posso lhes garantir, que todo sofrimento que ela possa ter tido, cessou, a partir do momento em que Jesus a libertou do poder do mau. Após a morte do mestre, a quem ela mesma pôde ver ressuscitado, estou certo de que ela deva ter permanecido em união com o núcleo dos apóstolos. Acredito que ela se encontrava com eles, na mesma casa em Jerusalém, quando estes foram agraciados com a chegada do Espírito Santo e creio que ela deva ter continuado a fazer parte da amorosa fraternidade dos cristãos de Jerusalém, vivendo decentemente com eles, mesmo que debaixo de tribulações, tendo sempre em mente a memória de Jesus, até o fim da vida dela. Portanto, amados, tranquilizemo-nos quanto a esta questão e não permitamos que os nossos receios nos conduzam a fantasias e devaneios, que não condizem com a nossa fé de cristãos, mas com a do ocultismo, com o qual não temos parte.

Finalizando, eu oro para que aceitem isso, gnósticos e ateus. Mesmo não abraçando a mesma fé que a nossa, deixeis de perseguir a Cristo e seus seguidores. Jesus foi o messias, o filho enviado por Deus. O único a quem foi dado TODO PODER no céu e na terra. A salvação da parte do Senhor Jeová para a humanidade, já foi concretizada e nunca mais poderá ser impedida, por nada que ainda possa vir acontecer. No ponto em que chegamos, o máximo que as forças em contrário poderão obter de exito, é fazer desviar alguns poucos humanos incautos. Todavia, lembrem-se aqueles que agem em nome do mau, que assim o fazendo, no grande dia do Senhor, é de suas próprias mãos que o sangue destes inocentes será cobrado.


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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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