domingo, 24 de julho de 2011

CPI do BANESTADO (2003): Quando o PT do Lula perdeu sua grande chance (e passou a dar mole para os Mega Corruptos).


(última atualização: 12/2018, publicado originalmente em meados de 2011)

Escândalo do Banestado foi um esquema de corrupção envolvendo empresários, políticos e doleiros para o envio de dinheiro ao Exterior, via as famigeradas e hoje inexistentes Contas CC5.

A Comissão Parlamentar (Mista) de Inquérito (CPI) de Evasão de Divisas, ou CPI do Banestado foi criada pela Câmara dos Deputados em 26 de Junho de 2003, a fim de investigar as responsabilidades sobre a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais, entre 1996 e 2002, quando foram retirados indevidamente do país mais de 30 bilhões de dólares através de contas CC5 do Banco do Estado do Paraná ou Banestado, segundo estimativas reveladas pela operação Macuco, realizada pela Polícia Federal.

As fraudes foram descobertas na segunda metade dos anos 90 e posteriormente investigado pelo juiz federal Sérgio Moro (o mesmo da Lava Jato). Dentre os inúmeros golpes que o Brasil já sofreu em sua história, à época, o caso se revelou como um dos maiores planos criminosos já montados no País e, recentemente, o caso foi relembrado como ponto de partida da nova série de José Padilha para a Netflix "O Mecanismo".

Um dos personagens (reais) principais daquele escândalo é o mesmo que depois reapareceu na Lava Jato: o doleiro Alberto Youssef. Ele era o responsável por enviar o dinheiro obtido de forma ilegal a outros países usando dados de "laranjas". O principal destino dos recursos eram as contas na agência do Banco do Estado do Paraná (BANESTADO) em Nova York.

Os montantes desviados, estimados na casa das dezenas de bilhões de dólares, foram transferidos a partir de 1996, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), segundo as investigações (saiba detalhes pela ISTOÉ - DINHEIRO). Contudo, na série O Mecanismo, o caso só é mostrado com seus desdobramentos a partir de 2003, já no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causando na opinião pública uma distorção de fatos históricos, que só ajuda aos canalhas e corruptos mores do Brasil a dar continuidade permanente ao sistema iníquo que produz a corrupção.

Não obstante o fato à época do governo petista, foi instalada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo, e que em um ano e meio de investigações, o relatório indicou o indiciamento de 91 pessoas (ver nota 1, no final) por crimes contra o sistema financeiro, sonegação, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ativa, fato lamentável foi que, ao assumir as rédeas do poder executivo federal em 2003, o PT - Partido dos Trabalhadores - fez uma opção pela continuidade (ou, pela "governabilidade"), e não pela ruptura com os antigos regimes corruptos, consequentemente ajudando a enterrar aquilo que deveria ter sido os desdobramentos judiciais da CPI do Banestado.


Disse-me também o SENHOR: Toma uma ardósia grande e escreve nela de maneira inteligível: Rápido-Despojo-Presa-Segura. Tomei para isto comigo testemunhas fidedignas, a Urias, sacerdote, e a Zacarias, filho de Jeberequias. Fui ter com a profetisa; ela concebeu e deu à luz um filho. Então, me disse o SENHOR: Põe-lhe o nome de Rápido-Despojo-Presa-Segura (ou "Apresse o Espólio, Acelere o Saque"). Isaías 8:1-3.

Estes versos da Bíblia, referentes ao nome dado ao segundo filho do profeta Isaías (Maher-shalal-hash-baz), refletem em sua simplicidade, um princípio básico da estratégia da arte da guerra. Havendo oportunidade, os combates devem ser rápidos, a vitória fulminante e com o menor custo possível.

O governo Lula teve esta oportunidade, de liquidar e fazer calar a seus opositores políticos. A batalha, que não houve, era contra o PFL e seu aliado, o PSDB. O momento foi a CPI do BANESTADO, o ano o de 2003, auge do capital político e popularidade de Lula.

Naquela conjuntura, o Planalto preferiu negociar a aprovação da reforma da Previdência, transformando em pizza mais um escândalo de evasão de divisas do país (o segundo maior de toda a sua história): Afastou o delegado José Francisco de Castilho Neto e sua elogiadíssima equipe de peritos e agentes. Estes federais ganharam o respeito rastreando o caminho do dinheiro, indo investigar nos Estados Unidos: O prêmio ao retornarem para o país, foi o descrédito e a geladeira.

Lula tinha a faca e o queijo na mão, mas escolhera mal seus executores, pois fez alianças por dentro do mundo policial com o grupo anterior. E ainda, apenas para manter o padrão de sua trajetória política, hesitou em atirar na hora certa. Dois anos depois, chorou a chance perdida e quase viu tudo ruir, com a CPI do mensalão.

Na frente operacional, escolheu um grupo de confiança continuísta. A começar pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), indicado pelo ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e respaldado pelo PFL. O delegado Paulo Lacerda, foi mais um dos federais fiéis ao grupo de Romeu Tuma, sendo que o próprio Lacerda fora assessor parlamentar de Tuma por longos seis anos. A gestão e presença de Romeu Tuma foi um divisor de águas dentro da mais respeitada e capaz instituição policial do país.

O ex-diretor do DOPS de São Paulo deparou-se, há 26 anos atrás, com uma PF civil, judiciária, altamente operacional, em vias de sindicalização e com ideologia constitucionalista. Para amparar-se, apoiou-se num tripé: - as prerrogativas dos militares; - a lealdade ao Palácio do Planalto; - a cobertura aos delegados da velha guarda. Boa parte dos conflitos internos da PF tiveram aí a sua origem.

Para culminar os erros, a lealdade da PF não foi inteiramente garantida. Muito em função de dois movimentos do titular do MJ:

O primeiro foi a demissão, ainda em 2003, de Luís Eduardo Soares, homem com trânsito nas federações e sindicatos de peritos e agentes, e apoiador destes servidores na mudança da Lei Orgânica, que rege a Polícia Federal. Caso a alteração fosse aprovada, a PF teria implantado o modelo do FBI, com academia e cargo inicial únicos. Seria o fim dos poderes atribuídos aos delegados, completando a medida iniciada com a Constituição de 1988, que já retirara destes o poder de prender para averiguação.

A segunda foi o endurecimento na greve dos agentes, papiloscopistas e peritos federais, iniciada em abril de 2004. Com a derrota do movimento grevista da PF, os setores mais ativos da corporação se distanciam do governo, entregando-o à própria sorte. Lula ficou, então, à mercê da vontade política da dupla Romeu Tuma e Paulo Lacerda, e seu corpo de diretores, superintendentes e delegados leais aos “velhos tempos”.

Não por acaso, a montagem do flagrante nos Correios, que deu inicio a CPI do mensalão, partiu da ABIN. Se fosse apenas um caso de corrupção, uma sindicância aberta e posteriores investigações da PF resolveriam o assunto. Com o flanco operacional desguarnecido, puseram a bomba relógio chamada Maurício Marinho no colo de Roberto Jefferson. Este, ao ver-se abandonado pelo então chefe de governo José Dirceu, a atira de volta. A partir daí a história já é mais do que conhecida.

Voltando ao flanco político, especificamente ao Congresso e a CPI do Banestado, observamos o seguinte:

Sem vontade política para apurar, com medo de desagradar ao sistema financeiro, apavorado com a hipótese de pôr grandes instituições em rota de colisão com o Banco Araucária e o Banestado na gestão do governador Jaime Lerner (PFL-PR), a maioria do governo concorda em arquivar a CPI.

Vale lembrar, investigações preliminares indicaram um desvio de mais de US$ 30 bilhões de dólares entre roubo aos cofres públicos e evasão de divisas através das famosas contas CC-5. Ainda assim, Sarney e Mercadante prepararam a pizza. Dois anos depois, os ventos mudaram e a pizza azedou. Tivessem emparedado o senador Jorge Bornhausen (PFL/SC), este teria renunciado e não partido para cima do governo, conforme o mesmo declarou, disposto “a acabar com essa raça petista”.

Vale lembrar, em 2003, o governo Lula tinha um rolo compressor no Congresso. Para demarcar o terreno da rinha, uma esporada precisa alcançava e resultava. Não precisaria nem ressuscitar investigações arquivadas no governo FHC, tais como: a compra de votos para a emenda da reeleição; a fraude no leilão do Sistema Telebrás, conhecido como o grampo do BNDES; a CPI do sistema financeiro, quando Salvatore Cacciola pagou o pato sozinho por mais de 1.200 pessoas físicas e jurídicas que lucraram, e muito, com a desvalorização do Real; isso sem falar em privatizações escandalosas como a da Cia. Vale do Rio Doce. Bastava um tiro e este não foi dado.

Um dos problemas da “esquerda”, quando ela se posiciona mais à direita, é o fato desta nova fração de classe dirigente, tentar se confundir e entrosar com a direita orgânica. Os operadores políticos do governo podem querer fazer parte do time, mas destes, só Palocci entrou pra valer, na ocasião, para o clube dos eleitos e favoritos. Os demais são uma moda passageira, que ao primeiro descuido, serão combatidos com a tenacidade de sempre. A equipe original de Lula (e de José Dirceu) confundiu-se com a direita, lavando o discurso, rebaixando a plataforma e até adotando alguns de seus métodos. Só esqueceu do principal, de assegurar com tenacidade a vitória, quando esta esteve a cair de madura (Maher-shalal-hash-baz, dizia-lhes, mas não ouviram ao Senhor)

Tamanha displicência em um governo com políticos tão experientes, recheado de ex-guerrilheiros, é quase inexplicável. Basta recordar o que fez José Serra em 2002 para entender o que dizemos. Com um tiro certeiro, Serra tirou a aliada Roseana Sarney do páreo. Bastou rosnar para os correligionários Paulo Renato e Tasso Jereissati e os dois tiraram o time de campo.

A CPI do Banestado foi a batalha que o governo Lula, em nome da pressuposta governabilidade, abdicou de ganhar. Isso não custou a amarga mazela do governo e do partido se esvair em sangue, pouco a pouco, com funeral em 2006, como pretendiam seus reais adversários (o PT hoje, diante de toda incredulidade, se encontra na 3º gestão presidencial consecutiva, o que lhes aumenta ainda mais a estupidez), todavia, custou de certo, ao partido e particularmente ao Sr. Luiz Inácio da Silva, o direito de mudar verdadeiramente, do ponto de vista político, a história do Brasil. Nunca mais o PT teve ou terá outra chance igual ... nunca mais!

Uma consequência de tanta complacência injusta, fez resultar no alongamento da história do doleiro do Banestado (escândalo de corrupção originado no tempo do governo do PSDB), chegando praticamente incólume ao Petrolão, passando pelo Mensalão (estes últimos, ambos escândalos de corrupção da era petista), a longa ficha corrida do "fora da lei profissional" Alberto Youssef, especialista em roubar o Brasil (junto com banda podre dos políticos) e sempre fazer "bons acordos" com a Justiça.

Veja, também, o complemento deste artigo em: CPI do Banestado: Quando o PT do Lula perdeu sua grande chance! (Entenda o que foi "Um dos Maiores Golpes Econômicos da História do Brasil")

Notas:


  1. O relatório final da CPI, de autoria de José Mentor (do PT, ver nota 2) pedia o indiciamento dos 91 suspeitos, dentre os quais, Gustavo Franco, presidente do Banco Central no governo tucano, e Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo, e Samuel e Michel Klein, donos das Casas Bahia. Tentando desbaratar o esquema, o Ministério Público denunciou ainda o senador Jorge Bornhausen, à época presidente do PFL (atual DEM).                                                                                                                                                                                                                         .
  2. Com fim da CPI do Banestado de um modo inócuo aos suspeitos acusados, mantendo intocado o sistema iníquo, dois anos depois José Mentor passaria da condição de acusador para a de acusado, primeiro no mensalão, e prosseguindo como acusado, até os dias de hoje, com seu nome compondo a Lista de Janot). O desempenho do relator da CPI, o deputado José Mentor, foi bastante criticado, sendo ele acusado por alguns parlamentares de ter sabotado a CPI. Mentor foi autor também de um polêmico projeto que se aprovado daria anistia a todas as pessoas que enviaram ilegalmente para o exterior. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, criticou duramente os resultados da CPI: “Fica frustrada a votação de seu relatório em função de pura briga política de políticos que ficaram todo o tempo sob holofotes, me parece tentando apenas captar vantagens eleitorais e não com o objetivo de prestar um serviço à nação”

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dons e milagres: O sobrenatural no cristianismo.

.

Muitos dos que defendem o cristianismo estão divididos em suas opiniões. Alguns aceitam como fatos os relatos bíblicos sobre os milagres realizados por Jesus ou pelos servos de Deus dos tempos pré-cristãos.

No entanto, muitos concordam com o reformador protestante Martinho Lutero. Sobre ele, “The Encyclopedia of Religion”, diz: “Tanto Lutero como Calvino escreveram que a era dos milagres findou e, por isso, as pessoas não deviam mais esperar que eles ocorressem”.

A Igreja Católica sustentou sua crença em milagres “sem tentar explicar como eles aconteceram”, diz essa obra de referência. Contudo, “a comunidade protestante acadêmica chegou à conclusão de que a prática do cristianismo era, principalmente, uma questão de moralidade (ética protestante), e que nem Deus nem o mundo espiritual se comunicavam ou influenciavam de forma significativa o dia-a-dia do ser humano, criando intensas ansiedades no indivíduo, cujo meio prático de reduzir tomou a forma de um empenhamento sistemático para uma chamada, ou seja, ao trabalho árduo, frugalidade, e autodisciplina, refletindo em recompensas materiais que não são consumidas pessoalmente, mas guardadas e que são reinvestidas. ”.

Outros, professos cristãos, incluindo alguns clérigos, duvidam que os milagres mencionados na Bíblia tenham sido reais. Por exemplo, tome o caso da sarça ardente, mencionado na Bíblia em Ex 3:1-5. O livro “O Que a Bíblia Realmente Diz” explica que vários teólogos alemães não acham que o relato seja de um milagre literal. Em vez disso, eles o interpretam como “um símbolo da luta interior de Moisés contra sentimentos de remorso e intensa dor de consciência”. O livro ainda diz: “As chamas também podem ser vistas como sendo flores que desabrocham repentinamente diante da luz da presença divina, comparada ao Sol”.

Talvez essa explicação não te satisfaça , assim como não satisfaz a mim, então, em que deveríamos acreditar? Será que é realístico acreditar que os milagres realmente aconteceram? E o que dizer dos milagres atuais? A quem podemos perguntar sobre tais coisas?

Ninguém pode negar que a Bíblia relata que, no passado, Deus realizou atos humanamente impossíveis. Lemos sobre ele: “Passaste a tirar teu povo Israel da terra do Egito, com sinais e “com milagres,” e com mão forte e com braço estendido, e com coisa muito espantosa.” (Je 32:21) Imagine, a nação mais poderosa daquele tempo foi humilhada por meio de dez pragas enviadas por Deus, o que incluiu a morte do primogênito da nação. Realmente, foram milagres! — Ex cap. 7 a 14.

Séculos mais tarde, os escritores dos quatro evangelhos descreveram cerca de 35 milagres realizados por Jesus. De fato, tais narrativas sugerem que ele tenha realizado muito mais milagres do que os que foram mencionados. São esses relatos fatos ou ficção? — Mt 9:35; Lc 9:11.

Se a Bíblia é o que ela afirma ser — “a Palavra de Deus” — então você tem um forte motivo para acreditar nos milagres registrados nela. A Bíblia é clara ao mencionar que no passado ocorreram milagres — curas, ressurreições e coisas assim. A Bíblia menciona diversos tipos de milagres, por exemplo: Ex 7:19-21; 1Re 17:1-7; 18:22-38; 2Re 5:1-14; Mt 8:24-27; Lc 17:11-19; João 2:1-11; 9:1-7.

Muitos desses milagres serviram para identificar Jesus como o Messias e provar que ele tinha o apoio de Deus. Os primeiros seguidores de Jesus mostraram dons milagrosos, como falar em línguas e discernir expressões inspiradas (profecias) . (At 2:5-12; 1Co 12:28-31). No início da congregação cristã, esses dons milagrosos foram úteis, no sentido de que eles testificavam aos não crentes que Deus estava usando a congregação cristã, de que ela era aprovada por Deus.

O relato do dia do Pentecostes diz que uma “multidão” de pessoas que passavam por onde os discípulos falavam em línguas perceberam o sinal. Tanto isso é verdade que naquele dia “acrescentaram-se cerca de três mil almas” à congregação cristã. (At 2:5, 6, 41).

Poucos dias depois de morrer e ser ressuscitado, Jesus ordenou a seus seguidores que ‘fizessem discípulos de pessoas de todas as nações’. Ele também lhes disse para serem suas testemunhas “até à parte mais distante da terra”. (Mt 28:19; Atos 1:8). Existiam poucas cópias das Escrituras Sagradas, geralmente, apenas poucos ricos possuíam rolos ou livros. Além do mais, em terras pagãs não havia nenhum conhecimento sobre a Bíblia ou seu Autor, Jeová, de modo que o ensino cristão era transmitido oralmente.

Para que as boas novas tivessem esse alcance, eles precisariam falar muitas outras línguas além do hebraico. No entanto, muitos daqueles primeiros cristãos eram “indoutos e comuns”. (Atos 4:13). Então, como eles poderiam pregar em lugares distantes onde se falavam idiomas de que talvez nem sequer tivessem ouvido falar? O espírito santo concedeu a alguns desses fiéis pregadores o dom milagroso de pregar com fluência em idiomas que eles nunca tinham aprendido.

Nos dias de hoje, os humanos, por terem obtido cada vez mais conhecimento das leis físicas da natureza, conseguiram chegar realizações que anteriormente eram consideradas impossíveis e muitos a isso também chamam milagres (do ponto de vista puramente humano e carnal), de modo que, mesmo hoje, em meio a um mundo repleto de proezas e realizações humanas surpreendentes e de sonhos e desejos fantásticos para o futuro, os milagres genuinamente espirituais, ainda podem ser muito úteis ao serviço do reino de Deus, seja para confirmar que só o Senhor Jeová é Deus, que só Senhor Jesus Cristo é único e suficiente salvador designado por Deus ou ainda para fornecer provas aos não crentes de que Deus está apoiando os seus servos fieis. De fato, a modernidade acaba por fazer com que, as pessoas caiam em incredulidade e estejam se distanciando, ainda, cada vez mais de Deus.

Eu mesmo não posso me esquecer da realidade dos tempos em que eu vivo em meio a humanidade. Estes tempos atuais são caracterizados por uma guerra espiritual intensa, pois “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” — 1Jo 5:19. O pode superior iníquo está habilitado a agir de modo espiritual, de modo sobrenatural, e é relativamente poderoso em nosso meio. Nós só temos chances contra ele, se pudermos sempre contar com o Deus criador amoroso, também de um modo genuinamente espiritual, também de um modo sobrenatural. Sim, nós devemos crer em milagres ainda e só o fato de prosseguirmos acordando para a vida a cada dia, já é um milagre, lembrado que somos pó e só estamos de pé pela misericórdia de Deus.

Existem ainda muitos milagres e sinais de poder, relatados na Bíblia, que estão reservados para ocorrerem tanto juntamente com os acontecimentos atuais, quanto com os acontecimentos futuros da nossa história, assim, Deus nos dá os dons espirituais a fim de edificarmos nestes tempos, conforme a sua vontade. Para que Deus nos agracie com a realização de algum milagre, basta tão somente exercermos genuína fé de que Ele pode assim fazê-lo, termos persistência em pedir e paciência de esperar pelo momento oportuno para Ele. Todavia Paulo explicou que os dons humanos para expressar os milagres de Deus cessariam quando estes não fossem mais necessários.

O capítulo 13 de 1Co fala do amor. O verso 8 diz que o amor jamais acaba, mas as outras coisas acabarão. Nosso conhecimento e tudo que fazemos é incompleto, quando o perfeito vier, isso é, Jesus em sua segunda vinda, aquilo que é incompleto em nós será aniquilado. O texto diz também que em parte conhecemos, ou seja, nosso conhecimento jamais será completo, até que Jesus venha novamente: “O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. ” — 1Co 13:8-10.

Hoje as pessoas têm acesso a várias traduções da Bíblia, bem como a concordâncias e enciclopédias. Milhões de cristãos habilitados estão ajudando outros a obter conhecimento de Deus baseado na Bíblia, de modo que, nos dias atuais, a utilidade do dom de línguas, a mim mesmo parece ser algo extremamente limitado e de pouca relevância. Assim, cabe a pergunta: Quem hoje então, dá evidências de ter um “dom excelente” de Deus e do seu Santo Espírito?

Jesus sabia muito bem que sinal, ou marca, identificaria seus seguidores verdadeiros em qualquer época. Ele nos ensinou sobre isso ao dizer:

“Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos”, disse ele, “se tiverdes amor entre vós”. (Jo 13:35).

De modo que, eu sempre pergunto a mim mesmo: De que me vale, expressar em mim mesmo milagres de Deus, se eu de fato não amo ainda em plenitude e verdade?

“O amor” é alistado como o primeiro aspecto do ‘fruto’, ou produto, do espírito santo de Deus. (Ga 5:22, 23). Portanto, os que realmente tivessem o espírito de Deus — e, assim, o apoio dele — mostrariam verdadeiro amor uns pelos outros. Além disso, o terceiro aspecto do fruto do espírito é “a paz”. Desse modo, os que hoje têm o espírito santo se empenhariam notadamente pela paz e pelo amor, e o fazem ainda com alegria, expressando assim o segundo fruto do espírito que é “o gozo, ou prazer”.

Se estamos vivendo por espírito, continuemos também a andar ordeiramente por espírito. Não fiquemos egotistas, atiçando competição entre uns e outros, invejando-nos uns aos outros. (Ga 5:25-26). Desenvolvamos verdadeiro amor uns para com os outros, mesmo que de modo incompleto e imperfeito, até que venha o que é completo e perfeito!

domingo, 12 de junho de 2011

O Sapo e o Escorpião (Uma “Parábola Africana” Recontada)!


Naqueles dias O Poder Superior Eterno acumulava grande ira por causa da maldade que reinava em toda a Terra e resolveu que era hora de quebrar, para em seguida refazer por inteiro, a sua própria criação.

Então, num repente inesperado e sobrenatural, o dia, que até então era cheio de luz azul e de esplendor de cores, se tornou em sombras e trevas. Surgiram raios e relâmpagos por todo céu. Mas isso era só o começo!

As grandes montanhas passaram a acordar de seu sono milenar e começaram a cuspir fogo sobre a terra e sobre o mar. Chamas ardentes imediatamente tomaram conta de toda a Floresta do Bichos, o principal juntamento de criaturas do planeta.

Em um minuto, aquilo antes, até parecia como um "certo tipo de paraíso", especialmente propício para a prosperidade de aves de rapina, de raposas espertalhonas, e de hienas risonhas, passou a arder em chamas.

Então se ouviu tanto choro, e se viu tanta lágrima, como nunca se ouvira e se vira até então, desde o dia da criação, até aquele dia de grande juízo, pois, até então, lágrimas, mesmo, só se viam nos olhos dos crocodilos, quando estes esforçavam suas mandíbulas, a fim de devorar alguma incauta presa.

Cada criatura passou então a fugir em agonia procurando alguma forma de abrigo. Todos, por instinto, corriam trôpegos em direção ao grande rio, que descia do trono dO Eterno e corria no meio da floresta na margem da qual podia se ver outrora a grande árvore da vida. Um escorpião fêmea corria desesperadamente, pois o fogo a perseguia.

Ela chegou ao fim da linha, pois, logo á sua frente encontrava-se a margem do rio, e ela não sabia nadar! Encurralada entre o fogo e a água, pensou em suicidar-se, enquanto corria, desesperada, em círculos.

Foi quando ela viu um sapo, que se preparava para pular na água e fugir do fogo. Ela então gritou para ele pedindo ajuda e ele então parou, por um instante, sem entender. A escorpião fêmea correu em direção ao sapo que, apesar de ser macho, temeu diante daquela aproximação brusca, pois ele conhecia bem, e instintivamente, a fama dos escorpiões.

Então, mesmo desesperada, a escorpião fez rapidamente seu pedido, com uma voz melosamente afetada:

"Sapo, meu querido sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"

O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo ou louco! Pois você irá me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar nas águas do rio."

Então a escorpião insistiu: "Isso é ridículo, gato! Não tem lógica nenhuma lógica. Se eu te picasse, ambos afundaríamos e ambos morreríamos.”

Como o tolo sapo macho, feio e feliz, demonstrou que vacilava, como se ainda duvidasse do seu próprio instinto, a escorpião persistiu: “Estás equivocado em temer-me. Eu desejo atravessar o rio. É meu interesse que você viva para cumprir isto: ajudar-me a me salvar, atravessando o rio"

Confiando na lógica do argumento da escorpião, que parecia fazer todo sentido, o sapo creditou na sinceridade dela e, diante da urgência da situação, o sapo concordou e passou a levar a escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.

No meio do rio, em plena dramática travessia, a escorpião cravou, de modo resoluto, seu ferrão nas costas do sapo.

Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para a escorpião e perguntou: "Por quê? Por quê? Por que fizeste isso maldita."

E a escorpião respondeu: "Simplesmente por que eu sou uma escorpião e essa é a minha natureza!"

E morreram ambos.



Cada ser humano tem uma índole, uma propensão natural, e ela não muda, a não ser que haja um raro tipo de conversão (não uma conversão típica, mas uma extremamente especial mesmo). Em geral Deus simplesmente permite que pessoas de más índoles sigam em seus destrutivos modos instintivos de viver, e prossigam a caminho de seus fins.

Tal índole, seja boa ou má, é algo que manifesta-se em todas as circunstâncias da vida, até mesmo quando essa manifestação parece contrariar toda a lógica e o bom senso.

Não dá pra ir para a cama com um escorpião sem acabar por ser envenenado e, muitas vezes, terminar encontrando a morte. Quem foi e sobreviveu, pouco importa que outra coisa perdeu, saiba que tem uma enorme dívida de gratidão para com Deus, que interveio para lhe preservar a vida.

Fato é que a pessoa por quem Deus não intervém, e, consequentemente acaba por morrer assim, infelizmente morre pelo resultado das suas próprias escolhas, pois foi ela quem se permitiu, deliberadamente, se envolver com um escorpião. Assim, vale a regra de sobrevivência para quem esteja atravessando um vale repleto de escorpiões: Evite Lugares, Evite Pessoas e Evite Situações de Hábito.

Lembre-se que Deus é para nós como o único verdadeiro amigo, pai e escudo verdadeiro contra todo o mau, para todo e qualquer tempo, em toda e qualquer circunstância, e é Ele quem nos diz assim: 

“Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido;” Pv 5:1. “Porque melhor é a sabedoria do que joias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.” Pv 8:11. “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?” Pv 6:27,28. “Pois a sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” Ec 7:12.

E ele diz ainda muito, muito mais, basta estar atento para ouvir, aprender e corrigir-se:

"Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido; Para que guardes os meus conselhos e os teus lábios observem o conhecimento. Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais suave do que o azeite. Mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois gumes. Os seus pés descem para a morte; os seus passos estão impregnados do inferno. Para que não ponderes os caminhos da vida, as suas andanças são errantes: jamais os conhecerás. Agora, pois, filhos, dai-me ouvidos, e não vos desvieis das palavras da minha boca. Longe dela seja o teu caminho, e não te chegues à porta da sua casa; Para que não dês a outrem a tua honra, e não entregues a cruéis os teus anos de vida; Para que não farte a estranhos o teu esforço, e todo o fruto do teu trabalho vá parar em casa alheia; E no fim venhas a gemer, no consumir-se da tua carne e do teu corpo. E então digas: Como odiei a correção! e o meu coração desprezou a repreensão!" (Provérbios 5:1-12)

Bons momentos a todos e cuidado com nossos escorpiões da vida, eles podem nos destruir em plena recuperação!

Dedicado a Thayanne Oliveira Torres dos Santos, guardiã do portal do cemitério dos muitos sapos, uma terrível (e incurável?) escorpião fêmea.

sábado, 11 de junho de 2011

Análise da Aplicação da Parábola do Sapo e do Escorpião para Adictos em Recuperação:


Cada ser humano tem uma índole pessoal e individual, uma propensão natural, e ela não muda, não pode mudar a não ser que haja a ocorrência um raro tipo de conversão, que somente pode existir por determinação do próprio Deus. Tal índole pessoal e individual, manifesta-se em todas as circunstâncias da vida de cada individuo, até mesmo quando essa manifestação parece contrariar toda e qualquer lógica e o bom senso.

Assim como adicção, que é uma doença incurável, a índole também é uma marca indelével da alma que a transporta. A adicção por algo ruim pode ser estancada, mas normalmente acabamos sempre substituindo um objeto de adicção (ruim) por outro (bom ou menos ruim),no entanto, o tipo índole de alguém não pode ser trocado por esforço ou boa vontade, só por milagre mesmo!

Nos âmbitos tanto da psicologia social, quanto da psicologia jurídica o termo índole ainda é pouco usado e quase nada definido, tem sido preferível usar-se o termo caráter , ao invés de índole, mas o caráter de uma pessoa pode ter várias variantes, como por exemplo, ser dramático, religioso, especulativo, desafiador, covarde, inconstante. Tais variações podem ser inúmeras, mas índole só pode ser boa ou má, assim, índole e caráter são coisas diferentes.

Índole é natureza, remete a instinto, e não é somada às ações do meio, e atinge o seu “tipo” definido desde a concepção, adicção é um transtorno psíquico que não vem com “objeto” definido, ou seja, a adicção só pode virar drogadicção, se a droga causar, de fato, prazer ao indivíduo adicto, todavia, existem outras dúzias de objetos de adição, além das drogas, mas índole, por fim, só por hoje, só tem dois tipos: boa e má!

Assim,, escorpiões são sempre escorpiões, sapos sempre sapos, lobos sempre lobos e cordeiros sempre cordeiros (salvo milagre de Deus, nos quais eu, só por hoje, ainda acredito).

Não da pra ir para a cama com um escorpião sem acabar por encontrar a morte. Quem morre assim morre por sua própria escolha, assim, evite lugares, evite pessoas e evite situações, pois assim fala o meu e o teu Deus:



“Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido;” Pv 5:1. “Porque melhor é a sabedoria do que joias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.” Pv 8:11. “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?” Pv 6:27,28. “Pois a sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” Ec 7:12.

Em certo ponto dos passos da nossa recuperação nós nos sentimos impelidos a fazer reparações diretas à pessoas as quais prejudicamos no nosso passado. Nesta hora, muito adictos em recuperação sinceros entendem que alguns dos que eles prejudicaram, são outros adictos que ainda se encontram na ativa. O desejo sadio e honesto de fazer reparações nestes casos, pode resultar na abertura de oportunidades de recaída.

A palavra do meu Deus, a Bíblia, nos diz: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas ..." Mt 10:16

É exatamente assim, nesta situação desigual, que se encontra o adicto em recuperação nesta hora (ovelha x lobo), e, é exatamente assim, que o adicto em recuperação deve ser armar e preparar (prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas), antes de, de fato, partir para encarar tal circunstância.

Se o adicto em recuperação não estiver plenamente habilitado nesta hora, ele simplesmente será devorado, bestamente, como uma ovelha, que se lança, incauta, em meio a lobos.

Levar a mensagem de recuperação ao adicto que ainda sofre não é nada tão simples, mas levar esta mesma mensagem as um adicto que ainda sofre ao qual nós amamos de maneira especial, quer por laços familiares e / ou afetivos, os quais nos são tão íntimos, que simplesmente não podemos simplesmente descartá-los pela via da regra "evitar pessoas", e cuja persistência em se manterem na adicção ativa, leva-nos, adictos em recuperação, a uma situação inesperada e estranha: nós passamos de dependentes a codependentes. Passamos a sofrer justamente daquilo que, antes, causávamos aos outros: o sofrimento por codependência.

Eu mesmo sofro demais ao tentar levar a mensagem à adictos que ainda sofrem que me são especiais, por não encontrar neles compreensão e boa vontade para a reação de entrega e mudança. Isso, ainda hoje, vez ou outra, ainda me causa raiva. Todavia eu tenho que aprender a aceitar que existe uma verdade, dura, mas existe: “Só podemos modificar a nós mesmos, aos outros só podemos amar!”

Para alguém amar um adicto de forma bem sucedida não é muito simples: é preciso desenvolver uma sabedoria toda especial para filtrar as coisas dessa relação, a fim de que as ações do amor sejam mesmo construtivas.

Essa situação inusitada muitas vezes nós põe confusos, frágeis emocionalmente, e, com isso, se abre uma brecha para nossa própria recaída. Mesmo com boa experiência de sala, ou mesmo de serviço, temos dificuldades em desenvolver um conhecimento exato que nos provenha mecanismos para lidar com a codependência, afinal, esta é uma questão é por demais emocional.

Muitas vezes ainda, o nosso despreparo esta no fato de que nem nós mesmos ainda nos rendemos o suficiente ao nosso Poder Superior, de modo a desenvolver nele fé, para nos firmanos nele em segurança e para nos revestirmos da armadura completa para enfrentar os desafios mais elevados da nossa própria recuperação.

Você adicto em recuperação, meu querido sapo feliz, não seja tolo e considere tudo isso com muita prudência, antes de decidir aceitar tentar carregar nas costas os seus escorpiões traiçoeiros! Antes, faça tudo para ser feliz e livre de ônus de dívidas que lhes imputam, mas que já foram pagas , quando Cristo foi levantado da terra, e nos atraiu a todos!

Tenham todos bons momentos!

domingo, 1 de maio de 2011

Sobre o Poder Superior em Narcóticos Anônimos

O preâmbulo do texto denominado "OS PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS DE NARCÓTICOS ANÔNIMOS" ( literatura original em inglês ainda não aprovada pela irmandade) diz que:

"Há uma coisa que, mais do que qualquer outra coisa, pode derrotar a nossa recuperação: uma atitude de indiferença ou intolerância em relação a princípios espirituais."

Nossa recuperação depende do despertar e do crescimento da nossa espiritualidade, e as nossas vidas dependem de nossa relação com o que acreditamos ser nossa fonte. Os princípios espirituais expressam algumas de nossas idéias mais básicas sobre a espiritualidade em Narcóticos Anônimos. Eles são o alicerce sobre o qual os nossos passos, tradições e conceitos de serviço são construídos. Eles tornam possível a nossa rendição individual e coletiva e nossa dependência de um Deus amoroso da nossa própria compreensão. Eles são as chaves para a nossa liberdade.

Algo muito bom na irmandade de N.A. (Narcóticos Anônimos) é que, apesar pregar que se considera essencial a relação do individuo "adicto em recuperação" com o seu "Poder Superior", eles o fazem de tal maneira a permitir e garantir uma total independência das questões religiosas, ou seja, é orientado que se procure estar em paz com Deus, seja qual for o nome que se dê a Ele, respeitando assim as diferenças individuais e coletivas sobre o conceito de Deus. Sendo assim, tudo que eu considero e apresento aqui, nada mais é que a minha própria experiência individual de relação com meu Deus.

Deus é amor ... e o programa de N.A. é um programa de amor! Deus me ama incondicionalmente e Ele me ensina que nada pode me separar de Seu amor, a não ser a minha própria vontade contraria.

Permitam-me fazer aqui uma analogia: Nós, seres humanos somos como veículos, não somos como motoristas, de modo algum nos iludamos com isso pois, somos mesmo como veículos. O próprio Deus nos alerta de que “não é do homem o seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir os seus passos”. Entretanto. é fato que nós temos vontade própria, algo que Deus nos tem permitido desde a nossa criação: nós podemos fazer escolhas e Deus não nos obriga a amá-lo.

Como criador do veículo da analogia acima (criador de nós humanos), Deus é o legitimo proprietário dele (o nosso legítimo proprietário). Deus sabe como guiá-lo por bons caminhos, sabe como cuidar de sua manutenção. Deus ama o seu veículo e não mede esforços em mantê-lo impecável. Mas não se esqueça, o talo veículo tem vontade própria (como nós, que temos o livre-arbítrio de nossas vidas).

Digamos que um belo dia, depois de “curtir uma brisa" o tal o veículo acorde na "maior nóia", irritado mesmo, e, não deixe o seu proprietário cuidar e fazer uso dele. Não deixa que ele ligue o seu motor, não deixa que ele acenda as suas luzes, não permite que ele abra as suas portas, não deixa que ele sequer se aproxime dele pois, ao que o proprietário, persistindo em lidar com o veículo, tenta abrir o capô a fim de acessar o computador de bordo para reiniciá-lo e recuperar a condição original e adequada daquele veículo, o insurgente chega até mesmo a dar uma arrancada, rugindo alto o motor e cantando os pneus para cima do proprietário, ameaçando atropelá-lo.

Ora, não teria o tal proprietário o legítimo direito de deixar de lado, abandonar mesmo, um veículo tão impertinente? Se o proprietário fosse um outro veículo, na certa estaríamos diante de causa para início de uma guerra, tão comum entre os veículos mas, o proprietário benignamente apenas se afasta, "de boa", pensando em voltar num outro momento, talvez mais propício, a lidar com aquele veículo malvado.

Afastado de seu proprietário, o veiculo diz para si mesmo: "agora, de hoje em diante, eu sou e serei o senhor do meu próprio destino. Só faço o que quiser fazer. Só ando por onde quiser andar". Mas, sem a incômoda presença do motorista o veículo permanece simplesmente parado, o que lhe parece ser muito mais cômodo pois, além de tudo, ele é um veículo preguiçoso, adepto do “dolce far niente”. Parece que o que este veículo gosta e quer mesmo é só de ficar "curtir a brisa".

Só que veio a noite, e com ela outras criaturas, criaturas que se fizeram a si mesma como criaturas das trevas, criaturas que o veículo parecia não conhecer. Assim veio o ladrão e ele viu o veículo ali, parado, “curtindo a brisa”! O veículo até que tentou se defender do ladrão, mas, diferente do proprietário, que educadamente dizia: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo”, o ladrão veio logo metendo o pé com violência pois, “O ladrão não vem senão para roubar, matar, e a destruir”; e, como diz o Chico poeta:

Arromba uma porta
Faz ligação direta
Engata uma primeira
E até
Dobra a Carioca, olerê
Desce a Frei Caneca, olará
Se manda pra Tijuca
Na contramão
Dança pára-lama
Já era pára-choque
Agora ele se chama
Emersão
Sobe no passeio, olerê
Pega no Recreio, olará
Não se liga em freio
Nem direção

Pobre e tolo veículo, era senhor de nada, de nadinha mesmo ... e estava era todo "zuado", confuso e com medo, muito medo! Em apenas uma noite de horror o coitado presenciou e participou de cenas que ele nunca imaginara possível, até um tiro na traseira ele levou.

Mas, no meio da madrugada quando o tanque de combustível secou, o ladrão quis nem saber, abandonou o pobre veículo, lá no Largo da Candelária a mercê de um bando "adictos que ainda sofrem" que lhe arrancaram rodas, bateria, até bancos e outras coisinhas mais. Todo depenado e abandonado o veículo se lembrou de seu dono, de como ele era gentil e atencioso com ele, de como ele era bem cuidado e tratado, e, por fim, de motor cansado e farol baixo, se rendeu antes mesmo de amanhecer!

Pela manhã, quando o sol já ia alto com seu brilho fulgurante, o dono do veículo o encontra em seu local de abandono, o proprietário passa então a chamar os anjos resgatadores, que guincham o veículo a um lugar seguro e ele toma várias providências para o início da recuperação física, mental e espiritual do veículo: o talzinho não é mais insolente agora e, assim, permite tranquilamente que o seu dono volte a cuidar dele.

Bem amados, é assim, como Deus me amou primeiro, eu, em retribuição, escolho "amá-lo também", assim o ladrão não terá poder sobre mim. Se eu amo a Deus eu sou um veículo exclusivo dEle. Isso me convém, pois me dá a garantia que só Ele cuida de mim.

Mas como eu posso dizer que eu verdadeiramente amo a Deus, a quem eu não posso ver, que me é algo difícil a mim compreender, sem eu amar também a você meu irmão e irmã, que se apresenta a mim de carne e osso e a quem eu vejo, pois, ele mesmo ordenou assim: “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força, e de toda a tua mente", e também, "o teu próximo como a ti mesmo".

Será que o veículo aprendeu definitivamente a lição? Será que ele não largará da mão de seu dono por todos os passos que terá que dar na vida? Terá ele recaída de insolência algum dia? Voltará ele o mais rápido possível a recuperação caso venha a recair? Durará o veículo para sempre a fim de poder viver no paraíso dos veículos?

Essas e outras respostas você encontra em … “a vida de todos nós e de cada um, adictos em recuperação”. Rsrsrs!

Só por hoje, o programa de N.A. é um programa de amor! Só por hoje, o programa de N.A. é coisa de Deus! SPH, bons momentos a todos!
Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.