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sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Amor Devido Entre os Filhos de Abraão (Carta aos Crentes):


"Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida." Lucas 10:13-15

Alguma vez você, cristão, já parou para pensar que, a religião dos muçulmanos é, de fato, também fruto da graça misericordiosa do nosso Deus, que num curto período de tempo e de eventos, converteu uma grande multidão de pessoas da idolatria politeísta para a adoração a um único Deus verdadeiro e que, o fato dessa conversão não ter sido, ainda, totalmente completada com a inserção deles na nova aliança (que é o Evangelho de Jesus Cristo), é porque Deus faz as coisas conforme a sua vontade, acontecerem no momento e sob as circunstâncias que Ele bem desejar designar.

Pois bem, o Deus ao qual os muçulmanos chamam de Allah e reconhecem como o Deus de toda a Criação, porque Ele é o seu Criador e Sustentador, é também o mesmo Deus de Abraão, do qual os povos árabes, os muçulmanos originais descendem diretamente. Isso também é bíblico e ocorreu pela permissão e vontade de Deus.

Os cristãos poderiam ter tido uma participação importante no complemento da conversão dos muçulmanos, levando a eles de maneira sincera e pura o Evangelho de Cristo. Todavia, em sua fúria destrutiva, desde cedo Satanás, inimigo de todas as almas que confiam em Deus, se interpôs entre muçulmanos e cristãos, impedindo que se estabelecesse entre estes uma boa comunicação que decorresse de uma relação baseada no amor.

Isso aconteceu, e ainda acontece, para a derrota de, indistintamente, todos os homens crentes. Estabeleceu-se uma guerra estúpida, que ocorre, ora aberta, ora velada mas, sem que os homens busquem o seu fim, tanto para a vergonha dos cristãos, quanto para o prejuízo dos muçulmanos.

Que o Deus de Abraão estenda sobre todos nós a sua infinita misericórdia, porque todos nós somos tolos e, não atingimos compreender a magnitude da consequência da promessa da antiga aliança,  aliança feita ao homem por meio de Abraão quando o Senhor Deus, dando a sua palavra que não pode mentir, disse "e em ti serão benditas todas as famílias da terra." Gênesis 12:3

"Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei" (Ge 12:1). Assim Deus começou a separar um povo especial que iria receber bênçãos especiais e por meio do qual "serão benditas todas as famílias da terra" (Ge 12:3).















Uma vez que por meio da aliança com Abraão se tornavam benditas todos as famílias da terra, ora, por que seria a família de Ismael, aquele que por causa de intrigas femininas precisou ser rejeitado, o próprio Deus se encarregou de lhe prover proteção especial, seria uma família menos abençoada?

Por que haveria de vir o Messias, somente para salvar aos filhos de Jacó, se Deus preferiu, para fazer cumprir a promessa feita a Abraão "e em ti serão benditas todas as famílias da terra." Gênesis 12:3, que Ele viesse para, com seu sangue, prover pagamento de resgate por toda a humanidade dispersa sobre a Terra?

Segundo a Bíblia, a mais provável procedência de Abraão seria a cidade de Ur dos caldeus, situada no sul da Mesopotâmia, onde seus irmãos também teriam nascido. O final do capítulo 11 do primeiro livro da Torah, ao descrever a genealogia do patriarca hebreu, assim informa, mencionando o nome anterior de Abraão:

E estas são as gerações de Tera: Terá gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló. E morreu Harã, estando seu pai Terá ainda vivo, na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus. (Gênesis 11: 27-28)

A tradição diz que seu pai Tera era fabricante de ídolos e que Abrão viveu neste ambiente idólatra até que Deus se revelou a ele. A literatura bíblica canônica faz associação de Abrão com idolatria em apenas uma única passagem que literalmente diz: “Disse então Josué a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do Rio habitaram antigamente vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor; e serviram a outros deuses.” Josué 24:2. A questão de quais livros pertencem à Bíblia é chamada questão canônica.

Diz também a tradição que Abrão sempre desprezou os ídolos e que chegou a destruir alguns com as suas próprias mãos, todavia, não há texto bíblico canônico que dê suporte a esta afirmação, mas sim, "O Livro dos Jubileus", considerado como uma obra apócrifa, tanto entre judeus, quanto entre cristãos.

Este livro diz que Abrão, já aos catorze anos de idade, quando ainda residia em Ur dos caldeus com sua família, teria começado a compreender que os homens da terra haviam se corrompido com a idolatria, adorando as imagens de escultura. Então Abraão não aceitou mais adorar ídolos com o seu pai Terá e começou a orar a Deus, pedindo-lhe que conservasse a sua alma pura do erro dos filhos dos homens e também a de seus descendentes.

A Bíblia nos mostra, em em Gêneses 11:28, 31 que "morreu Harã (irmão de Abrão) estando seu pai Terá ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos caldeus". Isso ocorre por volta de 2155 a.C., com Abrão ainda pequeno e que algumas décadas mais tarde "... tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali."

Este fato de Terá desejar se dirigir a Canaã é muito curioso, pelo fato de que o Senhor Jeová sequer havia ainda se manifestado diretamente a Abrão e, mesmo quando Ele o fez, posteriormente (já na localidade de Haran), lhe disse apenas: "... para a terra que eu te mostrarei", sem mencionar, a princípio, Canaã.. Também é curioso o fato que Terá tenha, aparentemente, se demovido do seu objetivo inicial (ir à terra de Canaã), após alcançar uma localidade ainda desabitada, onde ele e toda a sua gente que o seguia acabaram por fundar uma nova cidade, cujo nome dado foi Harã (que séculos mais tarde viria a ser uma cidade Assíria) e teriam todos habitado ali por um tempo (algumas décadas), até a morte de Terá.

Sendo Terá um fabricante de ídolos, de muito bom proveito para ele teria sido permanecer trabalhando a sua arte e comercializando-a em Ur, pois o sudeste da Mesopotâmia era, então, de longe, a região de maior concentração demográfica, com mais de uma dúzia de povoamentos, entre Ur e a então pequena Babilônia, mas que viria em poucas gerações se tornar no núcleo de um poderoso império. Mesmo assim, foi Terá quem moveu inicialmente a Abrão (de Ur até Harã (ou Haran, ver mapa anterior)), por mais da metade da distância total a ser percorrida de Ur até Canaã.

Note que o entendimento do versículo de Gênesis 11:31: "Tomou Tera a Abrão seu filho, e a Ló filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos Caldeus, a fim de ir para a terra de Canaã; e vieram até Harã, e ali habitaram.", deixa implícito que o irmão de Abrão, Naor, não migrou com a família, mas, sim, permaneceu em Ur e, muito provavelmente, manteve, ali, os tradicionais negócios de sua família (lembrando que o avô de Naor, ou seja, o pai de Terá e também avô de Abrão, também se chamava Naor, ou seja, houve, ai, um homônimo, porém separado em duas gerações).

Decerto que é muito provável que todo pai que perca um filho para a morte (como ocorreu com Tera em relação a Harã) sinta uma profunda decepção e, por conta disso, podem haver a tomadas de decisões que resultem em profundas mudanças. Talvez tenha sido isso a real motivação que tenha movido Tera e sua família, a partir de Ur até Haran, enquanto que o escritor da Bíblia simplesmente omita tal informação, pois, o mais importante é que, após a morte de Tera, Abrão prosseguiu, de fato, até Canaã.

Outro fato é que o Senhor Jeová separou totalmente Abraão da idolatria, aos 75 anos de idade, para a sua adoração verdadeira e, outro fato é que a benção sobre Abraão superabundou de tal maneira que, a partir de Abraão (em hebraico: אברהם, Avraham ou ’Abhrāhām) se desenvolveram não apenas o Judaísmo mas, todas as três das maiores vertentes religiosas da humanidade, as denominadas religiões abraâmicas, tendo na base o judaísmo, dai advindo o cristianismo e por fim, o islamismo.

A vocação do Islã para a glória de Deus foi apresentada ainda na narrativa do livro de Gênesis, no capítulo 16, logo depois da apresentação da narrativa da vocação dos próprios judeus, descrita ainda no capítulo 15, do mesmo livro de Gênesis.

Deus prometia a Abrão: “ … mas aquele que sair das tuas entranhas, esse será o teu herdeiro.” “E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça.” Gênesis 15:4,6. Todavia, ao que parece, não houve um bom entendimento entre Abrão e sua esposa Sarai quanto a essa promessa de Deus. Sarai já era então conhecida como uma mulher estéril.

A esterilidade já não era algo de estranho de ocorrer, visto que aquele era um grupamento humano onde ocorriam frequentes cruzamentos consanguíneos. Como maneira de manter a tradição e a propriedade ligada a família, casamentos entre primos e entre tios e sobrinhas eram comuns de acontecerem. Naor, o irmão que não acompanhou Abrão até Canaa e que ficou habitando em Harã, era casado com uma sua sobrinha sua, que era órfã de Harã, enquanto que a própria Sarai era meia-irmã de Abrão.

Sarai passou a sentir-se e apresentar-se insegura sobre a sua capacidade de gerar filhos para Abrão e assim sucedeu o fato de, por uma articulação da própria Sarai, Ismael foi gerado de Abrão, por conjunção dele com Agar, a serva egípcia de Sarai. Ismael nasceu e passou a ser destinado a ser o grande patriarca dos árabes do islã, mesmo antes que viesse a nascer Isaque, de onde decorreria, como filho da promessa, a vertente do judaísmo – cristianismo.

É interessante notar que, apesar de não ser "o filho da promessa", Ismael foi, de fato, "o filho primogênito" de Abrão (e nascido de suas entranhas) e isso tinha muio significado tanto para os homens, quanto para Jeová Deus pois, a primo genia está associada a ideia de primícias, que são os primeiros frutos, a prioridade que honra (Provérbios 3:9), as quais têm que ser dadas (Deuteronômio 18:4), de modo que, com a atitude de Sarai de maltratar a Agar, a sorte de Ismael passou a ser determinada pelo próprio Senhor Jeová.

Isso se evidencia por meio do anjo que anunciara diretamente a Agar: “Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, de modo que não será contada, por numerosa que será. Eis que concebeste, e terás um filho, a quem chamarás Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição. Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.” Genesis 16:10-12

Com isso Ismael foi selado com promessa de Deus, de sorte que todas essas três religiões mencionadas são monoteístas e centradas na benção do mesmo Deus. Isso fica mais claro ainda quando Jeová, por ocasião da instituição do sinal de pacto da circuncisão entre Deus e a casa de Abrão. Abrão não entendendo claramente, o que dizia Deus, prostrou com o rosto em terra, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara, que tem noventa anos? Depois disse Abraão a Deus: Oxalá que viva Ismael diante de ti! Ao que Deus responde:

Na verdade, Sara, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe chamarás Isaque; com ele estabelecerei o meu pacto como pacto perpétuo para a sua descendência depois dele. E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis que o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e multiplicá-lo-ei grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação.” Genesis 17:19,20

Assim, Ismael, mesmo não sendo “o filho da promessa” fazia, todavia, parte do pacto eterno entre Deus e a “casa de Abraão” e, deste modo, Ismael foi circuncidado: “Logo tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa e a todos os comprados por seu dinheiro, todo varão entre os da casa de Abraão, e lhes circuncidou a carne do prepúcio, naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara. E Ismael, seu filho, tinha treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne do prepúcio. No mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.” Gênesis 17:23,25-26

Depois que Isaque nasceu e Sara demonstrou ainda mais dureza de coração ao pedir que Abraão despedisse a Agar e a seu filho Ismael, foi o próprio Deus quem lhe explicou e lhe consolou: “Não pareça isso duro aos teus olhos por causa do moço e por causa da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto ele é da tua linhagem.” Ge 21:12,13  e, de fato, Jeová protegeu Ismael e sua mãe Agar em sua própria sorte, e, com o tempo, cumpriu em Ismael todas as promessas feitas a ela e a Abraão. Ismael e sua mãe moraram no deserto de Parã. Anos depois ele tornou-se um arqueiro talentoso e casou-se com uma mulher egípcia, tal qual sua mãe o era e, com ela, ele teve pelo menos 13 filhos. Portanto, essa é a raiz da origem dos povos árabes, semita-egípcia.

Apesar da cisão na família, os irmãos Isaque e Ismael não viveram, de modo algum, com inimigos. Aquela cisma ocorria mesmo por causa da "alma feminina", expressada mais abertamente por Sara, que era quem menos devia ter razão, pois fora ela mesma quem propriamente havia criado toda aquela confusão, desde o início, ao oferecer sua serva como procriadora.

Deste modo, quando veio a morrer Abraão e, já falecida anteriormente Sara, Ismael e Isaque voltaram, eventualmente, a se unir: “ Então Isaque e Ismael, seus filhos, o sepultaram na cova de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, que estava em frente de Manr” Genesis 25:9

Ismael viveu até os 137 anos de idade e a multiplicação da sua descendência ficou conhecida, por longo tempo, como ismaelitas, todavia, o islamismo não nasceu, imediatamente, com Ismael mas, muito pelo contrário, com o tempo as tribos ismaelitas passaram a se tornar essencialmente politeístas, como eram, então, também os egípcios, com quem os Ismaelitas mantinham, fortes relações e ainda outros povos ao redor.

A própria matriarca Agar era da etnia dos egípcios e, muito embora Agar tivesse tido uma experiência direta e pessoal de contato com o Anjo do Senhor e, mesmo Ismael tendo sobre si os cuidados diretos de Jeová, com o tempo, isso não se preservou e a adoração ao Deus único e verdadeiro se perdeu, como forma de religião entre os Ismaelitas e Deus permitiu que fosse assim.

Varias décadas se passariam até que ocorreria de José, que era filho de Jacó, chamado por Deus de Israel, que era filho de Isaque, que era irmão de Ismael e filho de Abraão, ser vendido como escravo pelos seus próprios irmãos, a mercadores de uma caravana de ismaelitas que se dirigiam, não coincidentemente, ao Egito.

O deserto de Parã, fica região nordeste da Península do Sinai, "todo aquele grande e terrível deserto que vistes, pelo caminho das montanhas dos amorreus, como o Senhor nosso Deus nos ordenara;" (Deuteronômio 1:19) que foi caminhado no êxodo do povo israelita e lugar mais provável onde eles passaram parte da sua peregrinação como pastores no deserto por quarenta anos, como uma correção necessária porquanto eles sistematicamente duvidavam do Deus Vivo que "ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite". Êxodo 13:21

Este mesmo deserto de Parã havia se tornado séculos antes antes, a base inicial da tribo dos ismaelitas. No entanto, como esse povo tinha uma vocação de diversidade nacional, ele passou a se dedicar como especialista no negócio do comércio em caravanas, o que os fazia manter famílias inteiras em constante movimento, vivendo como verdadeiros nômades.

Com o tempo, a domesticação de camelos e de dromedários foi levada a cabo em grande escala, para atender as necessidades, provendo um diferencial de vantagem competitiva para a finalidade das caravanas comerciais. Com o passar do tempo eles se espalharam, na mesma proporção em que diversificavam seus cultos politeístas e influenciaram e se mesclaram com várias outas tribos, incluindo, logo a princípio, os midianitas, seus irmãos, filhos temporãos de Abraão, que com dádivas e riquezas foram também enviados às terras orientais, a partir da região onde Isaque  permaneceu vivendo. (ver Gênesis 25:1-6).

Vários séculos depois de Abraão, o líder isralita Moisés encontraria em seu sogro Jetro, um midianita, não apenas um amigo, homem honrado e digno conselheiro, guia adestrado pelas terras desérticas e estrategista em administração popular mas, acima de tudo, ainda, um sacerdote em Midiã que "alegrou-se por todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egípcios. Então Jetro, o sogro de Moisés, tomou holocausto e sacrifícios para Deus; e veio Arão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moisés diante de Deus." (Êxodo 18:9,12).

Ao longo de toda a jornada dos israelitas, tudo aquilo que havia sido proposto e ensinado pelo midianita Jetro, sogro de Moisés, com a forma de divisão, delegação e administração da responsabilidade de julgar, chefiar e coordenar a movimentação do povo (ver Êxodo 18:13-27), não apenas mostrou-se aprovado, como foi reconfirmado por Jeová como uma prática excelente. Assim, também estes filhos de Abraão se tornaram um benção para toda a terra.

Com sua base em constante migração, o grosso da civilização árabe original (cerne da futura civilização islâmica) passou a se desenvolver no espaço vital encontrado na península desértica situada entre a Ásia e a África, denominada península Arábica, a qual compreende atualmente os países da Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Iêmen. É uma área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados, com centenas de milhares recobertos por um enorme deserto, pontilhados por alguns oásis e por uma cadeia montanhosa, a oeste. Somente uma estreita faixa no litoral sul da península possui terras aproveitáveis para a agricultura.

Até o século VI d.C., os árabes viviam em tribos, sem que houvesse um Estado centralizado. No interior da península havia tribos nômades denominadas beduínos, que viviam basicamente do pastoreio e do comércio. Às vezes eles entravam em luta pela posse de um oásis ou pela liderança de uma determinada rota comercial. Também era comum eles sofrerem ataque as suas caravanas que levavam preciosos artigos do Oriente para serem comercializados no Mar mediterrâneo ou no Mar Vermelho.

A escassez de vestígios históricos deixados é devido a natureza de suas vidas, caracterizada pela instabilidade típica de nômades, convivendo ainda com as dificuldades próprias do deserto, da areias e dos ventos. Marcos de civilização deixados para trás, ou que se supõe terem sido deixados, não puderam ser encontrados, por isto permanecem grandes e muitas lacunas na história árabe antiga, impossibilitando até os dias de hoje um esclarecimento maior, o que tem dificultado maiores avanços de historiadores e pesquisadores no estudo da história árabe antiga até o aparecimento do Islamismo no Golfo Árabe.

O texto mais antigo que cita a palavra “Árabe” é dos escritos assírios dos dias do Rei Shalmaneser III (859 a.C. a 824 a.C.), aparentemente a pronúncia “Arab” para eles significava “Principado” ou “Capitania” nos desertos que circundavam a Assíria. Todavia, desde tempos muito antigos que a faixa de terra muito quente compreendida partir da região do Golfo de Ácaba até a costa sul do Mar Morto é conhecida como Arabah, que significa "área seca e desolada". Foi a partir dai que os irmãos de Isaque, caminhando para as áreas inóspitas a leste mas, principalmente para o sul, foram penetraram na Península Arábica.

Apesar de dispersos num grande território os árabes passaram também a edificar algumas cidades, entre as quais as mais importantes localizavam-se a oeste da Península Arábica, na parte montanhosa desta. Eram elas: Latribe, Taife e Meca, todas na confluência das rotas das caravanas que atingiram o Mar Vermelho.

Após o ano 300 a.C., eles fundaram  sob influência do Império dos Partos, a cidade de Hatra, que foi governada por uma dinastia de príncipes árabes, dando origem a um primeiro reino Árabe, fora da Arábia, pela época do império da dinastia grega dos selêucidas. Com isso, os Árabes passaram a se tornar comuns na Mesopotâmia, ainda na época dos selêucidas.

Hatra se tornou, de fato, de maneira geral, a capital do primeiro reino árabe. Ela resistiu à invasão dos romanos em 116 e em 198 d.C. graças às suas poderosas muralhas reforçadas com torres. As ruínas da cidade, especialmente os templos onde se mistura a arquitetura de influência helênica e romana com motivos decorativos orientais, atestam a grandeza da civilização que a construiu.

Todavia, a cidade de Meca foi, sem dúvida, a mais destacada. Meca pode ter sido a "Macoraba" mencionada por Ptolomeu, muito embora arqueologia não tenha descoberto, ainda, qualquer inscrição ou menção à cidade de mesma época ou anterior ao período daquele autor. O historiador grego Diodoro da Sicília, que viveu entre 60 e 30 a.C. escreve sobre uma região isolada da Arábia em sua obra "Biblioteca Histórica", descrevendo um santuário sagrado que os muçulmanos vêem como referindo-se a Caaba em Meca: "E um templo foi definido em seus altos, sendo muito sagrado e extremamente reverenciado por todos os árabes".

Mas o que se sabe ao certo é que por volta do século V d.C. a Caaba era um local de culto para as diversas divindades das tribos Árabes politeístas. Como centro religioso de todos os árabes, ali se reuniam milhares de árabes, o que tornava o seu comércio ainda mais intenso.

Embora fossem politeístas e adorassem diversas divindades, os ídolos de todas as tribos estavam reunidas num templo, chamado Caaba, situado no centro de Meca, e isso lhes dava uma identidade nacional. A construção, que existe até os dias de hoje, assemelha-se a um cubo e, assim como a administração da cidade, ficava sob os cuidados da tribo dos coraixitas.

E foi assim, nesta situação, de um povo de religião politeísta que surgirá o profeta islâmico Maomé, cerca de 25 séculos depois de Ismael. Em partes, Maomé fez restituir o antigo pacto milenar do qual Ismael fez parte, reconvertendo o coração dos árabes para o monoteísmo. Com as pregações de Maomé, os muçulmanos passaram a acreditar que o Deus de todo universo é único e incomparável e o propósito da existência do ser humano é adorá-lo.

Maomé nasceu em Meca, no ano de 570 d.C. e pertencia ao clã Hachim da tribo dos coraxitas. Sendo órfão e pobre tornou-se condutor de caravanas de propriedade de uma rica viúva, com quem veio posteriormente a se casar.

À frente de caravanas, ele viajou por boa parte do Oriente Médio, onde teve contato com o Cristianismo e com o Judaismo. Em 610, quando meditava numa caverna do monte Hira, supostamente recebeu uma revelação, que afirmava ser do arcanjo Gabriel. Com esta revelação, que se encontra descrita no Corão, Maomé passa a pregar uma nova religião que inicialmente é recebida pela sua comunidade e posteriormente pelas camadas árabes mais pobres.

A cidade de Meca, que basicamente vivia das peregrinações politeístas, abrigava a Caaba, o templo que continha 360 ídolos, para aonde as tribos árabes se dirigiam para culto - esta peregrinação era favorável aos comerciantes locais, que passaram a ver na pregação de Maomé um obstáculo.

Estes comerciantes juntaram-se contra a nova religião e perseguiram Maomé que fugiu com seus seguidores para Medina, nesta cidade, Maomé organizou um exército, com o qual veio a conquistar Meca em 630 e destruiu todos os ídolos da Caaba menos a "pedra negra", que continuou a ser adorada pelos maometanos, também conhecidos por islamitas ou muçulmanos.

Gradualmente, o número de crentes em Alá foi aumentando e, apoiado nessa força, Maomé começou a pregar a Guerra Santa, ou seja, a expansão do islamismo, através da força, a todos os povos "infiéis". O grande estímulo era dado pela crença de que os guerreiros de Alá seriam recompensados com o paraíso, caso perecessem em luta, ou com a partilha do saque das cidades conquistadas, caso sobrevivessem. A Guerra Santa serviu para unificar as tribos árabes e tornou-se um dos principais fatores e permitir a expansão posterior do islamismo. As tribos árabes do deserto vieram, de modo surpreendentemente rápido, a se converter a nova religião e a arábia foi unificada. Maomé morreu em 632 e seu trabalho foi continuado por seus sucessores, os califas.

Esse grande acontecimento histórico de conversão, acontecia exatamente num momento em que, concomitantemente, já disseminado por toda Europa, depois de sobreviver a toda sorte de perseguição por parte do império romano, durante três séculos, por um acordo de assimilação entre a Igreja e o Estado romano, o cristianismo, passava a se contaminar, cada vez mais, com o politeísmo pagão, em muitos casos, chegando até mesmo a regredir à abominável condição de adoração de imagens, coisa que Deus desejou que os homens tivessem decidido abandonar para sempre, de modo definitivo, desde de o momento que o obediente Abrão houvera saído de Harã, deixando a idolatria para trás.

Assista a última cena (apenas os últimos 3 minutos) do filme:
The Mists of Avalon (As Brumas de Avalon) - 2001 em:


Para entender do que se está falando quando se diz " ... o cristianismo, passava a se contaminar, cada vez mais, com o politeísmo pagão, ... ". A cena não revela simplesmente algo de fictício, mas mostra uma realidade que ocorreu com certa profusão no seio do cristianismo.

Os árabes desenvolviam mais e mais a sua civilização, independente do fato da conversão árabe não ter sido completada, segundo a minha ótica cristã, pois eles não passaram a crer no sacrifício resgatador de Jesus, o Cristo, o único caminho para uma verdadeira e completa conversão a Deus. Não obstante, o fato é que  eles passaram a viver um período de grandes bençãos e de desenvolvimento, justamente, enquanto a Europa entrava no obscurantismo dos primeiro séculos da idade média.

Muito embora não demorasse para a falta de uma completa conversão dos árabes os levasse a divisões e dissidências, e, mesmo que a violência tivesse vindo a se estabelecesse no seio delas, eles passaram a desenvolver-se como civilização, enquanto que todo avanço civilizatório greco-romano parecia ir como que desvanecendo pela Europa.

Por haver necessidade de terras férteis (ou de comércio com terras férteis), o islã parte em direção da Europa e norte da África, onde conquista muitos territórios e apesar do avanço muçulmano na Europa ter sido freado na Batalha de Poitiers, no ano de 732, pelo franco Carlos Martel, os árabes ainda conseguiram conquistar as ilhas Baleares, a Sicília, a Córsega e a Sardenha.

A extensão dos domínios muçulmanos pelo Mediterrâneo prejudicou o comércio direto da Europa Ocidental com o Oriente. Este foi um dos fatores que contribuíram para o isolamento dos reinos bárbaros cristãos que, a princípio, não tiveram outra opção a não ser voltarem-se mais ainda para uma economia agrícola e rural, o que contribuiu para a formação do feudalismo europeu.

A tolerância dos muçulmanos para com os povos conquistados, permitiu-lhes atingir grande progresso econômico e cultural, pois, utilizando elementos próprios e de outras culturas, desenvolveram conhecimentos e técnicas valiosas até hoje.

Foi o caso do uso da bússola e da fabricação do papel e da pólvora, aprendidos com os chineses e introduzidos no Ocidente. Em virtude da enorme extensão de seu império, os árabes difundiram o cultivo de produtos agrícolas, como a cana de açúcar, o algodão, o arroz, a laranja e o limão. Nas cidades árabes medievais, ao contrário da maior parte das cidades europeias  da época, haviam escola, universidades e bibliotecas.

No campo das ciências os árabes desenvolveram, principalmente, a matemática, com muitas contribuições à álgebra, geometria, trigonometria e a astronomia. A Medicina que desenvolveram baseou-se nos conhecimentos dos gregos, que até então não tinham sido aproveitados para desenvolvimento no ocidente.

Os algarismos que usamos atualmente, são uma herança indiana transformada e transmitida aos ocidentais pelos árabes, daí serem chamados arábicos. Até mesmo a palavra algarismo deriva da língua árabe e tais algarismos são, hoje, universais, usados em todo o mundo civilizado.

A ordem que o Senhor Jesus, o Cristo de Jeová Eloim, o Messias da promessa do Deus de Abraão, deixou a todos que o seguissem, é e sempre será a seguinte: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” em Mateus 28:19, confirmada na palavra da por Marcos 16:15 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.” e, ainda mais, que a marca dos verdadeiros cristão é e será para sempre: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” João 13:35.

Deste modo, as guerras cruéis, de cunho político e de interesses econômicos, tais como as denominadas “cruzadas”, foram, para o envolvimento de cristãos, uma péssima ideia e, ter sido apresentadas como "guerras santas", mesmo que o termo “guerra santa”, de fato, possa ser um jargão originário do próprio mundo dos muçulmano, como um ideal que os impulsionou a conquistarem novas terras através dele (pressão imposta aos povos vizinhos, que: ou se convertiam ou eram forçados a conversão) foi uma ideia ainda pior para os cristãos, algo historicamente lastimável. 

Se Maomé não pôde converter os árabes a Cristo, pelo menos converteu-os de volta ao mesmo Deus de Abraão e, apenas isso já deve ser considerado uma coisa de valor pois, afinal, haviam sido 25 séculos de afastamento dos descendentes de Ismael do pacto original feito entre Deus e a casa de Abraão. O compromisso do cristão para com Deus é deve se o de demonstrar amor e compaixão, e nada mais.

Depois da nova aliança, que significa o cumprimento do advento do Messias, Jesus, para benefício de toda humanidade, nenhuma violência, nenhuma guerra mais, cruzada alguma poderia ter sido justificada por motivo de fé cristã, nem pode o ser humano mais se deixar seduzir pelas falsidades e mentiras ditas falsamente em nome de Deus, mas que só fazem causar os horrores das guerras.

No entanto as nações de hoje, continuam a guerrear tanto quanto sempre guerrearam. Parece que o  coração do mundo, de modo algum, está convertido a Deus. Fome, doenças e sofrimento ainda existem hoje, tanto quanto em outras época houveram. Todavia, o verdadeiro justo vive e viverá pela genuína fé nas promessas da parte de Deus, que inclui acreditar que um dia se cumprirá plenamente a palavra dada pelo profeta Isaías: "Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra" - Isaías 2:4

Somos devedores uns dos outros em um amor que fluir de Deus que nos tem feito um em Cristo e, um  dia seremos forçado pelo próprio Deus, a ter tudo em comum. Meu Querido irmão se na caminhada algo se levantar pra quebrar a comunhão o meu coração na força do Senhor pra você vai liberar ...perdão!


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Deus e a Escravidão Humana


A escravatura é um fenômeno humano que se dá desde os primórdios da humanidade, e que consiste na prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro, considerado escravo. Surgiu devido à necessidade social de hierarquizar as comunidades (mandantes e mandados). Para que uns pudessem gozar de certos privilégios, outros teriam que trabalhar arduamente e por vezes serem forçados a abdicar da sua liberdade, tudo isto em prole da organização e bem-estar da sociedade em que se inseriam.

Várias civilizações, algumas consideradas evoluídas para o respectivo período histórico, fizeram uso da escravatura e só após vários séculos sob o jugo desta prática, foi que tomaram consciência de que esta não era viável, nem moral, nem economicamente, abolindo-a legal e oficialmente.

Porém, é do conhecimento geral que a escravatura não se deu por finda com os decretos de lei proclamados, nem com as inúmeras manifestações a propósito. A escravidão é uma cicatriz na história da humanidade, uma violência ao mais fundamental direito da uma criatura humana e a liberdade, além de conduzir a uma ignorância desmedida toda uma sociedade. Este fenômeno persiste, até aos nossos dias, tomando por vezes rostos diferentes e camuflagens mais eficazes.

Com relação ao conceito de Deus sobre a escravatura, poderemos observar no transcorrer dessa dissertação que Ele odeia a escravidão, assim como odeia, também, outros costumes errados, comumente praticados por nós, seres humanos. A prática da escravidão é odiosa a Deus, assim como também é odiosa, por exemplo, o divórcio de casais, todavia, não obstante a vontade contraria de Deus, nós persistimos em praticar tais coisas, as quais sempre se revelam danosas a nós mesmos, de modo recorrente, por longos séculos de experiências mal sucedidas, até os dias de hoje, em vários cantos da terra.

A cerca do divórcio a Lei Mosaica deu instruções específicas de procedimentos, o que motiva algumas criaturas humanas, as quais são movidas por suas genuínas inimizades com Deus, a fazer uso de tal fato para, astutamente, acusá-lo de ser apoiador do divórcio. O novo testamento relata que houve ocasião em que os fariseus tentaram o Senhor Jesus com esse assunto, de modo que até mesmo alguns dos seus próprios seguidores mais leais, caíam nos ardis desse engano. Isso se encontra na narrativa do livro de Mateus 19, onde eu ressalto os versos de 7-10:

“Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?
Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”

Reparem bem, que é como eu disse, até os próprios discípulos de Jesus, se sentiam tentados por tais dúvidas, lançadas por aqueles que semeavam, na época, uma ignorância desprezível, pela Palavra de Deus e, assim como o povo já haviam feito antes, em outras ocasiões, mais uma vez, eles murmuraram contra o arranjo de Deus, dizendo: “Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”

Deus nunca desejou que os casais humanos se divorciassem e isso fica claro pois “ … ao princípio não foi assim!”, mas o divórcio entrou no seio da humanidade por nossa própria culpa e responsabilidade, sendo, de fato, mais uma rebeldia nossa, desde a tenra idade da humanidade, contra o arranjo de Deus para os casais humanos. Jeová já havia orientado antes “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.", no livro de Gênesis 2:24, todavia, infelizmente, o divórcio se tornou prática costumeira entre os humanos, e perdura até os nossos dias, por que crêem os humanos, não convir ficar sem isso.

Mas Jeová, que é o Deus do amor, não se fez de rogado e usou aquele momento mais delicado do êxodo do povo Hebreu para disciplinar o comportamento de todos nós sobre tal questão, “por causa da dureza de nossos corações”. Se queremos nos divorciar, que vivamos, então, sob a pena de leis e não sob a sua graça. Todavia, a graça era da vontade de Deus, mas dessa graça nos afastamos por rebeldia, ficando ela reservada, tão somente, como prêmio a fé obediente, que pouco se achava presente em meio a um povo que opta viver em divórcio e não considera a orientação monogâmica e heterossexual de Deus.

Já, no que diz respeito a escravidão, antes de tudo, eu mesmo devo adiantar que sou escravo do Senhor Deus. Todos os que o servem, por mais que seja de livre e espontânea vontade, compreendem que são comigo, co escravos do mestre Jesus. De fato, todos os malefícios que entraram e ainda entram no desenrolar da história de sobrevivência da humanidade, são derivados da grande dificuldade apresentada por essas racionais criaturas de Deus, em compreender ou aceitar o direito a soberania do todo-poderoso criador.

Sou, sim, escravo, entretanto, o sou com deleite, pois o jugo do meu Senhor é leve e em nada me explora, antes, me sobre ergue, me refrigera, me protege e me acalanta. Eu não me sinto de forma alguma, como que sendo explorado por Deus, em coisa alguma e, não obstante a minha natureza pecaminosa, como a de um ser humano qualquer, eu não consigo compartilhar dessa dificuldade, em aceitar a condução soberana dEle, sobre a minha vida, antes, porém, me sinto honrado por tal soberania.

O senhor Jesus disse, no livro de Mateus 11:28-30 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve." Este é o verdadeiro convite de Deus para que, todos nós, nos tornemos seus escravos.

Eu não sou o único a me alegrar em aceitar tal convite para ser um escravo assim, fiel e discreto. O Apostolo Paulo escreveu em I CO 9:27 “mas, surro o meu corpo e o conduzo como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser de algum modo reprovado.”, de modo que, ser escravo de Deus, é, antes de tudo, eu mesmo estabelecer o meu autodomínio, exercendo a sábia opção, daquilo que me convém, que é o de moldar-me ao exemplo de Jesus. Diferentemente de outros tipos de senhorios que eu conheço, o meu Senhor não é exigente, ao contrário, antes, ele se põe a porta e, educadamente, bate, cabe a mim decidir abri-la ou não, mas o sim se torna em um banquete preparado para mim. Quer servidão melhor que essa?

Quem se faz inimigo da moldagem de caráter proposta pelo Senhor do universo, acaba, no contra fluxo natural, sendo moldado como escravo tão somente para os sistemas de domínio das nações e das sociedades, e das falhas instituições humanas, ou seja, quem rejeita a sujeição a Deus se torna, irremediavelmente, escravo de outros homens e escravos do mundo. Acaba sendo moldado pela força e pela lei, antes que pela graça e pelo amor. Eu também estou sujeito a lei, mas essa de modo algum me aborrece, pois estou moldado àquilo que pode, mais do que a lei. Pela graça desse Deus, mesmo os mais duros juízes da terra, em sua maioria, de um modo ou de outro, o reconhecem e o temem, mesmo que tal juiz seja um homem que opte por não ter parte com Ele.

Alguns dos ativistas da inimizade pela Palavra, nos tempos atuais, tem usado atentar para o texto do livro de Levítico 25:44-46, que diz “Quanto a teu escravo ou tua escrava que se tornam teus dentre as nações que há em volta de vós, delas podeis comprar um escravo ou uma escrava. E também dos filhos dos colonos que residem convosco como forasteiros podeis comprar deles e das suas famílias que estão convosco, que lhes nasceram na vossa terra; e eles têm de tornar-se vossa propriedade.” Eles assim o fazem, para mais uma vez, do mesmo modo como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, acusar Jeová Deus de ser apoiador da escravidão e da exploração do homem sobre o homem. Desesperados com o fato de não conseguirem simplesmente negá-lo como existente, alguns ateus e agnósticos buscam imputar-lhe injustiça, assim como fez, no início, o primeiro rebelde. Mas ora, assim como Deus procurou disciplinar as exceções e a falta de autodomínio dos seres humanos em outras questões, as quais também os próprios homens inventaram, como o mencionado divórcio, por que ele não procuraria, também, disciplinar a ambiciosa humanidade na sua mania egocêntrica de explorar e de manipular o seu semelhante mediante a prática da escravidão?

Sobre um antigo povo que viveu na região denominada Mesopotâmia, os Amoritas (ou Amorreus, 2000 a.C.-1750 a.C.), a Wikipédia diz o seguinte: “Pode-se dizer que as leis destes governantes se baseavam no princípio do olho por olho, dente por dente. Apresenta, ainda, uma série de penas para delitos domésticos, comerciais, ligados à propriedade, à herança, à escravidão e a falsas acusações, sempre baseadas na Lei de Talião ("Olho por olho, dente por dente"). Já sobre os Sumérios e Acadianos que viveram, antes dos Amoritas, naquela mesma região (antes de 2000 a.C.), a mesma fonte diz o seguinte: “Entre os sumerianos havia a escravidão, porém o número de escravos era relativamente pequeno.” Sobre o código de Hamurabi, criado pelos Amorreus (em 1700 a.C. A Wikipédia diz “Suas principais características são: … , divisão da sociedade em classes (os homens livres, os escravos e um grupo intermediário pouco conhecido – os mushkhinum) e … ”.

Assim, a disciplina sobre a prática humana da escravidão, que o Senhor apresentou naquele texto do livro de Levítico mencionado acima, ocorreu, de fato, vários séculos depois que, algumas das sociedades humanas da época, já vinham buscando regulamentar por si próprias. Encontrar um entendimento a lógica da motivação divina para o disciplinamento em questão, é muito simples a quem não é falto de raciocínio: se as sociedades humanas haviam pervertido o coração do próprio homem, para que esse passasse à prática do escravagismo, então, que aquele que era o povo escolhido, no mínimo, o fosse, mas segundo o coração de Deus, a saber: com especial amor e justiça, até que o mover do Espírito viesse a completar uma obra de reconversão, tornando a escravatura humana uma verdadeira abominação ao coração do homem, assim como sempre o foi ao coração de Deus. Além do mais, por dezenas de décadas o próprio povo Hebreu havia vivido como escravo nas terras do Egito e quando o Senhor falou ao povo, ele se aproveitou de um momento em que o coração do povo ainda não havia esquecido aquela tão amarga experiência.

Jeová sabia que, para que os Hebreus se realizassem como nação, assim como era da vontade soberana dEle e como ele prometera a Abraão, o povo Hebreu estava fadado a se lançar, em breve, em uma sequência de guerras de conquistas, arte que também é uma invenção humana. Umas das principais vítimas das conquistas dos Hebreus, viriam a ser os próprios Amorreus, o povo escravagista do “olho por olho dente por dente” e, Ele quis criar no coração dos Hebreus um sentimento de freio, de comedimento, pois eles fatalmente fariam muitos escravos nas conquistas que realizariam. Além do mais, Jeová sabia que a guerra faria seus corações também endurecer, mesmo que a bem pouco tempo, eles mesmos tinham sido libertos da escravidão , pelo poder sobrenatural de Deus, das mão do Faraó do Egito;

Jeová disse, em Êxodo 3:8 “e desci para o livrar da mão dos egípcios, e para o fazer subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel; para o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu.”

A primeira aparição da palavra escravidão, na Bíblia, é justamente quando Jeová vem dar ciência ao seu obediente escravo e amigo Abraão (que ainda era Abrão), sobre as futuras ocorrências quanto a sua descendência, em Ge 15:13,14 lemos: “Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos; sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois sairá com muitos bens.” Repare o conceito de Deus ao dizer “... reduzida a escravidão”: ser vítima de escravatura humana é reduzir-se. Não obstante, Jeová trocou o nome de Abrão (para Abraão), que é uma marca típica de um Senhor sobre o seu escravo, mas uma escravidão para a vida em abastância, para o prestígio e para a vitória, como foi a vida de Abraão, pois ele creu em seu Senhor e isso lhe foi imputado como justiça. Por que não desejaria eu ser escravo sobre tais circunstâncias também?

De fato, mesmo antes de escravizar os Hebreus, os Egípcios já eram, também, escravagistas. A civilização Egípcia foi das primeiras grandes civilizações a optar por este tipo de mão de obra. Várias levas de escravos foram utilizados na construção dos sistemas de conjuntos de pirâmides que “imortalizaram” os seus faraós. Contudo, ao contrário de alguns impérios que a sucederam, os escravos eram bem nutridos e tratados, pois era necessário estarem em boa forma física para efetuarem aquele tipo de trabalho. A Wikipédia menciona “Escravos: cativos ou condenados da justiça, trabalhavam em atividades domésticas, públicas ou religiosas. Gozavam de direitos civis e aprendiam a escrita egípcia.

De fato, o Hebreu José, descendente de Abraão, foi por seus próprios irmãos, vendido a mercadores de escravos que o conduziram ao Egito, onde devido ao seu caráter moldado como escravo de Deus, prosperou. Falsamente acusado por uma mulher traiçoeira, foi preso e condenado pela justiça, mas o seu caráter moldado, novamente o fez prosperar e chegar a ser o segundo homem mais importante de todo império. Antes de morrer, pela vontade do Espírito de Deus, José havia perdoado plenamente seus irmãos, não obstante, naquela mesma ocasião futura narrada no livro de levítico em Jeová disciplinava, não pela graça, mas pela lei, irmãos que vendessem irmãos como escravos passaram passiveis de serem condenados a morte (ver Deut. 24:7).

Aqueles que odeiam a palavra de Deus, odeiam também o que faço agora: que é escrever em defesa de sua legítima soberania e senhoria. Eles não toleram entender como alguém possa fazer questão de se manter como escravo e ainda assim defender isso, com denodo e perspicácia. Eles se esquecem que não foi esse Deus quem inventou a escravatura, na forma como nós humanos a praticamos. Forma humana da pratica da escravatura é sempre desumana, cruel e exploratória, diametralmente oposta a forma de Deus amar e fazer prosperar aqueles que, por desejo, a Ele se fazem escravos. Deus orienta os homens ao equilíbrio, a moderação e ao comedimento, sempre, no mesmo capítulo de levítico usado como base de acusação contra Deus, os versículos imediatamente anteriores, nos dizem:

“Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a terra de Canaã, para ser o vosso Deus. Também, se teu irmão empobrecer ao teu lado e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. Como jornaleiro, como peregrino estará ele contigo; até o ano do jubileu te servirá; então sairá do teu serviço, e com ele seus filhos, e tornará à sua família, à possessão de seus pais. Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como escravos. Não dominarás sobre ele com rigor, mas temerás o teu Deus.”

Um versículo bíblico que resume bem a consideração de Deus para com a forma humana de escravatura, é o que encontramos em Ecl. 8:9: “Tudo isto vi quando apliquei o meu coração a toda a obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro homem, para desgraça sua.” A forma humana de escravidão, do ponto de vista de Jeová, é uma desgraça, tanto para o escravizado, quanto para o escravagista, ela reduz nos a um ponto muito aquém daqueles do propósito da nossa criação. Todavia, existe algo de bom, em os humanos inimigos de Deus persistirem em manter aceso esse assunto, em seu afã de acusar o Senhor: é que de fato, a escravatura continua ainda viva, em nuances surpreendentemente disfarçados. Se não nos atentamos a essas coisas, somos induzidos, sem perceber, a tal escravidão disfarçada e sucumbimos da nossa excelente condição humana de homens libertos e resgatados ao preço do sangue inocente de Jesus.

Os primeiros cristãos eram, em sua maioria, pessoas de pouca influência, muitas vezes escravos. Eles não tinham liberdade para pregar o evangelho dentro da intolerância religiosa que reinava nas terras e nações dominadas pelo império romano. O crescimento inicial do cristianismo se deu principalmente pelo "testemunho informal". É verdade que os registros antigos mencionam, com frequência, o zelo e coragem dos primeiros cristãos ao testemunharem a sua fé, todavia o império romano não permitia que grupos de cristãos ficassem visitando persistentemente as casas de cidadãos romanos, tentando convertê-los ao monoteísmo e incentivá-los a deixar a adoração dos "deuses". Uma atividade assim certamente chamaria a atenção das autoridades e a repressão vivia como certa. Assim o cristianismo crescia entre os pobres, deserdados e escravos, principalmente, para depois, aos poucos, ir emergindo na conquista dos senhores dos escravos.

Mesmo com alguns ricos tendo se convertido ao cristianismo, o cristianismo cresceu especialmente dentro da humilde classe escravista e proletária, como mencionam os autores a seguir:

"O problema das fontes do cristianismo distingue-se pela sua extrema complexidade. A cristandade surgiu no seguimento das relações políticas e sociais existentes sob o regime escravista." – A Origem do Cristianismo, de Iakov Lentsman, edição de 1985, editora Caminho, Portugal, p. 33.

"O filósofo grego Celso escarnece da nova religião porque seu fundador teve como mãe uma trabalhadora e como primeiros missionários alguns pescadores da Galileia. Pela mesma época, os pagãos zombam das comunidades cristãs porque [são] formadas principalmente por pessoas de condição humilde. O Evangelho, ironizam eles, exerce sua sedução somente sobre 'os simples, os humildes, os escravos, as mulheres e as crianças". Taciano traça o retrato do cristão de seu tempo: ele foge do poder e da riqueza e é, antes de tudo, 'pobre e sem exigências'. " – A Vida Cotidiana dos Primeiros Cristãos (95-197), editora Paulus, 1997, de A. G. Hamman, p.41.

Os escritores da Antiguidade não mencionaram uma sistemática pregação dos primeiros cristãos fora dos próprios recintos em que eles habitavam, porque ela simplesmente nunca existiu (obviamente excetuando-se os atos missionários de alguns dos apóstolos e de outros poucos coordenados por estes). Um dos motivos é porque os cristãos do início eram, em sua maior parte, ou escravos, ou desvalidos, ou ambos, não tendo a liberdade necessária para pregarem periodicamente e em público. E não somente devido à sua condição social, mas também por causa do rígido sistema de governo romano, que dificilmente permitiria essa atividade. Assim, traduzidos para termos tupiniquins, o cristianismo original se desenvolveu, essencialmente, como uma “religião de senzala” e, salvo raras exceções apostólicas, não era preciso que os primeiros cristãos se expusessem em demasia, pois o próprio Espírito de Deus se encarregava de apontar os caminhos e lhes supria da necessária mobilidade, a quem era merecedor de fazer a obra ou de receber a graça.

Não obstante, foi e tem sido, pelo exclusivo poder de Jeová Deus, que a videira jamais deixou, de modo algum, de multiplicar em número, continuamente, os ramos a ela ligados, e os ramos, ligados a videira, sem a qual, em verdade, nada poderiam fazer, de multiplicar a produção dos frutos, unicamente para ornamento de glória da própria videira, como é da vontade e do agrado do dono da vinha.

O apóstolo Paulo, escravo do Senhor Jesus, completa e arremata a questão: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!”

Paz e serenidade a todos!
Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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