segunda-feira, 29 de agosto de 2011

As perseguições acompanham a vida do crente por toda a parte:


Jesus Cristo, o Filho de Deus, Aquele no qual nós cremos e que nós seguimos, disse muito claramente e de várias maneiras, que aqueles que o seguissem seriam perseguidos. Atentem para o fato que Jesus não disse que seus seguidores poderiam, por ventura, ser perseguidos, mas ele disse, sim, que decerto o serão perseguidos!


Vemos referências a tal propósito, quando Jesus disse: "“Felizes sois quando vos vituperarem e perseguirem, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus; pois assim perseguiram os profetas antes de vós." (Mt. 5:11-12);


Eu mesmo já fui perseguido, no passado, diversas vezes, por erros que eu de fato cometi e que eu, então, por saber-me culpado, tive muito medo e fugi, me ocultei, me esquivando de eventuais castigos, então merecidos, pelos meus atos. Mesmo me esquivando, com sucesso, perante os olhos do mundo, de tais perseguições, no meu âmago eu sentia, sempre, a cada dia, que foi tudo muito vergonhoso e triste com respeito a tais coisas, eu mesmo não conseguia me perdoar pelo que eu havia vivido.

Isso tudo já passou e agora eu começo a  me ver novamente perseguido, muito embora eu não me sinta perseguido, de fato. É que a tal perseguição atual é por causa da verdade, da palavra de Deus, que eu não consigo deixar de viver e apregoar e a qual o mundo odeia.

Eu juro que a sensação agora é totalmente diferente da de outrora: não há mais nada de medo nem de vergonha: eu só sinto uma coragem enorme, que supera aquela que eu possa ter tido em qualquer outra ocasião anterior de minha vida e uma perspicácia no manejo da palavra de Deus, que eu nem sonhava que eu poderia ter um dia, além de rencontros surpreendentes e maravilhosas com pessoas que eu conheci anteriormente e que de modo misterioso se encontram agora na mesma rota que eu.

Muito embora eu saiba que logo ali em frente existe uma turba de perseguidores que me odeiam por causa das coisas que eu creio, sendo clara as palavras rudes e de afronta que estes me retornam, mas eu já não consigo vê-los individualmente com clareza, pois é como se eles se tornassem tão somente uma massa disforme, algo impessoal.

" Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou antes de odiar a vós. Se vós fizésseis parte do mundo, o mundo estaria afeiçoado ao que é seu. Agora, porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: O escravo não é maior do que o seu amo. Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós; se observaram a minha palavra, observarão também a vossa. Mas, farão todas estas coisas contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou." (Jo 15:18-21) … "Tenho falado estas coisas para que não tropeceis. [Os] homens vos expulsarão da sinagoga. De fato, vem a hora em que todo aquele que vos matar imaginará que tem prestado um serviço sagrado a Deus. Mas, farão estas coisas porque não vieram a conhecer nem o Pai nem a mim." (Jo 16:1-3);

"“Mas, antes de todas estas coisas, as pessoas deitarão mãos em vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, sendo vós arrastados perante reis e governadores por causa do meu nome. Isto vos resultará num testemunho. Portanto, assentai nos vossos corações não ensaiar de antemão como fazer a vossa defesa, porque eu vos darei uma boca e sabedoria, à qual todos os vossos opositores juntos não poderão resistir, nem [a] disputar. Além disso, sereis entregues até mesmo por pais, e irmãos, e parentes, e amigos, e eles entregarão alguns de vós à morte; e vós sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome. Contudo, nenhum cabelo de vossa cabeça perecerá de modo algum. Pela perseverança da vossa parte adquirireis as vossas almas." (Lc 21:12-19).

O apóstolo Paulo confirmou que nós Cristãos fomos chamados a ser perseguidos por causa de Cristo. Ele disse, de fato, aos Tessalonicenses que nós estamos destinados a sofrer (ver 1 Ts. 3:3), e a Timóteo que "De fato, todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos." (2 Tm 3:12).

Durante uma certa fase passada recente de minha vida, no âmbito da minha recuperação como adicto, eu me preocupei muito com a questão relacionada com o termo "resiliência". A resiliência é um conceito psicológico novo, emprestado da física. Na física, resiliência é um conceito que se refere à propriedade de que certos materiais são dotados, de absorver e acumular energia quando submetidos ao estresse (tensão) de uma força exterior que lhes é aplicada, porém sem que ocorra ruptura de forma alguma. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma devolução (descarga) da energia armazenada, como um corda elástica ou uma vara de salto em altura, que verga-se até um certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original, dissipando a energia acumulada, lançando o atleta para o alto..

Já em psicologia, resiliência é definido como a capacidade que um indivíduo tem de lidar com problemas, superar obstáculos, resistir à pressão de situações adversas, em suma, lidar com as frustrações inevitáveis, choques e estresses etc. - sem entrar em surto psicológico. No contexto das organizações humanas, a resiliência é vista nas circunstâncias de tomada de decisão quando, entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. O foco em tais conquistas, face das decisões, propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.

Ao pesquisar e estudar sobre resiliência, eu pretendia, dominando-a, usá-la como ferramenta, como arma de defesa, em todos os contextos da minha vida, no meu dia a dia, incluindo a minha defesa quanto a perseguições por causa da fé. Todavia mais uma vez Jesus me surpreende com a sua simplificação de tudo. A simplicidade que há em Cristo me diz tão somente: “Porém, quando vos levarem perante assembleias públicas, e [perante] funcionários do governo e autoridades, não fiqueis ansiosos quanto a como ou o que haveis de falar em defesa, ou o que haveis de dizer; pois o espírito santo vos ensinará naquela mesma hora as coisas que deveis dizer.” (Lc 12:11-12). De modo que, a minha preocupação com o desenvolvimento de resiliência, simplesmente não procede.

O apóstolo Paulo sofreu muito pelo nome de Cristo: eis algumas das suas palavras sobre os seus sofrimentos padecidos por ser perseguido por causa do Evangelho: "Dos Judeus cinco vezes recebi quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado; …. em fome e sede, …. em frio e nudez" (2 Co. 11:24,27), e ainda: "Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós desprezíveis . Até a presente hora padecemos fome, e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e o suportamos; somos difamados, e exortamos; até o presente somos considerados como o lixo do mundo, e como a escória de todos " (1 Cor. 4:9-13).

Como adicto em recuperação eu confesso que tenho, hoje, facilidade em compreender a mensagem de Paulo, fazendo analogia do amor a Cristo e ao Evangelho a loucura, fraqueza e desprezo, uma vez que eu pude conhecer e viver em mim mesmo a mais absoluta e profunda loucura, fraqueza e desprezo que são propiciadas pela mais poderosa ferramenta de destruição que o poder superior iníquo preparou para este tempo do fim, com o intuito de devorar as almas dos seres humanos mais renitentes, ignorantes e egocêntricos: o uso e abuso de substâncias que alteram o seu humor e sua capacidade de escolha: as drogas. Depois de passar pelo horror do mundo das drogas, nunca mais a palavra de Deus pôde parecer-me em nada louca, fraca ou desprezível, mas ao contrário, sábia, poderosa e fundamental.

Os santos de Jerusalém ( ver At 8:1-3), os de Tessalônica (ver 1 Ts. 2:14), os de Esmirna (ver Ap. 2:8-11), os de Pérgamo (ver Ap. 2:13), sofreram muitas coisas por amor do Senhor Jesus.

Estêvão foi apedrejado pelos Judeus e morto (ver. At 7:54-60), Tiago irmão de João foi morto por mão de Herodes (ver At 12:1-2), Antipas foi morto pelo nome de Cristo (ver. Ap. 2:13). Numa das passagens mais impressionantes da Bíblia, João na visão que teve na ilha de Patmos viu as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho que deram (ver. Ap. 6:9-11).

Os verdadeiros Cristãos sempre foram perseguidos em qualquer época e lugar que tenham vivido. Algumas vezes a perseguição será mais forte outras vezes menos forte, mas a perseguição haverá sempre. Outro dia li em um site de internet, que na época do ditador Nicolae Ceausescu, um crente romeno recebeu a visita da polícia secreta que revistou toda a casa e confiscou muitos livros cristãos. Prenderam e levaram o crente ao tribunal. Interrogaram-no duramente por dez horas. Ao final, os juízes perguntaram: Tem algo mais a acrescentar?

– Senhores, este interrogatório e prisão não me surpreenderam, porque eu sabia que isso iria acontecer. O Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que, se queriam segui-lo, seriam presos e sofreriam. Os senhores teriam me prendido se eu não fosse cristão?

– Não.

– Portanto, a Bíblia é verdadeira. Estou disposto a suportar as consequências de minha fidelidade e a pagar o preço. O trabalho de vocês consiste em estabelecer esse valor; o meu é pagá-lo com alegria, porque amo a Deus. Ele me fortalecerá para suportar essa prova. Mas quero que saibam que Ele também os ama.

Os juízes, espantados, se entreolharam e disseram ao acusado: – Vá para casa. Depois de tudo, o seu caso não é da alçada da justiça humana.

Embora o mundo esteja contra os que creem em Jesus, isso não deve desanimá-los, pois o amor de Deus os consola. Além disso, a esperança e a fé os faz alcançar a vitória. O próprio Senhor Jesus carregou uma cruz e morreu pregado nela; e Ele categoricamente afirmou: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8:34). Existe uma cruz para nós e existe um preço a pagar por seguir o Senhor Jesus. Não se engane, “no mundo tereis aflições” (Jo 16:33). De modo que não existe Evangelho sem sofrimento, "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se veem, mas sim nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, enquanto as que se não veem são eternas" (2 Cor. 4:17-18). Aliás, é justo que nós soframos porque também Jesus Cristo tem sofrido muito por nós. Por que não haveríamos nós de sofrer por amor do seu nome? E, além disso, as aflições cooperam para o nosso bem porque, como diz Paulo, produzem em nós paciência (ver. Rom. 5:3) e a paciência cumpre perfeitamente a obra de Deus em nós (ver. Tg 1:2-4).

Portanto, não murmuremos contra Deus no meio das aflições, mas oremos encomendando as nossas almas ao fiel Criador, fazendo o bem (ver. Tg 5:13 e 1 Pe. 4:19). Não desanimemos, pois é normal, justo e útil aquilo que nos sucede. Alegremo-nos de sermos julgados dignos de ser vituperados e perseguidos pelo nome de Jesus.

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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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