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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Senhor Jeová e a Geografia da Terra de Israel


Um Breve Passeio Virtual Por Israel - Um Mundo à Parte - de Ontem de Hoje e de Sempre


Uma das razões por que muitos não conseguem entender a Bíblia é porque não há uma desconexão com a qual se possa evitar ter que olhar e compreender, também, a terra da Bíblia. Os 66 livros canônicos da Bíblia, assim como os apócrifos, todos, realmente se concentram apenas em um pedaço pequeno de terra estreito, no qual e pelo qual, as pessoas têm lutado ao longo de mais de 3.500 anos!

A Palestina bíblica é uma seção muito pequena de terra, entre Dan (no Norte) a Berseba (no Sul) são cerca de 250 km, com a distância média do mar Mediterrâneo ao rio Jordão de cerca de apenas 72 km!


Todavia, o moderno Estado de Israel é um pouco maior do que isso, uma vez que inclui todo o triângulo do deserto de Neguebe até Elate, mais 200 km ao sul de Berseba. Além disso, as curvas costeiras de Israel no Mediterrâneo expandiram, de modo que um ponto do território possa determinar 128 km de largura (se você desenhar uma linha a partir do Mediterrâneo, passando através de Berseba até o Mar Morto).

Na Israel moderna se você incluir a a "Margem Ocidental", os territórios da Judeia e da Samaria, é do mesmo tamanho do estado de Nova Jersey (se bem que esta não seja a melhor comparação, uma vez que quase ninguém vive (ou pode viver) nesse pedaço enorme de terra entre Berseba e Elate).

Tanto a topografia, quanto o clima, variam em graus enormes na Terra Santa. Você tem montanhas, montes, desertos, oásis, de uma só vez uma floresta, e ilhas. Lugares onde chove muito, e lugares que não vão ver chuva por muitos meses a fio. Deslumbrantes locais tropicais e outros locais que têm tanta vegetação quanto uma área de estacionamento. Você tem rios, lagos de água doce, mares de sal, e o mar Mediterrâneo. 

Em boa parte do território, os verões são bastante quentes mas, cai neve em boa parte dos rigorosos invernos, em locais como, por exemplo, a famosa pequena cidade de Belém (em hebraico: בית לחם, transl. Beit Lehem, lit. "Casa do Pão"), a Efrata (para diferenciá-la da outra Belém, no território da tribo de Zebulom e também para caracterizá-la como tendo sido formada por efratas, que é uma descrição para os membros da tribo israelita de Efraim, assim como para os possíveis fundadores de Belém, apesar dela ficar no território de Judá.

O Deus do Impossível: Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Miqueias 5:2
A ocorrência de neve entre os meses de Dezembro e Janeiro na região de Belém torná muito pouco provável a data do nascimento do Senhor Jesus na data tradicionalmente comemorada por muitos cristãos (25 de Dezembro). De maneira geral, é muito pouco provável que os pastores estivessem no campo e ao relento, com suas ovelhas, em vigília noturna, nesta época do ano. "Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho." Lucas 2:8. 

Nesta época inicia-se a estação das chuvas seguida por neve, a considerada estação de inverno, fazendo muito frio. Por isso, os pastores teriam seus rebanhos recolhidos e abrigados, e não nos campos e, nem tão pouco César Augusto teria convocado, por decreto, a todos do império para que fossem recensear-se com o clima impropício a ação do Estado nos dias do inverno.

Curiosamente, em Israel, encontra-se, ainda, o ponto mais baixo na Terra: o Mar Morto, que na sua parte mais aos Sul, está a um nível de 425 metros abaixo do nível do mar. Dá para entender o mistério de lugar aberto, onde a água precisaria se acumular a mais de 400m de altura para poder empatar com o nível do mar? Sem dúvida, é um dos lugares mais sobrenatural e impressionante de toda a Terra.

Uma das coisas maravilhosas que você como cristão pode fazer ao longo da sua vida, se você tiver uma oportunidade e se estiver com tempo algum desocupado, é dar umas boas voltas pela terra de Israel por si mesmo. Eu já estive em locais tão exóticos como o sudoeste japonês ou a Lapônia sueca, sempre viajando a trabalho mas, sempre encontrando bons momentos, também, para praticar o turismo cultural, todavia, conhecer Israel continua  sendo um sonho ainda irrealizado.

No entanto, de um modo virtual eu viajo bastante para Israel, não só pela frequência e interesse com que eu costumo ler a Bíblia mas, também, graças a inúmeros artigos, notícias e dissertações postadas e acessíveis ao compartilhamento na maior enciclopédia aberta da humanidade: a Internet. Sabendo utilizar bem, esse tipo viagem, pode se tornar também muito interessante e rico.

Mar da Galileia (também conhecido como lago Tiberíades ou lago Genesaré)
Viajar para Israel, para um cristão, faz com que a Bíblia, de uma maneira especial, ganhe vida, de múltiplas e variadas maneiras. Tudo que você tem a fazer, por exemplo, é estar em meio a uma não tão rara tempestade no meio do mar da Galileia, e ai você vai poder entender por que os discípulos estavam com tanto medo, especialmente se você estiver em um barco a remo.

Na verdade, o mar da Galileia (ou lago Tiberíades, ou lago Genesaré, ou ainda kinneret) não é um mar mas,  um lago de água doce. De fato, ele nem mesmo é tão grande assim: tem 19 km por 13 km, ou seja, apesar do formato bem melhor definido, ele é, no mínimo, 4 vezes menor que a represa de Jurumirim - SP. Nele entra o Rio Jordão, vindo do norte, mas não apenas o Jordão, também outros pequenos riachos e corredeiras menores, que chegam na face leste e nordeste do lago, descendo pela escarpa rochosa que vem das colinas de Golã. Todavia, o Jordão é o único rio que efetivamente sai do lago, pelo ponto extremo sul deste. Isso impressiona pois, o mar da Galileia é o lago de água doce de localização mais baixa em toda a face da Terra: a  superfície da água do lago se encontra ao nível de 200 m abaixo do nível do mar.

Se subirmos o rio Jordão, desde o ponto em que ele entra no lago Tiberíades (ou mar da Galileia), seguindo até uns 35 km rio acima, cruzaremos por uma região de agricultura fortemente desenvolvida.  Nesta região, o rio Jordão mais se parece com um belo canal de irrigação, tal é o cuidado com sua canalização e as benfeitorias em suas margens ao passar ladeando as fazendas e sítios. Naquele ponto de distância percorrida, durante toda a antiguidade, existiu um lago menor, de nome lago Semechonits (ou lago Huleh), todavia, atualmente, ele parece não mais existir.


Continuando a subir pelo Jordão, em direção ao norte, começamos a entrar  agora em uma região com aspecto um pouco mais selvagem e, se prosseguirmos ainda mais em direção ao sopé do monte Hermon, poderemos constatar que o rio se forma da junção de vários pequenos riachos e corredeiras, permanentemente alimentados pela neve do Hermon. Estamos chegando, então, na região da sede da antiga tribo de Dã, a chamada "tribo perdida do norte".

O rio Jordão, a partir de cerca de 35 km ao norte após o mar da Galileia.

Seja como for, virtual ou real, é viajando que você passa a entender a topografia, a geografia da terra, você entende a relação das localidades, das aldeias e das cidades, do homem e da natureza que o rodeia. Você entende como as batalhas históricas foram travadas e, mais, por que elas foram travadas em certos vales e no topo de certas montanhas específicas, e você poderá ficar ali naquele local e soltar a sua imaginação, visionando todo o cenário ocorrido antes de você estar ali. Talvez você possa até chegar a um entendimento consistente sobre porque Jeová escolheu o vale (ou planície) do Megido, também conhecido como planície de Esdraelon, para ser o local da batalha do Armagedom, o conflito final dos tempos.

O Vale do Megido começa a se espalhar para o norte e para o leste do Monte Carmelo, originando próximo a atual cidade litorânea de Haifa, e prossegue para o interior na direção ao leste, tendendo um pouco para sul, formando contiguidade com Vale de Jezreel, sendo que, na borda sul deste último, se encontra o sítio arqueológico da cidade de Megido. Esta região vem oferecendo uma passagem exuberante para viajantes internacionais desde os tempos antigos. 

O sítio arqueológico do Megido no alto do platô e o vale de Jezreel a frente
O sítio do Megido é uma das joias da arqueologia bíblica. Estrategicamente era a mais importante ponto de observação da rota terrestre do Antigo Médio Oriente, a cidade dominou o tráfego internacional por mais de 6000 anos, através dos tempos bíblicos. As civilizações vinham e se findavam, sucedendo-se novas casas e palácios construídos sobre as ruínas dos seus predecessores, criando um legado arqueológico sem paralelo de tesouros, que inclui templos monumentais, fortificações, e engenhosos sistemas de águas.

O grosso do comércio era, historicamente, feito por caravanas vindas do Egito por terra, seguido próximo a beira mar, cruzava de sul a norte todo o pais dos Filisteus, sendo, ainda, engrossada pelas atividade portuária dali, progredindo bem, logisticamente, a beira mar, até passar a cidade de Jope. Dai em diante, a rota era forçada a se desviar-se para o interior, adentrando a região da tribo de Manasses, devido ao obstáculo natural, formado pela serra do monte Carmelo.

Esta rota ficou conhecida como "Via Maris" e, o grosso das Caravanas usava a passagem de Aruna (Wadi Ara), para cortar a serra. Em um platô ao pé dessa Serra, próximo na saída da passagem de Aruna, se encontra a Cidade de Megido, formando uma cantoneira ideal para, de cima do platô, vigiar a rota no exato ponto de frente a vasta planície em que ela conflui para três diferentes direções.


Pelo mapa é possível verificar que a Cidade de Megido foi de extrema importância , tão importante como a própria cidade de Damasco, para o controle das rotas de comerciais entre o Egito e a Mesopotâmia.
A primeira referência bíblica ao a Megido é em Josué 12:21 quando o rei de Megido é relacionado em uma extensa lista contendo ao todo 31 reis cananeus que "Josué e os filhos de Israel feriram, aquém do Jordão para o ocidente, desde Baal-Gade, no vale do Líbano, até ao monte Halaque, que sobe a Seir; e Josué a deu às tribos de Israel em possessão, segundo as suas divisões." Josué 12:7. 

E prossegue em Josué 17:11-12: "Porque em Issacar e em Aser tinha Manassés a Bete-Seã e as suas vilas, e Ibleã e as suas vilas, e os habitantes de Dor e as suas vilas, e os habitantes de En-Dor e as suas vilas, e os habitantes de Taanaque e as suas vilas, e os habitantes de Megido e as suas vilas; três outeiros. E os filhos de Manassés não puderam expulsar os habitantes daquelas cidades; porquanto os cananeus queriam habitar na mesma terra.  E sucedeu que, engrossando em forças os filhos de Israel, fizeram tributários aos cananeus; porém não os expulsaram de todo."


Mapa da antiguidade de Monte Carmelo, Megido e Taanaque (Taanach), e os vales de Megido e Jezreel. A nordeste, o Lago da Galileia (Sea of Chinnereth). Mais ao norte Hazor, próxima do pequeno lago  que não existe mais.
Assim com o Megido, a cidade de Taanaque também ficava na borda setentrional da grande planície de Jezreel, só que mais ao sudoeste de Megido, também podia ser usada como rota comercial, porém, bem menos preferencial do que aquela que passa de frente a Megido, exigindo um desvio mais longo.


Passagem de Aruna, atual, e a rodovia 65.
A cidade de Megido veio a ser dominada plenamente pelos israelitas, somente a partir do reinado de Salomão, o que fez aumentar ainda mais a importância da rota comercial pelo vale de Jezreel, bem como pelo porto de Jope, uma vez que a crescente cidade de Jerusalém passava a definir um novo importante afluente comercial para ela.

"A razão da leva de gente para trabalho forçado que o rei Salomão fez é esta: edificar a casa do Senhor e a sua própria casa, e Milo, e o muro de Jerusalém, como também Hazor, e Megido, e Gezer." I Reis 9:15

Ambas as cidades estrategicamente fortificadas por Salomão, Megido e Hazor, faziam parte da rota comercial Via Maris, no trecho em que ela precisava atravessar para Damasco, fluindo por dentro do território de Israel. O trecho da rota entre Jope e Megido seguia aproximadamente o mesmo caminho que hoje faz a famosa rodovia 65.
O Megido é o único sítio arquelógico em terras bíblicas com vestígios de 30 cidades construídas uma sobre as outras. Cenário de muitas batalhas que decidiram o destino de nações e impérios. Guarda a mais importante via terrestre do mundo antigo, a Via Maris que ligava o Egito á Mesoptâmia. Juntou numerosas grandes figuras da história mundial, tais como o Rei Salomão de Israel e o Rei Josias o último monarca de Judá, Faraós como Thutmose III, Shishak e Neco do Egito e os Reis Tiglat III e Esar da Assíria e futuramente, atrairá o anti-Cristo.


“Então congregaram os reis no lugar que em hebraico se chama Armagedom” (Ap 16:16).
Sobre o vale local, Napoleão teria dito: "É o maior e mais propício campo de batalha sobre a face da terra." Se você puder estar ali, e puder subir num ponto de mirante elevado e lá de cima, olhar para baixo da montanha e olhar para aquele lugar todo, você pode entender por que ali teria sido em toda a história antiga um dos grandes campos de batalha do mundo. Em Geografia compreensão é algo muito importante.

Mapa de Jerusalém do tempo do Senhor Jesus Cristo
Se você entender, por exemplo, algo um pouco mais da geografia de Jerusalém, de que maneira a cidade se encontra alojada em um platô, você compreende por exemplo, aquilo que você lê sobre a prisão e sobre morte de Jesus Cristo e como Ele deixou a cidade aquela noite, enquanto Ele era traído e como Judas chegou até Ele, depois, "...junto com grande multidão com espadas e varapaus, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo." Mt 26:47

Judas, você se lembra, deixou a "Última Ceia", e foi-se a traí-lo. Após, junto dos demais discípulos, Jesus saiu, para fora da cidade e atravessou o ribeiro de Cedrom, subindo em seguida ao Monte das Oliveiras ... É muito significativo isso, porque nessa época, da Páscoa, cordeiros estavam sendo abatidos aos milhares e eles eram abatidos na parte de trás do monte do templo e o sangue corria pela encosta pedregosa abaixo, de trás do monte do templo, que está no lado leste de Jerusalém, descendo para o vale do Cedrom, o qual o ribeiro de Cedrom atravessa.

Próximo ao que foi um dia a antiga porta oriental (hoje chamada de "porta dourada" e que se encontra selada), que dava acesso direto ao antigo templo de Jerusalém, olhando para fora, há uma inclinação para baixo, em direção ao ribeiro, que leva para atravessar o riacho e há uma inclinação para a direita de volta para o Monte das Oliveiras. Sobre a pequena colina mais adiante está a cidade de Betânia e mais longe ao sul está Belém.

Proximidade do Getsemani e Monte das Oliveiras nos Dias Atuais
Jesus e seus discípulos desceram aquela colina e tiveram que atravessar o riacho de Cedrom. Nessa época do ano, época de Páscoa, o Cedrom ainda está cheio de água, mas ele se torna um riacho eventualmente seco no verão.

Todavia, naqueles dias, ele decerto tinha água, e a água deveria até estar vermelha de sangue por causa dos milhares de cordeiros que haviam sido sacrificados naquele mesmo dia, e cujo sangue costumava atingir aquele pequeno riacho. Não estaria Jesus cruzando-o, com um ato simbólico do Seu próprio sacrifício como o Cordeiro de Deus? Esse tipo de coisa é muito emblemática, e faz viva, para todo sempre, a Palavra de Deus.

Vista da cidade de Jerusalém atual observava de uma aeronave sobrevoando diretamente sobre o Monte das Oliveiras. Separando a  "Cidade Velha"  do Getsemani,  lá embaixo, na linha sinuosa descampada, o vale do riacho Cedrom - acima, entrando pela Cidade Velha,  o Domo da Rocha (mesquita de Omar) com sua cúpula brilhante. O templo que existiu no tempo de Jesus ficava ao lado dele (ver prox. foto).
Assim, dai surge a compreensão de alguns de que a geografia é, realmente, muito importante. Se você entender um pouco da geografia, para o norte, na Galileia, ou para leste, para o Jordão, e Betabara – local do batismo e berço do cristianismo, você vai entender muito a riqueza das histórias bíblicas.

Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário,
que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor:
 Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor,
 o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada. (Ezequiel 44:1-2)
Para isso, você tem que fechar algumas lacunas em alguns dicionários bíblicos e atlas. Mas hoje em dia, nem é mais necessário você ter inúmeros dicionários bíblicos e atlas em sua própria casa. Claro que não é ruim, caso você os tenha mas, hoje em dia é bastante vasta a quantidade de material que outrora residia só em papel e outros meios de suporte ainda mais perecíveis, mas que vieram a ser digitalizados, e hoje podem ser compartilhados por um número muito grande de pessoas, o tempo todo, para verificar a topografia e suas relações, e nos permitir imaginar mais realisticamente, caminhando pelas mesmas trilhas em que caminharam Moisés, Josué, Davi, Daniel, o próprio Senhor Jesus e outros.

Outra ferramenta geográfica importante, hoje em dia, é o Google Earth. Basta você digitar, mesmo em Português: “Jerusalém, Israel” e em poucos segundos você viajará e terá a sua disposição a imagem dos dias atuais desta antiga cidade, que lhe permitira explorações as mais variadas, bastante farte im informações e imagens. É uma poderosa ferramenta de conhecimento geográfico, e de uso gratuito numa versão bastante apreciável.

Uma outra vantagem onteressante da "viagem virtual", que só a Internet do século 21 foi capas de propiciar de maneira tão rica e, ao mesmo tempo barata, é que você pode andar (com seus olhos), com facilidade, até mesmo por locais restritos, nos quais, na realidade, as autoridades de administração local, por uma série de motivos, não permitiriam que você transitasse, ao vivo, mesmo pagando para isso. 

Se um dia eu viajar para Israel de verdade, eu me sentirei como que voltando a lugares onde eu antes já estive, porque, de fato, já estive mesmo, só que virtualmente, avaliando escalas, medindo distâncias de um jardim para outro, de uma aldeia para a outra, de uma cidade para outra, de um pais para outro, etc.

Quando você começa a trabalhar (e se divertir) assim, tudo o que passar, toda a história e compreensão da Escritura Sagrada, torna-se maravilhosamente mais rico e vivo. A cultura hebraica sempre levou a questão dos "nomes e seus significados" muito a sério em relevância. Aliás, está é uma característica bastante marcante do idioma hebraico. Por exemplo, “Jordão” é uma palavra que significa “descer profundamente”, e é justamente assim que se comporta o rio que recebeu este nome.


O rio Jordão começa em três locais no norte de Israel, e uma das suas fontes (a principal) provém de uma montanha chamada Monte Hermon, que é, na verdade, um conjunto de montanhas com três distintas cimeiras, que se elevam a nordeste do mar da Galileia, na fronteira entre o Líbano e a Síria, na zona tampão entre Síria e área militarmente ocupada pelo atual Estado de Israel, a uma altitude de 2814 m acima do nível do mar, e a foz do rio Jordão, depois de percorrido todo o seu vale, chega a estar a cerca de 400 m abaixo do nível do mar, depois que ele deságua no Mar Morto (que não é mar, mas um lago), o que significa que o rio Jordão ao longo de todo o seu curso, da nascente, nas cimeiras do Hermon, até a foz, desce a incrível marca de mais de 3200 m!

Topografia de Israel e do Rio Jordão - Compare a altitude do Jordão com a de Jerusalém e com a do "Monte Nebo, que está na terra de Moabe bíblica (atual Jordânia)" Dt 32:49 - Descer ao Vale do Jordão é descer ao mais profundo vale existente na terra. "Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo: Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão; e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo"; 
Olhando para o Lado de Israel, de certa altitude do Monte Nebo - Creio que deva ser bastante raro a ocorrência de dias de céu mais aberto do que isso, em que se possa ver mais longe mas, o Senhor Jeová preparou e Mouses pode ver (a uma altitude entre 800m e 850m  acima do nível do mar). Lá embaixo, no sopé da montanha existe um povoado jordaniano que naquele tempo não existia - O rio Jordão está passando mais adiante, lã no meio do vale (no meio da foto, a cerca de 23 km daqui do ponto de observação, em linha reta) - Bem a direita da imagem, da pra ver apenas um nuance, uma ponta da cidade de Jericó atual (que fica após a travessia do Rio Jordão, cerca de 28 km em linha reta). Ali é, desde os tempos bíblicos, o povoamento humano localizado em mais baixa altitude do mundo começando em cerca de 300 m negativos.

O rio Jordão é curto, mas a partir das suas cabeceiras nas montanha (cerca de 160 quilômetros ao norte da desembocadura do rio no Mar Morto antes de chegar a território jordaniano o rio forma o lago Tiberíades (o famoso, mar da Galileia por onde Jesus andou, literalmente, sobre as águas), cuja superfície já se encontra a cerca de 200 ~ 210 metros, abaixo do nível do mar.

O principal tributário do rio Jordão é o rio Yarmuk. Poucos quilômetros logo após o Jordão sair do Mar da Galileia Perto da junção desse dois rios, o Yarmuk forma a fronteira entre Israel no noroeste, a Síria no nordeste e a Jordânia no sul. Já a cerca de metade do caminho entre a saída do mar da Galileia e a entrada no Mar Morto, o rio Az Zarqa, o segundo principal afluente do rio Jordão, chega e se esvazia totalmente dentro da margem leste dele.

A fenda do vale tem cerca de 99 km de extensão (em linha reta) e vai desde o entrocamento com o rio Yarmuk, no norte até o ponto da desembocadura, no mar Morto (ou seja, cerca 380 km se considerarmos que  se estende até a região de Al Ácaba, no extremo sul, a oeste da península do Sinai, bem depois de ter terminado o Mar morto, como é de costume alguns visualizarem).

Mar Morto (a região Terrestre mais baixa de toda a Terra - mais de 400 m abaixo do nível do mar

Aquele trecho de 99 km é que é referido comumente como “O Vale do Jordão”, que é, em geral, delimitada por uma escarpa íngreme, tanto na margem leste quanto na oeste, e o vale atinge uma largura máxima de 22 km em alguns pontos. O vale é conhecido como a Ghawr Al (que significa a depressão, ou vale, também conhecido como Al Ghor).

No mês de Abril (estação de primavera no hemisfério norte), que é a época de colheita (e lá eles tem apenas uma colheita/ano e não múltiplas colheitas como o que acontece, em geral, aqui no Brasil). O lado do Monte Hermon, que está diretamente de frente para o norte do rio Jordão, vai derretendo a maior parte de sua neve de inverno, durante esta temporada particular.

Rio Jordão em sua vazão máxima de primavera (no mês de Abril) correndo em direção ao Mar Morto.  "Do alto estendeu o braço e me tomou; tirou-me das muitas águas." Salmos 18:16. "A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas." Salmos 29:3. "Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te. Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão." Salmos 32:6.  
Deste modo, o rio Jordão que até então, parecia um rio calmo, adquire agora uma massa violenta e furiosa de água, aumentando a sua vazão em cerca de 50 vezes mais, e se tornando mais largo do que um campo de futebol em alguns trechos. As águas descem revoltas e espumantes num espetáculo magnífico.

O rugindo feroz das águas do caudaloso rio Jordão dessa época é deveras surpreendente e chega mesmo a ser assustador. Ai, então, eu me faço uma pergunta (a mim mesmo e ao Deus do universo), alias, uma pergunta apenas não mas, duas perguntas:
  1. Aquela água toda que desce violentamente pelo rio Jordão durante todo o mês Abril, e que continua a descer em menor volume o ano todo, não vai desaguar no Mar Morto? Para essa pergunta eu creio que sei a resposta, e ela é sim!

  2. E o Mar Morto, então, deságua aonde?
Afinal, o que acontece com a toda aquela água que desce pelo rio Jordão? Água que tem um significado simbólico de valor histórico, tanto para judeus quanto para cristãos, e que chega ao Mar Morto? Tudo bem que o rio Jordão é a única fonte de entrada de água ali mas, ela está sempre entrando, continuamente!

Bem, a explicação é a seguinte: quando o rio termina e ele se espraia em forma de um lago que chamamos de Mar Morto, com uma ampla lâmina d'água em uma região desértica e muito quente. Dai, uma boa parcela de toda aquela água vira, simplesmente, vapor atmosférico, mas essa pode não ser a maior parcela "água que some".

Algo que pode consistir num "quase desastre ecológico e histórico" causado por mãos humanas, ao sul do mar Morto, pois ele  acelera a evaporação da água e, creio, que só não se tornou pior pela misericórdia de Deus, que converte o mal em bem. Boa parte das grandes nuvens que podem ser observadas na imagem, muito provavelmente, provêm de tal evaporação, mas nada que o homem faça com suas mãos pode garantir que tais nuvens venham a ser úteis.
Além do mais, nos últimos 50 anos o mar Morto até mesmo diminuiu, ligeiramente, de tamanho, devido ao impacto ambiental causado pela implantação de salinas para exploração de cloreto de potássio, na parte extrema sul dele. Essa obra gigantesca, porém que pode se revelar um tanto quanto desastrosa, pode ser observada com ricos detalhes pelas imagens geradas por satélites do Google Earth.

A maior parcela da água entregue pelo rio Jordão ao mar Morto é, simplesmente, “devorada” por infiltração irrigando o solo, tanto redor da área do Mar Morto, quanto daquela área, mais ao sul onde se encontram as salinas de exploração de cloreto de potássio. Poderia se pensar que houvesse a tendência dela tentar prosseguir em direção sul, mas a partir dali a altitude da superfície o solo começa a se elevar, gradualmente, então ela simplesmente pode penetra no solo daquela região muito árida, que recebe menos de 50 mm de chuva por ano, até aparentemente desaparecer.

Mas ela, a água, está lá, no subsolo, e beneficiando alguma atividade agraria, existente tanto ao sudoeste e, principalmente ao sudeste do mar Morto (já na Jordânia, confira no Google Earth), em uma região onde tal atividade humana não seria possível sem ele, e sem o rio Jordão que o abastece.

Apesar das salinas de cloreto de potássio parecerem uma extensão natural do Mar Morto, elas não são: houve escavações ali que as formaram. Existe um apêndice do Mar morto, que surge por bombeamenteo e infitração, que ocorre em seu extremo sul. No entanto, é por um fino canal, escavado, que corre de norte a sul narginal à borda do desse apêndice, que a água captada por estação de bombeamento, drenando pelas tubulações 9 m3/s de água salgada, diretamente do Mar Morto, que é levada até a área de malha de salinas.

Compare mapas de Israel antigo com mapas atuais, tomando como referência, por exemplo, a pequena localidade de Arad, que fica muita próxima, e na mesma latitude, das ruínas da antiga Arad (Tel Arad) dos tempos do rei Davi. Não havia, nos tempos bíblicos, extensão do Mar Morto que fosse ao sul, para além da latitude de Arad, que é, praticamente, a mesma latitude de Berseba (Beer-sheba), que fica mais para oeste de Arad.


Sítio Arqueológico de Berseba nos dias atuais, distante poucos quilômetros a leste da cidade moderna.
Berseba, que foi uma importante localidade bíblica, onde Jeová proveu que fosse celebrada a paz entre Isaque (filho de Abraão, "que plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno. (Gênesis 21:33)) e Abimeleque (rei dos Filisteus), de modo semelhante ao que já havia ocorrido tempos antes, nesta mesma localidade, com os seus pais, e que os servos de Isaque cavassem um novo importante poço, para que eles se assentassem em paz e prosperassem (Gênesis 26:23-33). 

Todavia, hoje em dia, as salinas se estendem por aproximadamente uns 33 km mais ao sul do Mar Morto, provavelmente alagando terras e ruínas de alguma das localidades por onde andou Davi e seus correligionários, nos dias em que eles fugiam da perseguição do rei Saul, enquanto as mãos de Jeová os protegiam e sustentavam (veja I Samuel 23:24-28) em seu exílio.

Mas estas salinas ao sul não são a única ocorrrência de grande bombeamento de água a partir do Mar Morto, que é feita, também, em outros pontos, Uma grande estação de bombeamento, por exemplo, fornece água salgada do norte do Mar Morto para as fábricas, com cinco bombas de água poderosas com 5,000Hp cada, instalados. O projeto envolveu erguer estruturas marítimas de grande escala, dragagem, a criação de sistemas elétricos de alta tensão, obras de construção mecânica e civil e muito mais.


Sempre que tentamos entender as ações de Deus, um fator essencial em Sua natureza é que, embora Ele, de fato, seja o “Deus Todo-Poderoso” e o Soberano do universo, Ele também é “misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade” (Joel 2:13), conforme nos declararam os profetas. Ao meu ver, toda essa geografia e seus fenômenos curiosos revelam isso.

Além disso, o apóstolo Pedro descreveu a intenção básica de Deus para a humanidade em 2 Pedro 3:9: “... ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”.

É obvio, então, que a vontade básica de Deus para o ser humano é que este seja salvo, e que nenhum se perca. Portanto, partindo dessa compreensão, é possível discernir o Seu propósito em advertir tantas vezes o homem quanto ao que acontecerá “logo em seguida à tribulação daqueles dias” (Mateus 24:29), a reaparição gloriosa de Jesus.

O principal objetivo do período de tribulação será abalar os alicerces de todo sistema humano e invadir o pensamento e coração do homem com todo tipo de juízos e atos de misericórdia, de modo que todos que estiverem vivos durante aquele período de desfecho da história, possam por fim perceber que Jeová existe e que ele é o único Deus e, da necessidade de invocar o nome do Senhor e de adorá-lo, em Espírito e em Verdade.



Deus do Impossível (Trazendo a Arca)

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer

O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer

O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível

Dedico este estudo ao Pr. Gilvan, um homem somples, e de Deus, amante da palavra inspirada e meu amigo, pastor da Igreja A. D. Betel para as Nações - em Osasco - SP - Brasil

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terça-feira, 19 de junho de 2012

Angústia Suprema


Angústia Suprema
(Rosa de Saron)

Eu imagino o seu olhar
Eu o procuro no tempo
A última noite entre nós
Angústia ao extremo
Sua alma entristeceu
Companhia adormeceu
Só a lua a iluminar
A angústia de um homem-deus

Prostrou-se em terra
Exprimiu suas aflições
Um anjo o consolava
E a tristeza o abalava
(refrão)
Foi na solidão sua maior dor
Suor e sangue, angústia e amor

Sua fé venceu a dor
Ao seu destino se entregou

A salvação seria
Tal qual Deus Pai queria
Repleto de amor
O sangue transpirou


O texto acima é letra na música intitulada “Angústia Suprema” que canta a respeito de um fato que é narrado nos evangelhos sobre o ocorrido durante algumas poucas horas que Jesus passou no jardim do Getsêmani (ou jardim das Oliveiras) no período que antecedeu a sua prisão, que resultou no seu martírio.

Ali, naquele momento em que Jesus, de modo inconteste, se angustiou profundamente “e disse-lhes: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai.” Mc 14:34

Ora, eu me pergunto, qual seria a razão daquela angustia se Ele, de fato, sabia plenamente, que os acontecimentos que sucederiam nos próximas horas eram, nada mais nada menos, que a consumação do inexorável projeto de seu Pai, Jeová Deus, para a salvação de uma grande multidão de seres humanos?

Teria o filho do homem Jesus, sido tomado pelo natural sentimento de medo que ocorre quando um humano vê diante do seu eminente martírio? A angústia lhe ocorrerá por ter tido uma antevisão das terríveis circunstâncias de sofrimento físico pelas quais Ele passaria pelas longas e cruéis cerca de quinze horas seguintes?

Ora, não seria, acreditar que assim fosse, uma interpretação por demais simplista, diante da imensurável magnitude do acontecimento que, pelo poder de Deus, então se cumpria? Não estava Jeová realizando ali o único e possível acontecimento que pudesse estabelecer uma via de salvação para a humanidade?

Angustiou-se Jesus por si próprio, ou houve ali, naquela angústia suprema, uma outra razão maior que não era, então, apresentada de modo explícito? Não haveria ali, para aquela angustia imensurável, uma razão oculta, que viria a ser revelada somente diante de uma visão estabelecida pelo poder da fé, para aqueles que crerem que aquilo foi, de fato, o único possível preço a ser pago, para o estabelecimento da nossa via de salvação?

Pense friamente, cristão: mártires por mártires, daqueles que se entregaram ao martírio por causas nobres, com o coração cheio heroísmo e de amor sincero aos semelhantes, e até mesmo por amor sincero a Deus, a história da humanidade está repleta de casos, mas nenhum destes pôde ser o resgatador da humanidade.

A loucura humana por ambição e por ganância de riqueza e poder, o desvario humano em governar as nações e, mesmo em governar a aquilo que a história denomina como sendo “igreja”, foi e ainda tem sido, como algo profícuo em gerar tais mártires, mas todos eles dormem na morte, esperando o chamado de Jesus.

Se você é sincero e não é ignorante, deve estar agora se lembrando de alguns desses casos. Se você não tem tal conhecimento, basta dar uma rápida vasculhada na maior enciclopédia humana que os muitos relatos bastante verídicos, salvos por alguns exageros e detalhes controversos, que são inerentes ao imperfeito processo de registro histórico humano, lhe saltarão a vista, como milho de pipoca lançado em olho fervente.

São, de fato, inúmeros casos de mártires e heróis e possivelmente, alguns deles devem ter ido as últimas consequências de seus atos heroicos, sem derramar uma única lágima sequer, de angustia ou pavor, mesmo diante da derradeira ação de seus algozes. Não citarei aqui, ainda, o nome de nenhum caso exemplar, a fim de não produzir comparações de caso a caso, enaltecendo a alguns ou diminuindo a outros.

Mas então, o que teve, realmente, o martírio de Jesus de especial? Seria Ele apenas mais um mártir, dentre tantos, produzidos pela loucura humana? E, principalmente, o que é a revelação que o Espírito enseja trazer-lhes, qual foi a razão de tão profunda angústia sentida por Ele ali no jardim das Oliveiras?

Mesmo eu, um homem contemporâneo deste tempo cibernético e cosmopolita, amante da ciência e das artes humanas, dotado de plenas boas capacidades físicas e mentais, desembaçado de compromissos cíveis que me tolhessem o pleno desfrutar dos gozos que a sociedade moderna e libertária me oferecem, ao invés de me alegrar profusamente com isso, já há um bom tempo, a medida em que a minha alma amadurece, venho me sentindo cada vez mais amargurado.

Eu sei que a amargura que eu estou sentindo, é mesmo, apenas uma pequena parte, daquela mesma angustia suprema que sentiu Jesus. Mas repare que eu estou usando palavras diferentes para exprimir a representação de um sentimento de mesma natureza (angústia em Jesus, amargura em mim), pois o sentimento de Jesus, foi grande de uma maneira sem medida, mas durou poucas horas, e o meu é pequeno, na minha proporção humana limitada, mas é para toda a minha vida.

Hoje, no ponto de amadurecimento em que eu me encontro, principalmente para com respeito ao meu relacionamento com o mundo espiritual, é que eu pude chegar a ter alguma ciência da semelhança de tais sentimentos, posto que até então, eu me inclinava ao auto convencimento de que, em meu ser, haveria tão somente a famigerada doença da depressão, dita popularmente como sendo, o “mal do século XXI”, a qual eu hoje creio, que pode muito bem, ser dita também, como o “mal do século XX”, o “mal do século XIX”, o “mal ...”.

Há muitos anos a minha alma indaga a si mesma, de modo recorrente, o seguinte ditado louco: “Não há que se ter medo da morte, mas sim, medo da vida pois, viver neste mundo é algo terrível!”. O ponto de exclamação empregado na última oração deste período não é apenas um sinal retórico pois, a ideia de ter tal pensamento flutuando livremente em meu âmago, deveras sempre me perturbou, causando-me, no início, até bastante medo.

Eu não consigo me lembrar, exatamente, de quando foi isso começou em minha vida mas, e creio que, a princípio, tal pensamento transitava de modo algo inconsciente, para depois de alguns anos, passar a transitar, de modo progressivo, cada vez mais conscientemente, e a perturbação causada, advinha do fato de que, após cada manifestação desse pensamento, a lógica fria que há em mim o analisava e o considerava como uma possível “ideia derrotista”, de quem “se acovarda diante da luta da vida” e, o pior, acusava carregar uma “tendência suicida”.

Por décadas eu tentei apagar tal pensamento de minha alma e, não obstante a ele, ao avaliar-me como ser, não me sentia suicida, nem derrotista, e tal pensamento, transitava em minha mente, sem nunca ter feito descer desejo algum ao meu coração, muito menos algum desejo macabro, muito pelo contrário, como disse anteriormente, eu me senti e me expressei sempre como alguém contemporâneo deste tempo cibernético e cosmopolita, amante da ciência e das artes humanas, dotado de plenas boas capacidades físicas e mentais.

Todavia, aquele pensamento, de modo resistente, continuou me assombrando por décadas, até chegar aos dias de hoje, e foi apenas com o meu lento e gradual amadurecimento, que eu pude, aos poucos, não temê-lo mais e de chegar ao ponto em que eu me vejo agora, de aceitá-lo e compreendê-lo, como sendo uma pequenina parcela compartilhada, da mesma angústia suprema que Jesus expressou sentir, naqueles momentos ali no jardim das oliveiras.

Apesar de quão terrível, de fato, tem sido a mim viver neste mundo, em cinco décadas da minha vida, eu não me suicidei e creio que, no tempo de vida que ainda me reste viver aqui, ainda que este tempo venha a ultrapassar o tempo já vivido, eu não o farei, até mesmo porque, diante do meu crescimento e amadurecimento para com as coisas espirituais, o pior de tudo já passou.

O que eu mais desejo hoje, e para o restante da minha vida, é poder dizer aos acreditam que sofrem como eu acreditava que sofria, com aquele tal pensamento, é que ele é natural, inerente a nossa natureza humana mais que inteligente, que é ainda sábio e verdadeiro, e é coisa que se expressa em nossas vidas pela permissão de Deus, não tendo vindo para nos matar, para nos roubar ou para nos destruir, mas para nos dar uma vida de aprendizagem, que acabe por ser útil ao Senhor.

Viver neste mundo é verdadeiramente algo terrível pois, fato é que ele está irremediavelmente perdido, fadado a morte, enquanto que nós, os loucos para o mundo, quando conseguirmos superar as barreiras que tentam nos impedir de ter o conhecimento exato de “por que Jesus sofreu ali no Getsêmani” passamos a ser dotados de um real poder, que pode nos conduzir então a coisas maravilhosas, as quais o mundo nunca entenderá: salvação no nome e no sangue de Jesus.

Não amados, vós que sois loucos de amor pelo mundo, vocês não precisam chorar as suas próprias lágrimas de paixão pela humanidade pois, as lágrimas que cabiam ser choradas, já o foram ali com Cristo, lágrimas e suor de sangue, choradas por Jesus em sua angústia suprema e nenhuma outra lágrima, nenhuma outra angústia, nenhum outro suor ou sangue, nada, poderá superar o que houve naquele momento.

Saiba, pois que é inevitável que a humanidade continue se degradando, no dia a dia em que hoje vivemos e é inevitável também a nossa dor por sermos contemporâneos desse tempo de degradação, mas o nosso sofrimento por causa de ver isso acontecendo é completamente vão e é, tão simplesmente, uma inútil opção nossa apenas!

Nós humanos, não vemos nem julgamos com os olhos do Espírito, mesmo alguns de nós, que se tornam esclarecidos, não obtém exito nisso. Nós vemos e julgamos com os nossos olhos físicos, pois é isso que somos, matéria … e jamais poderemos demover o mundo de seu destino de destruição, com a força do nosso próprio braço. Enquanto isso, tudo o que vier a acontecer, é algo que, simplesmente, terá que acontecer.

Se ao menos nós pudermos compreender o que significou o martírio de Jesus, tornaremo nos cônscios de que somente o legítimo dono do mundo poderá, quando vier o momento apropriado, restaurá-lo e poderemos então, também, ter a sensação alegre da certeza de estarmos rumo a esse grande e totalmente diferente dia, ao qual nos encaminhamos a passos largos e acelerados.

É somente esta esperança que pode apaziguar a nossa angústia, a nossa amargura sincera de homem mortal louco de paixão pelo mundo e pela humanidade: tudo o que há nos será tornado novo!

Ora, pois, aquilo que nos faz sofrer não é justamente o fato de estarmos com nosso olhos abertos vendo o mundo do jeito terrível que ele é, e não é a causa da nossa amargura não podermos vê-lo modificado, como sendo de uma forma diferente? Pois isso só será possível acontecer, se antes suceder por um tempo, a pífia vitória do mal, com ele aparentemente predominando, até que se escote a sua medida e o seu cálice transborde, e mão da ira de Deus o venha remover completamente.

Quem me dera se tal ocorresse ainda hoje, diante de meus olhos, mas não sabemos o dia nem a hora, porquanto, apenas vemos sinais que nos afirmam que tal dia e hora se aproxima. Assim, busquemos ao Senhor enquanto Ele ainda pode ser achado, busquemos pelo seu conhecimento pois, é isso que significa a vida eterna.

Nada mais podemos, de fato, fazer com nossa própria força. Nos ligarmos a videira verdadeira e buscarmos permanecer ligados a ela é tudo que podemos fazer. Nem mesmo os frutos que daremos sairão por nossa força. Há que ser assim, por causa da glória de Deus, concedida a Jesus.

Não percamos tempo como fazem os que no mundo só buscam gananciosamente por riquezas e prazeres fúteis. Agindo assim estaremos odiando a humanidade que queremos ver restaurada e odiando ao mundo que querermos ver renovado. Isso só aumentará o nosso sofrimento louco, em duração e intensidade.

Antes de podermos nos alegrar, por fim, com o renovo da vida que vem vindo, haveremos de passar um período aparentemente contraditório, em que o acesso a mensagem de Deus para os homens deixará de ser livre, onde hoje ele ainda é livre, e a pregação do evangelho de Jesus deixará de ser aberta, onde hoje ela ainda é ela aberta.

Por esse tempo, a vontade dos inimigos de Deus, parecerá prevalecer e a humanidade ficará ainda mais confundida, e muitos sentirão satisfação nisso e mestre apregoarão que tudo terminou assim para o bem da humanidade e que, enfim, a paz na terra reina. Mas essa falácia não durará.

E sucederá que isso resultará apenas no agravamento das dores humanas pois, não há outro fruto que possa advir do que é mal, a não ser o próprio mal. Naqueles dias, alguns se recordarão das palavras de mensagens como esta, sentirão saudades e então procurarão por elas, mas não as encontrarão.

Não obstante as coisas terríveis que ainda sucederão naqueles dias, os remanescentes dentre os que creram no poder do sangue de Jesus, os mesmos que entenderam porque Jesus teve aquele momento de angústia suprema no Getsêmani, estarão ocultados pelo poder do Senhor, protegidos de toda desgraça, não poderão ser tocados.

Não amados, não é mais tempo de acreditar que Jesus se angustiou tão somente por “Ele se dar conta de tudo o que ele deveria enfrentar nas derradeiras horas finais de sua vida como homem”. De mártires assim, e até melhores do que isso, a coroa mundana da humanidade está amplamente cravejada.

Isso que acreditamos ser o todo, foi nada mais do que tão somente, a mísera e desprezível parcela do porque Jesus orou fervorosamente para saber do Senhor Jeová se havia outra forma de redimir a humanidade.

Essa mísera e desprezível parcela, se ocorreu, foi porque a alma de Jesus, naquele momento, estava tão firmemente dependente da carne, quanto eu e você, seres humanos, físicos materiais e mortais estamos. Mas saiba que essa parcela carnal é muito menor do que a ponta de uma enorme montanha de gelo solta no oceano.

Jesus não teve nenhum medo de morrer, que justificasse a incomensurável angústia suprema que sentiu. Houve ali, muito mais do que as nossas pequenas mentes humanas pudessem, até então, ter captado e compreendido.

As oração, as lágrimas e o suor de sangue de Jesus eram por nós, mais uma vez, por interseção em nosso favor. Foi pelas reais chance de cada alma humana via a alcançar a salvação, por meio do pacto que Ele e o Pai, por fim, iriam consumar em poucas horas, a partir daquele cenário, que o angustiado Jesus orou, chorou e suou sangue.

Foi por tudo o que nós ainda teríamos que sofrer em nossa jornada histórica e pela dor de saber que nem todos os seres humanos alcançariam a desejada salvação, conforme era o desejo do Pai. Parece fácil, não é cristão? Tão somente creia e serás salvo! Mas não tem sido assim, fácil, e por fim, “se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias”. Mt 24:22

Estamos pregando o evangelho a quase 2000 anos e eu pergunto: A quantas andam as nossas contas dos que são salvos? Daqueles nascidos de mulher que estão vivos na terra, quantos estariam salvos hoje? Na Brasil cristão, que amanhece a cada dia vendo o desfilar de crimes e mais crimes ocorridos, quantos estão salvos? Nas congregações, onde o cristãos se assentam e ficam felizes pois, as pregações lhes agradam fazendo cócegas aos seus ouvidos, quantos estão salvos?

Será que teremos mais 2000 anos para pregar o evangelho por toda a terra para toda criatura? Haverá um tempo para recuperar o atraso, buscando, em desespero, superar a nossa incompetência humana? Não sabemos que o tempo para isso já se faz cumprido em um átimo e se acelera o tempo do fim?

Jesus tinha muitíssimo mais motivos para chorar por nós, do que por Ele próprio, amados. Ele chorou por Israel que até os dias de hoje continua a odiar os profetas nascidos de sua própria casa e chorou pelos homens cristãos, tolos quais crianças recém desmamadas, que se comovem em ver como o Mestre se angustiou temendo sua própria morte e se alegram com o quanto as congregações lhes acenem com promessas de bençãos e milagres materialistas.

E o sangue correu por fora de sua pele, de modo antecipado pois, Ele entendeu que ali já se selava o fato de que nos últimos dias sobreviriam tempos penosos; pois os homens seriam amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder.

Vede se algo no cenário acima lhe parece familiar? Se sim, então, afasta-te também desses e saiba que a imensa tristeza de Jesus naquela hora, foi porque deste número seriam aqueles que, nos dias de hoje, se introduziriam pelas casas, e levariam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade.

Por tudo isso Jesus orou, pois, quem sabe haveria outro meio menos penoso para nós humanos, atingirmos a salvação, sem ter que passar por tantas desgraças. Jesus transpirou seu sangue precioso em oração … mas outra forma consumar o pacto não foi possível! Ele teria mesmo que sofrer o seu martírio e, quanto a nós, ficaríamos condicionados a nossa própria dependência de crer ou de não crer, de se ligar ou de não se ligar, de seguir ou de não seguir, de permanecer ou de não permanecer, de perseverar até o fim ou de não perseverar até o fim. De sermos salvos ou não, conforme o nosso próprio desejo.

Foi por isso que Jesus se entristeceu até a morte, se angustiou de maneira suprema, orou mesmo em pranto, vertendo sangue. Por que é que Ele temeria a a própria morte? Nem mesmo Tiradentes, que morreu sem a certeza da salvação, temeu a sua própria morte. Se dez vidas eu tivesse – disse Tiradentes – todas eu daria, a fim tornar independente, o Brasil de Portugal. Mas Jesus foi a única vida possível de ser dada, em resgate pela humanidade toda e, mesmo assim, tão poucos desejam ser salvos.

De fato, tudo indica que há a chance de bem poucos humanos se salvarem. Talvez algo em torno de uns seis milhões, no meio de uns seis bilhões, ou seja, 0,1% dos humanos se salvariam. São altas as chances de que a grande maioria se perca e, ainda há a certeza, de que todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições. Que Deus se alegraria com isso? Deveras, nenhum! Antes se angustia, sofre de angústia suprema!

Mas os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados e, eu, porém, permanecerei naquilo que aprendi, e de que fui inteirado, sabendo de quem o tive aprendido, e que desde a infância sabia as sagradas letras, que podem fazer-me sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus.

Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra. Estando cada qual de nós firmemente pegados a videira, aquietemo nos e vejamos o que o Senhor fará!
Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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