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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Bíblia (que nós amamos!)


(adaptado, principalmente, a partir de importantes textos-fontes de autoria da Sociedade Torre de Vigia, todavia, buscou-se incluir, ainda, ricas informações complementares com base em várias outras fontes cristãs)

A Bíblia, as Escrituras Sagradas, a Palavra inspirada do nosso Deus Jeová, é reconhecida como o maior livro de todos os tempos, tanto devido à sua antiguidade, quanto devido ao total da sua circulação, ao número de línguas para as quais já foi traduzida, à sua extraordinária grandeza enquanto obra-prima literária e por sua extrema importância para toda a humanidade.

Independente de todos os outros livros, ela não imita a nenhum deles, destacando-se pelos seus próprios méritos, dando pleno crédito a seu Autor ímpar. A Bíblia distingue-se também por ter sobrevivido a um longo período da história humana, ainda que envolvida em mais controvérsias violentas do que qualquer outro livro, chegando, até mesmo, a ser odiada por muitos inimigos.

O seu nome, a palavra portuguesa “Bíblia” vem do latim, da palavra grega bi·blí·a, que significa “livrinhos”. Esta, por sua vez, deriva de bí·blos, palavra que descreve a parte interna do papiro, planta da qual se fabricava uma forma primitiva de papel. A cidade fenícia de Gebal ("terra dos gebalitas", Josué 13:5), famosa pela sua fabricação de papel de papiro, era chamada pelos gregos de “Biblos”.

Com o tempo, bi·blí·a passou a descrever os diversos escritos, rolos, livros e finalmente a completa coleção de pequenos livros que constituem a Bíblia. Jerônimo, tradutor da Vulgata Latina, chamou a esta coleção de "Bibliotheca Divina".

Jesus e os escritores das Escrituras Gregas Cristãs, o Novo Testamento, referiram-se a esta coleção de escritos sagrados como “as Escrituras”, ou as “Escrituras sagradas”, “os escritos sagrados”. (Mateus 21:42; Marcos 14:49; Lucas 24:32; João 5:39; Atos 18:24; Romanos 1:2; 15:4; 2 Timóteo 3:15, 16).

Esta coleção é a expressão escrita dum Deus comunicativo, a Palavra de Deus, e isto é reconhecido em frases tais como “expressão da boca de Jeová” (Deuteronômio 8:3), “declarações de Jeová” (Josué 24:27), “mandamentos de Jeová” (Esdras 7:11), “lei de Jeová”, “advertência de Jeová”, “ordens de Jeová” (Salmos 19:7, 8), “palavra de Jeová” (Isaías 38:4; 1 Tessalonicenses 4:15), ‘pronunciação de Jeová’ (Mateus 4:4). Estes escritos são repetidas vezes chamados de “proclamações sagradas de Deus”. (Romanos 3:2; Atos 7:38; Hebreus 5:12; 1 Pedro 4:11).

A Bíblia se encontra atualmente dividida em sessenta e seis livros individuais (Bíblia Reformadas), ou setenta e três livros individuais (Bíblia Não-Reformada), de Gênesis a Revelação, que constituem o cânon da Bíblia. A escolha desses livros específicos, e a rejeição de muitos outros, evidencia que o Autor divino não só inspirou a sua escrita, mas também cuidou meticulosamente da sua compilação e da sua preservação no catálogo sagrado. Assim, a questão que lida com quais livros devem estar presentes na Bíblia denominamos de cânon e, os livros que se candidataram a integrá-la, mas que acabam sendo deixados de fora denominamos livros apócrifos.

Trinta e nove dos 66 livros, que constituem três quartos do conteúdo da Bíblia, são conhecidos como Escrituras Hebraicas, ou Antigo Testamento, tendo todos sido escritos inicialmente nesta língua, com a exceção de alguns pequenos trechos escritos exclusivamente em aramaico, como vários trechos do livro de Esdras, um único versículo de Jeremias e dois versículos em Daniel. (Esdras 4:8-6:18; 7:12-26; Jeremias 10:11; Daniel 2:4b-7:28).

Por combinarem alguns destes livros, os judeus tinham o total de apenas 22 ou 24 livros, todavia, estes abrangiam a mesma matéria. Parece também ter sido deles o costume de subdividir as Escrituras Hebraicas em três partes: ‘a lei de Moisés, os Profetas, e os Salmos’. (Lucas 24:44).

A última quarta parte da Bíblia é conhecida como Escrituras Gregas Cristãs, ou Novo Testamento, assim denominadas porque os 27 livros que compõem esta seção foram escritos em grego. A escrita, a compilação e a colocação em ordem destes livros no cânon da Bíblia também demonstram a supervisão de Jeová, do começo ao fim.

A subdivisão da Bíblia em capítulos e versículos (a Bíblia versão King James tem 1.189 capítulos e 31.102 versículos) não foi feita pelos escritores originais, mas foi uma organização adicionada posteriormente, porém de muita utilidade, que realizada séculos depois. Os massoretas, ou escribas judeus que se dedicaram a preservar e cuidar das escrituras que atualmente constituem o Antigo Testamento, dividiram as Escrituras Hebraicas em versículos; daí, no século 13 de nossa Era Comum, acrescentaram-se, ainda, as divisões em capítulos. Por fim, em 1553, a edição de Robert Estienne da Bíblia em francês, foi publicada como a primeira Bíblia completa, integrando as atuais divisões de capítulos e versículos.


Os 66 livros bíblicos, em conjunto, constituem apenas uma única obra, um todo completo. Assim como as marcações de capítulos e versículos são apenas ajudas convenientes para o estudo da Bíblia, e não visam depreciar a unidade do todo, assim também se dá com a divisão da Bíblia em seções, feita segundo a língua predominante em que os manuscritos nos foram transmitidos. Por conseguinte, temos tanto as Escrituras Hebraicas como as Gregas, acrescentando-se a estas últimas a expressão “Cristãs” para distingui-las da Septuaginta grega, que é a parte hebraica das Escrituras traduzida para o grego.

“Antigo, ou Velho, Testamento” e “Novo Testamento”, são denominação mais atuais mais comuns para se associar, distinguindo as Escrituras escritas em hebraico e em aramaico das Escrituras Gregas Cristãs, respectivamente. Isto se baseia na versão da leitura de 2 Coríntios 3:14 na Vulgata latina e em versões tais como algumas católicas, e na Almeida, edição original. No entanto, a palavra grega di·a·thé·kes presente neste versículo, significa “pacto” ou "aliança", assim como nos outros 32 lugares em que esta palavra ocorre nas Escrituras Gregas Cristãs, de modo que, o mais adequado, é empregar o termo “Antiga [velha] Aliança” e "Nova Aliança".  No entanto, tal qual Jesus e os demais escritores das Escrituras Gregas Cristãs, o apóstolo Paulo também chamou-as, simplesmente, de “Escrituras sagradas”, “Escrituras” e “os escritos sagrados”. (Romanos 1:2; 15:4; 2 Timóteo 3:15).

A tabela anexa no final mostra que foram usados cerca de 40 escritores humanos como "Pena de escrever" para registrar a inspirada Palavra de Deus. “Toda a Escritura é inspirada por Deus”, e isto inclui os escritos das Escrituras Gregas Cristãs, junto com o restante das Escrituras. (2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 3:15, 16).

Esta expressão, “inspirada por Deus”, traduz a frase grega the·ó·pneu·stos, que significa “por Deus soprado”. Por ‘soprar’ sobre homens fiéis, Deus fez com que seu Espírito, se tornasse operante neles e dirigisse o que ele queria registrar, pois, como está escrito, “a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por Espírito Santo”. (2 Pedro 1:21; João 20:21,22).

Este invisível espírito santo de Deus é seu “dedo” simbólico, o seu autor. Portanto, quando homens viram Moisés realizar façanhas sobrenaturais, eles exclamaram: “É o dedo de Deus!” (Êxodo 8:18, 19; Mateus 12:22,28; Lucas 11:20.). Numa demonstração similar do poder divino, o “dedo de Deus” começou a escrita da Bíblia por gravar os Dez Mandamentos em tábuas de pedra. (Êxodo 31:18; Deuteronômio 9:10).

Portanto, para Jeová seria simples usar homens como seus escribas, embora alguns deles fossem “indoutos e comuns” quanto a treinamento escolástico (Atos 4:13), e sem importar se a pessoa era por profissão pastor, lavrador, fabricante de tendas, pescador, cobrador de impostos, médico, sacerdote, profeta ou rei. A força ativa de Jeová colocava os pensamentos na mente do escritor, e, em certos casos, permitia-lhe expressar o pensamento divino nas suas próprias palavras, deixando assim que características de personalidade e individuais se evidenciassem na escrita, mas, ao mesmo tempo, mantendo uma sublime unidade global no tema e no objetivo.

Desta maneira, a Bíblia resultante, refletindo a ideia e a vontade de Jeová, excede em riqueza e em alcance os escritos de meros homens. O Deus Todo-poderoso cuidou de que a sua Palavra escrita da verdade estivesse numa linguagem facilmente entendível e facilmente traduzível para praticamente qualquer língua.

Nenhum outro livro demorou tanto para ser completado como a Bíblia. Em 1513 a.C., Moisés começou a escrita da Bíblia. Outros escritos sagrados foram adicionados às Escrituras inspiradas até algum tempo após 443 a.C, quando Neemias e Malaquias completaram seus livros. Daí, durante quase 500 anos, houve um intervalo de tempo na escrita da Bíblia, até que o apóstolo Mateus escreveu seu relato histórico.

Quase 60 anos depois, João, o último dos apóstolos, contribuiu com o seu Evangelho e três cartas para completar o cânon da Bíblia. Assim, ao todo, estava envolvido um período de cerca de 1.610 anos na produção da Bíblia. Todos os co-escritores eram hebreus, e, por isso, eram parte daquele povo ‘incumbido das proclamações sagradas de Deus’. (Romanos 3:2)

A Bíblia não é um agrupamento ou uma coleção desconexa de fragmentos heterogêneos da literatura judaica e cristã. Antes, ela é um livro organizacional, altamente unificado e interligado nos seus diversos segmentos, o que deveras reflete a sistemática qualidade ordeira do próprio Criador-Autor.

Os tratos de Deus com Israel, em dar-lhe um abrangente código de leis, bem como regulamentos governando assuntos até nos mínimos pormenores da vida em acampamentos — coisas que mais tarde se refletiram no reino davídico, bem como no arranjo organizacional entre os cristãos do primeiro século — refletem e magnificam este aspecto organizacional da Bíblia.

No seu conteúdo, este Livro dos Livros nos revela o passado, explica o presente e prediz o futuro. Estes são assuntos de que somente Aquele que conhece o fim desde o princípio poderia ser o autor. (Is 46:10).

Iniciando pelo princípio, por falar da criação do céu e da terra, a Bíblia fornece então um amplo relato dos eventos que prepararam a terra para a habitação do homem. Daí, revela-se a explicação verdadeiramente científica da origem do homem — que a vida provém somente de um Dador da vida — fatos que somente o Criador, agora no papel de Autor, poderia explicar. (Gênesis 1:26-28; 2:7).

Junto com o relato de por que os homens morrem, introduziu-se o tema dominante que permeia a Bíblia inteira. Este tema, a vindicação da soberania de Jeová e o derradeiro cumprimento do seu propósito para com a terra, por meio do seu Reino sob Jesus Cristo, a Semente, o Messias  Salvador prometido, estava envolvido na primeira profecia a respeito do descendente (semente) da mulher. (Gên 3:15).

Passaram-se mais de 2.000 anos antes de se mencionar de novo esta promessa duma ‘semente’, Deus dizendo a Abraão: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio do teu descendente.” (Gên 22:18) Mais de 800 anos depois, deu-se renovada garantia ao Rei Davi, descendente de Abraão, e, com a passagem de mais tempo, os profetas de Jeová mantiveram, de modo fulgurante, acesa esta chama de esperança. (2 Samuel 7:12, 16; Isaías 9:6, 7).

Mais de 1.000 anos depois de Davi, e 4.000 anos após a profecia original no Éden, surgiu o próprio Descendente (Semente) Prometido, Jesus Cristo, o Messias Salvador, o herdeiro legal do “trono de Davi, seu pai” e do trono de Jeová sobre toda a Terra. (Lucas 1:31-33; Gálatas 3:16).

Ferido na morte pela semente terrestre da “serpente”, este “Filho do Altíssimo” proveu com seu sangue o preço necessário para resgate para os direitos de vida perdidos pela descendência de Adão, fornecendo assim o único meio pelo qual a humanidade pode obter a vida eterna.

Ele foi então elevado ao alto, para ali aguardar o tempo designado de lançar para baixo, à terra, “a serpente original, o chamado Diabo e Satanás”, para este finalmente ser destruído para sempre. Assim, o magnífico tema anunciado em Gênesis, e desenvolvido e ampliado no restante da Bíblia, é, nos capítulos finais de Revelação, levado a um glorioso clímax, à medida que o grandioso propósito de Jeová, por meio do seu Reino, é tornado evidente. (Apocalipse 11:15; 12:1-12, 17; 19:11-16; 20:1-3, 7-10; 21:1-5; 22:3-5).

Este reino sob Cristo, a Semente Prometida, é o plano de Jeová Deus pelo meio do qual se realizará a vindicação do nome de Jeová, como o único Deus e soberano verdadeiro para toda a humanidade e pelo qual a própria humanidade será levada a vitória. Levando avante este tema, a Bíblia magnifica o nome pessoal de Deus de forma mais ampla do que qualquer outro livro; este nome ocorre milhares de vezes na parte das Escrituras Hebraicas, isto em adição ao uso da forma abreviada, “Jah”, e às dezenas de casos onde se combina de modo a formar outros nomes, tais como “Jeosué”, que significa “Jeová É Salvação”. A Tradução do Novo Mundo, usada pelas Testemunhas de Jeová é, de fato, uma das versões da Bíblia que mais respeita isso.

Nós não saberíamos o nome do Criador, nem a grande questão suscitada pela rebelião humana que ocorreu no Éden, que envolve este nome, nem o propósito de Deus de santificar e de vindicar este nome perante toda a criação, se essas coisas não estivessem reveladas na Bíblia.

Nesta biblioteca de 66 livrinhos, o tema do Reino e o nome de Jeová estão intimamente entrelaçados com informações sobre muitos outros assuntos relativos ao povo que Deus escolheu para desenvolver o seu plano de salvação para toda a humanidade. Além do mais, suas referências a campos de conhecimento, tais como agricultura, arquitetura, astronomia, comércio, engenharia, etnologia, filologia, governo, guerra tática, higiene, música, poesia e química, são apenas incidentais ao desenvolvimento do tema; não são como uma tese. Todavia, ela contém verdadeiro tesouro de informações, também para os arqueólogos e os paleógrafos.

Como obra histórica exata, que penetra profundamente no passado, a Bíblia ultrapassa em muito todos os demais livros escritos na mesma época. No entanto, tem muito mais valor no campo das profecias, predizendo, da forma como o faz, o futuro, o qual apenas o Rei da Eternidade pode revelar com exatidão. A marcha das potências mundiais no decorrer dos séculos, até mesmo a ascensão e a extinção final das instituições hodiernas, foi profeticamente relatada nas profecias de longo alcance da Bíblia. Tudo nela é para a glória de Deus e revela aos seres humanos os planos de amor que Deus tem para a humanidade.

A Palavra da verdade de Deus, de forma muito prática, liberta os homens da ignorância, das superstições, das vãs filosofias humanas e das tradições insensatas e inúteis dos homens. (Jo 8:32) “A palavra de Deus é viva e exerce poder.” (Hebreus 4:12). Sem a Bíblia, não conheceríamos a Jeová, não conheceríamos os benefícios maravilhosos advindos do sacrifício resgatador de Jesus Cristo, e não entenderíamos os requisitos que precisam ser satisfeitos para obtermos a vida eterna no justo reino de Deus, ou sob ele.

A Bíblia é um livro muito prático também em outros sentidos, pois provê conselho sadio para os cristãos sobre como viver agora, ainda nos dias atuais e futuros, como realizar seu ministério e como sobreviver ao sistema do mundo sem Deus ou contrário a Deus, que só busca os prazeres. Ordena-se aos cristãos que ‘cessem de ser modelados segundo este sistema de coisas’ por transformarem a mente, deixando o modo de pensar mundano, e eles podem fazer isso por ter a mesma atitude mental humilde “que houve também em Cristo Jesus”, e por se despojarem da velha personalidade e se revestirem da nova. (Ro 12:2; Fil 2:5-8; Ef 4:23, 24; Col 3:5-10) Isto significa demonstrar os frutos do espírito de Deus, “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio” — assuntos sobre os quais há muita coisa escrita em toda a Bíblia — Gál 5:22, 23; Col 3:12-14.

A veracidade da Bíblia tem sido atacada de muitos lados, mas nenhum desses esforços de modo algum tem minado ou enfraquecido a posição dela. Há evidências sólida de que a Bíblia, a inspirada Palavra de Deus, foi copiada e transmitida a nós com exatidão. A evidência consiste em manuscritos antigos hoje disponíveis — talvez uns 6.000 das inteiras Escrituras Hebraicas ou de partes delas, e uns 5.000 das Escrituras Cristãs em grego.

Os escritos originais da Bíblia foram feitos a mão, em materiais perecíveis, tais como papiro e velino; não se sabe hoje da existência de nenhum dos originais. Logo depois de se escreverem os originais, começou a reprodução, ou seja, a produção de cópias escritas a mão. Os primitivos copistas tiveram muito cuidado em transmitir o texto com exatidão; posteriormente, os massoretas até mesmo contavam as letras que copiavam, como método apurado de certificação contra erros.

A fim de tornar as Escrituras disponíveis em outros idiomas e, consequentemente, acessível a um maior número de pessoas, tornou-se necessário traduzir a Bíblia. Existem hoje manuscritos de antigas versões, tais como os da Septuaginta (ou Versão dos Setenta, uma tradução das Escrituras Hebraicas para o grego, do terceiro e segundo séculos a.C.) e a Vulgata de Jerônimo (uma tradução dos textos do hebraico e do grego para o latim, originalmente produzida em 400 d.C.).

Por meio dum estudo comparativo de centenas de manuscritos bíblicos existentes, os eruditos prepararam textos-padrões. Estas edições impressas de textos nas línguas originais sugerem a melhor leitura disponível, ao mesmo tempo trazendo à atenção as variantes que possam existir em certos manuscritos. Textos das Escrituras Hebraicas com versões comparativas em notas de rodapé foram preparados por eruditos tais como Ginsburg e Kittel. Entre os textos-padrões das Escrituras Gregas Cristãs incluem-se os publicados por Westcott e Hort, bem como por Nestle e Aland.

Os tradutores da Bíblia, em geral, usam hoje textos-padrões das línguas originais para produzir traduções modernas, adaptadas às línguas atuais.

O estudo comparativo de milhares de antigos manuscritos fornece a evidência de que as Escrituras nos foram transmitidas de forma fidedigna. Conforme disse Sir Frederic Kenyon: “O resultado geral de todas estas descobertas e de todo este estudo vem fortalecer a prova da autenticidade das Escrituras e nossa convicção de que temos em nossas mãos, em real inteireza, a genuína Palavra de Deus.” — The Story of the Bible (A História da Bíblia), 1937, p. 144.

Escrituras Hebraicas:


O Rolo de Grande Isaías (1QIsaa) é um dos sete Manuscritos do Mar Morto descobertos nas  cavernas de Qumran, a noroeste do Mar morto, em 1947. É o maior (734 cm) e mais bem preservado de todos os pergaminhos bíblicos, e o único que está quase completo. As 54 colunas contêm todos os 66 capítulos da versão hebraica do livro bíblico de Isaías. Datado de 125 a.C., é também um dos mais antigos dos encontrados no Mar Morto, que são cerca de uns mil anos mais velhos do que os mais antigos manuscritos massorético da Bíblia hebraica conhecidos por nós. Na comparação com o texto massorético de mais de mil anos mais tarde, encontraram-se apenas diferenças menores, na maioria dos casos somente referente a grafia.

Fonte: The Digital Dead Sea Scrolls - The Great Isaiah Scroll

O Codex Aleppo ou Códice de Alepo no (Hebraico: כֶּתֶראֲרָםצוֹבָא, (sˁovɔʔ ʔăɾɔm de kɛθɛɾ) Keter Aram Tsova é o mais antigo e completo manuscrito da Bíblia Hebraica de acordo com o Tiberiano Massorá, produzido e editado pelo respeitado massoreta Aaron ben Moses ben Asher.

Datado de 930 d.C., cerca um terço dele, inclui quase toda a Torá. Considera-se o manuscrito original de maior autoridade massoreta, que segundo a tradição familiar, estas Escrituras Hebraicas foram preservadas de geração em geração. Assim o Códice de Alepo é visto como fonte original e a maior autoridade para o texto bíblico e os rituais judaicos. Este provou ter sido o texto mais fiel aos princípios dos Massoretas.

Deuteronômio
Salmos
O Códice de Alepo tem uma longa história de consultas pelas autoridades rabínicas. Os estudos modernos mostraram-no como a mais exata representação dos princípios massoréticos que podem ser encontrados em todo o manuscrito, contendo pouquíssimos erros entre os milhões dos detalhes ortográficos que compõem o texto massorético.

As fotos apresentam parte do Códice de Alepo. Queira notar que a letra hebraica é a letra central dos Salmos. A nota marginal massorética chama atenção especial para esta letra. Os primitivos escribas até mesmo contavam as letras que copiavam, como forma de evitar eventuais erros.

Escrituras Gregas Cristãs:


O Papyrus P52 da Biblioteca de Rylands, conhecido como o fragmento de São João, é um fragmento de papiro exposto na Biblioteca de John Rylands, Manchester, Reino Unido.

Escrito em Grego, o papiro contém parte do Evangelho segundo João, sendo que na frente contém partes do capítulo 18 e versículos 31-33, e no verso, os versículos 37-38.

Embora Rylands P52 seja aceito geralmente como registro canônico, ainda não há um consenso entre os críticos sobre a datação exata do papiro. Alguns historiadores afirmam que o papiro com o texto do Evangelho de João (18:31-33,37-38), teria sido escrito entre o período de 100 a 125 d.C.. Outros argumentam que o estilo da escrita, leva a uma data entre o anos 125 e 160 d.C..

Independentemente destas diferenças, o manuscrito foi amplamente aceito como o texto mais antigo de um evangelho canônico, tornando-se assim, o primeiro documento que cronologicamente refere-se a pessoa de Jesus. De qualquer modo, o papiro que conta parte da história de Jesus de Nazaré, remonta há poucos anos após a morte de seu discípulo João, escritor do Evangelho que leva este nome.

Ambos os lados (frente e verso) do papiro Rylands 457 

O Papiro Rylands 457 (P52) — ambos os lados dum fragmento do Evangelho de João, que data de  apenas poucas décadas depois da escrita do original.

Manuscrito Sinaítico — Um dos manuscritos mais importantes da Bíblia é um códice de velino, do quarto século d.C., contendo todas as Escrituras Gregas Cristãs e parte da tradução Septuaginta grega das Escrituras Hebraicas. Está em forma dum livro e cada página contém quatro colunas, exceto os livros poéticos do Velho Testamento, os quais têm somente duas.



Não podemos deixar de contar por extenso a história do seu descobrimento. O Dr. Tischendorf, sábio alemão, muito famoso pela sua devoção à procura e ao estudo de manuscritos antigos da Bíblia, visitou o Convento de Santa Catarina, perto do monte Sinai, em 1844, quando descobriu este valioso documento.


No Mosteiro de Sta. Catarina, junto ao monte Sinai, onde se descobriu o Manuscrito Sinaítico, de acordo com o Dr. Tischendorf, algumas folhas deste manuscrito valioso estavam num cesto de papel, aguardando para serem queimadas. No corredor do convento estavam numa cesta cheia de folhas de pergaminho, prontas para serem atiradas ao fogo, e ele foi informado de que mais duas cestas já haviam sido queimadas, antes. Ao examinar o conteúdo da cesta ficou surpreso em encontrar folhas de pergaminho do Velho Testamento em grego, as mais velhas que ele tinha visto.

 

O Dr. Tischendorf depositou a porção das folhas na biblioteca real, em Leipzig, e deu-lhe o nome de “Códex Frederico Augustus”, em reconhecimento do patrocínio do rei da Saxônia.

No ano de 1859 voltou mais uma vez ao convento, mas desta vez com uma comissão do imperador da Rússia. A sua visita estava a concluir-se sem resultado, quando, na véspera da sua partida, passeando na chácara com o despenseiro do convento, este o convidou a tomar uma refeição na sua cela. Enquanto estavam conversando, o frade puxou um embrulho enrolado em pano vermelho, que continha não somente alguns fragmentos vistos na primeira visita, mas ainda outras partes do Velho Testamento e o Novo Testamento completo, junto com alguns outros escritos.


Mais tarde, por influência do mesmo imperador da Rússia, o manuscrito foi obtido do convento e levado à biblioteca imperial em Leningrado, e tornando-se, assim, o mais precioso tesouro da Igreja Grega.

Já, o Codex Vaticanus, também conhecido como Manuscrito 'B' ou 03 (Gregory-Aland), é um dos mais antigos manuscritos da Bíblia em grega (Antigo e Novo Testamento) e um dos quatro grandes códices unciais  (o termo uncial refere-se a uma grafia particular, empregadas tanto para o alfabeto latino, quanto para o grego, utilizada, caracteristicamente, a partir do século III até século VIII nos manuscritos).

O Codex é nomeado em função do seu lugar de conservação, que é na Biblioteca do Vaticano, onde tem sido mantido desde pelo menos o século 15. Ele está escrito em 759 folhas de pergaminho em letras unciais e foi datado paleograficamente como elaborado no século 4.

O manuscrito se tornou conhecido por estudiosos ocidentais como resultado da correspondência entre Erasmo e os prefeitos da Biblioteca do Vaticano.   A similaridade do texto com os papiros da versão Copta (incluindo a formação de algumas letras), paralelas com as do cânon de Atanásio (de 367) sugere que ele é um membro principal do texto-tipo Alexandrino.



O Codex Vaticanus é um dos manuscritos mais importantes para o criticismo textual, notadamente os textos gregos do Novo Testamento. Até a descoberta por Tischendorf do texto Sinaiticus, o Codex Vaticanus era um sem concorrência e incomparável mas, a existência dos dois códices, ao invés de diminuir a importância de um, aumenta a importância de ambos.

Não obstante as variações de texto e mesmo de estilo, Codex Sinaiticus e Códice Vaticano, ambos, são dois dos grandes códices unciais, representantes do texto tipo alexandrino, considerados excelentes testemunhas do manuscrito do texto do Novo Testamento. Edições mais críticas do Novo Testamento grego dão prioridade a esses dois principais manuscritos unciais, e a maioria das traduções são baseadas em seus textos. O documento foi amplamente usada por Westcott e Hort em sua edição de O Novo Testamento no original grego em 1881.

Neste linque, o leitor mais interessado poderá encontrar o Anexo: Lista de manuscritos unciais do Novo Testamento Grego, na Wikipédia.

Sir Isaac Newton disse certa vez: “Encontro na Bíblia mais indícios indisputáveis de autenticidade do que em qualquer história profana.” (Two Apologies [Duas Apologias], de R. Watson, Londres, 1820, p. 57).

A integridade da Bíblia para com a verdade mostra-se sólida em qualquer ponto que possa ser testada. Sua história é exata e se pode confiar nela.

Por exemplo, o que ela diz sobre a queda de Babilônia diante dos medos e dos persas não pode ser refutado com êxito (Jeremias 51:11, 12, 28; Daniel 5:28), tampouco o pode o que ela diz sobre pessoas tais como o babilônio Nabucodonosor (Jeremias 27:20; Daniel 1:1); o egípcio Rei Sisaque (1 Reis 14:25; 2 Crônica 12:2); os assírios Tiglate-Pileser III e Senaqueribe (2 Reis 15:29; 16:7; 18:13); os imperadores romanos Augusto, Tibério e Cláudio (Lucas 2:1; 3:1; Atos 18:2); romanos tais como Pilatos, Félix e Festo (Atos 4:27; 23:26; 24:27), nem o que ela diz sobre o templo de Ártemis, em Éfeso, e sobre o Areópago, em Atenas (Atos 19:35; 17:19-34).

O que a Bíblia diz sobre estes e outros lugares, pessoas ou eventos é historicamente exato em todos os pormenores.

A Veracidade da Bíblia:


O que a Bíblia diz sobre raças e línguas da humanidade também é veraz. Todos os povos, sem considerar estatura, cultura, cor ou língua, são membros de uma só família humana. A divisão tripartida da família humana em raças jafética, camítica e semítica, todos descendentes de Adão por meio de Noé, não pode ser refutada com êxito. (Gênesis 9:18, 19; Atos 17:26).

Diz Sir Henry Rawlinson: “Se nos guiássemos pela mera interseção das veredas linguísticas, e de modo independente de toda referência ao registro bíblico, deveríamos ainda ser levados a nos fixar nas planícies de Sinear, como o foco de onde radiaram as várias linhas.” (The Historical Evidences of the Truth of the Scripture Records (As Evidências Históricas da Verdade dos Registros das Escrituras), de G. Rawlinson, 1862, p. 287); (Gên 11:2-9).

Os ensinos, os exemplos e as doutrinas da Bíblia são muito práticos para o homem moderno. Os princípios justos e as elevadas normas de moral contidos neste livro destacam-no acima de todos os outros livros. A Bíblia não somente responde a importantes perguntas, mas oferece também muitas sugestões práticas, as quais, se fossem seguidas, melhorariam em muito a saúde física e mental da população da terra.

A Bíblia estabelece princípios do que é certo e do que é errado para todos os cristãos, que servem de guia para transações comerciais justas (Mateus 7:12; Levíticos 19:35, 36; Provérbios 20:10; 22:22, 23), para a diligência (Efésios 4:28; Colossenses 3:23; 1 Tessalonicenses 4:11, 12; 2 Tessalonicenses 3:10-12), para a conduta moral pura (Gálatas 5:19-23; 1 Tessalonicenses 4:3-8; Êxodo 20:14-17; Levítico 20:10-16), para associações edificantes (1 Colossenses 15:33; Hebreus 10:24, 25; Provérbios 5:3-11; 13:20) e para as boas relações familiares (Efésios 5:21-33; 6:1-4; Colossenses 3:18-21; De 6:4-9; Provérbios 13:24).

Conforme disse certa vez o famoso educador William Lyon Phelps: “Creio que o conhecimento da Bíblia sem um curso universitário é mais valioso do que um curso universitário sem a Bíblia.” (The New Dictionary of Thoughts [O Novo Dicionário de Pensamentos], p. 46). Também John Quincy Adams escreveu a respeito da Bíblia: “Dentre todos os livros do mundo, ela é o que mais contribui para tornar os homens bons, sábios e felizes.” — Letters of John Quincy Adams to His Son (Cartas de John Quincy Adams ao Seu Filho), 1849, p. 9.

No que se refere à exatidão científica, a Bíblia não fica para trás. Quer descreva a ordem progressiva da preparação da terra para ser habitada por humanos (Gênesis 1:1-31), fale da terra como sendo esférica e suspensa sobre o “nada” (Jó 26:7; Is 40:22), classifique a lebre como ruminante (Levítico 11:6), quer declare que “a alma da carne está no sangue” (Levítico 17:11-14), a Bíblia é cientificamente correta.

No que se refere a pontos relacionados com culturas e costumes, de modo algum a Bíblia está errada. Em questões políticas, a Bíblia sempre menciona o governante pelo título correto que ele tinha na época da escrita. Por exemplo, Herodes Antipas e Lisânias são chamados de governantes distritais (tetrarcas), Herodes Agripa (II) de rei, e Gálio de procônsul. (Lucas 3:1; Atos 25:13; 18:12).

Procissões triunfais de exércitos vitoriosos, junto com os seus cativos, eram comuns nos tempos romanos. (2 Colossenses 2:14) A hospitalidade para com estranhos, o modo de vida oriental, a maneira de comprar propriedade, processos jurídicos em fazer contratos, e a prática da circuncisão entre os hebreus e outros povos, são mencionados na Bíblia, e em todos esses pormenores a Bíblia é exata. (Gênesis 18:1-8; 23:7-18; 17:10-14; Jeremias 9:25, 26).

Os escritores da Bíblia mostraram uma candura que não se encontra entre outros escritores antigos. Desde o começo, Moisés relatou francamente os seus próprios pecados, bem como os pecados e erros do seu povo, praxe seguida por outros escritores hebreus. (Êxodo 14:11, 12; 32:1-6; Números 14:1-9; 20:9-12; 27:12-14; Deuteronômio 4:21).

Os pecados de grandes personagens, tais como Davi e Salomão, não foram encobertos, mas foram relatados na Bíblia. (2 Samuel 11:2-27; 1 Reis 11:1-13). Jonas contou a sua própria desobediência. (Jonas 1:1-3; 4:1) Os outros profetas, igualmente, demonstraram esta mesma qualidade franca e cândida.

Escritores das Escrituras Gregas Cristãs mostraram a mesma consideração pelo relato verídico como a demonstrada nas Escrituras Hebraicas. Paulo fala sobre o seu anterior proceder pecaminoso na vida, como ferrenho opositor, perseguidor dos primeiros cristãos; sobre Marcos não perseverar na obra missionária; e também se relatam os erros do apóstolo Pedro. (Atos 22:19, 20; 15:37-39; Gálatas 2:11-14) Tais relatos, francos e abertos aumentam a confiança na afirmação da Bíblia de ser honesta e veraz.

Os fatos atestam a integridade da Bíblia. A narrativa bíblica está inseparavelmente entrelaçada com a história dos tempos. Fornece instruções francas e verídicas na maneira mais simples. O sincero fervor e fidelidade de seus escritores, seu ardente zelo pela verdade e seu meticuloso esforço de manter a exatidão nos pormenores são o que esperaríamos da Palavra da verdade de Deus. (João 17:17).

Se houver um ponto único que por si só prova que a Bíblia é a inspirada Palavra de Jeová, este é o das profecias. Há na Bíblia dezenas de profecias de longo alcance que já se cumpriram. Pode-se  verificar uma lista parcial delas no livro da Sociedade Torre de Vigia denominado “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 335-337.

A Trajetória da Bíblia Durante o Final da Antiguidade:


Atualmente, não se sabe da existência de nenhum dos escritos originais das Escrituras Sagradas. Jeová, porém, cuidou de que se fizessem cópias para substituir os originais envelhecidos. Também, a partir do exílio babilônico, e depois, com o aumento de muitas comunidades judaicas fora da Palestina, houve crescente demanda de cópias das Escrituras. Esta demanda foi satisfeita por copistas profissionais, que fizeram esforços extraordinários para atingir exatidão nos seus manuscritos. Esdras era exatamente tal homem, “copista destro da lei de Moisés, dada por Jeová, o Deus de Israel”. (Esdras 7:6).

Algumas das primeiras traduções da Torá judaica começaram durante o primeiro exílio na Babilônia, quando o aramaico passou a ser a língua dos judeus. Com a maioria das pessoas falando aramaico e não compreendendo hebraico, os Targumim foram criados para permitir que a pessoa comum compreendesse a Torá quando era lida nas antigas sinagogas.

O movimento mais conhecido de tradução dos livros da Bíblia apareceu no 3º século a.C. A maioria dos Tanakh existia em hebraico, mas muitos reuniram-se no Egito, onde Alexandre o Grande tinha fundado a cidade de Alexandria que ostenta o seu nome, que criou e manteve a maior e mais importante biblioteca da antiguidade. De uma vez, um terço da população da cidade era judeu.

No entanto, não foram encontradas grandes traduções gregas (como a maioria dos judeus continua a falar o aramaico uns aos outros) até Ptolomeu II Filadelfo contratar um grande grupo de judeus (entre 15 e 72 de acordo com diferentes fontes) que tivesse uma capacidade fluente tanto em Koiné quanto em hebraico. Estas pessoas produziram a tradução agora conhecida como a Septuaginta.

Durante centenas de anos continuaram a ser feitas cópias a mão das Escrituras, período em que a Bíblia foi ampliada com a adição das Escrituras Gregas Cristãs. Também apareceram em outras línguas traduções ou versões desses Escritos Sagrados. De fato, as Escrituras Hebraicas têm a honra de ser o primeiro livro de destaque traduzido para outra língua. Existem hoje milhares de tais manuscritos e versões da Bíblia.

A Bíblia cristã canônica foi formalmente estabelecida pelo Bispo Cirilo de Jerusalém em 350 d.C. e, embora tivesse sido geralmente aceita pela Igreja anteriormente, só foi confirmada pelo Concílio de Laodicéia em 363, estando ausente, ainda, o livro de Apocalipse e, posteriormente, estabelecido por Atanásio de Alexandria em 367, já com o Apocalipse adicionado, e a tradução da Vulgata latina de São Jerônimo datada entre 382 e 420 d.C.

A Trajetória da Bíblia da Idade Média até Hoje:


Durante os vários séculos da Idade Média, a tradução, sobretudo do Antigo Testamento foi desencorajada pelos oficiais da Igreja. O inglês John Wycliffe (ou Wyclif, 1328 — 31 de dezembro 1384), professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês, considerado precursor das reformas religiosas cristãs que ocorreram a partir do século XVI, organizou um projeto de tradução das Escrituras, defendendo que a Bíblia deveria ser a base de toda a doutrina da Igreja e a única norma da fé cristã.

Em seu livro "De sufficientia legis Christi" ele pregou: "A verdadeira autoridade emana da Bíblia, que contém o suficiente para governar o mundo". Wycliffe afirmava que na Bíblia se encontra a verdade, a fonte fundamental do Cristianismo e que, por isso, sem o conhecimento da Bíblia não haveria paz para o homem, quer seja na Igreja ou na sociedade. Com isso considerou-se que ele contrapunha "a autoridade das escrituras" acima da "autoridade da Igreja", porquanto, de fato ele apregoou: "Enquanto temos muitos papas e centenas de cardeais, suas palavras só podem ser consideradas se estiverem de acordo com a Bíblia". Idêntico princípio seguiria Lutero mais de 100 anos depois, ao liderar a Reforma Protestante.

Wycliffe acreditava que a Bíblia deveria ser um bem comum de todos os cristãos e precisaria estar disponível para uso cotidiano, na língua nativa das várias populações. Partes da Bíblia já haviam sido traduzidas para o inglês, mas não havia uma tradução completa. Wycliffe atribuiu a si mesmo esta tarefa e. embora não se possa definir exatamente a sua parte na tradução, que foi baseada na Vulgata, não há dúvidas de que foi uma importante iniciativa e que o sucesso do projeto foi devido à sua tradução clara e uniforme do Novo Testamento, enquanto seu amigo Nicholas de Hereford traduziu o Antigo Testamento. Ambas as traduções foram revisadas por John Purvey em 1388, quando então a população de língua materna inglesa, em massa, poderia ter acesso à Bíblia em seu próprio idioma.


Todavia, durante a Idade Média, o fato é que os livros eram raros e caros, principalmente pelo fato de serem feitos à mão e, infelizmente, a Bíblia não era exceção.

Historicamente, outro fato era que, o uso exclusivo do Latim era comum a todos os tipos de livros, incluindo as publicações científicas, dado a universalidade da língua, herança da predominância da influencia do Império Romano, semelhante ao que tende ocorrer, nos dias atuais, com a língua inglesa. O seu reconhecimento erudito e intelectual do Latim na Europa Ocidental, regra válida também para a Bíblia.

Neste sentido, a tradução de Wycliffe da Bíblia para o inglês pode ser entendida como mais movida pelo nacionalismo inglês e menos por uma inclinação popular de democratização de acesso. Os pobres continuaram sem ter acesso a mesma por dois motivos:

  • O primeiro é que ela era cara, por causa de sua confecção ainda manual e;
  • O segundo era que o povo, em sua maioria, continuava analfabeto;

A grande difusão da Bíblia só se tornaria, de fato, possível com a invenção da imprensa no século XV e a universalização da educação e, consequente alfabetização que, infelizmente só começaria a partir do século XIX. Então, somente após o século XIX reuniram-se as condições para a Bíblia se tornar um livro popular.

Assim como já havia ocorrido antes França, ainda no final do século XII (1), a igreja oficial denunciou também a tradução de Wycliffe como não autorizada e, apesar do empenho da hierarquia eclesiástica em destruir as traduções em razão daquilo que consideravam como erros de tradução e comentários equivocados, a Bíblia de Wycliffe foi amplamente distribuída por toda a Inglaterra.

Existem, ainda, cerca de 150 manuscritos, parciais ou completos, contendo a tradução de Wycliffe em sua forma revisada. Disso podemos inferir o quão difundida essa tradução foi no século XV, razão pela qual os partidários de Wyclif eram chamados de "homens da Bíblia" por seus críticos. Assim como a versão de Lutero teria, posteriormente, grande influência sobre a língua alemã, também a versão de Wycliffe influenciou o idioma inglês, pela sua clareza, força e beleza.

A Bíblia revela que Deus reconhece a necessidade humana de que cada povo se comunique na sua própria língua nativa. A própria diversidade de línguas foi criada por Ele e, disso derivou também a diversidade das famílias e de suas tradições, das nações e as suas culturas.

Foi por isso que Ele bem proveu o milagre conhecido por dom de línguas, descrito no segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos, durante o período da festa da colheita, no dia em que os Judeus comemoravam a entrega dos Dez mandamentos no Monte Sinai, cinquenta dias depois do Êxodo, dia que era conhecido no tempo de Jesus pelo termo grego Pentecostes.

No referido livro, muito embora seja perfeitamente possível que os apóstolos pudessem ser movidos a falar em qualquer língua estrangeira, o fenômeno é melhor evidenciado com o fato de os estrangeiros presentes em Jerusalém, junto aos apóstolos e aos primeiros cristãos, poderem entender o que eles lhes diziam na pregação em seu próprio idioma: "porque cada um os ouvia falar na sua própria língua"  (Atos 2:6) mas não evidencia, necessariamente, que as falas fossem pronunciada em uma língua estrangeira.

Isso é ainda corroborado em mais um versículo: "Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?" (Atos 2:8). Contudo, de fato todos consideram que era algo maravilho da parte de Deus aquilo quer Ele fazia ali, pois, "Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, e Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer?" (Atos 2:9-12).

As pessoas se sentiram tão gratificadas em poder ouvir as boas novas da parte de Deus em sua própria língua que, "de sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:41-42).

A minha língua nativa, por exemplo é o Português, uma língua românica flexiva originada no galego-português, que foi primeiramente falado no Reino da Galiza e no Norte de Portugal e que, muito embora tenha  um substrato céltico-lusitano, resultante da língua nativa dos povos ibéricos pré-romanos que habitavam a parte ocidental da península Ibérica (Galaicos, Lusitanos, Célticos e Cônios), é fortemente derivada do latim vulgar, introduzido no oeste da península Ibérica há cerca de dois mil anos.

Todavia, nem por isso eu tenho facilidade natural em entender mensagens escritas em Latim e, mesmo a língua castelhana me é de difícil compreensão, ao passo que em Inglês eu me tornei   alfabetizado por força de circunstâncias do meu trabalho. Assim, ao longo da história humana, a fim de que se cumpra o que está pactuado em Mateus 24:14: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.", Jeová sempre apoiou a tradução da Bíblia para toda e qualquer língua existente na face da Terra.

Prensa de tipos móveis primitiva
Curiosamente, na verdade, o latim ainda é a língua padrão oficial do rito romano da Igreja Católica e o Concílio Vaticano II, apenas autorizou que os livros litúrgicos fossem traduzidos e, opcionalmente, usados nas línguas vernáculas. O latim é a língua oficial da Santa Sé e do Vaticano. A Cidade do Vaticano é também onde está instalado o único caixa eletrônico bancário de todo o mundo onde as instruções são dadas em latim.

A primeira Bíblia impressa (não manuscrita), foi confeccionada por Johann  Gutenberg e ficou pronta em 1455. A Bíblia de Gutenberg é o incunábulo (livros que imitavam o manuscrito) impresso da tradução em Latim da Bíblia, por Gutenberg, na cidade alemã de Mainz, também conhecida em português como Mogúncia, usado uma prensa de tipos móveis.

Essa Bíblia é considerada o incunábulo mais importante, pois marca o início da mecanização que levou a produção em massa de livros no Ocidente. Uma cópia completa da Bíblia de Gutenberg possui 1282 páginas, com texto em duas colunas; a maioria era encadernada em dois volumes. Essa Bíblia contém 73 livros, dividida em Antigo Testamento e Novo Testamento. Acredita-se que 180 cópias foram produzidas, 45 em pergaminho e 135 em papel. Elas foram impressas, rubricadas e iluminadas à mão em um período de três anos, resultando em uma verdadeira arte, com um elevado padrão estético.

Na Europa renascentista, a chegada de impressão por prensa de tipos móveis iniciou a era da comunicação de massa que alterou a estrutura da sociedade: uma só prensa móvel podia produzir 3.600 páginas por dia, propiciando a circulação relativamente irrestrita de informação e ideias (revolucionárias), que transcenderam fronteiras, galvanizaram as massas para a Reforma Protestante e ameaçou o poder de autoridades políticas e religiosas.

O aumento acentuado da literacia quebrou o monopólio de uma elite letrada sobre a educação e aprendizagem, e reforçou a emergente classe média. Em toda a Europa acelerou o florescimento das línguas vernáculas em detrimento do latim, que perdeu o seu estatuto de língua franca.

No século 16, a Reforma mudou radicalmente o cenário religioso europeu. Vítimas de intolerância podiam procurar reconhecimento legal no seu próprio país ou emigrar em busca de condições mais favoráveis. A ideia de heresia também se tornou menos importante, visto que muitos haviam começado a questionar a ortodoxia religiosa estabelecida.

Já em 1523, o bem-conhecido reformador Martinho Lutero mencionou os valdenses, possivelmente a mais antiga congregação cristã da Europa pre-reforma. Em 1526, um dos barbes (pastores) valdenses levou aos Alpes as notícias sobre os acontecimentos religiosos na Europa. A isto seguiu-se um período de intercâmbio, durante o qual comunidades protestantes compartilhavam idéias com os valdenses.

Em meados de setembro de 1532, os barbes valdenses realizaram uma conferência, em Chanforan, uma pequena vila perto de Turim, Itália. Os protestantes haviam sido convidados e, por intermédio da argumentação de um dos reformadores mais entusiasmados, Guillaume Farel, os valdenses foram incentivados a patrocinar a primeira tradução da Bíblia das línguas originais para o francês. Impressa em 1535, ela ficou mais tarde conhecida como a Bíblia Olivétan.

Quando os pastores valdenses lhe mostraram suas antigas Bíblias escritas à mão em seu próprio dialeto, ele os convenceu a financiar a impressão de uma Bíblia em francês. Em contraste com a versão de 1523 de Lefèvre d’Étaples, baseada no latim, essa Bíblia era para ser traduzida do hebraico e do grego originais. Mas quem seria capaz de realizar essa tarefa?

O nome pelo qual essa Bíblia ficou conhecida deveu-se ao seu tradutor, Pierre Robert, mais conhecido como Olivétan, um jovem professor nascido na região de Picardia, norte da França. Olivétan, primo de João Calvino, foi um dos primeiros reformadores e era um homem de confiança no meio protestante. Ele também havia passado vários anos em Estrasburgo, estudando diligentemente os idiomas bíblicos.

Assim como Farel e muitos outros, Olivétan havia se refugiado na Suíça. Seus amigos imploraram para ele aceitar esse projeto de tradução. Depois de recusar várias vezes, ele finalmente aceitou a comissão de traduzir a Bíblia “com base nos idiomas hebraico e grego para o francês”. Ao mesmo tempo, os valdenses deram 500 das 800 moedas de ouro — uma fortuna — necessárias para financiar uma gráfica.

No entanto, ironicamente, a maioria dos próprios valdenses, que foram os financiadores do projeto, não entendia o francês. Apesar de terem sido produzidos mil exemplares da Bíblia de Olivétan, eles não tiveram boa saída. Isso porque não havia um bom sistema de distribuição e também porque a língua francesa estava passando por rápidas mudanças.

Por outro lado, também, um volume de 5 quilos não era o ideal para pregadores viajantes ou para leitores que o tinham que fazê-lo como clandestinos, haja visto que naquela época, na França, assim como em toda a Europa, a igreja oficial  estava atrás dos reformadores, com força militar policial, num esforço de erradicar suas doutrinas.

Em 1644, com apenas 16 anos de idade, o português João Ferreira de Almeida começou a traduzir para o português, por iniciativa própria, parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol. Além da Versão Espanhola, Almeida usou como fontes nessa tradução as Versões Latina (de Beza), Francesa e Italiana - todas elas traduzidas do grego e do hebraico. Terminada em 1645, essa tradução de Almeida não foi publicada. Mas o tradutor fez cópias à mão do trabalho, as quais foram mandadas para as congregações de Málaca, Batávia e Ceilão (hoje Sri Lanka). Mais tarde, Almeida tornou-se membro do Presbitério de Málaca.

No tempo de Almeida, um tradutor para a língua portuguesa era muito útil para as igrejas daquela região. Além de o português ser o idioma comumente usado nas congregações presbiterianas, era o mais falado em muitas partes da Índia e do Sudeste da Ásia. Acredita-se, no entanto, que o português empregado por Almeida tanto em pregações como na tradução da Bíblia fosse bastante erudito e, portanto, difícil de entender para a maioria da população. Essa impressão é reforçada por uma declaração dada por ele na Batávia, quando se propôs a traduzir alguns sermões, segundo palavras, "para a língua portuguesa adulterada, conhecida desta congregação".

Após passar por várias tribulações, Almeida retomou o trabalho de tradução da Bíblia, iniciado na juventude,  partir de 1663, quando trabalhou na congregação de fala portuguesa da Batávia, onde ficou até o final da vida. Foi somente então que passou a dominar a língua holandesa e a estudar grego e hebraico. Em 1676, Almeida comunicou ao presbitério que o Novo Testamento estava pronto. Aí começou a batalha do tradutor para ver o texto publicado - ele sabia que o presbitério não recomendaria a impressão do trabalho sem que fosse aprovado por revisores indicados pelo próprio presbitério. E também que, sem essa recomendação, não conseguiria outras permissões indispensáveis para que o fato se concretizasse: a do Governo da Batávia e a da Companhia das Índias Orientais, na Holanda.

Em 1681, a primeira edição do Novo Testamento de Almeida finalmente saiu da gráfica. Um ano depois, ela chegou à Batávia, mas apresentava erros de tradução e revisão. O fato foi comunicado às autoridades da Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído de lá foram destruídos, por ordem da Companhia das Índias Orientais. As autoridades Holandesas determinaram que se fizesse o mesmo com os volumes que já estavam na Batávia. Pediram também que se começasse, o mais rápido possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto.

Enquanto progredia a revisão do Novo Testamento, Almeida começou a trabalhar com o Antigo Testamento. Em 1683, ele completou a tradução do Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento). Iniciou-se, então, a revisão desse texto, e a situação que havia acontecido na época da revisão do Novo Testamento, com muita demora e discussão, acabou se repetindo. Já com a saúde prejudicada - pelo menos desde 1670, segundo os registros --, Almeida teve sua carga de trabalho na congregação diminuída e pôde dedicar mais tempo à tradução. Mesmo assim, não conseguiu acabar a obra à qual havia dedicado a vida inteira.

Em 1691, no mês de outubro, Almeida morreu. Nessa ocasião, ele havia chegado até Ezequiel 48:21. A tradução do Antigo Testamento foi completada em 1694 por Jacobus op den Akker, pastor holandês. Depois de passar por muitas mudanças, ela foi impressa na Batávia, em dois volumes: o primeiro em 1748 e o segundo, em 1753.

No século XIX, a substituição imprensa operada manualmente ao estilo de Gutenberg por prensas rotativas inicialmente movidas a vapor permitiu a impressão escala industrial, enquanto no estilo ocidental de impressão foi adotado em todo o mundo, tornando-se praticamente o único meio para a impressão em massa moderna.

Entretanto, como já discutimos aqui, tudo isso ainda não bastava: as pessoas precisavam aprender a ler.

Historicamente, o povo judeu sempre colocou um valor alto em educação, mantendo-se conscientes de quão importante é a educação para o sucesso das pessoas e para a tradição judaica, de lutar por justiça social e exigência por participação na reparação de nosso mundo quebrado, torna os procedimentos domésticos judaicos para alfabetização um passo natural.

A tradição judaica de alfabetização de crianças, também, sempre se deu por motivos religiosos, pela necessidade da constante leitura da Torá.


Apesar de, por fim, a educação fundamental ter sido assumida às expensas do Estado laico, isso não ocorreu, sem que antes ela surgisse e fosse sustentada, em meio as ações de caridade de entidades religiosas e da iniciativa privada.

No século 18, ainda não havia nenhuma escola pública na Inglaterra, apenas escolas particulares, privilégio das classes mais abastadas que podiam pagar os custos altos. Assim, as crianças pobres, na verdade os filhos dos operários das indústrias da recém inaugurada revolução industrial inglesa, ficaram sem estudar; trabalhando todos os dias nas fábricas, menos aos domingos, quando, fatigados, seus pais não conseguiam contê-las de permanecerem nas ruas das cidades.

De fato, a educação fundamental de crianças, na Inglaterra, teve inicio no movimento das Escolas Bíblicas Dominicais, criado pelo idealismo do jornalista Robert Raikes, num domingo em outubro de 1780, em que Raikes tentava escrever o seu editorial, enquanto se sentia perturbado por bandos de crianças agitadas e brigando, na rua em frente ao prédio em que ele trabalhava e, desde cedo foi apoiado, inicialmente de modo informal, pela igreja anglicana.

O entusiasmo das crianças era comovente e contagiante mas, nem todas elas aceitavam trocar a sua liberdade de rua do domingo, por ficar sentadas em uma sala de aula, mas eventualmente todos que compareciam estavam aprendendo a ler, escrever e fazer as somas de aritmética, enquanto Robert Raikes, fazia campanhas através de seu jornal para angariar doações de material escolar, de dinheiro e outros recursos, provendo, além da educação, também agasalhos, roupas, sapatos e o  almoço aos domingos para as crianças pobres.

Em pouco tempo, as crianças aprenderam não somente da Bíblia, mas lições de moral, de ética, e educação religiosa. Era uma verdadeira educação cristã. Havia nestas alturas algumas igrejas que estavam abrindo as suas portas para classes bíblicas dominicais, vendo o efeito salutar que estas tinham sobre as crianças e jovens da cidade. Grandes homens da igreja, tais como João Wesley, o fundador do metodismo, logo ingressaram entusiasticamente na obra de Raikes, julgando-a ser um dos trabalhos mais eficientes para o ensino da Bíblia.

Embora o trabalho tivesse começado em 1780, a organização da Escola Dominical em caráter permanente, data de 1782. No dia 3 de novembro de 1783 é celebrada a data de fundação da Escola Dominical. A primeira Associação da Escola Dominical foi fundada na Inglaterra em 1785, e no mesmo ano, a União das Escolas Dominicais foi fundada nos Estados Unidos. Entre as igrejas protestantes, a Metodista se destacou como a pioneira da obra de educação religiosa, pela visão do seu dinâmico fundador João Wesley, em abraçar formalmente a causa.

A Escola Bíblica Dominical surgiu no Brasil em 1855, muito antes das escolas públicas, em Petrópolis (RJ). O jovem casal de missionários escoceses, Robert e Sarah Kalley, chegou ao Brasil naquele ano e logo instalou uma escola para ensinar a Bíblia para as crianças e jovens daquela região. A primeira aula foi realizada no domingo, 19 de agosto de 1855, com somente cinco participaram, mas Sarah, contente com “pequenos começos”, contou a história de Jonas, mais com gestos, do que palavras, porque estava só começando a aprender o português. Ela viu tantas crianças pelas ruas que seu coração almejava ganhá-las para Jesus. A semente do Evangelho foi plantada em solo fértil.

Com o passar do tempo, aumentou tanto o número de pessoas estudando a Bíblia, que o missionário Kalley iniciou aulas para jovens e adultos. Vendo o crescimento, os Kalleys resolveram mudar para o Rio de Janeiro, para dar uma continuidade melhor ao trabalho e aumentar o alcance do mesmo. Este humilde começo de aulas bíblicas dominicais deu início à Igreja Evangélica Congregacional no Brasil.

Deste modo, no final do século 19, a maioria dos governos países das regiões Ocidental, Central e parte do Leste da Europa, passaram a oferecer para o povo, gratuitamente e de forma massiva, o ensino fundamental em leitura, escrita e aritmética. Isso começou, em parte porque os políticos passaram a acreditar que a educação era necessária para um comportamento social e político ordenado, dentro das sociedades industrializadas, mesmo que independente do ensino da Bíblia e da fé cristã.

Atualmente, a distribuição da Bíblia (inteira ou em partes), pelo mundo, já atingiu a marca de mais de dois bilhões de exemplares em mais de 1.800 línguas. Mas isto não foi conseguido sem grande oposição de muitos lados. De fato, a Bíblia tem tido mais inimigos do que qualquer outro livro; alguns papas e concílios até mesmo proibiram simples leitura da Bíblia sob pena de excomunhão.

Milhares de amantes da Bíblia perderam a vida, e milhares de exemplares da Bíblia foram entregues às chamas. Uma das vítimas na luta da Bíblia para sobreviver foi o tradutor William Tyndale, que certa vez declarou num debate com um clérigo: “Se Deus me poupar a vida, farei com que, antes de se passarem muitos anos, o rapaz que maneja o arado saiba mais sobre as Escrituras do que tu sabes.” (Actes and Monuments (Atos e Monumentos), de John Foxe, Londres, 1563, p. 514.).

Em 1521, Martin Lutero foi posto sob o banimento do Império, e ele retirou-se para o de Castelo Wartburg. Durante o seu tempo ali, traduziu o Novo Testamento do grego para o alemão. Ele foi impresso em setembro de 1522. A primeira Bíblia completa língua holandesa, foi impressa na Antuérpia em 1526 por Jacob van Liesvelt e foi parcialmente baseada em das traduções de Lutero existentes, assim também o foram as Bíblias de outras línguas da Europa.

A tradução do novo testamento de Tyndale (1526, revista em 1534, 1535 e 1536) e sua tradução do Pentateuco (1530, 1534) e do Livro de Jonas foram respondidas com pesadas sanções dada a convicção generalizada que Tyndale tinha "mudado" a Bíblia enquanto tentava traduzi-la. As traduções de Tyndale foram banidas pelas autoridade e o próprio Tyndale foi queimado na fogueira em 1536 em Vilvoorden (10Km a nordeste de Bruxelas), Bélgica, sob a instigação de agentes de Henrique VIII e a Igreja Anglicana. Suas últimas palavras foram, "Senhor, abre os olhos ao rei da Inglaterra".

Todo o crédito e agradecimento pela sobrevivência da Bíblia em face de tal oposição violenta cabe ao próprio Deus Jeová, o Preservador da sua Palavra e de todos os seus propósitos. E assim, a Bíblia chegou até nós.

Este fato dá sentido adicional à citação do apóstolo Pedro, tirada do profeta Isaías: “Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória é como flor da erva; a erva se resseca e a flor cai, mas a declaração de Jeová permanece para sempre.” (1 Pedro 1:24, 25; Is 40:6-8).

Portanto, faremos bem em “prestar atenção a ela como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro”, neste século 21. (2 Pedro 1:19; Salmos 119:105).

O homem cujo “agrado é na lei de Jeová, e na sua lei ele lê dia e noite em voz baixa”, e que coloca em prática as coisas que lê, é o que prospera e é feliz. (Salmos 1:1, 2; Josué 1:8).

Para ele, as leis, as advertências, as ordens, os requerimentos, os mandamentos e as decisões judiciais de Jeová, contidos na Bíblia, são “mais doces do que o mel”, e a sabedoria derivada destes é ‘mais desejável do que o ouro, sim, mais do que muito ouro refinado’, porque significa a sua própria vida. — Salmos 19:7-10; Provérbios 3:13, 16-18;

A Little Bit More:



Scriptorium - A história da Bíblia

(1) Por volta do ano 1170, na cidade francesa de Lyon, um bem-sucedido banqueiro e comerciante rico, de nome Pedro de Valdo (Vaudès), interessou-se profundamente em saber como agradar a Deus. Pelo visto, induzido pela admoestação de Jesus Cristo, para que um certo homem rico vendesse os seus bens, ajudasse os pobres e o seguisse continuamente, Vaudès fez provisão financeira para a família e então abriu mão das suas riquezas para pregar o Evangelho.

A pobreza, a pregação e a Bíblia eram a principal preocupação na vida de Vaudès. O protesto contra a opulência clerical da igreja oficial não era novidade. Já por algum tempo, diversos dissidentes clericais haviam denunciado as práticas corruptas e os abusos da Igreja. Mas Vaudès era leigo, assim como a maioria dos seus seguidores. Sem dúvida, isto explica por que ele achava necessário ter a Bíblia na linguagem vernácula, do povo. Visto que a versão latina da Bíblia, da igreja oficial, só era acessível aos clérigos, Vaudès comissionou uma tradução dos Evangelhos e de outros livros bíblicos para o franco-provençal, a língua entendida pelo povo do centro-leste da França.

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Cátaros, Albigenses e Valdenses (uma história que precisa ser contada ou, porque deixei de ser católico) – Parte 2/2


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Senhor Jeová e a Geografia da Terra de Israel


Um Breve Passeio Virtual Por Israel - Um Mundo à Parte - de Ontem de Hoje e de Sempre


Uma das razões por que muitos não conseguem entender a Bíblia é porque não há uma desconexão com a qual se possa evitar ter que olhar e compreender, também, a terra da Bíblia. Os 66 livros canônicos da Bíblia, assim como os apócrifos, todos, realmente se concentram apenas em um pedaço pequeno de terra estreito, no qual e pelo qual, as pessoas têm lutado ao longo de mais de 3.500 anos!

A Palestina bíblica é uma seção muito pequena de terra, entre Dan (no Norte) a Berseba (no Sul) são cerca de 250 km, com a distância média do mar Mediterrâneo ao rio Jordão de cerca de apenas 72 km!


Todavia, o moderno Estado de Israel é um pouco maior do que isso, uma vez que inclui todo o triângulo do deserto de Neguebe até Elate, mais 200 km ao sul de Berseba. Além disso, as curvas costeiras de Israel no Mediterrâneo expandiram, de modo que um ponto do território possa determinar 128 km de largura (se você desenhar uma linha a partir do Mediterrâneo, passando através de Berseba até o Mar Morto).

Na Israel moderna se você incluir a a "Margem Ocidental", os territórios da Judeia e da Samaria, é do mesmo tamanho do estado de Nova Jersey (se bem que esta não seja a melhor comparação, uma vez que quase ninguém vive (ou pode viver) nesse pedaço enorme de terra entre Berseba e Elate).

Tanto a topografia, quanto o clima, variam em graus enormes na Terra Santa. Você tem montanhas, montes, desertos, oásis, de uma só vez uma floresta, e ilhas. Lugares onde chove muito, e lugares que não vão ver chuva por muitos meses a fio. Deslumbrantes locais tropicais e outros locais que têm tanta vegetação quanto uma área de estacionamento. Você tem rios, lagos de água doce, mares de sal, e o mar Mediterrâneo. 

Em boa parte do território, os verões são bastante quentes mas, cai neve em boa parte dos rigorosos invernos, em locais como, por exemplo, a famosa pequena cidade de Belém (em hebraico: בית לחם, transl. Beit Lehem, lit. "Casa do Pão"), a Efrata (para diferenciá-la da outra Belém, no território da tribo de Zebulom e também para caracterizá-la como tendo sido formada por efratas, que é uma descrição para os membros da tribo israelita de Efraim, assim como para os possíveis fundadores de Belém, apesar dela ficar no território de Judá.

O Deus do Impossível: Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Miqueias 5:2
A ocorrência de neve entre os meses de Dezembro e Janeiro na região de Belém torná muito pouco provável a data do nascimento do Senhor Jesus na data tradicionalmente comemorada por muitos cristãos (25 de Dezembro). De maneira geral, é muito pouco provável que os pastores estivessem no campo e ao relento, com suas ovelhas, em vigília noturna, nesta época do ano. "Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho." Lucas 2:8. 

Nesta época inicia-se a estação das chuvas seguida por neve, a considerada estação de inverno, fazendo muito frio. Por isso, os pastores teriam seus rebanhos recolhidos e abrigados, e não nos campos e, nem tão pouco César Augusto teria convocado, por decreto, a todos do império para que fossem recensear-se com o clima impropício a ação do Estado nos dias do inverno.

Curiosamente, em Israel, encontra-se, ainda, o ponto mais baixo na Terra: o Mar Morto, que na sua parte mais aos Sul, está a um nível de 425 metros abaixo do nível do mar. Dá para entender o mistério de lugar aberto, onde a água precisaria se acumular a mais de 400m de altura para poder empatar com o nível do mar? Sem dúvida, é um dos lugares mais sobrenatural e impressionante de toda a Terra.

Uma das coisas maravilhosas que você como cristão pode fazer ao longo da sua vida, se você tiver uma oportunidade e se estiver com tempo algum desocupado, é dar umas boas voltas pela terra de Israel por si mesmo. Eu já estive em locais tão exóticos como o sudoeste japonês ou a Lapônia sueca, sempre viajando a trabalho mas, sempre encontrando bons momentos, também, para praticar o turismo cultural, todavia, conhecer Israel continua  sendo um sonho ainda irrealizado.

No entanto, de um modo virtual eu viajo bastante para Israel, não só pela frequência e interesse com que eu costumo ler a Bíblia mas, também, graças a inúmeros artigos, notícias e dissertações postadas e acessíveis ao compartilhamento na maior enciclopédia aberta da humanidade: a Internet. Sabendo utilizar bem, esse tipo viagem, pode se tornar também muito interessante e rico.

Mar da Galileia (também conhecido como lago Tiberíades ou lago Genesaré)
Viajar para Israel, para um cristão, faz com que a Bíblia, de uma maneira especial, ganhe vida, de múltiplas e variadas maneiras. Tudo que você tem a fazer, por exemplo, é estar em meio a uma não tão rara tempestade no meio do mar da Galileia, e ai você vai poder entender por que os discípulos estavam com tanto medo, especialmente se você estiver em um barco a remo.

Na verdade, o mar da Galileia (ou lago Tiberíades, ou lago Genesaré, ou ainda kinneret) não é um mar mas,  um lago de água doce. De fato, ele nem mesmo é tão grande assim: tem 19 km por 13 km, ou seja, apesar do formato bem melhor definido, ele é, no mínimo, 4 vezes menor que a represa de Jurumirim - SP. Nele entra o Rio Jordão, vindo do norte, mas não apenas o Jordão, também outros pequenos riachos e corredeiras menores, que chegam na face leste e nordeste do lago, descendo pela escarpa rochosa que vem das colinas de Golã. Todavia, o Jordão é o único rio que efetivamente sai do lago, pelo ponto extremo sul deste. Isso impressiona pois, o mar da Galileia é o lago de água doce de localização mais baixa em toda a face da Terra: a  superfície da água do lago se encontra ao nível de 200 m abaixo do nível do mar.

Se subirmos o rio Jordão, desde o ponto em que ele entra no lago Tiberíades (ou mar da Galileia), seguindo até uns 35 km rio acima, cruzaremos por uma região de agricultura fortemente desenvolvida.  Nesta região, o rio Jordão mais se parece com um belo canal de irrigação, tal é o cuidado com sua canalização e as benfeitorias em suas margens ao passar ladeando as fazendas e sítios. Naquele ponto de distância percorrida, durante toda a antiguidade, existiu um lago menor, de nome lago Semechonits (ou lago Huleh), todavia, atualmente, ele parece não mais existir.


Continuando a subir pelo Jordão, em direção ao norte, começamos a entrar  agora em uma região com aspecto um pouco mais selvagem e, se prosseguirmos ainda mais em direção ao sopé do monte Hermon, poderemos constatar que o rio se forma da junção de vários pequenos riachos e corredeiras, permanentemente alimentados pela neve do Hermon. Estamos chegando, então, na região da sede da antiga tribo de Dã, a chamada "tribo perdida do norte".

O rio Jordão, a partir de cerca de 35 km ao norte após o mar da Galileia.

Seja como for, virtual ou real, é viajando que você passa a entender a topografia, a geografia da terra, você entende a relação das localidades, das aldeias e das cidades, do homem e da natureza que o rodeia. Você entende como as batalhas históricas foram travadas e, mais, por que elas foram travadas em certos vales e no topo de certas montanhas específicas, e você poderá ficar ali naquele local e soltar a sua imaginação, visionando todo o cenário ocorrido antes de você estar ali. Talvez você possa até chegar a um entendimento consistente sobre porque Jeová escolheu o vale (ou planície) do Megido, também conhecido como planície de Esdraelon, para ser o local da batalha do Armagedom, o conflito final dos tempos.

O Vale do Megido começa a se espalhar para o norte e para o leste do Monte Carmelo, originando próximo a atual cidade litorânea de Haifa, e prossegue para o interior na direção ao leste, tendendo um pouco para sul, formando contiguidade com Vale de Jezreel, sendo que, na borda sul deste último, se encontra o sítio arqueológico da cidade de Megido. Esta região vem oferecendo uma passagem exuberante para viajantes internacionais desde os tempos antigos. 

O sítio arqueológico do Megido no alto do platô e o vale de Jezreel a frente
O sítio do Megido é uma das joias da arqueologia bíblica. Estrategicamente era a mais importante ponto de observação da rota terrestre do Antigo Médio Oriente, a cidade dominou o tráfego internacional por mais de 6000 anos, através dos tempos bíblicos. As civilizações vinham e se findavam, sucedendo-se novas casas e palácios construídos sobre as ruínas dos seus predecessores, criando um legado arqueológico sem paralelo de tesouros, que inclui templos monumentais, fortificações, e engenhosos sistemas de águas.

O grosso do comércio era, historicamente, feito por caravanas vindas do Egito por terra, seguido próximo a beira mar, cruzava de sul a norte todo o pais dos Filisteus, sendo, ainda, engrossada pelas atividade portuária dali, progredindo bem, logisticamente, a beira mar, até passar a cidade de Jope. Dai em diante, a rota era forçada a se desviar-se para o interior, adentrando a região da tribo de Manasses, devido ao obstáculo natural, formado pela serra do monte Carmelo.

Esta rota ficou conhecida como "Via Maris" e, o grosso das Caravanas usava a passagem de Aruna (Wadi Ara), para cortar a serra. Em um platô ao pé dessa Serra, próximo na saída da passagem de Aruna, se encontra a Cidade de Megido, formando uma cantoneira ideal para, de cima do platô, vigiar a rota no exato ponto de frente a vasta planície em que ela conflui para três diferentes direções.


Pelo mapa é possível verificar que a Cidade de Megido foi de extrema importância , tão importante como a própria cidade de Damasco, para o controle das rotas de comerciais entre o Egito e a Mesopotâmia.
A primeira referência bíblica ao a Megido é em Josué 12:21 quando o rei de Megido é relacionado em uma extensa lista contendo ao todo 31 reis cananeus que "Josué e os filhos de Israel feriram, aquém do Jordão para o ocidente, desde Baal-Gade, no vale do Líbano, até ao monte Halaque, que sobe a Seir; e Josué a deu às tribos de Israel em possessão, segundo as suas divisões." Josué 12:7. 

E prossegue em Josué 17:11-12: "Porque em Issacar e em Aser tinha Manassés a Bete-Seã e as suas vilas, e Ibleã e as suas vilas, e os habitantes de Dor e as suas vilas, e os habitantes de En-Dor e as suas vilas, e os habitantes de Taanaque e as suas vilas, e os habitantes de Megido e as suas vilas; três outeiros. E os filhos de Manassés não puderam expulsar os habitantes daquelas cidades; porquanto os cananeus queriam habitar na mesma terra.  E sucedeu que, engrossando em forças os filhos de Israel, fizeram tributários aos cananeus; porém não os expulsaram de todo."


Mapa da antiguidade de Monte Carmelo, Megido e Taanaque (Taanach), e os vales de Megido e Jezreel. A nordeste, o Lago da Galileia (Sea of Chinnereth). Mais ao norte Hazor, próxima do pequeno lago  que não existe mais.
Assim com o Megido, a cidade de Taanaque também ficava na borda setentrional da grande planície de Jezreel, só que mais ao sudoeste de Megido, também podia ser usada como rota comercial, porém, bem menos preferencial do que aquela que passa de frente a Megido, exigindo um desvio mais longo.


Passagem de Aruna, atual, e a rodovia 65.
A cidade de Megido veio a ser dominada plenamente pelos israelitas, somente a partir do reinado de Salomão, o que fez aumentar ainda mais a importância da rota comercial pelo vale de Jezreel, bem como pelo porto de Jope, uma vez que a crescente cidade de Jerusalém passava a definir um novo importante afluente comercial para ela.

"A razão da leva de gente para trabalho forçado que o rei Salomão fez é esta: edificar a casa do Senhor e a sua própria casa, e Milo, e o muro de Jerusalém, como também Hazor, e Megido, e Gezer." I Reis 9:15

Ambas as cidades estrategicamente fortificadas por Salomão, Megido e Hazor, faziam parte da rota comercial Via Maris, no trecho em que ela precisava atravessar para Damasco, fluindo por dentro do território de Israel. O trecho da rota entre Jope e Megido seguia aproximadamente o mesmo caminho que hoje faz a famosa rodovia 65.
O Megido é o único sítio arquelógico em terras bíblicas com vestígios de 30 cidades construídas uma sobre as outras. Cenário de muitas batalhas que decidiram o destino de nações e impérios. Guarda a mais importante via terrestre do mundo antigo, a Via Maris que ligava o Egito á Mesoptâmia. Juntou numerosas grandes figuras da história mundial, tais como o Rei Salomão de Israel e o Rei Josias o último monarca de Judá, Faraós como Thutmose III, Shishak e Neco do Egito e os Reis Tiglat III e Esar da Assíria e futuramente, atrairá o anti-Cristo.


“Então congregaram os reis no lugar que em hebraico se chama Armagedom” (Ap 16:16).
Sobre o vale local, Napoleão teria dito: "É o maior e mais propício campo de batalha sobre a face da terra." Se você puder estar ali, e puder subir num ponto de mirante elevado e lá de cima, olhar para baixo da montanha e olhar para aquele lugar todo, você pode entender por que ali teria sido em toda a história antiga um dos grandes campos de batalha do mundo. Em Geografia compreensão é algo muito importante.

Mapa de Jerusalém do tempo do Senhor Jesus Cristo
Se você entender, por exemplo, algo um pouco mais da geografia de Jerusalém, de que maneira a cidade se encontra alojada em um platô, você compreende por exemplo, aquilo que você lê sobre a prisão e sobre morte de Jesus Cristo e como Ele deixou a cidade aquela noite, enquanto Ele era traído e como Judas chegou até Ele, depois, "...junto com grande multidão com espadas e varapaus, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo." Mt 26:47

Judas, você se lembra, deixou a "Última Ceia", e foi-se a traí-lo. Após, junto dos demais discípulos, Jesus saiu, para fora da cidade e atravessou o ribeiro de Cedrom, subindo em seguida ao Monte das Oliveiras ... É muito significativo isso, porque nessa época, da Páscoa, cordeiros estavam sendo abatidos aos milhares e eles eram abatidos na parte de trás do monte do templo e o sangue corria pela encosta pedregosa abaixo, de trás do monte do templo, que está no lado leste de Jerusalém, descendo para o vale do Cedrom, o qual o ribeiro de Cedrom atravessa.

Próximo ao que foi um dia a antiga porta oriental (hoje chamada de "porta dourada" e que se encontra selada), que dava acesso direto ao antigo templo de Jerusalém, olhando para fora, há uma inclinação para baixo, em direção ao ribeiro, que leva para atravessar o riacho e há uma inclinação para a direita de volta para o Monte das Oliveiras. Sobre a pequena colina mais adiante está a cidade de Betânia e mais longe ao sul está Belém.

Proximidade do Getsemani e Monte das Oliveiras nos Dias Atuais
Jesus e seus discípulos desceram aquela colina e tiveram que atravessar o riacho de Cedrom. Nessa época do ano, época de Páscoa, o Cedrom ainda está cheio de água, mas ele se torna um riacho eventualmente seco no verão.

Todavia, naqueles dias, ele decerto tinha água, e a água deveria até estar vermelha de sangue por causa dos milhares de cordeiros que haviam sido sacrificados naquele mesmo dia, e cujo sangue costumava atingir aquele pequeno riacho. Não estaria Jesus cruzando-o, com um ato simbólico do Seu próprio sacrifício como o Cordeiro de Deus? Esse tipo de coisa é muito emblemática, e faz viva, para todo sempre, a Palavra de Deus.

Vista da cidade de Jerusalém atual observava de uma aeronave sobrevoando diretamente sobre o Monte das Oliveiras. Separando a  "Cidade Velha"  do Getsemani,  lá embaixo, na linha sinuosa descampada, o vale do riacho Cedrom - acima, entrando pela Cidade Velha,  o Domo da Rocha (mesquita de Omar) com sua cúpula brilhante. O templo que existiu no tempo de Jesus ficava ao lado dele (ver prox. foto).
Assim, dai surge a compreensão de alguns de que a geografia é, realmente, muito importante. Se você entender um pouco da geografia, para o norte, na Galileia, ou para leste, para o Jordão, e Betabara – local do batismo e berço do cristianismo, você vai entender muito a riqueza das histórias bíblicas.

Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário,
que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor:
 Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor,
 o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada. (Ezequiel 44:1-2)
Para isso, você tem que fechar algumas lacunas em alguns dicionários bíblicos e atlas. Mas hoje em dia, nem é mais necessário você ter inúmeros dicionários bíblicos e atlas em sua própria casa. Claro que não é ruim, caso você os tenha mas, hoje em dia é bastante vasta a quantidade de material que outrora residia só em papel e outros meios de suporte ainda mais perecíveis, mas que vieram a ser digitalizados, e hoje podem ser compartilhados por um número muito grande de pessoas, o tempo todo, para verificar a topografia e suas relações, e nos permitir imaginar mais realisticamente, caminhando pelas mesmas trilhas em que caminharam Moisés, Josué, Davi, Daniel, o próprio Senhor Jesus e outros.

Outra ferramenta geográfica importante, hoje em dia, é o Google Earth. Basta você digitar, mesmo em Português: “Jerusalém, Israel” e em poucos segundos você viajará e terá a sua disposição a imagem dos dias atuais desta antiga cidade, que lhe permitira explorações as mais variadas, bastante farte im informações e imagens. É uma poderosa ferramenta de conhecimento geográfico, e de uso gratuito numa versão bastante apreciável.

Uma outra vantagem onteressante da "viagem virtual", que só a Internet do século 21 foi capas de propiciar de maneira tão rica e, ao mesmo tempo barata, é que você pode andar (com seus olhos), com facilidade, até mesmo por locais restritos, nos quais, na realidade, as autoridades de administração local, por uma série de motivos, não permitiriam que você transitasse, ao vivo, mesmo pagando para isso. 

Se um dia eu viajar para Israel de verdade, eu me sentirei como que voltando a lugares onde eu antes já estive, porque, de fato, já estive mesmo, só que virtualmente, avaliando escalas, medindo distâncias de um jardim para outro, de uma aldeia para a outra, de uma cidade para outra, de um pais para outro, etc.

Quando você começa a trabalhar (e se divertir) assim, tudo o que passar, toda a história e compreensão da Escritura Sagrada, torna-se maravilhosamente mais rico e vivo. A cultura hebraica sempre levou a questão dos "nomes e seus significados" muito a sério em relevância. Aliás, está é uma característica bastante marcante do idioma hebraico. Por exemplo, “Jordão” é uma palavra que significa “descer profundamente”, e é justamente assim que se comporta o rio que recebeu este nome.


O rio Jordão começa em três locais no norte de Israel, e uma das suas fontes (a principal) provém de uma montanha chamada Monte Hermon, que é, na verdade, um conjunto de montanhas com três distintas cimeiras, que se elevam a nordeste do mar da Galileia, na fronteira entre o Líbano e a Síria, na zona tampão entre Síria e área militarmente ocupada pelo atual Estado de Israel, a uma altitude de 2814 m acima do nível do mar, e a foz do rio Jordão, depois de percorrido todo o seu vale, chega a estar a cerca de 400 m abaixo do nível do mar, depois que ele deságua no Mar Morto (que não é mar, mas um lago), o que significa que o rio Jordão ao longo de todo o seu curso, da nascente, nas cimeiras do Hermon, até a foz, desce a incrível marca de mais de 3200 m!

Topografia de Israel e do Rio Jordão - Compare a altitude do Jordão com a de Jerusalém e com a do "Monte Nebo, que está na terra de Moabe bíblica (atual Jordânia)" Dt 32:49 - Descer ao Vale do Jordão é descer ao mais profundo vale existente na terra. "Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo: Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão; e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo"; 
Olhando para o Lado de Israel, de certa altitude do Monte Nebo - Creio que deva ser bastante raro a ocorrência de dias de céu mais aberto do que isso, em que se possa ver mais longe mas, o Senhor Jeová preparou e Mouses pode ver (a uma altitude entre 800m e 850m  acima do nível do mar). Lá embaixo, no sopé da montanha existe um povoado jordaniano que naquele tempo não existia - O rio Jordão está passando mais adiante, lã no meio do vale (no meio da foto, a cerca de 23 km daqui do ponto de observação, em linha reta) - Bem a direita da imagem, da pra ver apenas um nuance, uma ponta da cidade de Jericó atual (que fica após a travessia do Rio Jordão, cerca de 28 km em linha reta). Ali é, desde os tempos bíblicos, o povoamento humano localizado em mais baixa altitude do mundo começando em cerca de 300 m negativos.

O rio Jordão é curto, mas a partir das suas cabeceiras nas montanha (cerca de 160 quilômetros ao norte da desembocadura do rio no Mar Morto antes de chegar a território jordaniano o rio forma o lago Tiberíades (o famoso, mar da Galileia por onde Jesus andou, literalmente, sobre as águas), cuja superfície já se encontra a cerca de 200 ~ 210 metros, abaixo do nível do mar.

O principal tributário do rio Jordão é o rio Yarmuk. Poucos quilômetros logo após o Jordão sair do Mar da Galileia Perto da junção desse dois rios, o Yarmuk forma a fronteira entre Israel no noroeste, a Síria no nordeste e a Jordânia no sul. Já a cerca de metade do caminho entre a saída do mar da Galileia e a entrada no Mar Morto, o rio Az Zarqa, o segundo principal afluente do rio Jordão, chega e se esvazia totalmente dentro da margem leste dele.

A fenda do vale tem cerca de 99 km de extensão (em linha reta) e vai desde o entrocamento com o rio Yarmuk, no norte até o ponto da desembocadura, no mar Morto (ou seja, cerca 380 km se considerarmos que  se estende até a região de Al Ácaba, no extremo sul, a oeste da península do Sinai, bem depois de ter terminado o Mar morto, como é de costume alguns visualizarem).

Mar Morto (a região Terrestre mais baixa de toda a Terra - mais de 400 m abaixo do nível do mar

Aquele trecho de 99 km é que é referido comumente como “O Vale do Jordão”, que é, em geral, delimitada por uma escarpa íngreme, tanto na margem leste quanto na oeste, e o vale atinge uma largura máxima de 22 km em alguns pontos. O vale é conhecido como a Ghawr Al (que significa a depressão, ou vale, também conhecido como Al Ghor).

No mês de Abril (estação de primavera no hemisfério norte), que é a época de colheita (e lá eles tem apenas uma colheita/ano e não múltiplas colheitas como o que acontece, em geral, aqui no Brasil). O lado do Monte Hermon, que está diretamente de frente para o norte do rio Jordão, vai derretendo a maior parte de sua neve de inverno, durante esta temporada particular.

Rio Jordão em sua vazão máxima de primavera (no mês de Abril) correndo em direção ao Mar Morto.  "Do alto estendeu o braço e me tomou; tirou-me das muitas águas." Salmos 18:16. "A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas." Salmos 29:3. "Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te. Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão." Salmos 32:6.  
Deste modo, o rio Jordão que até então, parecia um rio calmo, adquire agora uma massa violenta e furiosa de água, aumentando a sua vazão em cerca de 50 vezes mais, e se tornando mais largo do que um campo de futebol em alguns trechos. As águas descem revoltas e espumantes num espetáculo magnífico.

O rugindo feroz das águas do caudaloso rio Jordão dessa época é deveras surpreendente e chega mesmo a ser assustador. Ai, então, eu me faço uma pergunta (a mim mesmo e ao Deus do universo), alias, uma pergunta apenas não mas, duas perguntas:
  1. Aquela água toda que desce violentamente pelo rio Jordão durante todo o mês Abril, e que continua a descer em menor volume o ano todo, não vai desaguar no Mar Morto? Para essa pergunta eu creio que sei a resposta, e ela é sim!

  2. E o Mar Morto, então, deságua aonde?
Afinal, o que acontece com a toda aquela água que desce pelo rio Jordão? Água que tem um significado simbólico de valor histórico, tanto para judeus quanto para cristãos, e que chega ao Mar Morto? Tudo bem que o rio Jordão é a única fonte de entrada de água ali mas, ela está sempre entrando, continuamente!

Bem, a explicação é a seguinte: quando o rio termina e ele se espraia em forma de um lago que chamamos de Mar Morto, com uma ampla lâmina d'água em uma região desértica e muito quente. Dai, uma boa parcela de toda aquela água vira, simplesmente, vapor atmosférico, mas essa pode não ser a maior parcela "água que some".

Algo que pode consistir num "quase desastre ecológico e histórico" causado por mãos humanas, ao sul do mar Morto, pois ele  acelera a evaporação da água e, creio, que só não se tornou pior pela misericórdia de Deus, que converte o mal em bem. Boa parte das grandes nuvens que podem ser observadas na imagem, muito provavelmente, provêm de tal evaporação, mas nada que o homem faça com suas mãos pode garantir que tais nuvens venham a ser úteis.
Além do mais, nos últimos 50 anos o mar Morto até mesmo diminuiu, ligeiramente, de tamanho, devido ao impacto ambiental causado pela implantação de salinas para exploração de cloreto de potássio, na parte extrema sul dele. Essa obra gigantesca, porém que pode se revelar um tanto quanto desastrosa, pode ser observada com ricos detalhes pelas imagens geradas por satélites do Google Earth.

A maior parcela da água entregue pelo rio Jordão ao mar Morto é, simplesmente, “devorada” por infiltração irrigando o solo, tanto redor da área do Mar Morto, quanto daquela área, mais ao sul onde se encontram as salinas de exploração de cloreto de potássio. Poderia se pensar que houvesse a tendência dela tentar prosseguir em direção sul, mas a partir dali a altitude da superfície o solo começa a se elevar, gradualmente, então ela simplesmente pode penetra no solo daquela região muito árida, que recebe menos de 50 mm de chuva por ano, até aparentemente desaparecer.

Mas ela, a água, está lá, no subsolo, e beneficiando alguma atividade agraria, existente tanto ao sudoeste e, principalmente ao sudeste do mar Morto (já na Jordânia, confira no Google Earth), em uma região onde tal atividade humana não seria possível sem ele, e sem o rio Jordão que o abastece.

Apesar das salinas de cloreto de potássio parecerem uma extensão natural do Mar Morto, elas não são: houve escavações ali que as formaram. Existe um apêndice do Mar morto, que surge por bombeamento e infiltração, que ocorre em seu extremo sul. No entanto, é por um fino canal, escavado, que corre de norte a sul, marginal à borda desse apêndice, que a água captada por estação de bombeamento, drenando pelas tubulações 9 m3/s de água salgada, diretamente do Mar Morto, que é levada até a área de malha de salinas.

Compare mapas de Israel antigo com mapas atuais, tomando como referência, por exemplo, a pequena localidade de Arad, que fica muita próxima, e na mesma latitude, das ruínas da antiga Arad (Tel Arad) dos tempos do rei Davi. Não havia, nos tempos bíblicos, extensão do Mar Morto que fosse ao sul, para além da latitude de Arad, que é, praticamente, a mesma latitude de Berseba (Beer-sheba), que fica mais para oeste de Arad.


Sítio Arqueológico de Berseba nos dias atuais, distante poucos quilômetros a leste da cidade moderna.
Berseba, que foi uma importante localidade bíblica, onde Jeová proveu que fosse celebrada a paz entre Isaque (filho de Abraão, "que plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno. (Gênesis 21:33)) e Abimeleque (rei dos Filisteus), de modo semelhante ao que já havia ocorrido tempos antes, nesta mesma localidade, com os seus pais, e que os servos de Isaque cavassem um novo importante poço, para que eles se assentassem em paz e prosperassem (Gênesis 26:23-33). 

Todavia, hoje em dia, as salinas se estendem por aproximadamente uns 33 km mais ao sul do Mar Morto, provavelmente alagando terras e ruínas de alguma das localidades por onde andou Davi e seus correligionários, nos dias em que eles fugiam da perseguição do rei Saul, enquanto as mãos de Jeová os protegiam e sustentavam (veja I Samuel 23:24-28) em seu exílio.

Mas estas salinas ao sul não são a única ocorrrência de grande bombeamento de água a partir do Mar Morto, que é feita, também, em outros pontos, Uma grande estação de bombeamento, por exemplo, fornece água salgada do norte do Mar Morto para as fábricas, com cinco bombas de água poderosas com 5,000Hp cada, instalados. O projeto envolveu erguer estruturas marítimas de grande escala, dragagem, a criação de sistemas elétricos de alta tensão, obras de construção mecânica e civil e muito mais.


Sempre que tentamos entender as ações de Deus, um fator essencial em Sua natureza é que, embora Ele, de fato, seja o “Deus Todo-Poderoso” e o Soberano do universo, Ele também é “misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade” (Joel 2:13), conforme nos declararam os profetas. Ao meu ver, toda essa geografia e seus fenômenos curiosos revelam isso.

Além disso, o apóstolo Pedro descreveu a intenção básica de Deus para a humanidade em 2 Pedro 3:9: “... ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”.

É obvio, então, que a vontade básica de Deus para o ser humano é que este seja salvo, e que nenhum se perca. Portanto, partindo dessa compreensão, é possível discernir o Seu propósito em advertir tantas vezes o homem quanto ao que acontecerá “logo em seguida à tribulação daqueles dias” (Mateus 24:29), a reaparição gloriosa de Jesus.

O principal objetivo do período de tribulação será abalar os alicerces de todo sistema humano e invadir o pensamento e coração do homem com todo tipo de juízos e atos de misericórdia, de modo que todos que estiverem vivos durante aquele período de desfecho da história, possam por fim perceber que Jeová existe e que ele é o único Deus e, da necessidade de invocar o nome do Senhor e de adorá-lo, em Espírito e em Verdade.



Deus do Impossível (Trazendo a Arca)

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer

O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer

O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível

Dedico este estudo ao Pr. Gilvan, um homem somples, e de Deus, amante da palavra inspirada e meu amigo, pastor da Igreja A. D. Betel para as Nações - em Osasco - SP - Brasil

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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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