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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O Sinédrio


O Sinédrio era um conselho de juízes, que exercia a função de Corte Suprema da lei judaica. Esta entidade teve como mais remota origem, os desdobramentos da lamentação de Moisés à Jeová Deus, após Moisés ouvir o murmúrio dos israelitas pela falta de ter carne por alimento, no deserto, enquanto Moisés, por sua vez, considerou a carga pedida por Deus, para cuidar sozinho do povo, como muito grande, dizendo que ele, sozinho, não poderia suportar. (Números 11).

"E o Senhor disse a Moisés: "Reúna setenta autoridades de Israel, que você sabe que são líderes e supervisores entre o povo. Leve-os à Tenda do Encontro, para que estejam ali com você.  Eu descerei e falarei com você; e tirarei do Espírito que está sobre você e o porei sobre eles. Eles o ajudarão na árdua responsabilidade de conduzir o povo, de modo que você não tenha que assumir tudo sozinho." (Números 11:16,17)

Com isso, Deus permitiu a divisão da carga de Moisés com outros setenta anciãos, que foram ungidos por Espírito Santo, para cuidar do povo de Israel. Com isso Deus aprovou a criação de um conselho de anciãos do povo e seus oficiais, para cuidar do povo israelita, mesmo que, quando o Espírito repousou sobre eles, eles profetizaram, mas depois nunca mais. (Números 11:25).

Em verdade, o termo “setenta anciãos de Israel” já havia surgido, antes, quando o povo ainda se encontrava próximo ao Sinal, por que “ali se acampou em frente ao monte” (Êxodo 19:2), e após Jeová ter discorrido a Moisés sobre toda a Lei que era necessária àquele povo, setenta dos anciãos de Israel foram autorizados a subir (por apenas uma parte do percurso) e adorar de longe (Êxodo 24:1), no dia seguinte após Moisés escrever todas as palavras (da Lei) do Senhor (Êxodo 24:4).

Quando os filhos de Israel, segundo a ordem de marcha, partiram do deserto de Sinai; e a nuvem parou no deserto de Parã (Números 10:12), aquele povo já não era mais o mesmo. Muito embora a maioria deles não percebesse, ele estava transformado, fortalecido, organizado e cheio de moral. Já não se falava mais em temores, mas falava-se em ordem de exércitos, segundo as tribos. Sim, eles pareciam prontos para avançar, mesmo por um caminho por onde muitos perigos lhes aguardasse. 

Todavia, isso não bastou para evitar que, depois de um certo tempo, novamente queixava-se o povo, falando o que era mal aos ouvidos do Senhor Deus (Números 11:1). Mesmo castigados, o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? (Números 11:4). E irritaram, ainda mais a Deus, dizendo: coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos. (Números 11:6).

É interessante notar que, já não era a primeira vez que o povo murmurava por causa de alimento e, desde antes do povo ter chegado ao Sinai, Jeová já vinha cuidado com zelo das necessidades deles: eles tinham o maná diariamente (exceto no sétimo dia, compensado com o dobro, de conservação especial, no sexto dia, ver Êxodo 16). Codornizes como alimento, o povo recebia frequentemente (creio que diariamente, pela tarde (Êxodo 16:12)), na medida da necessidade deles, coisa muito bem conhecida pelo Senhor. Mas o que muitos do povo queria, na verdade (como quer, até os dias de hoje), era sempre mais e mais, mesmo quando o "mais" não lhe fosse, de fato, nada conveniente.

Deste modo, pela "saudades" que o povo expressava sentir pela vida que haviam deixado para trás, no Egito, de onde o próprio Senhor, com grande poder, os havia tirado, mesmo Jeová tendo aprovado a criação daquele conselho de anciãos do povo e seus oficiais (que, muito mais tarde resultará na tradição de criação do sinédrio), para cuidar daquele murmurante povo israelita (que não são diferentes dos humanos de toda Terra de hoje em dia), tal instituição, também não bastou, segundo a Justiça de Deus, para livrar aquele povo de (mais) castigo.

Então soprou um vento do Senhor e trouxe codornizes do mar, e as espalhou pelo arraial, e o povo se levantou todo aquele dia e toda aquela noite, e todo o dia seguinte, e colheram as codornizes; o que menos tinha, colhera 10 gômeres (cerca de 44kg), e as estenderam para si ao redor do arraial. (No entanto,) quando a carne estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, se acendeu a ira do Senhor contra o povo, e feriu o Senhor o povo com uma praga terrível. (Números 11:31-33).

Aqueles setenta homens, que haviam sido ungidos com Espírito, para ajudar na administração do povo, não foram o bastante para impedir que o povo continuasse errando, pecando contra Deus, de modo que, exceto Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, e Josué, filho de Num (se é que estes dois homens deveras estiveram inscritos entre aqueles primeiros setenta), porquanto perseveraram em seguir ao Senhor (Números 32:12), entrariam na Terra Prometida, e, assim se acendeu a ira do Senhor contra Israel, e fê-los andar errantes pelo deserto quarenta anos até que se consumiu toda aquela geração, que fizera mal aos olhos do Senhor. (Números 32:13).

Apesar de que o numeral de contagem setenta, apareça em diversos momentos nos seis primeiros livros da Bíblia, tal numeral só voltaria a aparecer como contagem de pessoas das tribos de Israel, já no tempo de Juízes, ao fazer referência a casa de Gideão (também chamado Jerubaal, querendo dizer, Baal contenda contra ele, pois derrubou o seu altar. (Juízes 6:32).), após a vitória de Jeová usando ele contra os dominadores midianitas: E teve Gideão setenta filhos, que procederam dele, porque tinha muitas mulheres. (Juízes 8:30).

Antes de Gideão e de os trezentos, os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor Deus; e Ele os deu nas mãos dos midianitas por sete anos. (Juízes 6:1).

E logo em seguida, o mesmo numeral aparece mais uma vez, no início de Juízes 9, mencionado por um outro filho que Gideão teve, Abimeleque, ao falar contra os seus setenta irmãos, porém com Gideão estando já falecido, após ele mesmo ter tropeçado em servir ao Senhor, e com boa parte do povo de israel, ingrato a Jeová, o seu Deus libertador, tendo retornado a idolatria que lhes fora ensinada pelos seus dominadores estrangeiros, pondo imagens de baal-berite por deus.(Juízes 8:33).

De parte dos despojos dos midianitas vencidos, Gideão havia feito um éfode, e colocou-o na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu (idolatrando) ali após ele; e (isso) foi por tropeço a Gideão e à sua casa (Juízes 8:27), até que aquele irmão enjeitado, porquanto era filho ilegítimo, nascido fora da casa de Gideão, foi à casa de seu (falecido) pai, a Ofra, e matou a seus irmãos, os filhos de Jerubaal (Gideão), setenta homens, sobre uma só pedra. Mas Jotão, filho menor de Jerubaal, ficou, porquanto se tinha escondido. (Juízes 9:5). Todavia, por fim, Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, matando a seus setenta irmãos. (Juízes 9:56). 

Ou seja, a seus sessenta e nove irmãos, e mais a ele próprio, pois havia pedido ao seu servo: mata-me; para que não se diga de mim: uma mulher o matou. (Juízes 9:54).

Muito tempo depois, já tendo passado o reinado de Davi, e depois dele, o de seu Filho Salomão e, tendo após este, o reino sendo dividido, numa situação que já perdurava por várias gerações, também Acabe (rei do reino do norte, que se vendeu para fazer o que é mau aos olhos de Jeová, instigando-o Jezabel, sua esposa (1 Reis 21:25)) tinha setenta filhos em Samaria. Jeú (vaso de ira do Verdadeiro Deus) escreveu cartas, e as enviou a Samaria, aos chefes de Jizreel, aos anciãos e aos aios dos filhos de Acabe, dizendo:

Logo, em chegando a vós esta carta, pois estão convosco os filhos de vosso senhor, como também os carros, os cavalos, a cidade fortalecida e as armas. Olhai pelo melhor e mais reto dos filhos de vosso senhor, o qual ponde sobre o trono de seu pai, e pelejai pela casa de vosso senhor. Porém eles temeram muitíssimo, e disseram: Eis que dois reis não puderam resistir a ele; como, pois, poderemos nós resistir-lhe? (2 Reis 10:4).

O numeral setenta continua aparecendo em várias outras passagens da narrativa bíblica, associada a outros numerais e, principalmente associada a exata contagem do tempo em anos, até que ela volta a aparecer, com maior precisão e com maior poder de significado, associada a "um grupamento de setenta anciãos", no livro de Ezequiel, no capítulo 8, quando aquele profeta, tomado pelo Espírito do Deus Vivo, recebe revelações proféticas que incluem a visão de toda a forma de répteis, e animais abomináveis, e de todos os ídolos da casa de Israel, (que) estavam pintados na parede em todo o redor. (Ezequiel 8:10).

E estavam em pé diante deles setenta homens dos anciãos da casa de Israel, e Jaazanias, filho de Safã, em pé, no meio deles, e cada um tinha na mão o seu incensário; e subia uma espessa nuvem de incenso. Então (o Espírito) me disse: Viste, filho do homem, o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas, cada um nas suas câmaras pintadas de imagens? Pois dizem: O Senhor não nos vê; o Senhor abandonou a terra. (Ezequiel 8:11-12).

Aqui, o Espirito de Jeová Deus permitiu a Ezequiel compreender como e porque a presença de Deus, deixaria o seu templo, o Templo de Salomão em Jerusalém, por causa da corrupção da justiça e dos pecados de idolatria que os líderes do país estavam fazendo em segredo. Pensando que Deus não os via, líderes da nação adoravam abominações no templo. Deus pergunta a Ezequiel: "Você viu o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas", para que Ezequiel fosse por testemunha do por quê a presença de Deus estava deixando o Templo.

Assim, bastante tempo posteriormente, quando a ideia de se ter um conselho baseado naquela antiga tradição mosaicas ressurgiu, tal conselho veio a adotar a formação de setenta mais um membros, tal como se supunha, por serem herdeiros das tarefas desempenhadas por aqueles setenta anciãos que ajudavam a Moisés na administração do povo, além do próprio Moisés.

Muito provavelmente, a ideia de Sinédrio desenvolveu-se integrando representantes da nobreza sacerdotal e das famílias mais notáveis, possivelmente durante o período persa, ou seja, a partir do século V – IV a.C.

Depois da morte de Alexandre Magno (também dito Alexandre, o grande), morto na Babilônia, em 323 a.C., os generais de Alexandre passaram a disputar entre si o domínio do império e, com isso, a parte oriental daquele império se dividiu entre os Ptolomaicos (partidários do também falecido general Ptolemeu), no Egito e os Selêucidas (partidários de Seleuco I Nicator, filho do general Antíoco e sobrinho de Ptolomeu), na Síria, e, assim, iniciou-se um período marcado pela helenização, que foi o confronto entre religião judaica tradicional e a cultura helenística, que ora havia se tornado uma mescla entre a cultura grega, com a cultura do oriente próximo.


A princípio, Jerusalém ficou sob influência ptolomaica, com relativa liberdade para o culto do judaísmo, porém, com a morte de Ptolemeu IV em 204 a.C., Antíoco III, que se tornara o mais notório dos governantes selêucidas após o próprio Seleuco I, entendeu que a situação mostrava-se propícia para nova campanha ocidental (Quinta Guerra Síria). Antíoco e Filipe V da Macedônia então fizeram um acordo para dividir as possessões ptolemaicas fora do Egito, e preparou uma invasão da Celessíria (que incluia a Judeia).

Antíoco arrasou depressa a região e, após um breve revez em Gaza, deu um esmagador golpe aos Ptolemeus perto da cabeça do rio Jordão, obtendo o importante porto de Sídon. Em 200 a.C., emissários romanos chegaram a Filipe e Antíoco exigindo que se abstivessem de prosseguir, e invadisse também o Egito, pois os romanos temiam, assim, sofrer alteração na sua importação de grãos do Egito, que era importante para a manutenção da população cidadã em Roma, mas a Judeia ficaria, doravante, sob o domínio dos selêucidas.

O termo “Sinédrio” não provém da língua hebraica, mas vem da junção de duas palavras gregas que são syn- (junto) e hedra (assento, lugar que se ocupa). O Sinédrio operava em Israel no período em que Jesus viveu como homem, propondo-se à missão de administrar a justiça, interpretando e aplicando a Torá (Pentateuco ou Lei de Moisés), tanto oral, como escrita, e segundo a orientação na tradição judaica.

Ao que tudo indica, não houve, precisamente, referências a efetiva existência de um conselho de anciãos com o nome de Sinédrio, até o tempo em que a dinastia dos reis selêucidas passaram a dominar sobre a judeia, tendo sido mencionado pela primeira vez, com o nome de Gerousia (conselho dos anciãos), no tempo do rei Antíoco III da Síria (223-187 a.C.).

Mais adiante, em 189 a.C. o reino selêucida perdeu a guerra contra Roma, o que teria como consequências a perda da Ásia Menor e o pagamento anual de 15 mil talentos aos Romanos. Numa tentativa de conseguir os fundos necessários, Heliodoro, um dos ministros do rei Seleuco IV, tentaria se apoderar, em vão, do tesouro do Segundo Templo de Jerusalém.

Tal como sucedeu em outras partes, a cultura e os modelos de vida gregos difundiram-se, também, pela Judeia. Alguns membros da elite judaica sentiam-se atraídos pela cultura grega e desejavam uma integração nesse mundo. Em 175 a.C., o sumo sacerdote Jasão obteve a autorização de Antíoco IV para transformar Jerusalém numa cidade helénica, o que incluíu a fundação de um ginásio, onde os jovens se exercitavam nus.

Estas medidas pareceram excessivas para muitos judeus, que mostraram o seu descontentamento. Em resposta a esta contestação, Antíoco IV tomou medidas que visavam impor de forma coerciva o helenismo. Os judeus passaram a ser obrigados a fazer sacrifícios em nome dos deuses pagãos e proibidos de praticar a circuncisão e de observar o Sabbat. Em dezembro de 168 a.C., o Templo de Jerusalém seria profanado com a instalação de uma estátua de Zeus.

Com a proibição em 167 a.C. da prática do judaísmo pelo decreto de Antíoco IV, e com a introdução do culto do Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém, muitos judeus decidem resistir a esta assimilação, e acabaram sendo perseguidos e mortos. Conforme diz o apócrifo de 1 Macabeus, em seu capítulo 1:56-64:

"rasgavam e queimavam todos os livros da lei que achavam; em toda parte, todo aquele em poder do qual se achava um livro do testamento, ou todo aquele que mostrasse gosto pela lei, morreria por ordem do rei. Com esse poder que tinham, tratavam assim, cada mês, os judeus que eles encontravam nas cidades e, no dia vinte e cinco do mês, sacrificavam no altar, que sobressaía ao altar do templo. As mulheres, que levavam seus filhos a circuncidar, eram mortas conforme a ordem do rei, com os filhos suspensos aos seus pescoços. Massacravam-se também seus próximos e os que tinham feito a circuncisão. Numerosos foram os israelitas que tomaram a firme resolução de não comer nada que fosse impuro, e preferiram a morte antes que se manchar com alimentos; não quiseram violar a santa lei e foram trucidados. Caiu assim sobre Israel uma imensa cólera."

Judas Macabeu, filho de Matatias
Entre os judeus que permanecem fiéis à Torá, estava o sacerdote Matatias, chamado de Hasmoneu devido ao nome do patriarca de sua linhagem (Hasmon). Recusando-se a servir no templo profanado, Matatias se exila com sua família em sua propriedade em Modin. Matatias tem cinco filhos: João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas. Convocados para os sacrifícios pagãos, Matatias acaba matando o emissário real e um outro sacerdote que se propõe a oficiar os sacrifícios. Convoca então os judeus fiéis à Torá e foge com seus filhos para as montanhas, iniciando o movimento de resistência contra o domínio estrangeiro, destruindo altares, circuncidando meninos à força e recuperando a Torá das mãos dos gentios.

Todavia a história do livro de Macabeus é bastante clara em mostrar que foi apenas após uma aliança ocorrida entre os macabeus e os romanos, uma aliança defensiva contra os gregos com o senado romano, que permite expelir definitivamente os invasores helenistas o que põe um termo, ao movimento guerrilheiro liderado por Judas Macabeu, filho de Matatias, e de seus irmãos. Paralelamente a isso, ocorria que do ponto de vista militar, a Grécia havia entrado num declínio tal, que os romanos conquistaram todo o seu território, de 168 a.C. em diante, ainda que, em contrapartida, a arte, a cultura e a religião grega, é que houvessem, de fato, conquistado os romanos.

Na Judeia, sucedendo ao terceiro irmão Macabeu, Simão, encontramos o filho deste, João Hircano, que consolida o poder em suas mãos realizando ainda mais alianças com Roma e outros impérios de sua época. Esta dinastia, a dinastia da casa de Matatias, conhecida como "os asmoneus", passa governar a Judeia. Para Governar, João Hircano e seus sucessores, usurpam tanto o título de etnarca como o de sumo-sacerdote.

Os assideus, alarmados com as ambições dos asmoneus, e com o caráter secular que assume o seu reinado, rompem com eles. Segundo este grupo, ao se fazer sacerdote sem possuir o direito de família os asmoneus cometem uma terrível falta. Isto gerou a ruptura profunda entre os descendentes dos assideus (fariseus e essênios) e o partido ligado aos asmoneus (saduceus), os três partidos judaicos que, então, se formam.

Não obstante ao fim do domínio do helenismo grego sobre a Judeia, as diversas controvérsias entre os partido judaicos, agravado por dissidências internas, de continuo mantinham os judeus enfraquecidos como nação e o seu reino, agora sob o permanente olhar rapinante da águia romana. A questão a ser levantada é: O que o povo judeu poderia ter em haver com a politeísta idolatria estatal romana, que não fosse a mesma coisa que tivesse em haver com o panteísmo helênico dos gregos?

A Roma cuja fama empolgara os macabeus, levando-os a  fazer com ela um pacto, sem consultar a Deus (ver Capitulo 8 do livro apócrifo I Macabeus), agora era o que se tornava em ameaça maior. O fato é que, em 64 a.C., em meio a um novo acirramento das disputas internas dos judeus, o general romano Pompeu marchou com suas tropas, invadiu e conquistou Jerusalém, e fez do débil reino judeu um estado vassalo de Roma.

Sabe-se que o Sinédrio era composto de 71 membros, escolhidos entre varões eminentes, entre os quais estava o sumo sacerdote, pertencendo também ao grupo, pessoas de relações deste e que a sua existência com o nome de synedrion, pode ser comprovada desde o tempo do rei Hircano II ( 63 a 40 a.C.). Nesses tempos, era presididos pelo monarca asmoneu (da linhagem dos macabeus), que era, também, o sumo sacerdote.

Entre 57 a.C. e 55 a.C., Aulo Gabínio, procônsul romano para a Síria, tripartiu o antigo reino em Galileia, Samaria e Judeia, com cinco sinédrios (côrte de juízes). Herodes o Grande, no começo de seu reinado, mandou executar grande parte dos membros do grande sinédrio de Jerusalém (quarenta e cinco, segundo o historiador e apologista judaico-romano Flávio Josefo, em Antiquitates Judace 15.6), porque o conselho se atrevera a recordar-lhe os limites dentro dos quais deveria situar-se o seu poder. Herodes substituiu-os, durante seu reinado, por personagens submissos aos seus desejos e, depois, no tempo de Arquelau, teve limitada importância.

O termo Sinédrio é usado vinte e duas vezes no Novo Testamento e, muito embora aldeias e cidades espalhadas pela Judeia possuíssem os seus próprios conselhos de anciãos locais, formado por fazendeiros, comerciantes, escribas e sacerdotes locais, por ser Jerusalém reconhecida pelos romanos como a capital religiosa do Judaísmo, contendo ela, ainda, as instalações do templo histórico, o Sinédrio de Jerusalém era o conselho que exercia, oficialmente, a representação judiciária de todo povo judeu perante a autoridade romana, que era, em última instância, quem de fato governava sobre a Judeia do tempo de Jesus.

O Sinédrio era uma importante instância de poder na Judeia no tempo de Jesus, apesar do poder político estar nas mãos dos Romanos. Governos leais a Roma exerciam o poder outorgado por Roma. O Sinédrio em Jerusalém era composto por:
  • Grandes sacerdotes, normalmente os saduceus: um sumo sacerdote era o capitão do templo e um outro supervisionava os procedimentos e comandava o guarda do templo (Atos 5:24-26), ambos responsáveis pelo andamento do culto e, também, outros sacerdotes que serviam de tesoureiros, controlando os salários de trabalhadores e de sacerdotes de outras localidades, monitorando a arrecadação de fundos que vinha através do templo de Jerusalém;
  • Anciãos, constituídos de chefes patriarcais de grandes famílias, aristocracia financeira e distintos leigos religiosos da Judeia, ricos comerciantes e latifundiários. Homens como José Arimateia (Marcos 15:43), dividiam a visão conservadora dos saduceus e davam a assembléia à diversidade de um parlamento moderno;
  • Escribas que eram considerados os intelectuais da época. Podiam ler, escrever e interpretavam as leis judaicas. A maioria deles eram fariseus. Eles eram advogados profissionais treinados em teologia, direito e filosofia, e eram organizados em grêmios, normalmente seguindo a um rabinos ou professor célebre. Gamaliel, um escriba famoso do sinédrio, que aparece no Novo Testamento (Atos 5:34), foi o erudito que instruiu o Saulo de Tarso (futuro apóstolo Paulo)  (Atos 22:3), antes dele se tornar cristão.
Nós sabemos mais sobre alguns aspectos do Sinédrio nos dias de Jesus, do que podemos dizer sabemos sobre ele antes ou depois. Uma coisa que sabemos é a extensão de sua influência. Funcionava em Jerusalém, mas sua ação e decisões oficialmente se estendiam em toda a Judeia. Porém, mas, na prática, apesar do Sinédrio ter jurisdição restrita a Judeia, de fato, ele tinha influência para além da província da Galileia e até mesmo em Damasco (Atos 22:5).

O Senhor intervém e aborta a missão do funcionário do Sinédrio,
Saulo de Tarso, discípulo de Gamaliel, próximo a Damasco.
A narrativa bíblica nos mostra: E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns deste Caminho (ou seja, cristãos), quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. (Atos 9:1-2). Anos mais tarde, com seu nome já mudado para Paulo, ele próprio contaria a narrativa disso em Atos 22. 

Na época dos governadores romanos, inclusive na de Pôncio Pilatos, o Sinédrio exerceu de novo suas funções judiciais em processos civis e penais, dentro do território da Judeia. O trabalho do conselho era basicamente o de julgar assuntos da lei judaica, quando surgiam discórdias, mas, era um tribunal com poderes criminais, políticos e religiosos, e, em todos os casos, sua decisão era final.

Eles julgavam acusações de blasfêmia como nos casos de Jesus (Mateus 26:65) e Estevão (Atos 6:12-14) e também participavam na justiça criminal. Nesse momento, suas relações com a administração romana eram tensas, e o relativo âmbito de autonomia que lhe foi outorgado estava em consonância com a política romana nos territórios conquistados.

O sumo sacerdote indicado pelos romanos, em exercício entre 18 e 36 d.C. era Josefo ben Caifás, que havia se casado com a filha de Anás ben Sete, antigo sumo-sacedote e pai e outros cinco também sumo sacerdotes, que exerceram em períodos distintos, tanto antes, quanto depois de Caifas. No entanto, como nos explica Lucas: "Sendo Anás e Caifás (ambos) sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias." (Lucas 3:2), Anás era quem, na verdade, ainda detinha o maior efetivo poder no Sinédrio, sendo seguido por seu genro.
Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias.

Lucas 3:2
Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias.

Lucas 3:2
Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias.

Lucas 3:2
Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias.

Lucas 3:2

O filósofo judeu Filo, indica que no período romano, o sinédrio podia julgar violações ao templo, cuja pena era capital, e isso explicaria as mortes de Estevão (Atos 7:58-60) e Tiago. Gentios que eram pegos ultrapassando o recinto do templo eram avisados sobre a pena de morte automática. Porém, o Novo Testamento e o Talmude discordam de Filo nesse ponto de vista, de modo que não podemos afirmar se o sinédrio tinha, ou não, um poder de punição capital, ou se as mortes de Estevão e Tiago foram atos de exceção.

No julgamento de Jesus, as autoridades estavam convencidas em envolver o governador romano Pilatos, que por si só poderia mandar matar Jesus (João 18:31). De acordo com o Talmude, o sinédrio perdeu o privilegio de executar punição capital "quarenta anos antes da destruição do (segundo) templo", que se deu no ano 70 d.C, ou seja, por volta da época da morte de Jesus, não sendo possível se precisar ao certo.

Não obstante, o mais provável é que nesses momentos, a “potestas gladii”, isto é, a capacidade de ditar uma sentença de morte, estivesse reservada ao governador romano (“prefectus”), que como era habitual, teria recebido do imperador romano amplos poderes judiciais, entre eles e os de pena de morte. O Sinédrio, portanto, embora pudesse julgar as causas que lhes eram próprias, não tinham poder de condenar ninguém a morte.

De qualquer modo, o seu lugar de referência do Sinédrio era o templo de Jerusalém e, por oportunizar decisões políticas e criminais, o templo passou a ser considerado, simultaneamente, um centro político, jurídico e religioso. Após ser preso Jesus tinha que ser julgado pelo Sinédrio de Jerusalém pois, sendo Judeu, tinha que passar por aquela instância. Todavia, a reunião de seus membros do Sinédrio, durante a noite, para interrogar Jesus, foi apenas uma investigação preliminar, com a finalidade de definir as acusações que poderiam ser formuladas e que mereceriam a pena capital, para apresentá-las, na manhã seguinte contra Jesus, no processo perante o Prefeito romano.

Sabemos, ainda, que o apostolo Paulo, quando preso, temendo que o condenassem a morte, alegou o título de cidadão Romano exigindo julgamento em pela justiça romana, foi o que aconteceu, em parte, tendo ele sido enviado a Roma. Antes disso, o mesmo Paulo havia se indignado por saber que o entendimento sobre a morte e a ressurreição de Jesus Cristo havia sido removido da mente dos Gálatas. Se a lei estava prestes a ser restabelecida na Igreja, a morte de Cristo não havia surtido efeito naquela comunidade.

As palavras de Paulo foram, então, aparentemente duras. Ele, que no passado foi grande defensor da lei e que percebeu ser ela um grande empecilho para enxergar a graça de Jesus, se vê agora fazendo o papel oposto: Mostrar que a graça é superior à lei. Quando Paulo apresentou o Evangelho àquela igreja, a igreja creu na sua pregação, agora distante, ouviu rumores sobre “Outro Evangelho”.

Assim, Paulo confronta os irmãos, argumentando severamente com os Gálatas:

Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé? (Gálatas 3:1-5)

O apóstolo Paulo ficou perplexo com a rapidez com que os crentes gálatas haviam se desviado da fé. Eram filhos da fé de Paulo, foram evangelizados e doutrinados pelo apóstolo. Tão depressa se desviaram para seguir a estranhos, e o pior, um evangelho contraditório.

Paulo começa a defesa de seu evangelho relembrando aos Gálatas de que sua vida cristã, que teve início com Cristo crucificado e foi certificada pelo Espírito Santo, estava completamente separada da lei. Eles seriam tolos de abandonar o caminho de Deus e tentar alcançar a perfeição por seus próprios esforços, como vinham fazendo muitos dos judeus do tempo de Jesus, e muitos o fazem até os dias de hoje.

Sobre esse evangelho, cuja ação é questionada, como dom espiritual dos Gálatas, encontramos a mesma argumentação em Galatas 2:7-9. Paulo explica aos Gálatas que sua preferência na obediência da lei significa uma recaída na situação que eles há muito haviam superado. A lei, por sua vez, não pode modificar a superioridade do Evangelho dado por Cristo.

Paulo finaliza esta passagem revelando que o Espírito Santo, que opera milagres, que dá entendimento e que foi concedido mediante a Fé, adquiriu algo que em muito supera a lei (Galatas 3:5). Foi muito difícil para a Igreja primitiva, constituída a princípio de judeus, aceitarem também que a porta da fé foi aberta, igualmente, aos nós gentios. Todos os pactos, a adoção de filhos, as alianças, as promessas, que antes foram dados ao povo judeu, agora passavam aos cristão de todas as raças, línguas e nações: Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência. (Romanos 9:8)

Deus trouxe uma revelação bem clara ao apóstolo Pedro, através daquele lençol que descia do céu, com todo tipo de animais, que para os judeus eram imundos (Atos 10:9-48), que nós gentios também fomos feitos um com eles (Efésios 2:14). Os legalistas desviam os olhos de cristão incautos, da graça de Jesus para a letra morta da lei feita para o velho homem. Entretanto, os gálatas não tinham desculpas, pois Paulo havia lhes deixado bem claro o significado da morte e da ressurreição de Jesus.

Os judeus consideravam Abraão como seu pai e fonte de suas bênçãos espirituais. Eles acreditavam (e muitos ainda creem) que a simples ascendência física de Abraão os torna justos. Paulo mostra que Abraão agradou a Deus pela fé, e não por realizar obras da lei, uma vez que a lei sequer existia na época de Abraão.

Ele também insiste que os verdadeiros filhos de Abraão, e herdeiros da bênção prometida, são aqueles que vivem pelo princípio da fé. Paulo apresenta as alternativas da fé (Gálatas 3:11), e da lei (Gl 3:12) como formas de justificação. Entretanto, ao invés de justificar, a lei mal diz (Gl 3:10), pois ela faz exigências que o homem, de fato, nunca logrou cumprir.


O legalismo está fundamentado no uso inadequado da lei. Quando abraçamos o legalismo, abrimos a porta para a feitiçaria entrar nas nossas vidas. O legalismo libera uma feitiçaria, um fascínio demoníaco (tal qual as abominações do conselho de anciãos que o Espírito de Jeová mostrou a Ezequiel), que se manifesta através da manipulação, da dominação e da intimidação, que roubam nossa sensibilidade e nosso bom senso em relação ao Evangelho.

Ao invés de desenvolver uma comunhão entre os irmãos, o legalismo faz com que os líderes ajam com extrema severidade e, em geral, sem misericórdia. No sei da igreja a pessoa legalista se irrita por questões insignificantes e amorais, fazendo com que a igreja se distraia do seu real propósito. Assim, qual é o fruto do legalismo, se não a morte? Por isso, produzir fruto é uma questão de relacionamento pessoal com Deus, e não de esforço em agradar a homens. Na verdade, o legalismo pode, mesmo, destruir o relacionamento e a unidade do corpo de Cristo.

Que intrigante e curioso é esta passagem de gálatas 3. O Apóstolo Paulo chamando uma Igreja, pessoas ditas evangélicas, chamando "Ò Gálatas insensatos!". Ora, parece uma postura arrogante e provocativa do Apóstolo. A impressão que se tem é que ele estava provocando aquelas pessoas, sendo arrogante, mas não, esta passagem nos mostra o quanto isso indignava Paulo e quanto Jeová os amava por meio dele, porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. (Hebreus 12:6). Ver os gentios que eram selos do apostolado de Paulo vivendo debaixo das obras da lei. Isto indignava o coração daquele Apóstolo.

Alguém pode se perguntar: Uma Igreja que se diz cristã, evangélica pode se tornar insensata? Eu achei que todos os lugares que tem uma placa dizendo “igreja” são bons! São lugares de Deus onde se vive corretamente o evangelho: pode uma igreja se tornar insensata? Porque Paulo está dizendo isto a uma igreja: “vocês são insensatos”? Pode uma igreja se tornar ignorante espiritualmente? Viver algo que não está correto? Tanto pode que isto estava, de fato, acontecendo com os Gálatas.

A verdade a ser aplicada é que a pregação do evangelho tem por objetivo a apresentação de Cristo como o provedor, não apenas da salvação para a vida eterna para os que nele creem, como, também, de uma liberdade superior, desde já, como integrantes da ordem superior, que é o corpo de Cristo. A lição a ser apreendida reitera que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, e alerta sobre as distorções teológicas que solapam a fé de muitos, se não estiver sabido, plenamente, que o evangelho é o único meio externo da graça salvadora.

A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. (Gálatas 3:22). Se fosse possível o homem ser salvo por meio da lei ou de seus próprios recursos, não haveria necessidade de Jesus, o Salvador, vir ao mundo. Como podeis murmurar, cristãos, duvidando, se aquilo que recebestes é algo que supera, em muito, qualquer coisa que foi recebida, por quaisquer dos outros que temem o nome do Senhor, mas que não atingem reconhecer a glória do seu Cristo?

O cristão foi colocado, em sua conversão, em um excelente lugar: no próprio corpo de Cristo, segundo Paulo já havia escrito aos coríntios (1 Co 12:13). Estando nele, estamos envolvidos na obra que Deus está realizando no mundo, e nessa posição, veremos diversas portas grandes e eficazes de abrindo diante de nós. Deus nos chamou para, por intermédio de nossas vidas, cumprir Seus propósitos soberanos, enquanto aguardamos o retorno do Salvador. Mas não devemos ignorar que teremos oposição, sempre.

A fé nos diz que nós já fomos curados, restaurados, perdoados, a fé nos diz que já somos mais que vencedores, e podemos todas as coisas naquele que nos fortalece, a fé. É justamente a fé, que nos impede, inclusive, também, de tropeçarmos murmurando contra o nosso Deus. Enfim, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador. (Tito 3:5-6). Acredite, se quiser!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Deus e a Escravidão Humana


A escravatura é um fenômeno humano que se dá desde os primórdios da humanidade, e que consiste na prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro, considerado escravo. Surgiu devido à necessidade social de hierarquizar as comunidades (mandantes e mandados). Para que uns pudessem gozar de certos privilégios, outros teriam que trabalhar arduamente e por vezes serem forçados a abdicar da sua liberdade, tudo isto em prole da organização e bem-estar da sociedade em que se inseriam.

Várias civilizações, algumas consideradas evoluídas para o respectivo período histórico, fizeram uso da escravatura e só após vários séculos sob o jugo desta prática, foi que tomaram consciência de que esta não era viável, nem moral, nem economicamente, abolindo-a legal e oficialmente.

Porém, é do conhecimento geral que a escravatura não se deu por finda com os decretos de lei proclamados, nem com as inúmeras manifestações a propósito. A escravidão é uma cicatriz na história da humanidade, uma violência ao mais fundamental direito da uma criatura humana e a liberdade, além de conduzir a uma ignorância desmedida toda uma sociedade. Este fenômeno persiste, até aos nossos dias, tomando por vezes rostos diferentes e camuflagens mais eficazes.

Com relação ao conceito de Deus sobre a escravatura, poderemos observar no transcorrer dessa dissertação que Ele odeia a escravidão, assim como odeia, também, outros costumes errados, comumente praticados por nós, seres humanos. A prática da escravidão é odiosa a Deus, assim como também é odiosa, por exemplo, o divórcio de casais, todavia, não obstante a vontade contraria de Deus, nós persistimos em praticar tais coisas, as quais sempre se revelam danosas a nós mesmos, de modo recorrente, por longos séculos de experiências mal sucedidas, até os dias de hoje, em vários cantos da terra.

A cerca do divórcio a Lei Mosaica deu instruções específicas de procedimentos, o que motiva algumas criaturas humanas, as quais são movidas por suas genuínas inimizades com Deus, a fazer uso de tal fato para, astutamente, acusá-lo de ser apoiador do divórcio. O novo testamento relata que houve ocasião em que os fariseus tentaram o Senhor Jesus com esse assunto, de modo que até mesmo alguns dos seus próprios seguidores mais leais, caíam nos ardis desse engano. Isso se encontra na narrativa do livro de Mateus 19, onde eu ressalto os versos de 7-10:

“Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?
Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”

Reparem bem, que é como eu disse, até os próprios discípulos de Jesus, se sentiam tentados por tais dúvidas, lançadas por aqueles que semeavam, na época, uma ignorância desprezível, pela Palavra de Deus e, assim como o povo já haviam feito antes, em outras ocasiões, mais uma vez, eles murmuraram contra o arranjo de Deus, dizendo: “Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”

Deus nunca desejou que os casais humanos se divorciassem e isso fica claro pois “ … ao princípio não foi assim!”, mas o divórcio entrou no seio da humanidade por nossa própria culpa e responsabilidade, sendo, de fato, mais uma rebeldia nossa, desde a tenra idade da humanidade, contra o arranjo de Deus para os casais humanos. Jeová já havia orientado antes “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.", no livro de Gênesis 2:24, todavia, infelizmente, o divórcio se tornou prática costumeira entre os humanos, e perdura até os nossos dias, por que crêem os humanos, não convir ficar sem isso.

Mas Jeová, que é o Deus do amor, não se fez de rogado e usou aquele momento mais delicado do êxodo do povo Hebreu para disciplinar o comportamento de todos nós sobre tal questão, “por causa da dureza de nossos corações”. Se queremos nos divorciar, que vivamos, então, sob a pena de leis e não sob a sua graça. Todavia, a graça era da vontade de Deus, mas dessa graça nos afastamos por rebeldia, ficando ela reservada, tão somente, como prêmio a fé obediente, que pouco se achava presente em meio a um povo que opta viver em divórcio e não considera a orientação monogâmica e heterossexual de Deus.

Já, no que diz respeito a escravidão, antes de tudo, eu mesmo devo adiantar que sou escravo do Senhor Deus. Todos os que o servem, por mais que seja de livre e espontânea vontade, compreendem que são comigo, co escravos do mestre Jesus. De fato, todos os malefícios que entraram e ainda entram no desenrolar da história de sobrevivência da humanidade, são derivados da grande dificuldade apresentada por essas racionais criaturas de Deus, em compreender ou aceitar o direito a soberania do todo-poderoso criador.

Sou, sim, escravo, entretanto, o sou com deleite, pois o jugo do meu Senhor é leve e em nada me explora, antes, me sobre ergue, me refrigera, me protege e me acalanta. Eu não me sinto de forma alguma, como que sendo explorado por Deus, em coisa alguma e, não obstante a minha natureza pecaminosa, como a de um ser humano qualquer, eu não consigo compartilhar dessa dificuldade, em aceitar a condução soberana dEle, sobre a minha vida, antes, porém, me sinto honrado por tal soberania.

O senhor Jesus disse, no livro de Mateus 11:28-30 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve." Este é o verdadeiro convite de Deus para que, todos nós, nos tornemos seus escravos.

Eu não sou o único a me alegrar em aceitar tal convite para ser um escravo assim, fiel e discreto. O Apostolo Paulo escreveu em I CO 9:27 “mas, surro o meu corpo e o conduzo como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser de algum modo reprovado.”, de modo que, ser escravo de Deus, é, antes de tudo, eu mesmo estabelecer o meu autodomínio, exercendo a sábia opção, daquilo que me convém, que é o de moldar-me ao exemplo de Jesus. Diferentemente de outros tipos de senhorios que eu conheço, o meu Senhor não é exigente, ao contrário, antes, ele se põe a porta e, educadamente, bate, cabe a mim decidir abri-la ou não, mas o sim se torna em um banquete preparado para mim. Quer servidão melhor que essa?

Quem se faz inimigo da moldagem de caráter proposta pelo Senhor do universo, acaba, no contra fluxo natural, sendo moldado como escravo tão somente para os sistemas de domínio das nações e das sociedades, e das falhas instituições humanas, ou seja, quem rejeita a sujeição a Deus se torna, irremediavelmente, escravo de outros homens e escravos do mundo. Acaba sendo moldado pela força e pela lei, antes que pela graça e pelo amor. Eu também estou sujeito a lei, mas essa de modo algum me aborrece, pois estou moldado àquilo que pode, mais do que a lei. Pela graça desse Deus, mesmo os mais duros juízes da terra, em sua maioria, de um modo ou de outro, o reconhecem e o temem, mesmo que tal juiz seja um homem que opte por não ter parte com Ele.

Alguns dos ativistas da inimizade pela Palavra, nos tempos atuais, tem usado atentar para o texto do livro de Levítico 25:44-46, que diz “Quanto a teu escravo ou tua escrava que se tornam teus dentre as nações que há em volta de vós, delas podeis comprar um escravo ou uma escrava. E também dos filhos dos colonos que residem convosco como forasteiros podeis comprar deles e das suas famílias que estão convosco, que lhes nasceram na vossa terra; e eles têm de tornar-se vossa propriedade.” Eles assim o fazem, para mais uma vez, do mesmo modo como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, acusar Jeová Deus de ser apoiador da escravidão e da exploração do homem sobre o homem. Desesperados com o fato de não conseguirem simplesmente negá-lo como existente, alguns ateus e agnósticos buscam imputar-lhe injustiça, assim como fez, no início, o primeiro rebelde. Mas ora, assim como Deus procurou disciplinar as exceções e a falta de autodomínio dos seres humanos em outras questões, as quais também os próprios homens inventaram, como o mencionado divórcio, por que ele não procuraria, também, disciplinar a ambiciosa humanidade na sua mania egocêntrica de explorar e de manipular o seu semelhante mediante a prática da escravidão?

Sobre um antigo povo que viveu na região denominada Mesopotâmia, os Amoritas (ou Amorreus, 2000 a.C.-1750 a.C.), a Wikipédia diz o seguinte: “Pode-se dizer que as leis destes governantes se baseavam no princípio do olho por olho, dente por dente. Apresenta, ainda, uma série de penas para delitos domésticos, comerciais, ligados à propriedade, à herança, à escravidão e a falsas acusações, sempre baseadas na Lei de Talião ("Olho por olho, dente por dente"). Já sobre os Sumérios e Acadianos que viveram, antes dos Amoritas, naquela mesma região (antes de 2000 a.C.), a mesma fonte diz o seguinte: “Entre os sumerianos havia a escravidão, porém o número de escravos era relativamente pequeno.” Sobre o código de Hamurabi, criado pelos Amorreus (em 1700 a.C. A Wikipédia diz “Suas principais características são: … , divisão da sociedade em classes (os homens livres, os escravos e um grupo intermediário pouco conhecido – os mushkhinum) e … ”.

Assim, a disciplina sobre a prática humana da escravidão, que o Senhor apresentou naquele texto do livro de Levítico mencionado acima, ocorreu, de fato, vários séculos depois que, algumas das sociedades humanas da época, já vinham buscando regulamentar por si próprias. Encontrar um entendimento a lógica da motivação divina para o disciplinamento em questão, é muito simples a quem não é falto de raciocínio: se as sociedades humanas haviam pervertido o coração do próprio homem, para que esse passasse à prática do escravagismo, então, que aquele que era o povo escolhido, no mínimo, o fosse, mas segundo o coração de Deus, a saber: com especial amor e justiça, até que o mover do Espírito viesse a completar uma obra de reconversão, tornando a escravatura humana uma verdadeira abominação ao coração do homem, assim como sempre o foi ao coração de Deus. Além do mais, por dezenas de décadas o próprio povo Hebreu havia vivido como escravo nas terras do Egito e quando o Senhor falou ao povo, ele se aproveitou de um momento em que o coração do povo ainda não havia esquecido aquela tão amarga experiência.

Jeová sabia que, para que os Hebreus se realizassem como nação, assim como era da vontade soberana dEle e como ele prometera a Abraão, o povo Hebreu estava fadado a se lançar, em breve, em uma sequência de guerras de conquistas, arte que também é uma invenção humana. Umas das principais vítimas das conquistas dos Hebreus, viriam a ser os próprios Amorreus, o povo escravagista do “olho por olho dente por dente” e, Ele quis criar no coração dos Hebreus um sentimento de freio, de comedimento, pois eles fatalmente fariam muitos escravos nas conquistas que realizariam. Além do mais, Jeová sabia que a guerra faria seus corações também endurecer, mesmo que a bem pouco tempo, eles mesmos tinham sido libertos da escravidão , pelo poder sobrenatural de Deus, das mão do Faraó do Egito;

Jeová disse, em Êxodo 3:8 “e desci para o livrar da mão dos egípcios, e para o fazer subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel; para o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu.”

A primeira aparição da palavra escravidão, na Bíblia, é justamente quando Jeová vem dar ciência ao seu obediente escravo e amigo Abraão (que ainda era Abrão), sobre as futuras ocorrências quanto a sua descendência, em Ge 15:13,14 lemos: “Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos; sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois sairá com muitos bens.” Repare o conceito de Deus ao dizer “... reduzida a escravidão”: ser vítima de escravatura humana é reduzir-se. Não obstante, Jeová trocou o nome de Abrão (para Abraão), que é uma marca típica de um Senhor sobre o seu escravo, mas uma escravidão para a vida em abastância, para o prestígio e para a vitória, como foi a vida de Abraão, pois ele creu em seu Senhor e isso lhe foi imputado como justiça. Por que não desejaria eu ser escravo sobre tais circunstâncias também?

De fato, mesmo antes de escravizar os Hebreus, os Egípcios já eram, também, escravagistas. A civilização Egípcia foi das primeiras grandes civilizações a optar por este tipo de mão de obra. Várias levas de escravos foram utilizados na construção dos sistemas de conjuntos de pirâmides que “imortalizaram” os seus faraós. Contudo, ao contrário de alguns impérios que a sucederam, os escravos eram bem nutridos e tratados, pois era necessário estarem em boa forma física para efetuarem aquele tipo de trabalho. A Wikipédia menciona “Escravos: cativos ou condenados da justiça, trabalhavam em atividades domésticas, públicas ou religiosas. Gozavam de direitos civis e aprendiam a escrita egípcia.

De fato, o Hebreu José, descendente de Abraão, foi por seus próprios irmãos, vendido a mercadores de escravos que o conduziram ao Egito, onde devido ao seu caráter moldado como escravo de Deus, prosperou. Falsamente acusado por uma mulher traiçoeira, foi preso e condenado pela justiça, mas o seu caráter moldado, novamente o fez prosperar e chegar a ser o segundo homem mais importante de todo império. Antes de morrer, pela vontade do Espírito de Deus, José havia perdoado plenamente seus irmãos, não obstante, naquela mesma ocasião futura narrada no livro de levítico em Jeová disciplinava, não pela graça, mas pela lei, irmãos que vendessem irmãos como escravos passaram passiveis de serem condenados a morte (ver Deut. 24:7).

Aqueles que odeiam a palavra de Deus, odeiam também o que faço agora: que é escrever em defesa de sua legítima soberania e senhoria. Eles não toleram entender como alguém possa fazer questão de se manter como escravo e ainda assim defender isso, com denodo e perspicácia. Eles se esquecem que não foi esse Deus quem inventou a escravatura, na forma como nós humanos a praticamos. Forma humana da pratica da escravatura é sempre desumana, cruel e exploratória, diametralmente oposta a forma de Deus amar e fazer prosperar aqueles que, por desejo, a Ele se fazem escravos. Deus orienta os homens ao equilíbrio, a moderação e ao comedimento, sempre, no mesmo capítulo de levítico usado como base de acusação contra Deus, os versículos imediatamente anteriores, nos dizem:

“Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a terra de Canaã, para ser o vosso Deus. Também, se teu irmão empobrecer ao teu lado e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. Como jornaleiro, como peregrino estará ele contigo; até o ano do jubileu te servirá; então sairá do teu serviço, e com ele seus filhos, e tornará à sua família, à possessão de seus pais. Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como escravos. Não dominarás sobre ele com rigor, mas temerás o teu Deus.”

Um versículo bíblico que resume bem a consideração de Deus para com a forma humana de escravatura, é o que encontramos em Ecl. 8:9: “Tudo isto vi quando apliquei o meu coração a toda a obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro homem, para desgraça sua.” A forma humana de escravidão, do ponto de vista de Jeová, é uma desgraça, tanto para o escravizado, quanto para o escravagista, ela reduz nos a um ponto muito aquém daqueles do propósito da nossa criação. Todavia, existe algo de bom, em os humanos inimigos de Deus persistirem em manter aceso esse assunto, em seu afã de acusar o Senhor: é que de fato, a escravatura continua ainda viva, em nuances surpreendentemente disfarçados. Se não nos atentamos a essas coisas, somos induzidos, sem perceber, a tal escravidão disfarçada e sucumbimos da nossa excelente condição humana de homens libertos e resgatados ao preço do sangue inocente de Jesus.

Os primeiros cristãos eram, em sua maioria, pessoas de pouca influência, muitas vezes escravos. Eles não tinham liberdade para pregar o evangelho dentro da intolerância religiosa que reinava nas terras e nações dominadas pelo império romano. O crescimento inicial do cristianismo se deu principalmente pelo "testemunho informal". É verdade que os registros antigos mencionam, com frequência, o zelo e coragem dos primeiros cristãos ao testemunharem a sua fé, todavia o império romano não permitia que grupos de cristãos ficassem visitando persistentemente as casas de cidadãos romanos, tentando convertê-los ao monoteísmo e incentivá-los a deixar a adoração dos "deuses". Uma atividade assim certamente chamaria a atenção das autoridades e a repressão vivia como certa. Assim o cristianismo crescia entre os pobres, deserdados e escravos, principalmente, para depois, aos poucos, ir emergindo na conquista dos senhores dos escravos.

Mesmo com alguns ricos tendo se convertido ao cristianismo, o cristianismo cresceu especialmente dentro da humilde classe escravista e proletária, como mencionam os autores a seguir:

"O problema das fontes do cristianismo distingue-se pela sua extrema complexidade. A cristandade surgiu no seguimento das relações políticas e sociais existentes sob o regime escravista." – A Origem do Cristianismo, de Iakov Lentsman, edição de 1985, editora Caminho, Portugal, p. 33.

"O filósofo grego Celso escarnece da nova religião porque seu fundador teve como mãe uma trabalhadora e como primeiros missionários alguns pescadores da Galileia. Pela mesma época, os pagãos zombam das comunidades cristãs porque [são] formadas principalmente por pessoas de condição humilde. O Evangelho, ironizam eles, exerce sua sedução somente sobre 'os simples, os humildes, os escravos, as mulheres e as crianças". Taciano traça o retrato do cristão de seu tempo: ele foge do poder e da riqueza e é, antes de tudo, 'pobre e sem exigências'. " – A Vida Cotidiana dos Primeiros Cristãos (95-197), editora Paulus, 1997, de A. G. Hamman, p.41.

Os escritores da Antiguidade não mencionaram uma sistemática pregação dos primeiros cristãos fora dos próprios recintos em que eles habitavam, porque ela simplesmente nunca existiu (obviamente excetuando-se os atos missionários de alguns dos apóstolos e de outros poucos coordenados por estes). Um dos motivos é porque os cristãos do início eram, em sua maior parte, ou escravos, ou desvalidos, ou ambos, não tendo a liberdade necessária para pregarem periodicamente e em público. E não somente devido à sua condição social, mas também por causa do rígido sistema de governo romano, que dificilmente permitiria essa atividade. Assim, traduzidos para termos tupiniquins, o cristianismo original se desenvolveu, essencialmente, como uma “religião de senzala” e, salvo raras exceções apostólicas, não era preciso que os primeiros cristãos se expusessem em demasia, pois o próprio Espírito de Deus se encarregava de apontar os caminhos e lhes supria da necessária mobilidade, a quem era merecedor de fazer a obra ou de receber a graça.

Não obstante, foi e tem sido, pelo exclusivo poder de Jeová Deus, que a videira jamais deixou, de modo algum, de multiplicar em número, continuamente, os ramos a ela ligados, e os ramos, ligados a videira, sem a qual, em verdade, nada poderiam fazer, de multiplicar a produção dos frutos, unicamente para ornamento de glória da própria videira, como é da vontade e do agrado do dono da vinha.

O apóstolo Paulo, escravo do Senhor Jesus, completa e arremata a questão: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!”

Paz e serenidade a todos!
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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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