"E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos." (Zacarias 4:6)
O fato é que, para os perseguidores religiosos militares e para inquisidores católicos que os seguiram na história, as congregações de crentes denominadas de “os valdenses”, “os cátaros” e “os albigenses”, eram todos uma mesma coisa: hereges, enquanto significavam efetivos obstáculos às suas políticas de poder centralizado e de domínio distribuído, que incluía intolerância a quaisquer opiniões ou doutrinas que discordassem de uma posição oficial.
Quando se tornou imperador de Roma, no ano de 249, Décio observou com desconfiança o poder crescente dos cristãos, e determinou-se a reprimi-los. Ele construiu novos templos pagãos, reforçou os cultos e sacrifícios do passado em todo o império. Porém, vendo as igrejas cheias de prosélitos e os templos pagãos esvaziados, decidiu empreender uma perseguição generalizada, tanto contra ao clero, quanto aos leigos do cristianismo.
Durante as perseguições de Décio, o Papa Fabiano foi um dos primeiros a sofrer o martírio (início do ano 250), porém, ocorreu que vários cristãos batizados negaram a sua fé em Cristo e alguns chegaram a realizar sacríficios aos deuses pagãos durante o período da perseguição; Quando, dois anos depois o imperador foi morto e as perseguições cessaram, estes quiseram retornar à comunhão cristã.
Surgiu ai o termo Lapsi (caduco), que foi o termo utilizado para denominar aqueles apóstatas que, quando eram perseguidos pelo Império Romano renunciavam à sua fé mas, uma vez cessada a perseguição, queriam voltar atrás. Com a sede vacante de Roma depois do martírio do Papa Fabiano, a necessidade de eleger um novo papa, associada as necessárias deliberações sobre a questão se aqueles apostatas poderiam ou não ser reintegrados a igreja e a forma como tal reintegração poderia se dar, gerou uma certa confusão e muitas disputas dentro da igreja.
As disputas eram agravadas pelo fato que, entre os apóstatas podia se contar com muitos líderes, pessoas influentes do clero da própria igreja, capazes de realizar gestões em favor de sua própria causa. Tais circunstâncias fizeram surgir um primeiro grande sisma: de um lado se levantou o Padre Novaciano, que exigia uma posição de rigor de critérios para aceitar os ex-cristãos arrependidos de volta e, do outro lado, a posição oficial da igreja, a partir da eleição de Cornélio como novo papa, no ano 251, que foi a de que os apostatas poderiam voltar ao corpo da igreja e ministrar os sacramentos, desde que o fizessem seguindo o ritual correto, sem a necessidade de rebatismo ou de reordenação.
Porém, depois de alguns anos, sob o imperador Diocleciano, deu-se início a uma nova onda de perseguições aos cristãos (do ano 303 até o ano 311), a última, maior e mais sangrenta perseguição oficial implementada pelo império contra o cristianismo, e a história se repetiu novamente. Muitos cristãos cederam às pressões e caíram em apostasia novamente.
Mesmo alguns bispos de então colaboraram com o Estado perseguidor, surgindo, dai, o emprego do termo traditores (traidores), para designar os apostatas que cederam livros religiosos às autoridades, para serem destruídos, conforme exigia o édito do imperador. Mais uma vez, muitos quiseram voltar atrás depois de cessada a perseguição. Dai, as questões associadas a tal assunto foram sendo sempre tratadas de uma forma tropega pela igreja oficial, ora com grande rigor, ora com total liberalidade, reflexo de que as decisões, recheadas de controvérsias, eram calcadas por influências políticas.
O padre Novaciano foi morto em uma daquelas perseguições e, após a sua morte, os seus seguidores se espalharam rapidamente e podiam ser encontrados em diversas províncias romanas, em grande quantidade em algumas delas. Eles eram chamados pela igreja oficial de novacionistas, mas chamavam a si próprios de καθαροι (em grego: "katharoi" - "puritanos" ou "puros"), refletindo que se mantinham puros durante perseguições e seu desejo de se manterem cristãos, mas separados da igreja oficial, não se misturando com o que consideravam práticas frouxas de uma igreja corrupta e subservientes a poderes mundanos.
Além disso, desde o início da idade média, existiu uma contínua corrente migratória de irmãos que, uma vez sendo perseguidos no oriente, como os denominados paulicianos (grupo de cristãos considerados hereges pelo catolicismo, que floresceu entre os anos de 650 e 872 na Armênia e partes orientais do Império Bizantino, como Anatólia e os Balcãs, até serem massacrados pelo Império Bizantino, que foi a continuação do Império Romano durante a Antiguidade Tardia e a Idade Média) e os bogomilos (que surgiram, posteriormente, no que é hoje a Macedônia), ambas seitas pregando a igualdade social e o afastamento dos pobres do domínio do clero e da nobreza, imigravam e, ao chegarem ao ocidente europeu, entraram em contato com as igrejas dos cátaros.
Assim, vários séculos depois, o termo cátaro ainda voltaria a ser usado, agora pela própria igreja oficial de Roma, para designar o grupo considerado de dissidentes, que surgiu na região centro-sul da França, na verdade, como uma forma pejorativa de seus perseguidores se referirem a eles, por causa do costume dos seus pregadores itinerantes de venderem todas as suas propriedades e se fazerem assim "perfeitos" para seguir o Senhor e pregar o evangelho, tomando literalmente o conselho do Senhor em Mateus 19:21:
"Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me."
Origens da Dissensão Religiosa na Europa Medieval:
O sul da atual França, na região antigamente conhecida como “Ocitânia” e que hoje é denominada “Languedoc” – ambos os termos significando “terra da língua do sim” - surgiu o movimento fundamentalista cristão (ou, que no mínimo pretendia, sinceramente, ser cristão), pacífico, que via no exemplo de vida de Jesus, simples e sem luxo algum, a base para a sua doutrina. Acima de tudo, a palavra de ordem entre eles era a humildade - desprezando a soberba, a arrogância e os valores mundanos.
Em dezembro dirigiram-se a Toulouse, onde fizeram jurar ao conde que extirparia a heresia. Em fevereiro de 1204 aconteceu uma reunião em Béziers presidida pelo rei Pedro II de Aragão. O rei reconhecera-se vassalo da Santa Sé mas, quanto ao pedido dos legados, manifestou que não estava disposto a usar a espada contra os seus vassalos ocidentais.
Uns meses mais tarde Arnaud Amaury, abade de Cîteaux, incorporou-se à delegação, mas, ainda com o reforço de Amaury os legados não obtinham sucessos, porquanto a sua apresentação não era a mais adequada, pois percorriam o país em luxuosos carros de cavalos acompanhados por todo um cortejo de servidores, quando precisamente o luxo e a suntuosidade era o que mais reprochava o povo occitano à igreja romana.
Em maio de 1206 os abades decidiram regressar às suas respetivas abadias, porém, no caminho de regresso fizeram uma parada em Montpellier e ali coincidiram com dois castelhanos que regressavam de Roma. Eram Diego de Acebes, bispo de Osma, e o seu vice-prior, Domingos de Gusmão, posterior fundador da Ordem dos Frades Pregadores, ou Ordem Dominicana.
Os legados expuseram as suas dificuldades: quando pregavam, eram objetados por conta do comportamento detestável dos clérigos, mas se dedicavam-se a reformar os clérigos, teriam de renunciar a dedicar tempo à pregação. Os castelhanos expuseram uma solução: pôr de lado a reforma dos clérigos e dedicar-se exclusivamente à pregação mas, para que esta fosse eficaz, era preciso que cumprisse uma condição imperativa: a pobreza, ou seja, viajar com humildade, ir a pé, sem dinheiro, em duplas, imitando os costumes dos Perfeitos cátaros e que antigamente fora utilizado pelos apóstolos.
Os próprios Diego de Acebes e Domingos de Gusmão colocaram a prática desse método que eles propuseram a prova e, pouco a pouco, conseguiam os seus efeitos, convertendo crentes cátaros e até mesmo alguns Perfeitos. Em contraste com o opulento clero católico, eles atuaram como pregadores viajantes, ainda que comissionados a defender a ortodoxia católica contra os “hereges” no sul da França.
Contudo, Diego regressou para Osma e Domingos de Gusmão escolheu, então, como companheiro a Guillem Claret, clérigo de Pamiers, com quem se instalou em Fanjeaux, no centro da região, onde converteram um grupo de Perfeitas e mulheres crentes cátaras, instalando-as no Mosteiro de Prouilhe, perto de Fanjeaux, tornando o num centro educacional e hospitalar de garotas, a semelhança das "Casas das Perfeitas".
Os sucessos de Domingos de Gusmão manifestavam a eficácia dos seus métodos. Entretanto, tratava-se de uma pregação longa e trabalhosa que exigia modéstia e paciência, Domingos de Gusmão parecia plenamente adaptado para aquela situação, mas não os legados papais cistercienses que aguardavam uma conversão massiva e entusiasta e, em lugar disso, tinham de seguir, em conjunto, aquele método de ir de povoação em povoação, enfrentando a oposição dos contra-pregadores cátaros, que ocasionalmente demonstravam conhecer o Evangelho melhor que os seus próprios clérigos.
Assim, a campanha em 1207 era sentida, na verdade, como um insucesso pelos legados papais que, originalmente, haviam sido enviados para argumentar com os cátaros e para tentar trazê-los de volta ao aprisco católico, rapidamente. Neste clima, com a heresia em pleno auge e a crescente humilhação da Igreja Romana frente da passividade e conivência dos senhores occitanos, somente faltava uma chispa que servisse de argumento a Inocêncio III para tomar as armas.
Enquanto Domingos e os outros cistercienses se dedicavam a pregação do Evangelho, o legado papal Pierre de Castelnau tomou a iniciativa de expor um acordo geral de paz a todos os condes e senhores do Languedoque, pedindo que se comprometessem a não empregar judeus na sua administração (para evitar empréstimos que não fossem eclesiásticos), devolver o dinheiro não pago às igrejas em forma de tributo, e, sobretudo, perseguir os hereges cátaros pela força.
Ao conde Raimundo VI de Toulouse era impossível aceitar tais condições sem quebrantar os fundamentos do seu poder, de modo que ele se negou e, por isso, foi excomungado a 29 de maio de 1207, excomunhão que foi ratificada, meses depois, numa reunião em Saint-Gilles.
Então, eis que a chispa que faltava chegou: A 14 de janeiro de 1208, Pierre Castelnau foi assassinado quando se dispunha a cruzar o rio Ródano, ao voltar da reunião de Saint-Gilles, ainda em território dos Albigenses.
Não obstante o fato de que não se pode comprovar que o assassinato tenha sido ordenado por Raimundo, o Papa Inocêncio III acusou-o abertamente, e toda a responsabilidade caiu, não apenas sobre ele, as suas terras, e sobre os senhores feudais occitanos com os quais o Conde de Toulouse mantinha algum tipo de vínculo mas, também, e principalmente, sobre todo o povo daquela região de condados.
Visto que "os esforços falharam" e, até mesmo um dos legados católicos foi morto (supostamente por um herege), alterou o foco das missões, que passaram a incluir a violência, enquanto a cruzada militar iria substituir a cruzada pacífica. A 9 de março de 1208, o Papa dirigiu uma carta a todos os arcebispos do Languedoque e a todos os condes, barões e senhores do reino da França. Um fragmento daquela carta dizia:
"Despojai os hereges das suas terras. A fé desapareceu, a paz morreu, a peste herética e a cólera guerreira cobraram novo alento. Prometo-vos a remissão dos vossos pecados se puserdes limite a tão grandes perigos. Ponde todo o vosso empenho em destruir a heresia por todos os meios que Deus vos inspirará. Com mais firmeza ainda que com os Sarracenos, pois são mais perigosos, combatei os hereges com mão dura."
Inocêncio III ordenou em 1209 a Cruzada Albigense: o papa pronunciou um anátema contra Raimundo VI, o conde de Toulouse e declarou as suas terras "entregues como presa". Isto equivalia a uma chamada direta a Filipe II Augusto, rei da França, bem como a todos os condes, barões e cavaleiros do seu reino para acudir à cruzada.
Albi era uma das cidades onde os cátaros eram especialmente numerosos, de modo que os cronistas da Igreja oficial chamavam os cátaros de albigenses (em francês: albigeois) e usavam o termo "albigense" para designar todos os que consideravam “hereges” daquela região, inclusive, até mesmo, os cristãos valdenses do Piemonte (norte da Itália). Curiosamente, a primeira concentração de tropas dos exércitos da cruzada do papal de Inocêncio III (20 000 cavaleiros, mais de 200 000 cidadãos e camponeses, sem contar o clero) aconteceu na cidade de Lyon.
Poucas décadas antes, em 1179 um zeloso grupo composto de homens e mulheres da cidade de Lyon, que mais tarde passaram a ser chamados de valdenses, pediram ao então papa, Alexandre III, uma licença especial para continuar seus trabalhos de pregação do Evangelho, que foi negada. A Igreja achou aquele evento tão perturbador que, em 1184, aqueles cristãos da cidade de Lyon, foram excomungados pelo papa e expulsos de suas casas pelo então bispo de Lyon. Como eles já eram naturalmente desapegados de casas e de outros bens materiais, aquela medida, na realidade, serviu apenas para dar a oportunidade de divulgação da mensagem da Bíblia em outras regiões.
Notem, ainda, que este mesmo período foi marcado pelo surgimento de um outro movimento singular, mas da mesma motivação, quando Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis, entrou para orar na igreja de São Damião, fora das portas da cidade, e ali, diz a tradição, ele ouviu pela primeira vez a voz que chamou a sua atenção para o estado de ruína de sua Igreja e instou para que Francisco a reconstruísse. A princípio Francisco tratou de trabalhar de pedreiro, pois, em sua ignorância acreditou tratar-se de prédios precisando de reformas.
Todavia, não era. Tratava-se de algo muito mais grave: era a religião do cristianismo contaminada, a Igreja de Jesus se tornara numa instituição corrompida, conduzida pela mais absoluta ganância humana por poder mundano.
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| Giotto: Francisco e seus companheiros diante de Inocêncio III, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis. |
A cruzada contra os albigenses:
Por meio de cartas e de
legados, o papa importunou reis, condes, duques e cavalheiros
católicos da Europa. Prometeu indulgências e as riquezas de
Languedoc a todos os que lutassem para erradicar a heresia “de
qualquer modo”. No entanto, frente à resistência de suas
pretensões, convocou uma cruzada de extermínio contra os albigenses
e as províncias do Meridional francês.A resposta de Simon de Monfort foi ratificar o que antes já havia sido dito pelo legado papal e inquisidor Arnold Amaury quando um soldado que estava preocupado em matar católicos ortodoxos, em vez de apenas cátaros hereges pediu conselho: "Matem a todos. Deus reconhecerá os seus".
Naquele dia de verão, em
1209, foi massacrada a população de Béziers, no sul da França. O abade cistercense e futuro arcebispo de Narbonne, Arnaud Amalric (Amalry), nomeado legado papal líder dos cruzados
católicos, não mostrou nenhuma misericórdia. Quando seus homens
perguntaram como distinguiriam os católicos dos "hereges",
relata-se que ele, juntamente com Monfort, deu a infame resposta
acima citada. Historiadores católicos atenuam-na para rezar: “Não
se preocupem. Acho que muito poucos [hereges] serão convertidos.”
O que provocou esse
massacre? Ele foi apenas o começo da Cruzada Albigense, lançada
pelo Papa Inocêncio III contra os chamados hereges da província de
Languedoc, no centro-sul da França. Antes de ela terminar,
possivelmente um milhão de pessoas — cátaros, valdenses e até
muitos católicos — haviam perdido a vida, irmãos que morreram,
pela guerra ou queimados na fogueira.O conjunto de ações direcionadas a inquirir, ou questionar o comportamento dos desgarrados, ficou conhecido como “Santa Inquisição”, nome que se tornou sinônimo de tortura, horror e irracionalidade. Os juízes da Inquisição — na maioria frades dominicanos e franciscanos (justamente aquelas Ordens que, em suas origens, tiveram causas em comum com as dos hereges) — estavam sujeitos a prestar contas apenas ao papa.
Os cátaros estavam longe de serem cristãos perfeitos mas, será que por criticarem a fragorosa corrupção da Igreja Católica justificaria seu extermínio cruel pelas mãos de pretensos cristãos?Provavelmente homens, aparentemente, ainda piores do que eles? (digo "aparentemente" pois, gostando ou não, todos nós julgamos pelas aparências, coisa que o próprio Senhor Jeová nos alerta, diversas vezes, por meio de toda Escritura).
Ao que tudo indica, seus perseguidores e assassinos católicos desonraram a Deus e a Cristo, e difamaram o verdadeiro cristianismo, por torturar e massacrar essas dezenas de milhares de dissidentes. Mas isso tudo apenas teve o efeito prático de fazer com que as pessoas que protestavam contra o que era mal pudessem aperfeiçoar a sua fé cristã, corrigindo paulatinamente os desvios que neles haviam a princípio.
Após arrefecer a fúria cruzada, os sobreviventes passaram a pregar como faziam os primeiros cristãos: em catacumbas, cavernas e nas florestas. Isto porque a cruzada albigense, apesar de sua brutalidade atroz e, como devia ser de se esperar por parte daqueles realmente entendem o mover de Deus sobre a humanidade, não havia sido suficiente para exterminar todos os indivíduos, muito menos ainda os seus ideais.
Até que por fim, com o advento da Reforma, saíram novamente à luz, e se encontravam em centenas de milhares, dispostos a escrever um novo capítulo de sua heroica história, encontrando-se unidos à própria Reforma, ou tomando parte da reforma mais radical, com o nome de anabatistas (rebatizadores), a chamada "ala radical" da Reforma Protestante.
Fé é escolha e nisso consiste o livre arbítrio. Todo ser humano tem o direito a essa escolha: de ter ou não um Deus e o de escolher a qual Deus servir, sem ser importunado pelos demais humanos. Todavia, àquele que escolhe ser cristão, deve se lembrar: não há cristianismo que não seja, também, bíblico e não há algo bíblico que não seja também cristão. Querer dissociar uma coisa da outra é uma das artimanhas mais modernas do diabo. Cristão e bíblico, ou você é, ou não é. Não existe meio termo.
"Não podereis servir ao Senhor, porquanto é Deus santo, é Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados. Se deixardes ao Senhor, e servirdes a deuses estranhos, então ele se tornará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito o bem." (Josué 24:19-20)
Não obstante, nem todo saldo da perseguição ao catarismo desembocou em uma forma cristianismo mais pura e singela mas, sim, resultou, também, por culpa do alto grau de terror a que a população em geral esteve sujeita, em um tipo de distorção muito mais proeminente, e que chega a nós, com grande força, até os dias de hoje: a franco-maçonaria e o seu veio principal de religiosidade, que resulta da fusão do cristianismo primitivo com a mitologia egípcia (uma escola gnóstica, portanto, não cristã, com o intuito alegado de prestar auxílio à evolução espiritual da humanidade).
Uma postagem em um importante site maçônico do Brasil expõem o seguinte:
"Certamente, a aproximação entre os Cátaros e nossa Sublime Ordem se estabelece de forma direta, em uma relação simples de causa e efeito. Sem a existência de todos os eventos aqui estudados, talvez faltasse motivação para que os Irmãos do passado se dedicassem tanto à criação e fortalecimento das Colunas seminais da Loja. Os germes das escolas iniciáticas, formadas por homens livres que necessitavam de proteção mútua, se lançavam ao custo de muito trabalho, sangue e dedicação, neste alvorecer da Humanidade.
Podemos afirmar que, se o Catarismo não tivesse ocorrido - assim como sua aniquilação sangrenta posterior - talvez a mais perfeita das associações humanas nunca tivesse existido. Foi esta tese, perturbadora e fascinante, que nos levou a pesquisar sobre o assunto."
Já, quanto a mim e a minha pesquisa postada, espero que os leitores entendam que eu não estou pretendendo, aqui, imputar culpa aos católicos de hoje, sejam estes do meio do povo ou do meio do clero da igreja católica, pelas ações criminosas e injustificáveis praticadas no passado, por membros diretores da igreja na qual eles congregam.
Todavia, as atrocidades e os erros praticados pelo corpo governante da instituição conhecida por igreja católica romana, têm sido tantos e tão graves tem o seu peso e, ocorrendo de forma recorrente em tantas épocas distintas da historia que eu, depois de ter tomado alguma ciência deles, mesmo tendo sido batizado como católico por meus pais e avós, não poderia mais, de modo algum, continuar confiando nela, ou acreditando na sinceridade dos princípios que ela declara.
Assim, como Deus tem me tornado livre e tem me dado a necessária provisão para uma escolha de minha parte quanto a isso, então eu decidi deixar de ser católico, desde os 19 anos de idade, em 1981, e me converti ao protestantismo (ou evangelismo).
Eu assim escolhi, até por que, eu descobri o evangelismo com um ramo do cristianismo, assim como a videira tem muitos ramos, dotado com uma doutrina diferente da católica e, ao meu modo de ver, muito mais condizente com o que a Bíblia realmente ensina: que a salvação é dada através da graça e bondade de Deus, na qual cada pessoa pode se relacionar diretamente com seu Criador, sem a necessidade de outro intermediário que não seja o próprio Senhor Jesus.
Além do mais, os protestantes se declaram seguidores do Evangelho - um dos seus princípios durante a Reforma era o da Sola Scriptura (do latim que significa "Só a Escritura"). Isso significava que, para os protestantes, apenas a Bíblia é fonte de revelação suprema, e que, até que retorne a nós aquele "o qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio" (Atos 3:21), não deveria ser permitido à Igreja alguma fazer doutrinas fora dela.
Conhecer a Bíblia com perspicácia não torna o mundo melhor para mim mas, me torna melhor para o mundo, para a glória de Deus.
Até a próxima e, graça e paz!
Veja também:
Cátaros, Albigenses e Valdenses (uma história que precisa ser contada ou, porque deixei de ser católico) – Parte 2/2















