Mostrando postagens com marcador Ciência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciência. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Ser Intelectual na Modernidade


No nosso dia a dia, fazemos um uso muito frequente de termos que fazem parte da ampla classe dos “nomes”, quer seja para identificar seres e objetos, com o ato de “dar nomes” (na verdade, em geral, apenas associar-lhes um nome já existente), rotulando os seres e objetos palpáveis e impalpáveis que conhecemos ou idealizamos, ocasião em que lançamos mão da classe gramatical de palavras denominada substantivos ou, ainda que seja para caracterizar, especificar e especializar os mesmos seres e objetos, ocasião em que empregamos palavras da classe dos adjetivos.

Assim, substantivos e adjetivos têm em comum o fato de fazerem parte da ampla classe denominada, simplesmente, “nomes”. Existe uma diferença entre eles, mas essa diferença só se evidencia funcionalmente, quando aparecem combinados no sintagma nominal, numa ordem linear, o substantivo funcionando como núcleo, e o adjetivo como modificador. Quando isolados, nem sempre é possível uma distinção tão nítida entre substantivos e adjetivos, porque eles têm características mórficas semelhantes, isto é, flexionam-se para expressar as categorias de gênero e número.

O termo “Intelectual”, por exemplo, segundo professor e lexicógrafo brasileiro Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, é um termo derivado do latim tardio (intellectuale), ou seja, o latim empregado em literatura dos séc. III a V da era cristã, e que seguiu perdendo a força entre os séculos VI e VII. Já, segundo a Wikipédia em língua portuguesa, “intelectual” é um empréstimo linguístico originário da França, onde foi usado pela primeira em no final do século XIX.

Buarque de Holanda cita escritos do português José Duarte Ramalho Ortigão (Porto, 24 de outubro de 1836 — Lisboa, 27 de setembro de 1915), que aparecem na obra de compilação póstuma de textos de crítica literária, publicada em 1943 (volume 1) e 1945 (volume 2), no entanto, não me foi possível até o momento precisar a data do escrito em que aparece, especificamente, a frase:

“A infanta D. Maria era uma mulher espirituosa, de grande cultura intelectual”

Já a Wikipédia de língua francesa confirma que o termo "intelectual" é de início recente e está diretamente ligada ao caso Dreyfus, um polêmico caso de erro judiciário militar que agitou a França entre 1894 e 1906: a palavra foi adotada por Maurice Barres e Ferdinand Brunetière, que em seus escritos anti-Dreyfus, nos quais pretendiam denunciar o comprometimento de escritores como Émile Zola, Octave Mirbeau e Anatole France em favor de Dreyfus, e em assuntos militares e de espionagem, o que era estranho para eles.

Deste modo, o tom do emprego inicial do termo “intelectual” teria sido pejorativo, uma vez que tendia a levar os leitores a considerarem o intelectual visto como um refugiado em pensamentos abstratos, que perderia facilmente de vista a realidade e que lidaria com assuntos que não lhe seriam familiares. Mas o próprio desfecho do caso Dreyfus serviu de virtual desagravo contra tal significado de emprego do termo.

Na internet, existe referência a pelo menos mais uma obra literária, mas que assinala o emprego do termo “intelectual”, como anterior aos eventos na frança, mais especificamente, para o ano de 1857, na Itália, na obra literária intitulada “Della Conoscenza Intellettuale”, volume 1, publicada em 1857, sob a autoria de Matteo Liberatore.

Além do mais, a Wikipédia em língua italiana corrobora com Buarque de Holanda, ao afirmar que o termo deriva do latim tardio “intellectualis” (intelectual), um adjetivo que quer indicar o que em filosofia tem relação com o intelecto e a sua atividade de elaborar teorias e racionalizar métodos e, portanto, é caracterizada como sendo separada da sensibilidade e da experiência, consideradas de baixo nível cognitivo.

Na concepção aristotélica, intelectuais foram definidos como aqueles cuja virtude era a ciência, a sabedoria, a inteligência e a arte, que permitiam a alma intelectiva alcançar a verdade. No campo da metafísica, o termo foi, então, empregado para indicar o abstrato, em oposição à concretude e materialidade.

Assim, ao que tudo indica, parece a imprensa francesa apenas popularizou o termo “intelectual”. Seja como for, o termo “intelectual” trata-se, com certeza, de um empréstimo linguístico mas, em nada um neologismo e, cuja origem conceitual, remonta a época do Liceu de Atenas, para mais de três séculos antes de Cristo.

Um dos principais espaços de atuação do intelectual é a Universidade e, neste espaço o intelectual acadêmico desenvolve e realiza a sua atuação. Todavia, um intelectual não precisa, necessariamente surgir ligado a uma Universidade mas, sendo efetivamente um intelectual produtivo, acabará, de algum modo, por fim, sendo ligado a alguma delas. Este é o caso de muitos empreendedores que, apesar de serem tidos sobretudo como empresários de sucesso, são também notórios intelectuais. No final do ano de 1972, Steve Jobs, o principal fundador da empresa desenvolvedora e produtora de computadores Apple, ingressou na universidade Reed College em Portland, Oregon, onde cursou formalmente apenas por seis meses e anos mais tarde testemunhou: "Desistir foi a melhor coisa que fiz. Pude me dedicar às coisas que eu realmente queria fazer."

Jobs passou 18 meses frequentando o campus da Reed College, onde ganhou permissão para acompanhar as aulas como observador. Entre os cursos assistidos por Jobs estava um curso de caligrafia que anos mais tarde influenciaria na tipografia do Macintosh. Sobre o curso de Caligrafia, Steve Jobs falou: "Aprendi sobre letras com serifas e sem serifas, sobre como variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia excelente. Aquilo foi lindo, histórico, artisticamente sutil, de uma maneira que a ciência não havia podido captar ainda, e achei fantástico.”

Steve Jobs teve participação direta na elaboração de poucos livros, sozinho mesmo ele não escreveu nenhum, mas orientou ou inspirou a criação de várias duzias de obras. Jobs, morreu aos 56 anos de idade vítima de cancro no pâncreas. "Saber que morrerei em breve foi a mais importante ferramenta que encontrei para me ajudar a tomar as grandes decisões da minha vida. Porque quase tudo – expectativa, orgulho, medo do embaraço ou do insucesso – é insignificante perante a morte, ficando apenas aquilo que é realmente importante. Lembrar a inevitabilidade da morte é a melhor forma de evitar a armadilha de pensar que se tem realmente alguma coisa a perder", afirmou Jobs, enquanto agradecia um doutoramento honoris causa recebido pela Universidade de Stanford em 2005. O mundo perdia um gênio visionário.

Se a principal meta de um intelectual e produzir mudanças de pensamentos, posturas e comportamentos nas pessoas e nas sociedades, então, tanto Steve Jobs, quanto Jesus Cristo, foram notórios intelectuais. Se uma externalidade do intelectual moderno é denotada por produzir, inovar e gerir o capital e a propriedade intelectual, ou então dar inúmeras palestras universitárias (mesmo sem ter um curso superior formalmente concluído) então Jobs foi, realmente, um sumo intelectual, com vantagens diferenciadas sobre o intelectual acadêmico formatado, que consistiram nos seus mais elevados sensos de empirismo, praticidade e empreendedorismo, não como únicos, mas como principais meios de produzir inovação nas ciências e nas tecnologias.

Na prática, a definição do intelectual é realizada, principalmente, por outros intelectuais e estes definem o termo segundo seus próprios posicionamentos intelectuais, fato este que complexifica a definição. Num conceito mais popular, o intelectual é definido a partir da perspectiva do uso da palavra, pelo meio social no qual vive ou no qual estabelece sua trajetória social.

Ao que tudo indica, em seus primórdios, o termo “intelectual” foi idealizado para ser empregado como um adjetivo, ou seja, uma palavra que modifica um substantivo e que dá precisão ao seu sentido. Esse processo constitui um mecanismo produtivo na língua, dada a capacidade dos adjetivos de expandir e diversificar a ideia básica definida pelos substantivos.

Uma especialidade do adjetivo “intelectual” é que o substantivo que o acompanha precisa ser, necessariamente, um ser ou uma entidade capaz de raciocínio, apto a operação mental, discursiva e lógica, de modo que, “intelectual” surgiu como um adjetivo para ser associado, exclusivamente, a seres humanos, atribuindo-lhe o estado, a qualidade e a característica de um “ser intelectual”.

No entanto a popularização do termo desde o o final do século XIX acabou por torná-lo, na prática, também um substantivo. Uma palavra se torna substantivo simplesmente quando toma o lugar de um. A distinção feita entre um substantivo e um adjetivo não é, em geral, de significado (semântica) mas, sim, de função (sintaxe). Adjetivos que se tornam substantivos são casos que acontecem com frequência, por exemplo, dentro da gramática japonesa.

Também um adjetivo pode derivar de um substantivo, o que resulta na evidente existência de semelhanças morfológicas (de estrutura e de formação das palavras) entre eles, que é algo que justifica o fato de que ambos, adjetivos e substantivos, recebam a denominação comum de “nomes”. Existem ainda casos de palavras que são, em geral, substantivos, mas que podem ser usadas como adjetivos (substantivos adjetivados).

Para a classificação dos substantivos é adotado normalmente o critério semântico e para os adjetivos, o critério sintático. Voltado para o aspecto semântico das ocorrências de substantivos e adjetivos e na transitoriedade entre eles, tanto no português do Brasil como em outras línguas, alguns autores modernos tem buscado demonstrar que a classificação das classes de palavras, conforme as gramáticas escolares, não atende às necessidades do discurso, sobretudo, devido a mistura de critérios semânticos, morfológicos e sintáticos.

A “intelectualidade”, substantivo feminino que pode significar tanto o conjunto e a classe dos indivíduos intelectuais, como também as faculdades intelectuais em si, muitas vezes é interpretado como sendo “inteligência” mas, essa é uma interpretação bastante questionável atualmente, uma vez que o conceito de “inteligência” parece ser mais abrangente, envolvendo eixos cognitivos que vão além da intelectualidade, como a competência, que é a capacidade do indivíduo em agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiando-se em conhecimentos, mas sem se limitar a eles.

A inteligência dota o indivíduo da capacidade de resolver situações problemáticas novas mediante reestruturação dos dados perceptivos e para isso, a inteligência envolve, ainda, o desenvolvimento de habilidades, que decorrem das competências adquiridas e referem-se ao plano imediato do saber fazer. Através do exercício das ações e operações, as habilidades se aperfeiçoam e se interagem, possibilitando nova reorganização das competências.

Atualmente existe um consenso cientifico em torno de um conjunto de cinco competências humanas básicas para a atividade educacional, que são: “dominar linguagens”, “compreender fenômenos, “enfrentar situações-problema”, “construir argumentações” e “elaborar propostas”. Com o intuito de fomentar a formação e o desenvolvimento de uma comunidade investigativa cientifica (uma comunidade de intelectuais) através da educação, a próxima competência inserida como básica, somada às que já foram definidas, bem que poderia ser “investigar ciências”. Esta competência, que é também relativamente básica mas, dependente das anteriores elencaria, entre outras habilidades, as relativas a investigação ou pesquisa, a síntese e a organização. Isso feito, e já num nível mais elevado, abarcando todas as competências anteriores, poderia aparecer uma competência que se apresenta como a chave da sobrevivência e do sucesso, para o intelectual na modernidade: o “empreender avanços intelectuais”.

Muitos autores ainda costumam definir “competência” como sendo, simplesmente, um conjunto de habilidades, mas essa definição pode ser insuficiente e, portanto, mal interpretada, na medida em que se percebe que o relacionamento entre estas duas entidades é caracterizado por ser do tipo N:N, ou seja, um tipo de cardinalidade que envolve um relacionamento “muitos para muitos”. Assim, além de uma dada competência conter um conjunto de habilidades, uma dada habilidade pode estar contida em uma variedade de competências. A diferença entre elas pode se tornar tênue, enquanto o principal diferencial se torna, tão somente, quanto ao aspecto, que é mais geral nas competências e mais especifico nas habilidades.

Além disso, o conceito moderno de inteligência envolve, também, um bom êxito do bem estar emocional do indivíduo que a possui que, apesar de serem considerados aspectos não cognitivos da inteligência, dota-o da capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como da capacidade de lidar com eles, percebendo e exprimindo a emoção, assimilando-a ao pensamento, compreendendo e racionalizando no contexto emocional, regulando as emoções em si próprio e a sua volta, resultando em atitudes e posturas que levam o individuo a viver de uma forma mais satisfatória.

Assim, a intelectualidade se caracteriza por um avantajado desenvolvimento do conhecimento científico, quer seja envolvendo apenas uma área específica, quer seja das ciências factuais (empíricas), ou seja da ciências formais e suas ferramentas para fazer ciências, quer seja na área das ciências naturais, ou na área das ciências sociais, ou mesmo atuando concomitantemente em múltiplas dessas áreas, mas sempre associado a uma boa capacidade de comunicação e de articulação dos frutos do intelecto produzidos.

No entanto, a intelectualidade restringida a si própria pode resultar em não ser positivamente produtiva para o próprio indivíduo que a possui, caso ela não seja desenvolvida com certos cuidados pois, quando a intelectualidade suprime a inteligência, há uma propensão de o individuo passar a se autodestruir com os seus próprios saberes.

Não raro, muitos intelectuais passam a viver um estilo de vida que reflete angustia e infelicidade, frequentemente recorrendo, inclusive, a externalidade de conduta desenfreada, tais como ao abuso de álcool e outras drogas e promiscuidade sexual, simplesmente por se descuidarem da premente necessidade de aprender a lidar com a sua própria intelectualidade, o que acaba por torná-los, de certo modo, improdutivos até mesmo para os que os seguem mais de perto. Isso pode ocorrer com qualquer intelectual mas, parece existir uma tendência de ocorrer de maneira mais acentuada àquele dedicados às ciências sociais.

Em sua obra literária escrita em estilo de crônica pessoal e intitulada "A Educação do Estóico", o escritor português Fernando Pessoa (Barão de Teive) escreve:

“Não há maior tragédia do que a igual intensidade, na mesma alma ou no mesmo homem, do sentimento intelectual e do sentimento moral. Para que um homem possa ser distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco estúpido. Para que um homem possa ser absolutamente intelectual, tem que ser um pouco imoral. Não sei que jogo ou ironia das coisas condena o homem à impossibilidade desta dualidade em grande. Por meu mal, ela dá-se em mim. Assim, por ter duas virtudes, nunca pude fazer nada de mim. Não foi o excesso de uma qualidade, mas o excesso de duas, que me matou para a vida.”

Este pensamento expressa a ideia de que intelectualidade e moralidade talvez sejam incompatíveis mas, revela, sobretudo, que o Barão de Teive, que é possivelmente o último semi-heterônimo criado por Fernando Pessoa, adotado para a autoria desse único manuscrito, reuniu, como ele próprio expressa, de forma trágica, as várias obsessões do seu criador.

Fernando Pessoa, um dos maiores escritores portugueses mundialmente conhecidos, que evolucionou toda a produção poética portuguesa do século XX, era um aristocrata buscando e rebuscando traços de sangue azul na sua linhagem paterna e promulgando uma teoria de aristocracia interior; era solteiro, abastado e tinha grande dificuldade de lidar com a sexualidade.

Segundo Richard Zenith, editor e autor do post-mortem do livro que trás o tal escrito, o Barão de Teive assumiu o aspecto mais perigoso do seu criador - a razão sem freio, que o levou à conclusão de que a conduta racional da vida era impossível, e sendo assim o suicídio era a saída que a razão lhe impunha.

Traduzindo sucintamente, sem duvida Fernando Pessoa (Barão de Teive) foi um intelectual, mas subjugado pela sua própria conduta racional e, impossibilitado de dominar os seus sentimentos e emoções, confessava-se não ser um homem inteligente e, menos ainda, realizado e feliz, o que conduz a conclusão que, de fato, intelectualidade não significa, necessariamente, inteligência.

Alguns autores atuais já passam, inclusive, a incluir no rol da inteligência, aspectos como consciência interior e espiritualidade. Nem só razão, nem só emoção. Para o indiano Amit Goswami, a base da criatividade é a inteligência que baseia-se, também, nas percepções sutis e na intuição, por exemplo, ideia compartilhada pelo líder religioso conhecido como Osho Bhagwan Shree Rajneesh, que vai além, afirmando que Inteligência é o crescimento da consciência interior, não tendo nada a ver com conhecimento. Para estes autores, a inteligência está associada com meditatividade, com os valores e virtudes, e com os arquétipos que definem verdade, beleza, amor, justiça, bondade, entendendo que a consciência é a base da existência.

A consideração de temas correlatos a isso vem crescendo, inclusive, entre os cristãos. O pastor evangélico Silas Malafaia, que além de teologia é formado em psicologia pela Universidade Gama Filho, publicou a poucos anos um pequeno livro intitulado “Inteligência Espiritual”, com enfoque para o fato de que a inteligência humana tem uma dimensão espiritual e que a fé cristã é uma manifestação inteligente.

Apenas visando despertar uma reflexão descompromissada no leitor, eu coloco, ainda, as seguintes provocações conjecturais: As bibliografias de Fernando pessoa expõem, de um modo geral, aproximadamente, o seguinte (seguimentos baseado em Wikipedia): “Pessoa e o ocultismo: Fernando Pessoa interessava-se pelo ocultismo e pelo misticismo, com destaque para … (denominações religiosas) … embora não se lhe conheça qualquer filiação concreta ...”; “O seu poema hermético (estudo e prática da filosofia oculta e da magia) mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se ...”; “Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo ...”; “Apreciava também o trabalho do famoso ocultista … Os seus conhecimentos de astrologia impressionaram … “

Quanto a Jobs, apresenta-se o seguinte: “Em seu período acadêmico, Jobs começa a ler livros sobre espiritualidade e iluminação e se torna adepto de dietas compulsivas. Jobs andava descalço pela universidade, não tomava banho e devolvia garrafas de refringente para receber alguns trocados. Aos domingos realizava caminhadas até o centro … (denominação religiosa) … para ganhar uma refeição quente. Quando precisava de dinheiro, fazia pequenos reparos eletrônicos nos equipamentos do laboratório de Psicologia. Em 1974 consegue um emprego na Atari. A empresa serviria de trampolim para que Jobs alcançasse a Europa e depois a Índia, onde faria uma jornada espiritual …”

Me parece claro que ambos intelectuais viveram cônscios de que eles tinham algum tipo de necessidade espiritual que precisa ser, de alguma forma, atendida. Evidencia-se que ambos buscaram lidar com o sofrimento fazendo dele um aprendiza espiritual! De modo que, postulados que propõem estabelecer relacionamentos entre inteligência e espiritualidade, a mim não parecem, em nada, absurdos.

Assim, os intelectuais não se caracterizam por sua elevada “inteligência” mas, sim, pela posição que assumem para si mesmos, no conjunto das relações sociais. Um indivíduo pode ser um intelectual faltando-lhe, até mesmo, algumas das competências mais básicas, além das consequentes habilidades associadas. Alguém pode ser um intelectual, sendo falho ou mesmo desprovido de inteligência emocional, ou ainda de inteligencia espiritual.

Dedicar-se a atividades intelectuais, mesmo que resulte em prazer ao indivíduo que o faz, assim como o hábito do uso de drogas o faz com os seus usuários, não requer que haja como resultado um estado de felicidade ou mesmo de autossatisfação no modo de vida do intelectual, nem mesmo garante a posse de uma postura ética, diante dos objetos-alvo dos seus estudos científicos. Por conseguinte, é apenas através do seu papel na divisão social do trabalho que podemos entender melhor quem são os intelectuais, dentro de uma visão da intelectualidade enquanto classe social.

Podemos, a partir desta visão, definir os intelectuais como uma classe social, composta pelos indivíduos dedicados exclusivamente ao trabalho intelectual. Tal classe social assume formas diferentes em sociedades diferentes. Os intelectuais sempre tiveram uma posição privilegiada no interior da divisão social do trabalho. Historicamente, os intelectuais, dentre estes notadamente os “ideólogos”, surgiram a partir da expansão da divisão social do trabalho e sempre estiveram, ou ao lado da classe dominante, ou em apoio às forças de oposição a esta.

Na sociedade escravista, os intelectuais eram, em sua maioria, os filósofos; na sociedade feudal, os teólogos e, na sociedade moderna, os cientistas. A forma de remuneração, ou os meios de sobrevivência, variam de acordo com o modo de produção, mas sempre possuem rendimentos superiores aos das classes operárias. Portanto, trata-se de uma classe social que ocupa determinado papel no processo de reprodução da sociedade e privilégios derivados disto. A sua constituição e dinâmica depende da totalidade das relações sociais e do modo de produção que está na base de uma determinada sociedade.

Isto quer dizer que existem semelhanças entre os intelectuais nos diversos modos de produção mas também diferenças. Obviamente que o papel e as características da intelectualidade, enquanto classe social poderia, devido a tais diferenças, gerar distinções nas terminologia usadas para defini-los. Sem dúvida, assim como se pode utilizar a expressão “trabalhadores” para se referir tanto aos escravos da sociedade antiga quanto aos operários da sociedade moderna ou a expressão genérica de “classe dominante” para os variados grupos que sucedem um ao outro no poder, o mesmo se pode fazer com a intelectualidade.

Isto é derivado de um necessário nível de generalidade maior da expressão, que deve, a cada forma de sociedade existente, receber um tratamento diferenciado, pois ao lado das semelhanças existem as diferenças. Todavia, num grau maior de generalidade, é fato que os intelectuais, em todas as sociedades, em sua maioria, fazem parte das classes sociais mais privilegiadas, sendo ainda, frequentemente, utilizadas como uma classe auxiliar pela classe dominante, dedicando-se exclusivamente ao trabalho intelectual que favoreça os interesses dessa, da qual se tornam servidores e dependentes.

O surgimento dos intelectuais ocorre com a separação entre trabalho intelectual e manual. Os intelectuais passam a se dedicar ao trabalho intelectual e, frequentemente, o produto do seu trabalho é de cunho ideológico. Em geral, os intelectuais não produzem a ideologia em si mas, sim, processos de sistematização dela, transformando as representações lúdicas existentes em saber sistemático, como filosofia, teologia, ou outra forma de ciência. Por exemplo, os economistas traduzem para a linguagem da ciência econômica, as representações cotidianas dos agentes do processo econômico.

Uma ideologia, uma vez produzida, passa a legitimar as relações sociais existentes, cumprindo o papel de naturalizá-las e universalizá-las, sob uma forma também considerada legítima, a forma científica, filosófica, teológica. Assim, um saber legítimo realiza a legitimação das relações sociais existentes. O discurso dos intelectuais possui uma legitimidade devido ao fato de ser considerado verdadeiro e superior. A legitimidade do discurso do intelectual se encontra na sua autodeclarada capacidade de monopolizar a veiculação da verdade, através da razão, da interpretação da palavra de Deus, da pesquisa empírica, ou de qualquer outra justificativa, ela mesma, ideológica em si, mas aceita socialmente.

Assim, os intelectuais estão frequentemente ligados à burocracia e a passagem de um intelectual para a burocracia, estatal ou privada, é bastante corriqueira, tendo em vista que o “capital cultural” pode se tornar um meio de se conquistar cargos de direção no Estado ou nas instituições da sociedade. Numa determinada sociedade em que a produção intelectual esteja predominantemente subordinada aos interesses da classe dominante, é evidente que o papel da maioria dos intelectuais será o de conservador, e não o de setor progressista da sociedade. Neste caso, a educação, a produção científica, etc., deixam de ser elementos que contribuiriam com a emancipação humana e os intelectuais, por sua posição social e pelos interesses e valores derivados dela, acabam por se tornar agentes da conservação e não da transformação.

Neste sentido, a suposta “liberdade” ou “autonomia” dos intelectuais, como defendeu o sociólogo Karl Mannheim, se torna uma ficção, e eles passam a ser tão condicionados e determinados quanto qualquer outra classe social. Os intelectuais passam a ter os seus interesses próprios, particulares, ligados aos interesses da classe dominante e, prevalecendo a manutenção de uma posição privilegiada na sociedade, altos salários, status, etc.

Se a própria existência dos intelectuais e de seus privilégios depender da conservação da sociedade, isso significa que os intelectuais estarão indissoluvelmente ligados ao poder e sem autonomia. No entanto, pode faz parte da lógica dos seus interesses produzir um discurso de sua autonomia, pois assim escamoteia sua ligação com o poder e ganha legitimidade. A ideia da autonomia dos intelectuais é uma ideologia produzida pelos intelectuais e para os intelectuais, que pode ser exemplificada pela ideologia a respeito da “neutralidade de valores” na ciência mas, também pode ser puro interesse da classe dominante. Neste sentido, os intelectuais são meramente uma classe auxiliar da burguesia, devendo, todavia ocultar esta relação.

A tese da autonomia dos intelectuais já foi defendida inúmeras vezes e sob as mais variadas formas. Realmente, os intelectuais possuem uma autonomia relativa, como todos os indivíduos, grupos e classes sociais em nossa sociedade. No entanto, não raro, os intelectuais possuem o desejo de se tornar burocratas (dirigentes), ou a própria nova classe dominante e os burocratas buscam legitimar sua dominação através do discurso sobre o saber. Aqueles que sabem devem dirigir, ou, como já dizia Bacon, “saber é poder”. Daí a suposta eterna aliança, a cumplicidade entre burocratas e intelectuais.

Poucos são os intelectuais que denunciam a si mesmos. Geralmente a crítica aos aberta aos intelectuais é proveniente de não-intelectuais. Obviamente que estamos nos referindo aos intelectuais enquanto classe social, isto é, aqueles que exercem a função de intelectuais, e não qualquer pessoa que realiza uma produção intelectual, pois nesta segunda acepção mais ampla, se não todos mas, um número muito maior de indivíduos são inseridos e considerados intelectuais, entre os quais eu me incluo.

Uma das críticas mais fortes aos intelectuais enquanto classe social foi a realizada por Jan Wanclaw Makhaïsky (1981), que realizou uma análise de cunho marxista dos intelectuais, observando os seus altos rendimentos e a fonte de tais rendimentos: a renda nacional e esta, por sua vez, é oriunda da exploração capitalista, isto é, da extração de mais valor da classe operária. O nível de vida quase burguês dos intelectuais é derivado de sua apropriação de parte do lucro patronal, de parte do mais valor global. Segundo a analise, se esta intelectualidade se diz “socialista”, seria porque ela visa concentrar os meios de produção nas mãos do Estado, para assim garantir a apropriação de uma parte maior do mais valor global.

Makhaïsky anunciou profeticamente o destino da Rússia ao criticar o bolchevismo e ser perseguido pelo Partido Bolchevique. A Revolução Bolchevique e a burocratização que lhe acompanhou gerou diversos estudos sobre a “nova classe” e sobre a burocracia e a intelectualidade. Em 1973/1974, o sociólogo Ivan Szelenyi e o romancista George Konrád escreveram Os Intelectuais e o Poder, expressando a tese de que a intelligentsia se torna uma classe que cada vez mais reduz sua distinção com a burocracia no “socialismo real” do Leste Europeu (Konrád e Szelenyi, 1981). Estes e muitos outros estudos tematizaram a intelectualidade e revelaram, com maior ou menor exatidão, as relações entre esta classe social e o poder.

Porém, é preciso deixar claro que existe uma distinção entre indivíduo e classe social. A intelectualidade, enquanto classe social, é conservadora, o que não quer dizer que todos os intelectuais, ou seja, cada um dos indivíduos pertencentes a esta classe, sejam conservadores. O indivíduo possui uma autonomia relativa e, dependendo do desenvolvimento de sua consciência, valores, interesses, ele pode, mesmo pertencendo a uma classe social conservadora, romper com a reprodução das concepções desta. Obviamente que para aqueles que realizam tal processo, é costuma ser reservada uma considerável perda de posição social, de modo de vida e todos os valores, interesses, etc., derivados de pertencer a classe da intelectualidade, e que predispõe todos os indivíduos que a compõe ao conservadorismo.

No entanto, vários indivíduos podem romper, seja devido ao seu processo histórico de suas vidas, por relações familiares, por desenvolvimento da consciência, por ligações com pessoas, pela a percepção de que apesar dos privilégios também está submetido à alienação, ao modo de vida degradado do mundo contemporâneo e ao processo de desumanização, entre outros fatores, podem contribuir com isso. Todas as classes sociais produzem seus representantes intelectuais, que podem ou não exercer a função de intelectual, isto é, indivíduos que produzem concepções (que são de seu interesse).

Esta ruptura pode ser parcial ou total. Um intelectual profissional, por pertencer aos extratos mais baixos de sua classe social, pode se revoltar contra sua condição e assim assumir um discurso crítico e até se aliar a setores que pregam a transformação social, o que não significa que tenha se tornado autenticamente um intelectual revolucionário, pois sua produção intelectual ainda fica limitada por não realizar uma superação completa, já que o seu posicionamento não é derivado de uma identificação dos seus interesses com os das demais classes mas, sim um descontentamento individual que proporciona uma revolta individual sem grande alcance e que, se for compensado, pode “mudar de lado”.

Este é o caso de diversos intelectuais ligados a partidos políticos, principalmente de “esquerda”, e é isso que possibilita a ideia do caráter corruptível de tais intelectuais, embora existam aqueles que são dissimulados, que tão logo assumam algum cargo mostram sua verdadeira face, existem também os iludidos, que são sinceros mas que não conseguem ultrapassar determinadas concepções – não se aliando com a direção e nem rompendo com o partido – e geralmente ficam à margem do partido, principalmente quando este se fortalece através das vitórias eleitorais.

Além do mais, não obstante, nem toda produção intelectual é embebida em engajamento político partidário ou político ideológico e, principalmente estas é que continuam a ser contribuições fundamentais válidas dos intelectuais para o desenvolvimento do pensamento complexo.

Toda suspeição contida no discurso dos parágrafos anteriores pode parecer exagerada e, o leitor mais intelectualizado pode até identificar um fundo de cunho ideológico marxista nelas, donde, de fato, elas foram extraídas. Todavia, elas podem ser, também, algo absolutamente salutar e, fazer parte, inclusive, da metodologia científica que tem sua origem no pensamento de Descartes, e que foi posteriormente desenvolvida empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton. René Descartes propôs chegar-se à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição do problema em pequenas partes, características que definiram a base da pesquisa científica.

Lê-se no livro o “Discurso do Método”:

“... E como a multiplicidade de leis serve frequentemente para escusar os vícios, de sorte que um estado é muito melhor governado quando, possuindo poucas, elas são aí rigorosamente aplicadas, assim, em lugar de um grande número de preceitos dos quais a lógica é composta, acrediteis que já me seriam bastante quatro, contanto que tomasse a firme e constante resolução de não deixar uma vez só de observá-los.

O primeiro consistia em nunca aceitar, por verdadeira, coisa nenhuma que não conhecesse como evidente; isto é, devia evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; e nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião de o pôr em dúvida.”

Também dos pilares do pensamento científico considera Princípio da Falseabilidade, onde as hipóteses devem ser sempre testáveis (falseáveis), o que se aplica a todas as hipóteses científicas, desde as mais simples conjecturas, até àquelas elevadas à categoria dos postulados, para o cientista sincero, tudo que se acredita como verdadeiro deve estar sempre pronto a passar por testes de falseabilidade, sempre que requerido, incluindo ele próprio e sua pressuposta autonomia, seja como indivíduo ou como classe. A ocorrência de penas um novo fato verificável, contudo contraditório, é suficiente para que as ideias teóricas conflitantes se tornem passíveis de ser compulsoriamente recicladas ou mesmo abandonadas.

Não obstante, há que se cuidar para não se cair no estreitamento cego do anti-intelectualismo, que descreve um sentimento de hostilidade em relação a intelectuais e seus objetos de pesquisa. Isto pode ser expresso de várias formas, tais como ataques aos méritos da ciência, educação, arte ou literatura, coisas que só resultam na ampliação da alienação dos saberes da maioria.

Em geral, o anti-intelectualismo se justifica mediante os argumentos ideológicos e pragmáticos, coisas que, em geral, não são produzidas pelas pessoas mais simples, mas sim, pelos próprios intelectuais, e que, no entanto, que acabam por motivar, entre outras coisas, o ressentimento de pessoas menos instruídas contra os eruditos e a hostilidade em relação ao trabalho realizado pelos intelectuais, como educação, pesquisa, crítica social e cultural, literatura, e a acusação de parasitismo social, apoiadas na ideia de que os intelectuais não teriam uma função econômica na sociedade, sendo esta última compreendida, portanto, de maneira organicista, e ainda acusações e condenações sumarias por subversão e morbidez, o que frequentemente ocorre em nações que se encontram debaixo de políticas autoritárias ou regimes de exceção.

Em geral, um intelectual é o pior inimigo de outro intelectual qualquer, e isso se torna ainda mais evidente, recorrente e perigoso entre os intelectuais ligados ao âmbito das ciências sociais, que permanecem, numa especie de eterno jogo de intelectualidade, divididos entre as correntes de direita e correntes de esquerda. É notório o fato de ocorrência que tristes eventos de anti-intelectualismo já tenham existido no território de nações dotadas de classes dominantes de tendências ideológicas as mais diversas, como os EUA e a antiga URSS, igualmente.

Anti-intelectualismo geralmente é expressado nas comunidades por declarações de "diferença", isto é, os intelectuais são ditos como "não sendo um dos nossos". Estes que desconfiam de intelectuais, os representam como um perigo para a normalidade, insistindo que se tratam de estranhos com pouca empatia pelas pessoas comuns.

Isto historicamente tem resultado em intelectuais sendo retratados como membros arrogantes de um diferente grupo social. É comum para comunidades, em geral, vincular a ideia de intelectualidade com grupo de estrangeiros residentes ou de membros de minorias étnicas presentes. Já, em comunidades rurais, por exemplo, intelectuais talvez sejam vistos como "invejosos da cidade" que conhecem pouco do vilarejo e seus modos.

Comunidades religiosas fundamentalistas tendem a vincular intelectuais com a promoção do ateísmo, enquanto os modos sexuais dos intelectuais também são colocados em duvida, onde são suspeitos de promiscuidade, tendências homossexuais ou falta de interesse por sexo. Notavelmente, quem condena intelectuais tende vinculá-los não com apenas uma, mas uma combinação destas características acusatórias.

Juntamente com tudo isto, intelectuais podem ainda ser vistos, de modo absurdo, como sujeitos a instabilidade mental, com seus críticos insistindo na existência de uma correlação médica entre e genialidade e insanidade.

O intelectual nunca deve perder de vista que, os fatos científicos, embora não necessariamente reprodutíveis, devem ser sempre, de alguma forma, verificáveis. Neste aspecto as ciências naturais geralmente estão em permanente vantagem, se comparadas às ciências sociais. Tanto o erro quanto o engano, assim como a fraude deliberada, existem em ambas os campos mas, as ciências naturais tendem a ser menos susceptíveis a isso, apesar de não serem isentas.

Um caso exemplar noticiou-se recentemente, neste ano de 2012, sobre a confirmação final autoria de uma fraude científica cujo mistério já dura por exatos cem anos, envolvendo a assim chamado “Homem de Piltdown” que era formado por fragmentos de um crânio e de uma mandíbula recuperados nos primeiros anos do século XX de uma mina de cascalho em Piltdown, vila perto de Uckfield, no condado inglês de Sussex. Especialistas da época afirmaram que os fragmentos eram restos fossilizados de uma até ali desconhecida espécie de homem primitivo. A denominação latina de Eoanthropus dawsoni foi dado ao novo espécime.

A significância do espécime permaneceu objeto de controvérsia até que, com o avanço da ciência, foi denunciado e declarada em 1953 como uma fraude, consistindo, na verdade, da mandíbula inferior de um símio combinada com o crânio de um homem moderno, totalmente desenvolvido. Segundo os relatórios, também foi utilizada uma lima para desgastar os dentes a fim de parecerem mais velhos, bem como os ossos (ou parte destes) foram submetidos a substâncias químicas com o mesmo objetivo. Foi sugerido que a fraude havia sido obra da pessoa tida como sua descobridora, Charles Dawson (1864-1916), sob cujo nome foi batizada. Este ponto de vista tem sido questionado e muitos outros candidatos têm sido propostos como os verdadeiros criadores da contrafação mas, o fato é que agora, cem anos depois que o público britânico ter sido enganado pela apresentação do mais famoso fóssil falso de todos os tempos, um grupo de cientistas quer descobrir, de uma vez por todas, os responsáveis pela fraude, alardeada na imprensa popular como “a fraude do século”.

Assim, como vimos, mesmo no seio das ciências empíricas, por vezes também chamadas de reais, fáticas ou factuais, que se encarregam de estudar os fatos e fenômenos naturais em si, colocando a aparte as questões sociais humana, as fraudes podem existir e permanecer por um certo tempo. Todavia, por se encontrarem apoiadas na observação e na experimentação, geralmente não implicam em considerações mais rigorosas quanto à unicidade e fronteiras da ciência, sendo o método científico facilmente compatível com a metodologia específica a cada uma das subáreas neste grupo, qualquer que seja a escolhida, e por tal seguido em essência e capaz de desmascaram as fraudes com relativa facilidade.

Já, com respeito as ciências sociais, estas estudam os aspectos sociais do mundo humano, ou seja, a vida social de indivíduos e grupos humanos. Isso inclui a antropologia, os estudos da comunicação, a economia, a geografia humana, a história, a linguística, as ciências políticas, a psicologia e a sociologia, e, embora o alvo de estudo delas seja um alvo científico legítimo, a metodologia específica empregadas por muitas subáreas de estudo encerradas neste grupo, muitas vezes exigem importantes considerações a respeito dos pilares da ciência, principalmente quanto ao associado às suas fronteiras. Ao se considerarem as ciências sociais não é raro encontrarem-se estudos no limite daquilo que se pode considerar científico. Em miúdos, as ciências sociais serão sempre mais polemicamente problemáticas e susceptíveis a fraudes e enganos do que as ciências naturais.

A boa coisa a se fazer é que o enfoque principal do trabalho do cientista social se auto regule, no sentido de se manter, sempre, a favor da promoção da emancipação humana, debaixo de um clima de respeito intersocial mas, desvendando com denodo as diversas formas efetivas de injustiça e de tirania social, e as reproduções de abusos e de opressão, seja de seres humanos contra seres humanos, ou seja de seres humanos contra a o restante da natureza. Os intelectuais das ciências sociais são os que mais devem zelar, não apenas pela sua autonomia, mas também pela responsabilidade social do produto das suas ideias. Uma fraude em ciências sociais costuma causar a humanidade um prejuízo incomparavelmente maior do que uma fraude em ciências naturais.

Para fazer frente a tal acréscimo de responsabilidade, o cientista social é aquele que mais deve dar atenção às tomadas de decisões para ações inovadoras que promovam o desenvolvimento da sua intelectualidade em inteligência, mesmo não esperando ser, em nada, ainda melhores remunerados por isso do que já são. Esta é uma dívida social que eles têm para com o todo da sociedade e, considerando ainda o fato que, em países importantes como o Brasil, os cientistas sociais já são muito mais valorizados e melhores pagos do que os cientistas naturais. Principalmente aqueles intelectuais cujo trabalho é de cunho predominantemente tecnológico são, de modo lamentável, muito pouco valorizados aqui no Brasil.

Assim, de modo algum os intelectuais devem agir como meros serviçais dos poderes instituídos, por mais que eles encontrem afinidade de pensamento com a corrente ideológica deste poder mas, sim, esforçar-se em manter um posicionamento de críticos desses poderes, mesmo quando elogiando-os mas, sem nunca permitir levar-se pela prostituição intelectual. Este é o papel do intelectual que supera os seus interesses imediatos e egoístas e passa a defender os interesses gerais da humanidade, que são também seus interesses, contribuindo, assim, com a emancipação humana.

É algo paradoxal que, na mesmo época em que tanto se valoriza a propriedade e o capital intelectual nas sociedades, seja também a mesma época em que se aventa a respeito da obsolescência da função do intelectual no mundo. Na modernidade o intelectual se encontra presente e funcional, porém, transformado evoluído, adaptado a realidade do seu tempo. No site oficial do ministério da cultura brasileiro, podemos encontrar a postagem de uma interessante crônica baseada em entrevista de autoria de Alexandre Matias, que é jornalista e editor do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo. Sob o título “Intelectual nerd ou nerd intelectual?” o autor, juntamente como o seu entrevistado (Steven Berlin Johnson é um escritor norte americano, autor de obras populares sobre de ciências e tecnologias), nos dá algumas pistas de como decorre esse processo de adaptação do Intelectual moderno e sua função.

O mais novo e promissor paradigma envolvendo a condição dos intelectuais, é o “empreendedorismo intelectual”. O empreendedorismo intelectual é uma filosofia e uma visão de educação de visualização de intelectuais, principalmente os acadêmicos, como "inovadores" e "agentes de mudança." Ele se concentra na criação de colaborações multidisciplinares e multi-institucionais destinadas a produzir avanços intelectuais, com uma capacidade para fornecer soluções reais para os problemas e necessidades da sociedade. Empreendedorismo é o envolvimento intelectual acadêmico com o objetivo de mudar a vida.

O empreendedorismo intelectual expande a missão das instituições de ensino superior de "avançar as fronteiras do conhecimento" e "preparar os líderes do amanhã" para também "servir como motores do desenvolvimento econômico e social". Nesse processo, o papel do docente e do aluno evolui de o de "provocador intelectual" para se tornar o que poderia ser chamado de um "empreendedor intelectual". Empreendedorismo intelectual inclui uma prontidão para buscar oportunidades, assumir a responsabilidade associada com cada um e tolerar a incerteza que vem com o início de uma inovação genuína. Empreendedorismo intelectual muda o modelo e o enfoque do ensino superior de "aprendizagem – certificação - direito" para "descoberta – propriedade - prestação de contas."

O empreendedorismo intelectual tem como premissa a crença de que tanto a inteligência não se limita à academia, quanto o e empreendedorismo não se restringe ou sinônimo de negócio. Empreendedorismo é um processo de inovação cultural. Embora a criação de riqueza material seja uma expressão de empreendedorismo, em um nível mais profundo do empreendedorismo, ele é uma atitude para envolver o mundo. Empreendedores intelectuais, quer de dentro quer de fora das universidades, assumem riscos e aproveitam as oportunidades, descobrem e criam conhecimento, inovam, colaboram e resolvem problemas em qualquer tipo de espaços social: empresarial, governo, sem fins lucrativos e educação.

Empreendedores intelectuais entendem que uma verdadeira colaboração entre as universidades e o público equivale a um incremento de "acesso" para os ativos intelectuais da academia. É mais do que "transferência de conhecimento", a exportação de soluções cuidadosamente embrulhados rolando fora do campus via uma correia transportadora definidamente direcionada. A colaboração neste novo paradigma exige humildade e respeito mútuo, a propriedade conjunta de aprendizagem e a cocriação de um potencial inimaginável para a inovação, qualidades que moverão as universidades, além do sentido típico elitista de "serviço". Quanto ao conceito de conhecimento, depois de tudo, envolve a integração de teoria, de prática, mas também de produção.

A iniciativa de empreendedorismo intelectual é defendida pelo professor Richard Cherwitz da Universidade do Texas, em Austin. No Brasil, recentemente, a Agência de Inovação Inova Unicamp lançou o programa Inova Descobre, para fomentar iniciativas empreendedoras de estudantes de graduação e pós-graduação da universidade brasileira.

Apesar de ser um grande prazer ouvir falar em iniciativas como estas, eu não consigo evitar pensar numa eventual ocorrência de relativização dos seus possíveis resultados. Acontece que, tanto o empreendedorismo, quanto o intelectualismo, nomes que veiculam um conjunto variado de sentidos, são vocações, dons e talentos naturais. Não se pode criar um empreendedor a partir de alguém que não tenha esse talento, nem se pode criar um intelectual, a partir de alguém que não tenha vocação para isso. Todavia, ambos podem ser desenvolvidos ou aprimorados, desde que se tenha o dote da vocação, o dom e talento natural, capacitação que transcende ao produto da educação.

Nos idos da década 1920, o filósofo, cientista social e político italiano Antonio Gramsci, criou a definição daquilo que deveria ser o “intelectual orgânico”. Segundo a definição gramsciana, enquanto o intelectual tradicional é aquele que se vincula a um determinado grupo social, instituição ou corporação e que expressa os interesses particulares compartilhados pelos seus membros, o intelectual orgânico seria aquele que provém, originalmente, de uma determinada classe social, e que se manteria vinculado a ela por tempo indeterminado, atuando como porta-voz da ideologia e dos interesse daquela mesma classe social. Na visão de Gramsci, tal intelectual seria o responsável maior pela nova forma do Estado e da sociedade. Para isso a classe operaria, que deveria ser aquela que encabeçaria as mudanças sociais, precisaria produzir os seus intelectuais orgânicos, que atuariam como "funcionários da superestrutura", terminando por moldar o mundo à imagem e semelhança da sua classe fundamental.

Na visão de Gramsci, a luta da classe operária seria no sentido de afirmar esse novo intelectual, e apoiá-los em seu confronto por hegemonia e captura frente aos pré existentes intelectuais tradicionais. Mas, o fato é que, até o presente momento, em nenhuma sociedade humana conhecida, verificou-se que as classes operárias produziram, de modo natural e espontâneo, intelectuais orgânicos de modo que caracterizasse a formação do Estado revolucionário idealizado por Gramsci, nem é correto identificá-los com atuais intelectuais dos partidos de esquerda ou aos seus militantes.

Todavia, numa avaliação em paralelo com relação a moderna concepção do intelectual empreendedor, podemos constatar um mérito desta ideologia, na medida em que ela foi a primeira a definir que este novo tipo de intelectual (no caso o intelectual orgânico) não seria mais afastado do mundo produtivo ou encharcado de retórica abstrata, mas capaz de ser, simultaneamente, especialista, político e dirigente, dentro da sua própria classe.

Assim, pelos mesmos motivos que o intelectual orgânico nunca vingou naturalmente, programas de empreendedorismo intelectual só poderão ter sucesso em desenvolver e aperfeiçoar vocações, dons e talentos naturais pré existentes.

“Tão boa é a sabedoria como a herança, e dela tiram proveito os que vêm o sol. Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.” Eclesiastes 7:11-12, sobre inteligência espiritual.

domingo, 15 de abril de 2012

O Universo da Criação


Introdução:

Este é um artigo popular sobre ciências naturais e encerra um estudo da natureza em seus aspectos mais gerais e fundamentais, isso é, o universo como um todo, que é entendido como regulado por regras ou leis de origem natural e com validade universal, fazendo-o de forma a focar-se nos aspectos físicos e não no homem, e menos ainda em aspectos antropogênicos.

Embora o foco não recaia sobre o ser humano em específico, é importante ressaltar que, o ser humano é parte integrante da natureza, mesmo não sendo algo especial dentro dela, e por tal, encontra-se inexoravelmente sujeito às mesmas regras naturais que regem todos os acontecimentos físicos, químicos e biológicos do universo, o qual esse também integra. Todavia, o caráter deste artigo é, sim, criacionista, o qual considera que o homem é, e sempre será, em meio ao universo da criação, algo especialmente importante par Deus.

Assim como Deus existe, o estudo do universo físico jamais obterá exito em outra coisa, a não ser a de atribuir-lhe a devida existência. Todo conjunto de conhecimento adquirido pela ciência humana até o presente momento, não apresenta nada que permita negar a existência de um Deus criador, muito embora, não tenhamos adquiro ainda, conhecimento específico algum, que permita demonstrá-lo, categoricamente, como existente.

Todavia, a cada degrau de galgamos em conhecimento, os resultados vão nos apontando para novos horizontes, sempre mais complexos e desafiadores, o que faz brotar em nós a nítida sensação de que, pelo conhecimento, estamos nos dirigindo, passo a passo, para mais perto de algum tipo de poder superior. O cientista que se nega até mesmo essa "sensação", não tem sequer, ciência de si mesmo, quanto mais do mundo ao seu redor.

O Universo da Criação:

Gostaria de conduzir aqui, um estudo sobre o que é "O Universo”. Creio que será bastante simples pois, a palavra “Universo” é geralmente definida como englobando tudo e, numa definição clássica e simples, é descrita como:

“O Universo é constituído de tudo o que existe fisicamente, a totalidade do espaço e tempo e todas as formas de matéria e energia.”

Como amante da física, eu mesmo me sinto muito a vontade com essa definição, pois ela toca em termos (Espaço, tempo, matéria e energia) que eu conheço e posso compreender muito bem, sendo capaz, até mesmo, de encontrar maneiras de mensurá-los, enquanto grandezas físicas.

Todavia, estudos e teorias mais recentes intentaram produzir um novo conceito, o de “Multiverso”.

A “teoria do multiverso” é um termo usado para descrever um hipotético grupo de todos os universos possíveis; geralmente usado em ficção científica, embora também como consequência de algumas teorias e proposições científicas, para descrever um grupo de universos que estão relacionados (universos paralelos).

A ideia de que o universo que se pode observar é só uma parte da realidade física, deu luz a definição do conceito "multiverso".

O conceito de Multiverso tem suas raízes na moderna Cosmologia e na Teoria Quântica e engloba várias ideias da Teoria da Relatividade de modo que pode ser possível a existência de inúmeros Universos onde todas as probabilidades quânticas de eventos ocorrem. Simplesmente há espaço suficiente para acoplar outros universos numa estrutura dimensional maior: o chamado Multiverso.

Isso posto, resta-nos lembrar que, no pensamento científico “o fato” sempre é superior a “a ideia”, sendo que o fato científico sempre pode destruir, mais corretamente dizendo, tornar falsa, a ideia científica. Não podemos conhecer a realidade em si, do Universo, mas apenas a probabilidade desta realidade ser de um modo ou de outro.

Além do mais, eu particularmente, gosto ainda de me lembrar que, enquanto o “ser” que eu sou, em minha natureza eu sou dotado de uma “sensibilidade inerente” para com as coisas do mundo físico e, muitas vezes, eu mesmo não preciso me ater a cálculos de probabilidade, para saber quando estou diante de algo que tem pouca (ou nenhuma) chance de ser real.

Se há espaço suficiente, e o espaço é dividido entre universos, o que delimita a fronteira entre eles? O que impede que os múltiplos universos interajam entre si? O que os faz se manter desconectados? Seria simplesmente a distância entre entre eles? Existe algo material que os mantenha hermeticamente separados e isolados?

É arrojada a “teoria dos multiversos”. O que se vê é que própria natureza tem se mostrado ser um jogo de probabilidades intercambiantes, de realidades mescladas, oscilantes, de informações interconectadas, umas aparecendo, no desaparecimento das outras. Cada coisa esta relacionada a tudo e tudo esta relacionado a cada coisa. Estranho é a mim essa teoria das bolhas e dos multiversos, ela ofende a minha sensibilidade inerente.

Além do mais, se houver separação entre “universos paralelos” que “compartilhando um mesmo espaço”, por que não conjecturar, a princípio, que possam ser, tão somente, separações entre “parcelas”, “porções” de um mesmo universo. Minha sensibilidade inerente aponta que, mesmo na imensidão física do universo espacial, as coisas físicas que nele existem, continuarão, sempre interagindo entre si. Mesmo a imensuráveis distâncias, deve haver alguma interações de sistema sobre sistema.

Essa mesma sensibilidade me faz crer que, no mundo da matéria, ou seja, no mundo físico, não existe o nada, não existe o zero. Talvez algo possa ser desprezível e desconsiderado, mas de modo algum é zero. Nem tão pouco existe infinito. Talvez algo não possa ser quantificado, mas é finito. Zero e infinito são conceitos matemáticos, artifícios usados nesta ferramenta de compreensão do mundo físico.

O conceito de infinito sempre foi, e continua sendo, uma verdadeira pedra no sapato dos físicos. Eles lutam constantemente para apagá-lo do mapa a cada esquina. Mas sempre que ele é eliminado numa equação, parece apenas se esconder para voltar a surgir lá adiante, deixando os teóricos ainda mais desconcertados. Tudo no mundo físico possui limites, tanto limites tendendo a zero, quanto limites tendendo a infinito. Todavia, enquanto estivermos tratando da matéria, sempre poderemos entender que, na pratica, ela não se permite “ser operada” a esses limites.

Dai procede a minha conclusão intuitiva de que não pode haver dois sistemas que estejam isolados ao infinito. O que existe é um espaço imensurável, que pode causar a falsa impressão de que possam existir múltiplos universos dentro dele. No entanto ele é um só, ele é o limite em si. Mas onde é esse limite? Seja onde for, não poderemos chegar nele, pois ele sempre tenderá a infinito. Mas uma coisa é certa, tudo inserido nele faz parte do mundo físico, que envolve espaço, tempo e matéria, mas principalmente energia.

O Princípio e o fim, o zero e o infinito, no mundo da matéria são impraticáveis. No mundo físico, nenhum sistema pode ser isolado ao infinito, a fim de se ensaiar colocá-lo em um valor extremo absoluto. Os limites absolutos de temperatura, por exemplo, em sistemas físicos isolados não podem ser atingíveis. Nem o desconhecido limite superior, que nos impeliria a usar toda a energia do universo para ensaiá-lo, e nem ao mesmo o outro extremo da escala, o supostamente conhecido limite inferior, ou zero absoluto. Questionado sobre isso, o Prof. Moses Chan, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos responde:

"Não, nós podemos chegar muito perto, mas nunca ao zero absoluto. Alguns laboratórios, incluindo o nosso aqui na Universidade da Pensilvânia, podem resfriar amostras de vapor até uns poucos nanoKelvins, ou bilionésimos de grau. Mas para trazer algo para uma ordem perfeita, você tem que se livrar de toda a desordem. À medida em que o sistema se aproxima do zero absoluto, torna-se mais e mais difícil remover a desordem."

No mundo físico, o zero não existe. Nem o infinito. Não é a toa que está registrado aquilo que Deus nos tem revelado por meio do apóstolo João: “Eu sou o Alfa e o ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo Poderoso.” Revelação 1:8. Uns 830 anos antes disso ele já havia inspirado o profeta Isaías a escrever: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus.” O criador do mundo físico o criou com limites estabelecidos, todavia, teve o cuidado de se assegurar que tais limites só a Ele pertencem, pois o limite é Ele em si. É por isso que, por mais que nós tentemos desenvolver tecnologias para atingi-los, não obtemos exito.

O Princípio e o fim, o zero e o infinito, no mundo da físico são intangíveis. Não há como, por exemplo, como se converter energia de uma forma para outra sem que haja alguma perda. No mundo da matéria, a perda é inerente a todo e qualquer processo de transformação de energia, seja ele realizado por meio processos naturais, sem interferência humana ou induzido em processos artificiais. Isso ocorre pelo principio de que, fisicamente, nenhum sistema pode ser hermeticamente fechado e, portanto, sempre existirá interações inevitáveis, relações espúrias entre sistemas. Nos processos de conversão de energia artificiais promovidos pelo homem, desde sempre, o grande desafio tem sido sempre, a redução de perdas inerentes aos processos a um “mínimo possível”, na busca da “eficiência energética”.

Inúmeras vezes o homem já sonhou ser Deus e já tentou criar coisas impossíveis no mundo físico. Tentou desenvolver o moto contínuo, tenta criar matéria viva a partir de matéria inanimada. Ele não desiste de ser ridículo e não se rende a mais clara evidência. Há coisas possíveis somente a Deus. Todavia, nada impede que o homem crie coisas em as perdas sejam tão pequenas que ele as considere desprezíveis, afinal, só isso já é reconhecer a sua própria imperfeição e as limitações do mundo físico. Mas dai, a passar a “comercializar” o termo “hermeticamente fechado”, penso que isso seja abusar de propaganda enganosa e abuso da própria ignorância. Existem matéria bom isolantes, de calor, de eletricidade, de partículas, etc, porém nenhum é perfeito nisso. Dois corpos materiais sólidos não podem ocupar o mesmo espaço, mas a matéria não é, de modo algum, impermeável, antes é amplamente “porosa” pois, todas as substâncias são constituídas por corpúsculos, separados uns dos outros por espaços vazios e em constante movimento.

Da mesma forma como não há perda zero em conversão de energia, podemos afirmar que, nenhuma fonte de energia existente no mundo físico é inesgotável, nem mesmo toda carga energética, contida em todo universo é infinita. Obviamente que, para um desprezível aglomerado de seres vivos, como é o caso da humanidade, quando contraposta a imensidão universal, até mesmo a quantidade de carga energética contida num único pequeno astro, como o sol do nosso sistema solar, muitas vezes, possa parecer algo inesgotável e sem fim, todavia é finito.

Lembrando disso, eu posso até mesmo sentir o “meu” criador do universo, aquele que eu chamo de “meu Deus”, nos observando: a orgulhosa raça humana, e seus “incríveis” cientistas; E Ele se rindo gostosamente de nós e de nossa vã filosofia. Incapaz de salvar a si mesmo enquanto ser vivo, meramente constituído de matéria, podendo vir a desaparecer num átimo, aos menor desarranjo ou rearranjo da natureza próxima ao seu redor, esse grupamento de criaturas incrédulas, imagina-se como tendo, em si mesma, uma fonte inesgotável de energia, em continuar desafiar a Deus. Mas o que há mesmo de incrível nisso é que, mesmo assim, nós continuamos, sempre, tendo um valor inestimável diante do Todo Poderoso, que é a única fonte de energia inesgotável, o único espaço capaz de conter o universo inteiro, e fazer cessar o seu ciclo ondulatório.

Antes que a mecânica quântica fosse desenvolvida como um modelo para explicar o comportamento das partículas atômicas e subatômicas, os cientistas já acreditavam que todas as partículas, atômicas e subatômicas, parariam de se movimentar quando a matéria atingisse a temperatura do zero absoluto e imaginavam que com isso, a energia do sistema decresceria a zero. Entretanto, atualmente, mesmo diante da impossibilidade de se reproduzir o zero absoluto temperatura, passou-se a reconhecer que mesmo estando a essa temperatura, a matéria ainda assim, retém alguma energia, a chamada “energia do ponto zero” ou “energia residual, que passa a ser definida como sendo a menor energia possível, em termos de mecânica quântica, que um sistema físico pode possuir no seu “estado fundamental”. Entende-se como “estado fundamental”, também chamado de estado estacionário, aquele na qual a densidade de probabilidade quântica não mais varia com o tempo (ou, pelo menos, parece não variar).

Todavia, muito anteriormente, desde o advento da segunda lei de Newton a respeito da termodinâmica, o homem já tinha adquirido o conhecimento do principio que, se fosse considerado mais seriamente, poderia dotá-lo do poder de “sentir”, que isso seria assim mesmo, sem ter que esperar por tantas pesquisas. Para medir o grau de desordem de um sistema, foi definida a grandeza termodinâmica entropia. Quanto maior a desordem de um sistema, maior a sua entropia. O mínimo de entropia possível (não zero, mais mínimo) corresponde à situação em que átomos de uma substância estariam perfeitamente ordenados em uma estrutura cristalina perfeita. Essa situação deve ocorrer, teoricamente, a 0ºK (zero absoluto). Em outras temperaturas, a entropia de uma substância deve ser diferente de zero. Quanto maior a temperatura de uma substância, maior o movimento das suas partículas, mais desorganizada ela está e, portanto, maior a sua entropia. A entropia nada mais é do que, no caso específico da termodinâmica, o conjunto das perdas, inerentes a todo processo conversão de energia. No entanto, é bom que se esclareça que “perdas”, nada mais são, do que a conversão de uma parcela da energia original em outras formas diferentes daquela que o processo objetivou.

Assim como somos nós que estabelecemos as classes das coisa, a fim de ordenar tanto o estudo quanto a utilização delas, também somos nós que especificamos limites e fronteiras no espaço todo que há. Racionalizamos sistemas, a fim de compreender a natureza e fazemos bem, pois de outra forma compreenderíamos satisfatoriamente coisa alguma que há. Todavia o universo da criação é um só. Estamos presos ao mundo da material e temos todo o direito de tentar dominá-lo e isso é coisa que Deus permite. Seres humanos amantes da ciência, não existem por acaso.

Tanto a teoria ondulatória quanto a teoria cinético corpuscular, são duas óticas diferente, de se lançar visão sobre a mesma coisa: as formas da energia. Hoje é aceito que ambas se completam como características da luz, porém mais, de todas as formas de energia, e não apenas da luz como tem sido enfatizado, que é apenas uma das formas de energia conhecida. Todavia a história da ciência nos mostra que, por causa dos sentimentos deturpados que se desenvolvem no coração do homem, principalmente quando ele tem o orgulho de se nominar cientista, por muito tempo estas duas correntes teóricas tentaram ser excludentes, uma em relação a outra, mas pelo entendimento que se chegou hoje, elas já não conseguem mais, sequer, serem tão distintas.

Em Cosmologia, segundo a teoria do Big Bang, o universo observável é a região do espaço limitada por uma esfera imaginária, cujo centro é o observador, suficientemente pequena para que objetos possam ser observados nela, ou seja, houve tempo suficiente para que um sinal emitido pelo objeto, a qualquer momento depois do Big Bang, movendo-se à velocidade da luz, tenha alcançado o observador agora. Tal sinal corresponde a imagem que temos destes objetos. Não se pode conhecer algo por experimentação direta sobre qualquer parte do universo que seja desconectada de causalidade de “nós”, apesar de diversas teorias, como a Inflação cósmica, requererem um universo muito maior que o universo observável. Não existem evidências que sugiram que a fronteira do universo observável corresponda exatamente à fronteira física do universo (se é que tal fronteira existe); isso seria extremamente improvável, pois implicaria que a Terra estivesse exatamente no centro do universo, em violação do Princípio cosmológico.

Do ponto de vista da aparência observável, o universo é um espaço onde uma certa quantidade de matéria tende, sempre, a se aglutinar, de modo punctual, assemelhando se formando o grande mosaico, só que volumétrico. Este “padrão de aparência”, no entanto, predomina em todos os demais sistemas observáveis, seja considerando-se o visual das estruturas moleculares das substâncias, seja considerando-se a superfície da terra vista a altitudes elevadas, até mesmo principalmente, a forma da paisagem da ocupação humana da terra, predomina o “visual de um mosaico” que é formado por padrões de fragmentos e faixas os quais se destacam sobre um fundo ou matriz. Deste modo na imensidão do espaço a matéria se aglutina em pontos, nos quais variam tanto o volume, quanto a densidade volumétrica. Se num ponto do universo a matéria é rearranjada de uma certa maneira, com partículas sendo agregadas, em outro ponto do universo ela o é também, mas de maneira diametralmente oposta, com partículas sendo desintegradas, de modo que um certo equilíbrio é mantido na quantidade total de matéria do universo. O universo físico é pura composição de fragmentos de matéria!

Vivemos um momento interessante na evolução das teorias cosmológicas, em termos especulativos, com novas teorias passando a ser testadas. Como exemplo, o Prêmio Nobel da Física, no ano de 2011, foi atribuído aos cientistas norte-americanos Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess – pelo trabalho que ficou chamado de “a descoberta da expansão acelerada do universo através de observações de supernovas distantes”. Segundo os resultados desse trabalho, não só o Universo continua a expandir-se, como o faz cada vez mais depressa. As equipes de Perlmutter, Schmidt e Riess mediram a velocidade da expansão do Universo através da observação de supernovas (estrelas que morrem numa imensa explosão), nomeadamente as "anãs brancas", que têm uma massa comparável à do nosso Sol, porém concentrada numa esfera do tamanho da Terra. A luz das supernovas observadas revelou-se mais fraca do que o previsto, sinal cosmológico de que a expansão do Universo estará a acelerar e não a abrandar.

A teoria que rendeu o Nobel de Física, não me parece estranha, segundo a minha própria intuição elementar sobre o universo pois, para se justificar aquilo que chamamos de "a energia do universo" , não apenas a massa deve existir mas, analogamente à definição do "trabalho" (ou energia), em mecânica, é necessário também que haja, tanto o deslocamento (a expansão), como a força atuante. A força, por sua vez, é o que, efetivamente, depende da massa, todavia, depende também da aceleração. Assim olhando para a expressão:

                                                                 energia = massa . aceleração . deslocamento

Fica claro que nem aceleração, nem deslocamento podem ser de valor igual a zero, para que haja energia, de modo que a existência da aceleração na expansão do universo, é obvia. No entanto, outra coisa fica, também, subentendida: se o valor deslocamento é crescente, ou seja, se ele existe no sentido que de que o universo esteja se expandindo, então, necessariamente, o valor da aceleração precisa ser decrescente, ou seja, na proporção inversa da expansão, em outras palavras, cada vez que o tamanho do universo dobrar, a aceleração precisa cair a metade, para manter o equilíbrio de energia total do sistema. Caso contrário, o universo estaria ganhando energia, e isso só poderia ser transmitido por um outro sistema, de fora do universo, e assim sendo,  passaria a justificar a teoria dos multiversos, que apresentaria, entretanto, universos paralelos que estariam sim, conectados, transferindo energia um para o outro, e "o nosso universo" estaria a ganhar!

Verificação que a expansão do universo está se realizando com uma aceleração que é decrescente, eu não sei se é possível com a tecnologia disponível atualmente mas, eu creio, que em de uma forma ou de outra, muito breve alguém o fará e assim eu poderei continuar não acreditando nos multiverso. É interessante, ainda, esclarecer o seguinte, a aceleração sempre existirá, pois a medida que a expansão do universo prossegue, só quando o universo tiver atingido o "tamanho infinito" é que, a aceleração, decaindo atingira "valor zero" e isso só ocorrerá no "tempo do nunca", ou seja, em tempo infinito. Isso me sugere uma outra coisa interessante: se a aceleração da expansão do universo fosse constante, o que caracterizaria um típico movimento uniformemente variado, a velocidade da expansão cresceria linearmente com tempo, todavia, se aceleração é decrescente, então ela é decrescente exponencialmente no tempo e sua variação está associada a uma função de queda exponencial natural, semelhante aquela que pode ser verificada em muitos outros fenômenos naturais, ou seja, do tipo:



Uma outra coisa conseqüência é que, todas essas variações irão tendo amplitudes cada vez menores, a medida que o universo "envelhece, e o seu "tamanho" tende a infinito, enquanto que a massa e a energia serão eternamente conservadas. Para mim é bastante confortável raciocinar assim. Mas parece que não é bem isso que constataram os cientistas em questão. Observe a ilustração abaixo:

Aparentemente o que foi observado é que a variação da aceleração também varia. A própria aceleração da expansão tem um caráter ondulatório, envolvendo alternância entre épocas em que a aceleração decrementa (como eu gostaria que fosse o tempo todo), e épocas em que a aceleração incrementa!!! A menos que haja algo errado com o gráfico acima, que eu tomei em http://news.discovery.com/space/nobel-prize-physics-111004.html, ou tem algo errado com a própria constatação dos cientistas laureados, ou então, não estamos, de fato, apenas tão somente expansão, mas sim, apenas atualmente em expansão e com a mesma periodicidade com que a aceleração varia, varia também a intensidade, e consequentemente sentido, da "expansão do universo", em outras palavras, em épocas que a aceleração aumenta, o universo precisaria entrarem retração, caso contrario, voltamos ao caso do "ganho de energia". Assim,  o Universo apresentaria um comportamento de alternância entre longos períodos de expansão e longos períodos de retração. Neste sentido, o universo pulsaria, com ciclos de intervalos de tempo de dimensões astronômicas.

O fato, é que a medida que avançamos no conhecimento do universo, surpreendemo-nos sempre, mais e mais. Na década de 30 do século passado, o pelo astrônomo Fritz Zwicky, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, deu um importante alerta, ao avaliar a velocidade das galáxias mais distantes conhecidas à época. Era um desafio, mas não havia como errar. Zwicky sabia muito bem que se um astro está se aproximando da Terra sua cor fica mais azulada, e se ele está se afastando, o tom tende para o vermelho. Mas depois de fazer estimativa de medidas, o cientista ficou espantado com o resultado que revelava uma alta velocidade no movimento das galáxias. Apenas em parte, elas estavam se movendo devido a força gravitacional que umas exercem sobre as outras, pois a força das galáxias, apenas, não justificava aquela “correria no céu”. Zwicky, então, chegou à conclusão lógica de que deveria haver alguma coisa a mais, ainda oculta lá em cima. Alguma matéria (ou forma de matéria) desconhecida, capaz de acelerar as galáxias com sua gravidade.

Este resultado foi confirmado pelas observações de Sinclair Smith em 1936, Horace Babcock em 1939 e Jan Oort em 1940. Já, na década de 1970 vários outros astrônomos, incluindo Vera Rubin, astrônoma que trabalhou com observações na galáxia vizinha a nossa, a Andrômeda, fizeram inúmeras observações que corroboraram o resultado anterior. Ela utilizou calcular a massa de galáxias espirais através da velocidade de rotação, que pode ser determinada através de observações espectroscópicas e concluiu: Somente a existência de uma forma de matéria que não emite e nem interage com a radiação eletromagnética poderia justificar as discrepâncias encontradas. Esta matéria ficou conhecida como Matéria Escura.

Hoje, sabe-se, que planetas, estrelas, galáxias e todas as coisas detectáveis no universo somam, apenas, uma pequena parcela do total da matéria e energia contida nele. Estas observações indicam que a maior parte do universo é feita de “substâncias” não visíveis, isto é, que não emitem nem refletem radiação eletromagnética e por isso, não podem ser detectadas por telescópios ópticos e outros instrumentos. Elas só podem ser detectadas pelos efeitos gravitacionais que provocam. Estas substâncias misteriosas são chamadas de “Matéria Escura” e “Energia Escura”. A aceleração da expansão do universo, proposta por Perlmutter, Schmidt e Riess, resultaria, dessa enigmática "energia escura" que “contrariaria o efeito da gravidade”.

Uma definição mais simples de matéria reza o seguinte, “Matéria é qualquer coisa que possui massa, ocupa lugar no espaço físico e está sujeita a inércia.” A massa é, simplesmente, o que a mateira, em si, é. O espaço que uma determinada massa ocupa relaciona a matéria com a sua densidade com a sua densidade, enquanto que inércia relaciona a matéria com movimento (ou mudança de posição), introduzindo o conceito de velocidade e, consequentemente, de tempo. Mesmo sobre um ponto em meio ao espaço aparentemente vazio do universo existirá, sempre, a interação de um conjunto de forças gravitacionais, mesmo que de valores muito pequenos, de modo que um corpo abandonado no espaço, nunca estará totalmente parado em relação a tudo a sua volta, mas em movimento para a direção da resultante das forças, por menor que seja o deslocamento, em função do tempo.

Recentemente, uma equipe de astrônomos holandeses e alemães descobriu uma parte dessa matéria perdida do Universo. Utilizando o telescópio de raios XMM-Newton, eles localizaram um filamento de gás quente conectando dois aglomerados de galáxias que pode ser parte da chamada matéria perdida. A composição da maior parte da matéria do Universo é de natureza ainda desconhecida, o que fez com que os cientistas criassem os termos "matéria escura" e "energia escura". Essa matéria escura é formada por partículas pesadas que ainda estão por serem descobertas pelos físicos, de modo que, apenas algo em torno de 5% do Universo são formados pela matéria comum, esta que conhecemos e forma nossos corpos, a Terra e todos os outros planetas e estrelas. Ela consiste de prótons e nêutrons - conhecidos como bárions, dai o termo matéria bariônica - e de elétrons, os elementos básicos que formam os átomos.

Mas até mesmo parte desses 5% de matéria bariônica também ainda não foi encontrada. As estrelas, galáxias e os gases já observados pelos astrônomos somam menos da metade da matéria bariônica que deve existir.

O filamento de gás encontrado pelos astrônomos tem temperaturas variando entre 100 mil e 10 milhões de graus Celsius e está localizado entre os aglomerados de galáxias Abel 222 e Abel 223. A existência desse meio intergalático foi previsto há mais de 10 anos, mas detectá-lo diretamente é muito difícil justamente pela sua altíssima temperatura e baixa densidade. As observações agora feitas com o XMM-Newton mostram claramente uma "ponte" unindo os dois aglomerados de galáxias. O filamento de gás que os cientistas descobriram é provavelmente a parte mais quente e mais densa do difuso gás que preenche a teia cósmica, que também provavelmente é parte da matéria bariônica perdida.

Isso significa que, na imensidão do universo, nos enormes espaços aparentemente vazios de matéria, na verdade, pode existir matéria, não facilmente detectável, como gases, em situação de elevada temperatura e baixa densidade. Isso significa, também, que as zonas ocupadas por gases nestas condições, correspondam, assim como acontece no contexto da atmosfera terrestre, a zonas de baixa pressão. A tendências de toda matéria contida nestas zonas será a de se movimentar para dentro, em direção ao centro, e neste processo, ir aglutinando-se nos pontos convergentes de maior densidade relativa, adensando-se e, com o tempo, tornando se em “matéria mais facilmente visível”.

Antes de pensar em algo mais improvável, podemos cogitar sobre uma possível maneira da matéria se tornar invisível, isto é, deixar de emitir ou de interagir radiação eletromagnética. É ela se encontrar no estado fundamental, ou seja que a matéria se encontre a uma temperatura de zero absoluto. Como neste estado a densidade de probabilidade quântica não mais varia com o tempo, não há como ser emitida radiação alguma. Muito embora essa seja uma especulação bastante interessante, acredito que, por um longo tempo ainda, a resposta sobre isso, somente Deus terá.

Este é o problema de definir uma distância em um universo que está se expandindo: Duas galáxias estão próximas uma da outra quando o universo possúi apenas 1 bilhão de anos de idade. A primeira galáxia emite um pulso de luz. A segunda galáxia não recebe este pulso antes que o universo complete 14 bilhões de anos. Neste tempo as galáxias estão separadas por 26 bilhões de anos-luz; o pulso de luz viajou durante 13 bilhões de anos; e na visão do povo que recebeu o pulso, na segunda galáxia, a imagem da primeira galáxia possúi apenas 1 bilhão de anos de idade e está apenas a 2 bilhões de anos-luz de distância.

Para a matéria poder existir foi preciso que, antes, viesse a existir o espaço, pois é da natureza da matéria, que ela sempre ocupe lugar no espaço, seja qual for a sua densidade. Então, antes, precisou haver o espaço vazio, vazio absoluto. Depois a matéria seria inserida nele. Mas a matéria, em si, seria morta e era do agrado do arquiteto, viesse a existir vida. Mas para existir vida precisaria, antes de tudo, que houvesse ainda energia. Toda matéria a ser inserida no universo teria a possibilidade de produzir energia, bastava que ela entrasse em movimento. Assim, no meio do imenso nada, o arquiteto lançou, um ponto de volume infinitesimal, contendo toda a matéria a ser inserida nele, e disse, “Haja Luz. E houve luz.” Gênesis 1:3. Ainda assim, no universo físico da matéria, recém-criado e cheio de energia, luz e movimento, nada garantia que viesse a haver vida, algo que pudesse dar suporte a alma. Contudo há vida! Como eu posso, então, deixar de crer nesse Deus?
Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.