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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Evangelho do Reino e da Graça de Deus


O próprio Senhor Jesus nos alertou com clareza: "E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim." (Mateus 24:14). Este alerta foi dado em meio a resposta dada por Jesus à indagação feita pelos seus discípulos: "Dize-nos, quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?"

Obviamente que nós entendemos que o objetivo principal da pregação do evangelho do Reino é o de glorificar a Deus, por conduzir, individualmente, as almas dos seres humanos para este novo Reino vindouro, o qual sabemos que o próprio Senhor Jesus, a quem foi "dado todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28.18-b), estabelecerá sobre nós, julgando e governando em paz verdadeira, quando de seu glorioso retorno a nós. Poder entrar como participante deste Reino consiste a nossa salvação.

A volta de Jesus será um evento muito claro e evidente para todos os seres da Terra que estiverem vivos na ocasião: "Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem." (Mateus 24:27). E Ele vem para estabelecer o Reino e também para reinar, de modo que a pregação do evangelho do Reino não objetiva converter, muito menos remediar, os sistemas de governos das nações humanas atualmente existentes.

Não existe conserto para tais sistemas e, evidentemente, não há futuro algum para nações e governos humanos, dentro do vindouro Reino de Deus. "Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória." (Mateus 24:30).

Entretanto, antes que chegue esse dia, o anúncio antecipado em (Mateus 24:14) de modo algum deixará de ser cumprido. Isso significa que, de alguma maneira, existirá uma real oportunidade para que todas as almas humanas recebam individualmente a mensagem do evangelho de Cristo, que consiste, indissociável e indistintamente, tanto no Reino quanto na Graça de Deus, porquanto Jesus orientou-nos sobre tal:

"Respondeu Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." (João 14:6). Nisso consiste o desenvolvimento da Graça: "E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa." (Atos 16:31).

"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia." (João 6:44). Nisso consiste o desenvolvimento do Reino: "Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre." (Salmos 37:29).

Assim como Jesus disse: "Eu e o Pai somos um". (João 10:30), não há como separar o Reino da Graça ou a Graça do Reino. "Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus." (Hebreus 12:2). Jesus é, em si, a Graça do Deus Pai para conosco e, pela vontade do Pai, a Graça reinará sobre a Terra, a fim de que a Terra possa encher-se da Glória de Deus.

Assim, os que creem, creem no poder que há no sangue de Jesus, que comprou com alto preço, súditos para o Reino do Deus Pai, homens de todas as tribos, povos, línguas e nações e, os que são justos para possuir a Terra para sempre, se justificam pela fé neste mesmo sangue, derramado em sacrifício resgatador, e nisso, ambos encontram salvação, pois, tais coisas são indissociáveis e "o testemunho de Jesus é o espírito de profecia" (Apocalipse 19:10), único, suficiente e perfeito.

A mim parece óbvio e natural que aquele que tem fé se torne operário em função daquela fé. Todo aquele que atinge a compreensão do plano salvador de Deus acaba, consequentemente, se empregando a boas obras, de modo que estas são os frutos apenas, ou seja, tão somente a consequência, da qual o justo, por mais que se sinta maravilhado, não deve se orgulhar, pois isso se torna em vã glória.

"Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (João 15:5).

O plano salvador do nosso Deus e o Seu Reino são, de fato, coisas que em tudo se assemelham. Ambos são como um tesouro escondido num campo que um homem, bom e diligente buscador, acaba por encontrar e se enche de alegria por aquilo. Se tal homem for mesmo inteligente, então ele não medirá esforços para adquirir para si aquele campo, a fim de poder se tornar o legítimo proprietário daquele tesouro. Buscar pelo tesouro já foi, em si, uma boa obra, encontra-lo foi uma graça mas, adquiri-lo se estende ao ponto de ser uma obra excelente.

Além do mais, mesmo a experiência histórica nos mostra, que aqueles que procuram por tesouros, não os encontram com facilidades idênticas. Alguns, por não procurarem corretamente, nem mesmo chegarão a encontram. Já, outros, os encontram com uma facilidade admirável. Nisso consiste a graça. Qualquer homem pode tentar meios de racionalizar o Evangelho de Cristo para a sua melhor compreensão mas, saiba que diante de Deus, graça e obras são indissociáveis.

Tudo o que provém de Deus e nos alcança é pura Graça. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;" (Efésios 2:8-9). Mas a graça não alcançara aquele homem que não opera no sentido de se por em posição de receber. Ninguém encontrará tesouro algum, se permanecer deitado em sua cama. Nem poderá comprar o campo onde ele se encontra escondido, se não trabalhar para isso. Regras simples e inexoráveis, emanadas do próprio Deus criador, desde que o "nada além dEle" deixou de existir.

Lembrando, ainda, a nossa deplorável condição atual, resultado da nossa rebeldia contra Deus, havemos que se considerar que, por mais que nós cristãos sejamos possuidores de boas porções do Espírito Santo de Deus, enquanto vivemos na Terra, não conseguiremos antecipar em um único dia o evento do estabelecimento do Reino vindouro, sem que Jesus haja, efetivamente, retornado até nós, daquela forma como Ele próprio anunciou. Só então os eventos revelados poderão se suceder.

Nossa boa vontade pode até ser inspirada, no entanto, ela continuará sendo humana e imperfeita. Podemos até nos esforçar e ajudar a formar excelentes congregações de servos fieis mas, de modo algum, isso seria suficiente, por si só, para estabelecer o anunciado Reino de Deus na Terra. Até o presente momento, muitos de boa vontade tem intentado obter exito em antecipar o Reino trilhando por caminhos assim mas, todos que o tem feito, se tem frustrado grandemente. Não haverá Reino de Deus na Terra sem a necessária volta de Jesus, nem mesmo teocracia alguma é possível, antes disso, caso contrário, não precisaríamos mais de Salvador nenhum.

Antes de praticarmos tais tolices, ou acariciar nossos egos com tais pensamentos tresloucados, cabe-nos orar a Deus pedindo que Jesus volte logo. Porém, antes de orarmos, convém verificarmos se apoiamos, de alguma forma, as obras de pregação do evangelho de Cristo (com Reino e Graça). Se concluímos, acertadamente, que tal obra de pregação é extensa e complexa, que oremos, então, a Deus, em nome de Jesus, pedindo a providência por mais pregadores pois, os nossos pesares atuais não cessarão e, tão pouco em reino algum nós entraremos, enquanto este evangelho do Reino não for pregado em todo o mundo, como testemunho a todas as nações.

Não foi por nada que Isaías exclamou: "Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!" (Isaías 52:7). Portanto, considere toda boa oportunidade de levar a boa nova por completo. Não menospreze nenhum meio de comunicação:  Não há um meio melhor do que outro para que se cumpra Mateus 24:14 e nenhum ministério de evangelização pode ser completo, mas é a Palavra da Verdade que o é.

Me parece razoável acreditar que toda obra que resulte na brevidade da volta de Jesus, boa obra é pois, o mesmo Senhor Jesus nos explicou: "E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias." (Mateus 24:22). E nisso há Graça pois: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. (Mateus 24:36) A decisão é de Jeová mas, como diante dEle a graça e as obras andam juntas, nossas ações influenciam, sim, a sua soberana decisão, podendo causar o adiantamento (ou o atraso) desse evento tão esperado.

Além do mais, "porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida;" (João 5:28-29), aqueles que têm pressa em ir logo ao céu e desfrutar de um lar celestial com Jesus, por toda eternidade, próximo a nascente do "rio puro da água da vida, claro como cristal" (Apocalipse 22:1), hão que ter ainda uma porção a mais de paciência e, na verdade, ainda mais de perseverança e de fé, pois a jornada é longa.

Nós não seremos apresentados face a face com Pai enquanto o Rei Jesus não estiver certo de ter formado de nós um único e conciso rebanho, não apenas provado e remido mas, por fim, mais uma vez provado e aprovado. É para esse fim que Ele reinará sobre nós. O Filho Jesus em tudo o que fará, entregará seu Reino ao Pai, e com isso também o rebanho, uma vez que o mesmo estará perfeitamente arrematado: quando Satanás não estiver apenas retido mas, for deveras inexistente, assim como a morte, também não mais existir.

Então, Deus será tudo em todos e em todas as coisas e a corrupção de qualquer espécie se tornará impossível.

Que a paz de Jeová Deus, que excede a todo o entendimento, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus, amém.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Cultivo e o Enxerto na Videira:


As vinhas em que se produzem os melhores vinhos estão sujeitas a manejos de cultivo que, em grande parte, não diferem muito daqueles que se praticam em outros tipos de culturas, nas várias regiões de produção fruticultura. Estes manejos são:
  • A Enxertia;
  • A Poda;
  • A Empa;
  • A Rega.
A enxertia é um método muito curioso de propagação vegetativa de plantas, sendo muito utilizada, de maneira geral na produção de mudas de frutíferas, para a fruticultura.

A técnica consiste basicamente em juntar os tecidos de uma planta aos tecidos de outra planta, que geralmente é da mesma espécie, passando a formar uma planta com as duas partes: o enxerto (copa, base) e o porta-enxerto (cavalo, topo).


Para quê enxertar? Quais as vantagens?

Há motivos para fazermos a enxertia e não é por mera curiosidade. Há um propósito maior, que é o de juntar as melhores características de duas plantas em uma só!

Os principais motivos do uso da enxertia são as doenças de plantas presentes na agricultura, que inevitavelmente tem atacado os pomares em todo o mundo. Certas copas produzem bons frutos em quantidade e qualidade porém, suas raízes morrem prematuramente com o ataque de certas doenças.

A enxertia é uma operação que se pratica nas vinhas plantadas com pés de videira resistentes à filoxera. Esta operação, que permitiu salvar a vitivinicultura europeia em finais do século XIX, e consiste em juntar a um pé de videira devidamente enraizado material vegetativo de uma casta à escolha.

A partir de 1870, a filoxera constituiu-se como a praga mais devastadora da viticultura mundial, alterando profundamente a distribuição geográfica da produção vinícola e provocando uma crise global na produção e comércio dos vinhos que duraria quase meio século.

O vocábulo filoxera é usado indistintamente, tanto para designar o minúsculo inseto, quanto a doença dos vinhedos que é causada pela infestação com ele. De origem norte-americana, a filoxera está hoje presente em todos os continentes, sendo um dos exemplos mais marcantes do efeito humano sobre a dispersão das espécies, já que, em poucas décadas, esta espécie evoluiu de um habitat localizado para uma distribuição global, com uma rapidez que, ainda hoje, não deixa de surpreender.

Enxertando a copa (ou bacelo), em uma base (ou casta) resistente, temos como resultado uma planta produtiva e resistente, minimizando, ou mesmo eliminando os danos causados por doenças de plantas, problemas de adaptação das raízes a condições climáticas e de solo, além de muitas outras possíveis aplicações. A isto chamamos fitossanidade.

A escolha do bacelo tem de atender a dois factores:
  • à natureza do solo onde vai ser plantado;
  • às características da casta na qual vai ser enxertada.
O método de enxertia mais comum é o do garfo simples. Durante o período de repouso vegetativo, inicialmente, faz-se uma limpeza em torno do porta-enxerto para facilitar a operação de enxertia, em seguida, corta-se o tronco da videira eliminando-se a copa a uma altura de 10 cm a 15 cm acima do solo, ficando, assim, um pequeno caule ou cepa.

Abre-se, então, com o emprego de uma navalha de lâmina limpa, uma ou duas fendas, consoante o diâmetro do bacelo, de 2 cm a 4 cm de profundidade, na qual será introduzido o garfo da videira que se deseja enxertar.

Para o preparo do garfo (enxerto), toma-se uma parte do ramo (bacelo) com dois ou três gomos, de preferência com diâmetro igual ao do porta-enxerto. Com canivete bem afiado são realizados cortes rápidos e firmes em ambos os lados, de maneira que o garfo fique em forma de cunha. O comprimento da cunha deverá ser semelhante ao da profundidade da fenda feita no porta-enxerto.


Uma vez preparado o garfo, o enxerto deve ser feito imediatamente, bem encaixado, com as superfícies da fenda e da cunha em contato e então o enxerto é amarrado com ráfia para dar firmeza e coberto com fita para evitar que água ou terra penetre no enxerto.

Para favorecer a soldadura, logo após a enxertia, deve-se cobrir totalmente o enxerto com terra solta, areia ou serragem úmida, não em excesso, para não causar a compactação quando secar. Quando a muda é preparada no local definitivo, crava-se uma estaca ou taquara (tutor) junto ao enxerto, de modo a conduzi-lo até o arame do sistema de sustentação.

Após a pega da enxertia, deve-se acompanhar o desenvolvimento da muda, tomando-se os seguintes cuidados:
  • Mantendo os brotos do enxerto e eliminando-se os brotos que se originam do porta-enxerto;
  • Eliminando emissão de raízes a partir do garfo (enxerto), tais raízes devem ser cortadas;
  • Aliviando estrangulamento na região da enxertia, removendo a fita plástica se necessário e protegendo novamente em seguida, inclusive repondo a cobertura com terra;
Até que se inicie o amadurecimento do ramo. A partir deste estágio, pode-se eliminar a proteção do enxerto e soltar a fita plástica.

Todavia, a principal limitação da enxertia é a sua dificuldade de operação pois é necessária mão de obra qualificada para tal. Seu grau de dificuldade varia de espécie para espécie e o percentual de pegamento (sucesso de sobrevivência) costuma ser muito baixo em algumas espécies, principalmente quando a enxertia não é realizada com perícia nos cortes e os devidos cuidados de acompanhamento. Muito treinamento é necessários para alguém fazer a enxertia de modo competente, o que torna a mão de obra cara.

A Videira e Seus Frutos:

Uma vez que as uvas eram cultura de subsistência na região da Israel antiga, não causa surpresa que o Senhor usasse frequentemente a videira como um símbolo alegórico de seu povo (veja Salmo 80:8-16; Jeremias 5:10; 6:9; Ezequiel 15:1-8; 19:10-14).

As imagens da videira simbolizavam o fracasso de Israel em cumprir as expectativas do Senhor (Oséias 10:1-2). Suas uvas eram selvagens e sem valor, apesar do cuidado do Senhor com sua vinha (Isaías 5:1-7; veja também Jeremias 2:21).

Então, pelo fracasso de Israel a humanidade toda fracassou. Porém, ainda não havia sido nos dado Jesus, a verdadeira videira, cumprindo o chamado e o destino para o Messias Salvador do povo de Deus (João 15:1). De modo que, hoje, todos temos que ser ramos da videira verdadeira, preparada exclusivamente para nos suportar e como tal temos que nos permitir ser enxertados a ela e aceitar as diversas responsabilidades importantes que derivam deste compromisso (veja João 15:1-17), a fim de nos mantermos ligados a ela e dando frutos.

A produção de fruto é a principal responsabilidade da videira, por isso, Jesus assumiu a posição de exortar a nós, os seus ramos, a produzirem muito fruto a deixar a produção desses frutos permanecer em funcionamento. Jesus foi diligente em nos advertir ainda que, para o bom manejo da vinha, os ramos infrutíferos teriam que ser removidos.

Se nós somos os ramos, como eu posso produzir bons frutos, para não tornar a videira improdutiva? Que fruto espera-se que o ramo cristão produza?

Como colaboradores e beneficiários do projeto de Jesus, é importante e necessário, antes de tudo, entrarmos e estarmos continuamente em comunhão, em união com Ele, buscando o Reino de Deus e a sua Justiça, tenhamos certeza que do resto o Pai cuidará, Ele nos limpará, fará tudo para continuemos produzindo, cada vez mais, e melhores frutos.

Nós precisamos, também, ser podados por Deus de vez em quando. Essa poda pode ser dolorida, mas é necessária, para continuarmos crescendo em pureza, em espírito, e devemos aceitá-la com humildade, permanecendo sempre achegados a Ele, glorificando-O e dando os frutos necessários para o Reino.

E Jesus nos adverte, quanto à possibilidade de nos afastarmos da videira. O que acontece quando nos distanciamos Dele? Deixamos de produzir frutos, secamos e Deus não contará mais com a nossa colaboração em seu projeto de salvação. E como ramos secos, seremos, inevitavelmente, para o bem de toda a vinha, cortados.

Estar em comunhão com Jesus, dá sentido a nossa vida, pois sem ele nada poderemos fazer. Jesus deixa muito clara, como o Pai está unido a Ele, e nós a Jesus. Enquanto estivermos ligados a Jesus, ao tronco, recebemos por meio dEle a seiva que vem do Pai, e temos vida, temos amor. Ao nos desligarmos dele, nos distanciamos de Jesus e do amor do Pai, em consequência a vida perde o sentido e, assim como a doença da filoxera entra e mata a planta da videira natural, nós também, nos tornamos vítimas da praga do pecado, secamos e morremos.

Jesus também alertou: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia". João 6:44. Por isso vale a oração:

“Espírito Santo de Jeová Deus, une-me cada vez mais profundamente a Jesus, seu filho tornado videira da humanidade, para que eu possa, assim, ter vida e produzir os frutos que o Pai espera de mim. Como sempre, isso eu te peço no nome de Jesus. Amém!"




sexta-feira, 13 de abril de 2012

Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão


 Mas afinal, quem foi, de fato, o Senhor Jesus? Abram as suas Bíblias em Mateus, capítulo1.

A primeira coisa com a qual nos deparamos ao abrir o Novo Testamento, em seu início, é com a genealogia de Jesus. O que é genealogia?

Genealogia é o estudo da origem, da descendência e da relação entre famílias, ou, simplesmente uma lista ou um diagrama, que enumera e nomeia, os antepassados de um indivíduo, indicando os casamentos e das sucessivas gerações que o ligam a seus ancestrais.

A genealogia, entre todos os povos tem a sua importância, todavia para o povo hebreu, especialmente para as narrativas bíblicas, a genealogia se reveste de singular importância. Daí o fato de encontrarmos algumas genealogias na Bíblia.

No texto bíblico em questão, a genealogia apresentada é a de Jesus Cristo (ou Jesus, O Cristo), e vamos nos deter apenas no versículo 1, que nos diz: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” este versículo é fundamental para o estudo de “quem foi o Senhor Jesus”, filho do homem, todavia, de antemão, é preciso esclarecer que, para entender o Senhor Jesus, é necessário se considerar as duas naturezas dele:
  • a natureza de Jesus ser humano, filho do homem;
  • a natureza de Jesus ser espiritual, filho de Deus;
A primeira foi uma natureza eventual e transitória, assim como é, ainda hoje, a natureza de cada um de nós, seres humanos (dai a pergunta: Quem foi?), mas a segunda natureza é uma natureza espiritual eternal (o que nos levará a mudar o tempo do verbo da pergunta para o presente: Quem é?).

Todavia, por ora, vamos nos ater à primeira natureza, que é aquela na qual, de fato, importa e compete mostrar Jesus, como como sendo “filho de Davi e filho de Abrão”, voltemos, pois, a consideração da genealogia.

É obvio que se formos olhar a genealogia inteira, veremos que Jesus era filho de José, e que José era filho de Jacó, que por sua vez era filho de Matã, que era filho de Eleazar, que era filho de Eliúde, e por aí segue-se a genealogia de Jesus, até que, passando pelo rei Davi, evidentemente, chegaremos ao patriarca Abraão.

Uma genealogia pode tanto ser apresentada em modo descendente, quanto ascendente e, a genealogia completa de Jesus até Abraão, se encontra apresentada, nos versículos 2 – 16, deste mesmo capítulo 12 de Mateus. Mas repare que Mateus, sabiamente, se antecipou e destacou, logo no versículo 1, a relação de Jesus apenas com dois personagens da história bíblica: Davi e Abraão.

Ao final, já no versículo 17, Mateus arremata: “De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo, catorze gerações.”

Penso que o Espírito Santo do Senhor Jeová, não teria inspirado Mateus a considerar o tal número “catorze”, três vezes, de modo recorrente, se isso não tivesse, também, algum significado importante para nós, que cremos nas escrituras. Mas eu confesso que, por ora, eu o desconheço e não estou interessado nele, neste momento. Importa aqui, que Jesus, de fato, descendia da linhagem de Davi e de Abraão e que a exposição da genealogia serve para comprovar isso.

O Messias, o Ungido de Deus para ser o Salvador, deveria ser filho (descendente) de Abraão, simplesmente por que Deus, a seu tempo, o havia prometido que assim seria. Jeová prometera a Abrão (que mais tarde teria seu nome mudado para Abraão), que ele seria o pai da raça da qual viria o Messias. Vejamos os textos:

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:1-3)

Aqui Jeová faz a Abrão uma petição acompanhada de promessas: muitas bençãos (mais do que aquelas que Abrão já tinha até então) e, principalmente, descendência (coisa que Abrão ainda não tinha). Todavia não houve aqui, ainda, de modo explícito, a promessa de vinda de um Messias, um salvador para humanidade, mas sim, Jeová lança as bases, um desafio preparatório disso, quando diz: “ … e em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

Mesmo talvez não tendo entendido perfeitamente significado do desafio lançado, até por que, nem carecia entender pois, até então, o desafio não era algo entre Deus e o homem, mas sim entre Deus e Satanás, apenas as promessas, já foram motivação suficiente para o crente Abrão obedecer, de modo excelente, a petição de Deus. Com isso a história pôde, então, prosseguir e estando já as promessas iniciais do Senhor plenamente cumpridas, chegamos a um outro novo momento histórico (agora, Abrão já se tornou Abraão):

“Então, o Anjo do SENHOR bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus e disse: Por mim mesmo, jurei, diz o SENHOR, porquanto fizeste esta ação e não me negaste o teu filho, o teu único, que deveras te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” (Gênesis 22:15-18)

Neste momento da vida de Abraão, em “que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.”, e de um modo todo especial, “creu Abraão em Deus e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus”.

Abraão conseguira provar, naquele exato momento, com aquela atitude, que aquilo que Deus precisaria fazer pela humanidade, para a salvação dela, o ser humano, Abraão, também era capaz de fazê-lo por Deus. A atitude de fé aperfeiçoada de Abraão contrariou, naquele exato instante, toda a afirmação contraria que o Diabo fazia sobre nós humanos a Deus de modo que a futura vinda do Messias, já não era mais um mero desafio, mas sim, um fato resolvido e selado.

O selamento do pacto da vinda do messias foi uma maravilha absoluta e imensurável, contudo coisa maravilhosa ainda, digna de nota, foi que Deus, no último instante, houvesse poupado a vida do inocente Isaque, demonstrando que Ele sempre foi o Deus que afirmava que “Agrado-me da benevolência e não do sacrifício; e do conhecimento de Deus antes do que de holocaustos.” pois, “Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, ..." (Oseias 6:6; I Samuel 15:22). 

É por causa deste momento de atitude de fé aperfeiçoada de Abraão, pela qual selou-se a vinda do Messias, que a palavra de Deus diz ainda: “Sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão. Ora, a Escritura, prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações. De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão.” (Gálatas 3:7-9)

Mas, prosseguindo, além de descendente de Abraão, o Messias deveria ser, também, filho de Davi, pelo mesmo motivo, simplesmente por que Deus prometera, e assim deveria ser cumprido:

Tendo resgatado e trazido para Jerusalém a Arca da Aliança do Senhor e vivendo um momento de paz e descanso, Davi desejou construir uma casa para Jeová, um templo para o seu Deus, o Deus de Abrão, de Isaque e de Jacó. Todavia, a palavra de Deus foi dada ao profeta Natã, com Deus rejeitando tal empreitada, contudo, Deus assim falou a Davi:

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.” (2 Samuel 7:12-13)

Sabemos que Davi teve vários filhos. Em I Crônicas 3:1-9. temos o nome de pelo menos 19 destes filhos de Davi, que são: Amnom, Daniel, Absalão, Adonias, Sefatias, Itreão, Siméia, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar, Elisama, Elifelete, Nogá, Nefegue, Jafia, Elisama, Eliada e Elifelete. Note que, conta-se aqui, apenas filhos do sexo masculino.

Você acha muitos os filhos de Davi? Isso não é nada perto do que Deus pode fazer, além do mais, fora Ele mesmo quem prometera a Abrão: “... multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; ...”, portanto, tinha que assim mesmo.

No entanto, quando se fala em “O filho de Davi”, o primeiro nome que nos vêm à mente é o de Salomão, que foi o herdeiro do trono. Salomão teve o papel de prefigurar a Cristo como o filho de Davi, o Herdeiro do trono e do reino de Davi. Conforme Jeová prometera, Salomão como filho de Davi e herdeiro do trono, após assumir a suas herança fez principalmente duas coisas:
  • Edificou o templo de Deus no reino de Israel. Davi queria edificar, mas Deus não o autorizou a fazê-lo (ver I Crônicas 17.1-12 e I Cronicas 28:1-3), de modo que Davi só pôde fazer os preparativos, estocando boa parte dos materiais, para que Salomão, mais tarde, o construísse (ver I Crônicas 29); O templo foi construído (ver a partir de II Cronicas) e passa a ser o símbolo da presença de Deus no reino, lugar a partir de onde Deus se manifestava através de seus servos escolhidos.
  • Após terminar as obras de construção do templo, Salomão ora a Deus e Deus lhe responde (ver II Crônicas 7.12-16). Deste modo, Salomão passou a falar palavras de sabedoria (Ver alguns exemplos em I Reis 3.5-12; 4.29-34; 10.1-9).
Como a genealogia mostra, Jesus veio ao mundo, tendo nascido “da casa de Davi”, cumprindo a fórmula pactual feita com Davi. Nesse pacto Deus promete ser o Deus de seu povo e torná-los seus e aquele era um pacto eterno de Deus, a despeito das diferentes circunstâncias. (I Samuel 7:24, 29). Esse foi sempre o propósito do pacto.

Deus promete estabelecer o reino de Davi e o seu trono para sempre (I Samuel 7:12-13). Deus fez assim, com que aquele pacto e o referido reino, estejam ligados para sempre, e assim revelou ainda a óbvia natureza espiritual deste reino. Essa foi uma promessa que só poderia ter sido, como foi, cumprida em Cristo, o Rei dos reis (Lucas 1:32-33).

Alguns dentre nós podem até duvidar que Davi tenha conseguido entender, naquele momento, a exatidão daquilo de estava acordado. A de que o "trono" do qual Deus falava, era realmente, sempre, o trono dEle próprio, o trono do reino de Deus, mesmo quando um homem, como Davi, ou um filho da casa de Davi, se assente nele. Mas eu creio, pela fé, que Davi tenha entendido pois, a integridade daquele pacto teria que ser peça chave para que o Messias viesse a nós. Assim, Davi cedia o seu trono para glória de Deus.

Todavia, Salomão, ao se tornar um homem maduro, passou a apresentar distúrbios de comportamento desregrado com relação aos prazeres do sexo e se uniu a muitas mulheres que não conheciam a Jeová e lhe fizeram inclinar o coração para seguir outros deuses e Salomão começou a fazer o que era mau aos olhos de Jeová e não seguiu plenamente a Jeová como Davi, seu pai. Começaria ai, os problemas e as dores para o reino humano da casa de Davi, mas o pacto selado, no que dizia respeito ao Reino de Deus, a exercido pela descendência da casa de Davi, continuaria valendo, para sempre, como fora prometido.

Além de ter nascido na casa de José, descendente de Davi e do ventre de Maria, esposa de José, Jesus, o Cristo, desde cedo expressou uma outra marca característica como o filho de Davi: tal qual Salomão, Jesus falou também palavras de sabedoria. Mas Jesus suplantou Salomão em sabedoria, porquanto ele ofereceu revelações a mais da parte de Deus, que Salomão a seu tempo não teve.

O templo, de pedra, ouro, madeira e prata, construído por Salomão, já não precisaria mais ter a mesma importância, pois é Jesus que passara a ser, em si mesmo, o próprio templo, revelação que foi nos dada quando ele afirmou: “Destruí esse templo, e em três dias eu o reconstruirei” (João 2, 19).

Esse “novo” templo também já foi terminado, com a morte e ressurreição Jesus, muito embora ele continuasse, sempre, em contínua expansão. Este é, ainda hoje, o verdadeiro templo de Deus, não passageiro, não temporal e suscetível a ataques e destruição, mas eterno, e ainda não apenas instalado no reino de Israel, ou no território de qualquer outra nação ou sob a denominação de qualquer outra instituição humana, mas sim, no próprio Reino de Deus.

Esse templo é o que o próprio Jesus chama de “a minha igreja”, a igreja de Jesus e que é Ele próprio, adicionado ainda de cada ser humano que a Ele se ligue, formando um único corpo, um único templo.

Em Mateus 16:18 encontramos Jesus dizendo que edificaria a sua igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Em I Coríntios 3, do verso 9 em diante, vemos a igreja como sendo um edifício  figurativo construído sobre o fundamento que é Cristo e que quando nos ligamos a Cristo, tornamo-nos, nós mesmos, também templo Deus e que é esse o templo que Jeová protege, pois é nesse templo que habita o Seu Espirito.

Em todo o Novo Testamento vemos que Jesus continua a se manifestar através da igreja, que é Ele próprio, a videira, juntamente com cada ser humano, que passa a se ligar a ele, como ramos da videira, formando assim um único templo, e que já não é mais nós que vivemos (em nós mesmos), mas Cristo que passa a viver em nós (Gálatas 2:20).

Em Efésios 3:10 vemos que através da igreja Deus tem manifestado a todos, inclusive às potestades e principados nos lugares celestiais, a Sua sabedoria, que é multiforme. Paulo, inspirado, ensina: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.” 1 Coríntios 12:11-12

Assim é a natureza de ser espiritual Jesus. Havia a necessidade dessas duas naturezas em Cristo. Para que o projeto de salvação da parte de Deus se concretizasse, era necessário que o sacrifício do Messias representasse um sacrifício de valor infinito, a ser pago em nosso resgate. Para isso Ele tinha que ser a própria perfeição, a primícia de toda criação, o verbo que havia no principio, junto a Deus, o filho unigênito, todo especial, de Deus, que foi tornado carne e oferecido em sacrifício. Ele é O Filho e O Templo, e nós nos tornamos como filhos ao nos unirmos a Ele, tornamo-nos membros do templo que Ele é. Não há outro caminho, ninguém dentre nós se chegará a Deus sem estar ligado a ele,

Falando, ainda, sobre sua própria natureza espiritual, Jesus interrogou os fariseus que estavam reunidos, dizendo: “Que pensais vós do Cristo [Messias]? De quem é filho? Responderam-lhe: De Davi. Replicou-lhes ele: Como é então que Davi, no Espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos de baixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém podia responder-lhe palavra; nem desde aquele dia jamais ousou alguém interrogá-lo.” (Mateus 22:42-46)

O Cristo esteve como homem, mas não era, de modo algum, tão somente um homem. Mas o Cristo que é da natureza espírito e o Cristo foi da natureza carne É, sem dúvida, uma única e mesma pessoa, um único e mesmo ser, que por um relativamente curto espaço de tempo teve a sua natureza “modificada” de espiritual para carnal, na “forma” de um ser humano, que foi filho do homem, Jesus de Nazaré, o filho de Davi.

Apesar de Cristo nunca ter deixado de ser quem ele sempre foi, ao ser mudado para a forma humana, ele foi ligado a essa natureza que modo que ele não podia mais ter acesso a poderes associados exclusivamente a sua natureza de ser espiritual. Isso tem inúmeras implicações e, como exemplo, cito duas que considero importantes:
  • A de que “fenômenos sobrenaturais”, ou seja, os denominados milagres, acontecem “naturalmente”, emanados do poder do Espírito de Deus e causados por uma petição de fé, que pode partir de qualquer ser humano crente neste poder. Jesus, não apenas intercedeu por vários milagres, muitas vezes deixando bem claro ao agraciado que “a tua fé te salvou; a tua fé te curou”, como ainda, ensinou aos seus discípulos que qualquer um deles poderia, de modo eficaz, atuar como intercessor por milagre também, exercendo isso com fé, petição, oração, jejum e ação de graças;
  • Que sob a tortura dos soldados romanos, Jesus sentia as mesmas dores que qualquer homem sentiria na carne, não podendo ele evitá-las e nem ao menos amenizá-las, e ainda que, o sofrimento do seu martírio, como virtual homem carnal, foi então, um sacrifício absolutamente real. Jeová entregou, de fato, o seu amado unigênito, desprovido da realeza espiritual (estando virtualmente  preso a carne), a um doloroso sacrifício de vida (preço a ser pago), em favor do resgate da raça humana (todas as famílias da terra), suas criaturas especiais (amigos), cônscio de que um ser humano (Abraão) faria exatamente a mesma coisa por Ele, se e quando Ele o pedisse.
O obediente Abraão fez por merecer e o adorador rei Davi cedeu o lugar, por isso nos veio Jesus, que mereceu, por não pecar jamais, e cedeu lugar, entregando toda glória do seu sacrifício ao Pai.

Considerando que Jesus vive desde o princípio e viverá para sempre, a natureza carnal humana que ele assumiu, ocorreu apenas durante um átimo da existência dele. No mundo espiritual, o conceito humano de tempo não existe. O intervalo de tempo que durou a natureza humana de Jesus, vai DESDE UM MOMENTO APÓS a sua concepção, durando ATÉ o momento em que ele ASCENDEU AOS CÉUS.

Sabemos que Jesus foi concebido pelo poder do Espirito Santo, assim como qualquer milagre. De modo que, Jesus não foi concebido por meio de uma concepção convencional, ou seja, com a fertilização ou fecundação, a fusão de dois gâmetas para produzir um novo organismo, como é natural aos seres vivos sexuados, incluindo os humanos.

Os gametas, chamados ainda de células sexuais, são as células dos seres vivos que, na reprodução sexuada, se fundem no momento da concepção, para formar um ovo ou zigoto, que dará origem ao embrião, cujo desenvolvimento produzirá um novo ser da mesma espécie. Os gâmetas têm tipos morfologicamente distintos e o órgão ou o indivíduo que produz o gâmeta de maiores dimensões - o ovócito secundário ou óvulo - tem a denominação de fêmea ou feminino, enquanto que o que produz o gâmeta de menor dimensão, normalmente móvel, é chamado macho ou masculino.

Os gâmetas são células haploides, ou seja, elas têm apenas um conjunto de cromossomas, uma vez que são produzidos por meiose, enquanto que o ovo ou Zigoto, produto da concepção sexuada, resultante da união dos dois núcleos haploides, por sua vez, é uma célula diploide. Células diploides são aquelas cujos cromossomos se organizam em pares de cromossomos homólogos.

O processo de união, ou seja, a concepção em si, salvo raríssimas distorções, só pode ocorrer entre duas células eucarióticas mutuamente compatíveis, ou seja, as quais o conjunto de cromossomas tenham o mesmo número. Assim, para cada característica existem pelo menos dois genes, estando cada um deles localizado num cromossomo homólogo. Diz-se que estas células possuem 2n cromossomos, onde n é o número de cromossomos (número de haploide) característico da espécie em questão.

No caso da espécie humana, n corresponde a 23 cromossomos por célula, pelo que as células somáticas possuem 2n, ou seja, 46 cromossomos. Quando ocorre a fecundação, os 23 cromossomos presentes no espermatozoide juntam-se com os 23 cromossomos presentes no óvulo. As mulheres possuem o último par de cromossomos do conjunto, ou seja, o 23º par, igual a XX onde X é um tipo de cromossomo. Já os homens o possuem como XY, de modo que é isso que determinando seu sexo.

A partir do Zigoto, várias divisões mitóticas vão dando origem a um novo indivíduo (embrião). A quantidade e a distribuição do vitelo (estoque de alimento existente nas células) variam de acordo com o organismo considerado e dependem, inclusive, do tipo de desenvolvimento do embrião.

Existem várias técnicas possíveis a se especular sobre a concepção Jesus, que o tornou um ser humano, incluindo a concepção (fertilização) “in vitro” ou outra ideia correlata qualquer, até mesmo alguma que a nossa ciência ainda nem tenha atingido em termos de conhecimento, e creio que nenhuma delas seria problema, de modo algum, ao poder do espirito santo de Deus.

Todavia acredito ser de fundamental importância considerarmos o seguinte: para validar o plano da salvação, Jesus teria que ser aquele mesmo ser, que antes esteve junto a Deus que era O Filho de Deus e não necessariamente ser um filho consanguíneo de José, descendente consanguíneo de Davi e de Maria.

Eis ai o grande mérito de Davi: ele já havia concedido toda a glória do seu próprio trono a Deus, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Por aquele pacto, Davi aceitou adotar O Filho de Deus, como seu próprio filho.

Já sabemos que após a fecundação (fertilização) forma-se o zigoto. A partir desse momento inicia-se a divisão celular para a formação do que a ciência humana atualmente denomina de pré-embrião. Assim, após um ciclo de horas a partir da fertilização teremos pré-embriões com 2 células, após mais um ciclo de horas teremos o mesmo com 4 células, mais um ciclo de horas e teremos 8 células e assim por diante, numa divisão celular em progressão geométrica.

Já, na reprodução assexuada, esta ocorre sem a intervenção de gâmetas. Na reprodução assexuada intervém um único progenitor. Neste caso não existe junção das duas células sexuais ou gâmetas. Assim não existe junção do material genético, por isso os descendentes são geneticamente iguais aos progenitores e nestes casos, diz se que os novos seres são clones do progenitor.

Os casos em que se apresenta a reprodução assexuada são nos conhecidos:
  • Bipartição ou Cissiparidade: um indivíduo divide-se em dois seres, sensivelmente atingem as dimensões do progenitor. Existe em seres unicelulares e em alguns pluricelulares – Planária;
  • Gemulação ou Gemiparidade: nos diferentes casos na célula ou corpo mãe há formação de uma dilatação ou gomos que cresce “colado” à mãe e depois de crescer separa-se. Algumas vezes estes gomos nunca se separam da mãe, criando colônias de indivíduos cooperantes. Existem em seres unicelulares (leveduras) e seres pluricelulares (anémona do mar e hidra de água doce);
  • Esporulação: Neste caso formam-se as células reprodutoras, os esporos, que em condições favoráveis, germinam dando origem, cada um, um novo indivíduo. São exemplos os fungos como o bolor do pão e a penicillium e as plantas como os fetos;
  • Fragmentação ou multiplicação vegetativa: Um animal onde ocorre este tipo de reprodução é na estrela-do-mar. Os cinco braços da estrela partem-se e a partir de cada um forma-se uma nova estrela-do-mar. E, no entanto, no mundo das plantas onde este tipo de reprodução acontece com maior incidência. Vários órgãos das plantas podem enraizar-se e dar origem a novas plantas (begônias, tubérculos, bolbos, rizomas, estolhos, açucenas e tulipas);
Independente da reprodução ser sexuada ou assexuada, existe, sempre, um conjunto de cromossomas característicos de uma dada espécie, o cariótipo. O cariótipo humano normal é composto por 46 cromossomas, associados em 23 pares de cromossomas.

Desde modo, o poder do Espirito Santo de Deus precisaria, tão somente, produzir por algum tipo de reprodução assexuada, a partir do próprio Deus, um zigoto de espécie humana, um ser de uma única célula diploide, e Jesus estaria já concebido, para em seguida, implantá-lo no útero de Maria, onde a natureza já criada, se incumbiria de dar continuidade, com a clivagem (divisão celular), produzindo o feto.

Ora é sabido que os demais seres espirituais criados por Jeová, a saber, os anjos, não tem sexo. Ora, por que duvidar de qualquer coisa a esse respeito, se a nós mesmo, seres humanos mortais, é dada a oportunidade de estarmos, com nosso limitado conjunto de conhecimentos, com os nossos experimentos, chegando, cada vez, mais próximo disso, mesmo não sendo isso por nosso próprio mérito, mas por permissão do Senhor.

Jesus, o Cristo, morreu como morre um homem, e tinha que ser assim pois, como homem ele precisava vencer a morte e ressuscitar. Deste modo Jesus reapareceu aos discípulos, em carne e osso e só deixou de ser humano quando ascendeu aos céus, mas o seu corpo tão pouco, ficou entre nós, e este é um novo mistério do poder do Espírito de Deus, o qual nós ainda não estamos habilitados a conhecer.

Além do mais, por mais que tenhamos avançado em nossa ciência humana, o tudo continua sendo para nós, ainda do mesmo modo, como escreveu Shakespeare em sua peça Hamlet, a tragédia da dúvida e do desespero do solitário príncipe e da violência do mundo (a peça mais representada e estudada até hoje): “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”.

O que importa é que estejamos certos, crentes e conscientes de que foi, de fato, O Filho de Deus que se fez carne e habitou entre nós, de que ele foi o Messias da promessa, e que com seu sacrifício perfeito nos atrai a ele, para que nós com ele nos unamos, como nosso único meio possível de salvação.

Que a graça do Senhor Jesus seja com todos.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Deus e a Escravidão Humana


A escravatura é um fenômeno humano que se dá desde os primórdios da humanidade, e que consiste na prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro, considerado escravo. Surgiu devido à necessidade social de hierarquizar as comunidades (mandantes e mandados). Para que uns pudessem gozar de certos privilégios, outros teriam que trabalhar arduamente e por vezes serem forçados a abdicar da sua liberdade, tudo isto em prole da organização e bem-estar da sociedade em que se inseriam.

Várias civilizações, algumas consideradas evoluídas para o respectivo período histórico, fizeram uso da escravatura e só após vários séculos sob o jugo desta prática, foi que tomaram consciência de que esta não era viável, nem moral, nem economicamente, abolindo-a legal e oficialmente.

Porém, é do conhecimento geral que a escravatura não se deu por finda com os decretos de lei proclamados, nem com as inúmeras manifestações a propósito. A escravidão é uma cicatriz na história da humanidade, uma violência ao mais fundamental direito da uma criatura humana e a liberdade, além de conduzir a uma ignorância desmedida toda uma sociedade. Este fenômeno persiste, até aos nossos dias, tomando por vezes rostos diferentes e camuflagens mais eficazes.

Com relação ao conceito de Deus sobre a escravatura, poderemos observar no transcorrer dessa dissertação que Ele odeia a escravidão, assim como odeia, também, outros costumes errados, comumente praticados por nós, seres humanos. A prática da escravidão é odiosa a Deus, assim como também é odiosa, por exemplo, o divórcio de casais, todavia, não obstante a vontade contraria de Deus, nós persistimos em praticar tais coisas, as quais sempre se revelam danosas a nós mesmos, de modo recorrente, por longos séculos de experiências mal sucedidas, até os dias de hoje, em vários cantos da terra.

A cerca do divórcio a Lei Mosaica deu instruções específicas de procedimentos, o que motiva algumas criaturas humanas, as quais são movidas por suas genuínas inimizades com Deus, a fazer uso de tal fato para, astutamente, acusá-lo de ser apoiador do divórcio. O novo testamento relata que houve ocasião em que os fariseus tentaram o Senhor Jesus com esse assunto, de modo que até mesmo alguns dos seus próprios seguidores mais leais, caíam nos ardis desse engano. Isso se encontra na narrativa do livro de Mateus 19, onde eu ressalto os versos de 7-10:

“Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?
Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”

Reparem bem, que é como eu disse, até os próprios discípulos de Jesus, se sentiam tentados por tais dúvidas, lançadas por aqueles que semeavam, na época, uma ignorância desprezível, pela Palavra de Deus e, assim como o povo já haviam feito antes, em outras ocasiões, mais uma vez, eles murmuraram contra o arranjo de Deus, dizendo: “Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.”

Deus nunca desejou que os casais humanos se divorciassem e isso fica claro pois “ … ao princípio não foi assim!”, mas o divórcio entrou no seio da humanidade por nossa própria culpa e responsabilidade, sendo, de fato, mais uma rebeldia nossa, desde a tenra idade da humanidade, contra o arranjo de Deus para os casais humanos. Jeová já havia orientado antes “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.", no livro de Gênesis 2:24, todavia, infelizmente, o divórcio se tornou prática costumeira entre os humanos, e perdura até os nossos dias, por que crêem os humanos, não convir ficar sem isso.

Mas Jeová, que é o Deus do amor, não se fez de rogado e usou aquele momento mais delicado do êxodo do povo Hebreu para disciplinar o comportamento de todos nós sobre tal questão, “por causa da dureza de nossos corações”. Se queremos nos divorciar, que vivamos, então, sob a pena de leis e não sob a sua graça. Todavia, a graça era da vontade de Deus, mas dessa graça nos afastamos por rebeldia, ficando ela reservada, tão somente, como prêmio a fé obediente, que pouco se achava presente em meio a um povo que opta viver em divórcio e não considera a orientação monogâmica e heterossexual de Deus.

Já, no que diz respeito a escravidão, antes de tudo, eu mesmo devo adiantar que sou escravo do Senhor Deus. Todos os que o servem, por mais que seja de livre e espontânea vontade, compreendem que são comigo, co escravos do mestre Jesus. De fato, todos os malefícios que entraram e ainda entram no desenrolar da história de sobrevivência da humanidade, são derivados da grande dificuldade apresentada por essas racionais criaturas de Deus, em compreender ou aceitar o direito a soberania do todo-poderoso criador.

Sou, sim, escravo, entretanto, o sou com deleite, pois o jugo do meu Senhor é leve e em nada me explora, antes, me sobre ergue, me refrigera, me protege e me acalanta. Eu não me sinto de forma alguma, como que sendo explorado por Deus, em coisa alguma e, não obstante a minha natureza pecaminosa, como a de um ser humano qualquer, eu não consigo compartilhar dessa dificuldade, em aceitar a condução soberana dEle, sobre a minha vida, antes, porém, me sinto honrado por tal soberania.

O senhor Jesus disse, no livro de Mateus 11:28-30 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve." Este é o verdadeiro convite de Deus para que, todos nós, nos tornemos seus escravos.

Eu não sou o único a me alegrar em aceitar tal convite para ser um escravo assim, fiel e discreto. O Apostolo Paulo escreveu em I CO 9:27 “mas, surro o meu corpo e o conduzo como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser de algum modo reprovado.”, de modo que, ser escravo de Deus, é, antes de tudo, eu mesmo estabelecer o meu autodomínio, exercendo a sábia opção, daquilo que me convém, que é o de moldar-me ao exemplo de Jesus. Diferentemente de outros tipos de senhorios que eu conheço, o meu Senhor não é exigente, ao contrário, antes, ele se põe a porta e, educadamente, bate, cabe a mim decidir abri-la ou não, mas o sim se torna em um banquete preparado para mim. Quer servidão melhor que essa?

Quem se faz inimigo da moldagem de caráter proposta pelo Senhor do universo, acaba, no contra fluxo natural, sendo moldado como escravo tão somente para os sistemas de domínio das nações e das sociedades, e das falhas instituições humanas, ou seja, quem rejeita a sujeição a Deus se torna, irremediavelmente, escravo de outros homens e escravos do mundo. Acaba sendo moldado pela força e pela lei, antes que pela graça e pelo amor. Eu também estou sujeito a lei, mas essa de modo algum me aborrece, pois estou moldado àquilo que pode, mais do que a lei. Pela graça desse Deus, mesmo os mais duros juízes da terra, em sua maioria, de um modo ou de outro, o reconhecem e o temem, mesmo que tal juiz seja um homem que opte por não ter parte com Ele.

Alguns dos ativistas da inimizade pela Palavra, nos tempos atuais, tem usado atentar para o texto do livro de Levítico 25:44-46, que diz “Quanto a teu escravo ou tua escrava que se tornam teus dentre as nações que há em volta de vós, delas podeis comprar um escravo ou uma escrava. E também dos filhos dos colonos que residem convosco como forasteiros podeis comprar deles e das suas famílias que estão convosco, que lhes nasceram na vossa terra; e eles têm de tornar-se vossa propriedade.” Eles assim o fazem, para mais uma vez, do mesmo modo como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, acusar Jeová Deus de ser apoiador da escravidão e da exploração do homem sobre o homem. Desesperados com o fato de não conseguirem simplesmente negá-lo como existente, alguns ateus e agnósticos buscam imputar-lhe injustiça, assim como fez, no início, o primeiro rebelde. Mas ora, assim como Deus procurou disciplinar as exceções e a falta de autodomínio dos seres humanos em outras questões, as quais também os próprios homens inventaram, como o mencionado divórcio, por que ele não procuraria, também, disciplinar a ambiciosa humanidade na sua mania egocêntrica de explorar e de manipular o seu semelhante mediante a prática da escravidão?

Sobre um antigo povo que viveu na região denominada Mesopotâmia, os Amoritas (ou Amorreus, 2000 a.C.-1750 a.C.), a Wikipédia diz o seguinte: “Pode-se dizer que as leis destes governantes se baseavam no princípio do olho por olho, dente por dente. Apresenta, ainda, uma série de penas para delitos domésticos, comerciais, ligados à propriedade, à herança, à escravidão e a falsas acusações, sempre baseadas na Lei de Talião ("Olho por olho, dente por dente"). Já sobre os Sumérios e Acadianos que viveram, antes dos Amoritas, naquela mesma região (antes de 2000 a.C.), a mesma fonte diz o seguinte: “Entre os sumerianos havia a escravidão, porém o número de escravos era relativamente pequeno.” Sobre o código de Hamurabi, criado pelos Amorreus (em 1700 a.C. A Wikipédia diz “Suas principais características são: … , divisão da sociedade em classes (os homens livres, os escravos e um grupo intermediário pouco conhecido – os mushkhinum) e … ”.

Assim, a disciplina sobre a prática humana da escravidão, que o Senhor apresentou naquele texto do livro de Levítico mencionado acima, ocorreu, de fato, vários séculos depois que, algumas das sociedades humanas da época, já vinham buscando regulamentar por si próprias. Encontrar um entendimento a lógica da motivação divina para o disciplinamento em questão, é muito simples a quem não é falto de raciocínio: se as sociedades humanas haviam pervertido o coração do próprio homem, para que esse passasse à prática do escravagismo, então, que aquele que era o povo escolhido, no mínimo, o fosse, mas segundo o coração de Deus, a saber: com especial amor e justiça, até que o mover do Espírito viesse a completar uma obra de reconversão, tornando a escravatura humana uma verdadeira abominação ao coração do homem, assim como sempre o foi ao coração de Deus. Além do mais, por dezenas de décadas o próprio povo Hebreu havia vivido como escravo nas terras do Egito e quando o Senhor falou ao povo, ele se aproveitou de um momento em que o coração do povo ainda não havia esquecido aquela tão amarga experiência.

Jeová sabia que, para que os Hebreus se realizassem como nação, assim como era da vontade soberana dEle e como ele prometera a Abraão, o povo Hebreu estava fadado a se lançar, em breve, em uma sequência de guerras de conquistas, arte que também é uma invenção humana. Umas das principais vítimas das conquistas dos Hebreus, viriam a ser os próprios Amorreus, o povo escravagista do “olho por olho dente por dente” e, Ele quis criar no coração dos Hebreus um sentimento de freio, de comedimento, pois eles fatalmente fariam muitos escravos nas conquistas que realizariam. Além do mais, Jeová sabia que a guerra faria seus corações também endurecer, mesmo que a bem pouco tempo, eles mesmos tinham sido libertos da escravidão , pelo poder sobrenatural de Deus, das mão do Faraó do Egito;

Jeová disse, em Êxodo 3:8 “e desci para o livrar da mão dos egípcios, e para o fazer subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel; para o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu.”

A primeira aparição da palavra escravidão, na Bíblia, é justamente quando Jeová vem dar ciência ao seu obediente escravo e amigo Abraão (que ainda era Abrão), sobre as futuras ocorrências quanto a sua descendência, em Ge 15:13,14 lemos: “Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos; sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois sairá com muitos bens.” Repare o conceito de Deus ao dizer “... reduzida a escravidão”: ser vítima de escravatura humana é reduzir-se. Não obstante, Jeová trocou o nome de Abrão (para Abraão), que é uma marca típica de um Senhor sobre o seu escravo, mas uma escravidão para a vida em abastância, para o prestígio e para a vitória, como foi a vida de Abraão, pois ele creu em seu Senhor e isso lhe foi imputado como justiça. Por que não desejaria eu ser escravo sobre tais circunstâncias também?

De fato, mesmo antes de escravizar os Hebreus, os Egípcios já eram, também, escravagistas. A civilização Egípcia foi das primeiras grandes civilizações a optar por este tipo de mão de obra. Várias levas de escravos foram utilizados na construção dos sistemas de conjuntos de pirâmides que “imortalizaram” os seus faraós. Contudo, ao contrário de alguns impérios que a sucederam, os escravos eram bem nutridos e tratados, pois era necessário estarem em boa forma física para efetuarem aquele tipo de trabalho. A Wikipédia menciona “Escravos: cativos ou condenados da justiça, trabalhavam em atividades domésticas, públicas ou religiosas. Gozavam de direitos civis e aprendiam a escrita egípcia.

De fato, o Hebreu José, descendente de Abraão, foi por seus próprios irmãos, vendido a mercadores de escravos que o conduziram ao Egito, onde devido ao seu caráter moldado como escravo de Deus, prosperou. Falsamente acusado por uma mulher traiçoeira, foi preso e condenado pela justiça, mas o seu caráter moldado, novamente o fez prosperar e chegar a ser o segundo homem mais importante de todo império. Antes de morrer, pela vontade do Espírito de Deus, José havia perdoado plenamente seus irmãos, não obstante, naquela mesma ocasião futura narrada no livro de levítico em Jeová disciplinava, não pela graça, mas pela lei, irmãos que vendessem irmãos como escravos passaram passiveis de serem condenados a morte (ver Deut. 24:7).

Aqueles que odeiam a palavra de Deus, odeiam também o que faço agora: que é escrever em defesa de sua legítima soberania e senhoria. Eles não toleram entender como alguém possa fazer questão de se manter como escravo e ainda assim defender isso, com denodo e perspicácia. Eles se esquecem que não foi esse Deus quem inventou a escravatura, na forma como nós humanos a praticamos. Forma humana da pratica da escravatura é sempre desumana, cruel e exploratória, diametralmente oposta a forma de Deus amar e fazer prosperar aqueles que, por desejo, a Ele se fazem escravos. Deus orienta os homens ao equilíbrio, a moderação e ao comedimento, sempre, no mesmo capítulo de levítico usado como base de acusação contra Deus, os versículos imediatamente anteriores, nos dizem:

“Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a terra de Canaã, para ser o vosso Deus. Também, se teu irmão empobrecer ao teu lado e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. Como jornaleiro, como peregrino estará ele contigo; até o ano do jubileu te servirá; então sairá do teu serviço, e com ele seus filhos, e tornará à sua família, à possessão de seus pais. Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como escravos. Não dominarás sobre ele com rigor, mas temerás o teu Deus.”

Um versículo bíblico que resume bem a consideração de Deus para com a forma humana de escravatura, é o que encontramos em Ecl. 8:9: “Tudo isto vi quando apliquei o meu coração a toda a obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro homem, para desgraça sua.” A forma humana de escravidão, do ponto de vista de Jeová, é uma desgraça, tanto para o escravizado, quanto para o escravagista, ela reduz nos a um ponto muito aquém daqueles do propósito da nossa criação. Todavia, existe algo de bom, em os humanos inimigos de Deus persistirem em manter aceso esse assunto, em seu afã de acusar o Senhor: é que de fato, a escravatura continua ainda viva, em nuances surpreendentemente disfarçados. Se não nos atentamos a essas coisas, somos induzidos, sem perceber, a tal escravidão disfarçada e sucumbimos da nossa excelente condição humana de homens libertos e resgatados ao preço do sangue inocente de Jesus.

Os primeiros cristãos eram, em sua maioria, pessoas de pouca influência, muitas vezes escravos. Eles não tinham liberdade para pregar o evangelho dentro da intolerância religiosa que reinava nas terras e nações dominadas pelo império romano. O crescimento inicial do cristianismo se deu principalmente pelo "testemunho informal". É verdade que os registros antigos mencionam, com frequência, o zelo e coragem dos primeiros cristãos ao testemunharem a sua fé, todavia o império romano não permitia que grupos de cristãos ficassem visitando persistentemente as casas de cidadãos romanos, tentando convertê-los ao monoteísmo e incentivá-los a deixar a adoração dos "deuses". Uma atividade assim certamente chamaria a atenção das autoridades e a repressão vivia como certa. Assim o cristianismo crescia entre os pobres, deserdados e escravos, principalmente, para depois, aos poucos, ir emergindo na conquista dos senhores dos escravos.

Mesmo com alguns ricos tendo se convertido ao cristianismo, o cristianismo cresceu especialmente dentro da humilde classe escravista e proletária, como mencionam os autores a seguir:

"O problema das fontes do cristianismo distingue-se pela sua extrema complexidade. A cristandade surgiu no seguimento das relações políticas e sociais existentes sob o regime escravista." – A Origem do Cristianismo, de Iakov Lentsman, edição de 1985, editora Caminho, Portugal, p. 33.

"O filósofo grego Celso escarnece da nova religião porque seu fundador teve como mãe uma trabalhadora e como primeiros missionários alguns pescadores da Galileia. Pela mesma época, os pagãos zombam das comunidades cristãs porque [são] formadas principalmente por pessoas de condição humilde. O Evangelho, ironizam eles, exerce sua sedução somente sobre 'os simples, os humildes, os escravos, as mulheres e as crianças". Taciano traça o retrato do cristão de seu tempo: ele foge do poder e da riqueza e é, antes de tudo, 'pobre e sem exigências'. " – A Vida Cotidiana dos Primeiros Cristãos (95-197), editora Paulus, 1997, de A. G. Hamman, p.41.

Os escritores da Antiguidade não mencionaram uma sistemática pregação dos primeiros cristãos fora dos próprios recintos em que eles habitavam, porque ela simplesmente nunca existiu (obviamente excetuando-se os atos missionários de alguns dos apóstolos e de outros poucos coordenados por estes). Um dos motivos é porque os cristãos do início eram, em sua maior parte, ou escravos, ou desvalidos, ou ambos, não tendo a liberdade necessária para pregarem periodicamente e em público. E não somente devido à sua condição social, mas também por causa do rígido sistema de governo romano, que dificilmente permitiria essa atividade. Assim, traduzidos para termos tupiniquins, o cristianismo original se desenvolveu, essencialmente, como uma “religião de senzala” e, salvo raras exceções apostólicas, não era preciso que os primeiros cristãos se expusessem em demasia, pois o próprio Espírito de Deus se encarregava de apontar os caminhos e lhes supria da necessária mobilidade, a quem era merecedor de fazer a obra ou de receber a graça.

Não obstante, foi e tem sido, pelo exclusivo poder de Jeová Deus, que a videira jamais deixou, de modo algum, de multiplicar em número, continuamente, os ramos a ela ligados, e os ramos, ligados a videira, sem a qual, em verdade, nada poderiam fazer, de multiplicar a produção dos frutos, unicamente para ornamento de glória da própria videira, como é da vontade e do agrado do dono da vinha.

O apóstolo Paulo, escravo do Senhor Jesus, completa e arremata a questão: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!”

Paz e serenidade a todos!
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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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