sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Steve Jobs e o "Assalto" ao Xerox PARC


"Uma coisa é estar convencido de algo e tentar repassar a certeza para os demais. Outra, bem diferente, é querer que as coisas mudem e usar os outros para tentar obter esse resultado." (Celso Ming em Faltou Convencer).

Apesar do meu quase completo antagonismo, de maneira geral, com relação aos pensamentos do autor das frases acima, elas aqui me cabem muito bem, até mesmo porque a ideia é, deliberadamente, pervertê-las.

A primeira coisa, era o que tentava fazer John Sculley na Pepsi-Cola, antes que Steve Jobs, no uso dos seus permanentes atributos da segunda coisa, viesse lhe provocar com a emblemática indagação: "Do you want to sell sugar water for the rest of your life, or do you want to come with me and change the world?"

No entanto, foi exatamente aquilo, a primeira coisa, que Sculley continuou fazendo, mesmo depois de ter sido aportado para ser o CEO da Apple Co., enquanto apenas Jobs, indiferente aos percalços e adversidades que o próprio Sculley, e outros. lhe impunham, tratava de seguir transformando o mundo. 

Nem vale a pena parar para lamentar tais fatalidades pois, a natureza humana é, inexoravelmente, assim mesmo! Existem características intrínsecas que separam, para sempre, tipos de intelectos, definidos em suas formas de ideologias e de ações. Todavia, se você é alguém que costuma pensar pela segunda coisa, que isso jamais te impeça de sonhar e de agir.

Think different, don't worry and be happy forever!

Apenas mais uma homenagem póstuma a Steven Paul Jobs (São Francisco, Califórnia, 24 de fevereiro de 1955 — Palo Alto, Califórnia, 5 de outubro de 2011).

Hummmmm ... não tenha dúvidas quanto a mim e quanto ao "o que eu acredito":

Eu acredito que, sem Mike Markkula, Steve Jobs ainda seria o mesmo genial Steve Jobs e, sem Arthur Rock e seu dinheiro, a Apple ainda assim, teria se tornado na Apple. Mesmo que as coisas acontecessem de forma mais lenta, creio que nem perda de Timing haveria, até mesmo por que, para quem é detentor do poder criativo, timing é algo sempre recorrente.

1978 era bem cedo para Steve Jobs ter se rendido, sem antes persistir em tentar tocar a Apple de uma outra forma, que garantisse a manutenção da sua independência criativa mas, a realidade é que, ele estava muito impaciente, ansioso para fazer o seu negócio decolar e, quanto aos modus operandi das entradas de investimentos provenientes do capitalismo e risco, ele era totalmente ingênuo, ignorante mesmo.

Jobs e Sculley
A história contada pelo lado oficial, dão conta de que Mike Markkula seria um "Angel Investor", todavia, não obstante, o que ele fez foi gerir uma combinação de dinheiro seu próprio com dinheiro dos outros Capitalistas de Risco, como Arthur Rock, agrupados em  um pacote de gestão profissional. Foram US$ 250.000 (80.000 dólares como um investimento no capital da empresa e 170.000 dólares como um empréstimo).

Em 1985 Markkula estimulou John Sculley em uma disputa com Jobs, causando, por fim, o último a deixar a empresa. Se Steve Jobs não tivesse que enfrentar as oposições traiçoeiras de Sculley, talvez ele não tivesse desenvolvido a resiliência que o deixou tão altamente criativo. Mas ser movido à criatividade com sentimentos internos de superação vingativos é uma armadilha, um câncer espiritual, que acaba por causa a morte emocional e, por fim, do corpo físico!

Em 1993, John Sculley recebeu a sua (merecida) recompensa das mãos de Markkula que, então, ajudou a forçar Sculley para fora da Apple. No entanto, no início, além de fornecer uma "supervisão adulta" para os mais jovens Jobs e Wozniak, como um engenheiro treinado, Markkula também possuía habilidades técnicas.

Ele escreveu, pessoalmente, alguns dos programas originais de Apple II, serviu como testador beta para os hardwares e softwares da Apple. Wozniak projetou o sistema de unidade de disco, disquete  Disk II, após Markkula descobrir que um programa de balanço de talão de cheques que ele tinha escrito carregava muito lentamente a partir de uma fita de dados.

Já de volta a Apple, com a qual, mesmo estando fora, Steve Jobs nunca conseguiu deixar de ficar preocupado, em 1996, em se livrar dos "palhaços" que trabalhavam na Apple depois que ele vendeu a NeXT para a Apple, ele teria dito:

"Eu queria ter certeza que as pessoas realmente boas que vieram da NeXT, não seriam esfaqueadas pelas costas, por pessoas menos competentes que estavam em cargos seniores da Apple."

O "Assalto" ao Xerox PARC:


A expressão "Xerox PARC" refere-se ao Centro de Pesquisas de Palo Alto (Palo Alto Research Center), da empresa Xerox Co..

O PARC foi uma importante divisão de pesquisa da Xerox Corporation baseada em Palo Alto, Califórnia, nos EUA, fundado em 1970, que transformou-se em uma companhia autônoma em 2002.

Ele é famoso por ter sido o berço de invenções como a interface gráfica dos computadores pessoais (GUI), comprada pela Apple Computer e popularizada com o Macintosh e, posteriormente por outros sistemas operacionais, incluindo o tardio S.O. Windows, da Microsoft.

A palavra "comprada" que eu negritei acima, e a sua frase de contexto, foram extraídas da Wikipédia e, colocadas assim, em desagravo ao forte titulo desa postagem. Mas, afinal de contas, o que foi o "Assalto" ao Xerox PARC e o que steve Jobs teve a ver com aquilo.

"Dentro de uma visão de senso prático, inovação é você tomar uma tecnologia descoberta antes, melhorá-la e convencer as pessoas a comprá-la. É assim que a inovação funciona." filosofia Geek.

A partir de meados de 1976, Steve Jobs e Steve Wozniak oficializam a sua parceia e Wozniak começou a projetar aquilo que seria uma das primeiras linhas de sucesso comercial de computadores pessoais, a Apple série II. Jobs e Wozniak planejavam um computador com "excelente invólucro, teclado incorporado, totalmente integrado, desda fonte de alimentação, passando pelo software, até ao monitor."

O projeto foi viabilizado graças a Mike Markkula que ofereceu lhes uma linha de crédito de um total de 250 mil dólares em troca de uma participação acionária. Em 3 de abril de 1977 a nova empresa — Apple Computer Co. — foi oficialmente criada e comprou a antiga sociedade que havia sido formada por Jobs e Wozniak nove meses antes.

A fonte de alimentação do Apple II foi outra grande evolução. Jobs queria evitar a necessidade de um ventilador e encomendou a construção de um novo tipo de fonte ao engenheiro Rod Holt, da Atari. Holt construiu uma fonte chaveada que possibilitava uma eficiência energética bastante superior em relação as tradicionais fontes de energia lineares usadas até então, e que consequentemente liberava bem menos calor.

Apple II
Para o design, Jobs queria um trabalho que se destacasse diante dos computadores em suas caixas cinza metálico. Ele queria invólucro elegante, feito de plástico moldado leve. O trabalho foi encomendado originalmente a Ron Wayne, mas coube ao consultor Jerry Manock produzir a versão final.

O Apple II foi lançado oficialmente em abril de 1977 durante a primeira Feira de Computadores da Costa Oeste em San Francisco. A Apple recebeu trezentas encomendas durante a exposição, e Jobs conheceu um fabricante de tecidos japonês, Mizushima Satoshi, que se tornou o primeiro revendedor da Apple no Japão.

O sucesso de vendas do Apple II foi tão grande (acabou vendendo quase 6 milhões de unidades em 16 anos) que fez da Apple, em curto espaço de tempo, uma das mais cobiçadas empresas de tecnologia do país. Já no inicio de 1979 todos no Vale do Silício desejavam um pedaço dela e as muitas propostas eram feitas sucessivamente. 

Então num dado instante Jobs, ainda aos 24 anos de idade, pensou que seria interessante permitir que a Xerox comprasse 100 mil ações de ao preço de dez dólares cada. 

Nesta transação, coube aos engenheiros da Apple Jef Raskin e Bill Atkinson convencer Jobs da importância de conhecer as inovações criadas no centro de pesquisas da Xerox e, assim, Jobs aproveitou e negociou duas visitas mediante a venda das ações.

Mike Scott, Jef Raskin,, Steve Jobs, Chris Espinosa e Wozniak
A visita de Steve Jobs juntamente com alguns engenheiros da Apple ao Palo Alto Research Center, mais conhecido como Xerox PARC, durante o verão de 1979, está entre os momentos mais folclóricos da indústria da computação.

As exibições da funcionalidade do Xerox Alto impressionaram a equipe de engenheiros da Apple e agitação instantânea na mente de Jobs. Dirigir um computador convencional, naqueles dias, significava a digitação em um comando por meio do teclado.

Com Jobs parado, de pé, diante de um Xerox Alto, o computador pessoal do PARC, o engenheiro da Xerox chamado Larry Tesler realizava a apresentação que, posteriormente foi descrita pelo seguinte:

“Ele moveu o cursor pela tela com a ajuda de um "mouse" e simplesmente “clicou” em um dos ícones na tela. Ele abriu e fechou "janelas", habilmente passando de uma tarefa para outra. Ele escreveu em um programa de processamento de texto elegante, e trocou e-mails com outras pessoas no Parc, pela primeira rede mundial de Ethernet. Jobs tinha vindo com um dos seus engenheiros de software, Bill Atkinson. Atkinson e se aproximou o mais perto o quanto podia, com o nariz quase tocando a tela.”

Vendo aquilo, Jobs se agitava e dizia para si mesmo: “Eu não acredito que eles não estejam fazendo muito mais coisas com essa tecnologia!”

Em um certo ponto da apresentação, lembra Tesler, Jobs ficou um pouco mais agitado e não mais se segurou, exclamando em alto e bom tom: “Por que você não está fazendo nada com isso? Esta é a melhor coisa. Isso é revolucionário! "

Xerox Alto - A CPU está debaixo da mesa
Deskbottom, em contraponto aos Desktops
O computador Xerox Alto apresentava três grandes inovações tecnológicas: A primeira era a ligação de computadores em rede. A segunda era a programação orientada a objetos e a terceira e mais impressionante (para jobs), era a interface de usuário gráfica, com a tela de bitmap e a operação por mouse.

A Xerox Alto foi um dos primeiros computadores projetados para uso individual (computador pessoal), no entanto, ele não era especificado para a opção de ser do tipo autônomo (standalone) como sonhava Jobs mas, sim, do tipo estação de trabalho (workstation), para ser operado exclusivamente em ambiente de redes corporativas.

O Alto nunca foi um produto comercial para a Xerox, apesar de mais de dois mil terem sido construídos. Universidades, incluindo o MIT, Stanford, CMU, e da Universidade de Rochester recebeu doações de Altos incluindo servidores de arquivos e impressoras IFS Dover laser.

Uma outra característica inovadora do Xerox Alto, que parece não ter sido bem explorada comercialmente pela Xerox e nem aproveitada de imediato pela Apple, foi o modo retrato de apresentação. Usado pela primeira vez no computador Xerox Alto, foi considerado tecnologicamente bem à frente de seu tempo quando o sistema foi desenvolvido pela primeira vez. Os comerciantes de produtos Xerox parece não terem entendido como o sistema era revolucionário, e a exibição retrato, apesar de ter influenciado algumas outras poucas aplicações de estações de trabalho fora da Xerox, desapareceu, enquanto o modo de exibição paisagem dos televisores se tornava comum, desde cedo, apropriados para o uso como nos monitores dos microcomputadores de baixo-custo.

Jobs foi um dos primeiros a ver o enorme potencial comercial da interface do usuário gráfica (GUI) operada por mouse do Xerox Alto, o que o levou à criação, ainda em 1979, imediatamente após as suas duas visitas ao Xerox PARC, do projeto Apple Lisa. Assim que retornou da segunda visita, ele exigiu de sua equipe na Apple, que estava trabalhando na próxima geração do computador pessoal (o fracassado Apple IIi), a mudar todo o seu pensamento. Ele queria menus, ele queria janelas, ele queria um mouse!

Steve Jobs e Bill Atkinson
De Allan Alcorn um dos magos da Atari: "Sculley acreditava em manter as pessoas felizes e preocupante sobre relacionamentos. Steve não dava a mínima para isso. Mas ele se importava sobre o produto de uma forma que  Sculley nunca poderia, e ele foi capaz de evitar que muitos palhaços que trabalham na Apple por insultar alguém que não era um jogador."

Sobre o Apple III, lançado em Maio de 1980, e que ao contrário do antecessor, foi um fracasso. Randy Wigginton, um dos engenheiros, resumiu o problema da seguinte maneira: “O Apple III era uma espécie de filho concebido durante uma orgia; mais tarde, todos estão com uma dor de cabeça terrível, e lá está aquele bastardo, e toda a gente diz: não é meu”.

Jobs já havia, então, de corpo e alma, adotado o projeto Lisa que, inicialmente, estava sendo desenvolvido por sua equipe. Todavia, depois de um tempo ele passou a ser convidado a se retirar e, por ordens da diretoria da Apple, ele acabou sendo afastado daquela equipe em 1982.

Jobs recebendo Markkula e o Capital de risco que ele trouxe para a Apple (1977)
É realmente algo difícil, complicado, de encontrar alguém disposto a dar uma explicação razoável sobre o porquê daquele afastamento de Jobs do projeto Lisa. No entanto, eu mesmo posso dar uma pista resultado de minhas pesquisas: tudo pode ter nascido de uma articulação entre Mike Markkula e Arthur Rock, um dos "fundadores" do Vale do Silício, na Califórnia.

Em 1977, Mike Markkula entrou na Apple Computer e, como "testa de ferro" de capitalistas de risco, ligou Steve Jobs e Steve Wozniak com Arthur Rock. Rock comprou 640.000 partes da Apple Computer por nove centavos por ação, um investimento de cerca de US $ 57.000, que integraram a linha de credito inicial de de US$ 250.000 que Markkula trouxe para a Apple. Asim, ambos, Markkula e Rock se tornaram um diretores da empresa. Três anos mais tarde, quando a Apple foi a público, suas ações valiam US$ 14 milhões, um retorno de 23.000%, aumentando ainda mais a reputação do Rock e de Markkula.

Something Ventured (1), um vídeo documentário de 2011 que destila sobre o surgimento do
capitalismo de risco norte-americano da segunda metade do séc. XX, apresentando
capitalistas de risco famosos, como Artur Rock, Tom Perkins, Bill Edwards, bem como
empresários famosos, dentre os quais, Mike Markkula (Apple).




Jobs não era visto como aquilo que ele realmente era, imprescindível para a Apple, por nenhum desses dois senhores. Markkula via Wozniak como  mais importante para a tecnologia dos produtos desenvolvidos na Apple do que Jobs, enquanto que Rock via Jobs como um competidor, uma ameaça, uma verdadeira pedra no sapato para o desejado controle total da empresa. 

Com Jobs, Rock foi confrontado por alguém que almejava controle. Lembrando desta época em um projeto de história da Universidade da Califórnia, Rock disse que “Jobs era um problema, muito cabeça dura”. Em sua afirmação, ele disse que: "... Jobs chateava as pessoas na empresa, pois queria que tudo fosse feito do seu jeito, e também não falava sobre o que ele estava fazendo, mesmo sendo um dos maiores acionistas da Apple".

Ao que tudo indica, o afastamento de Jobs do projeto Lisa em 1982, foi apenas um ensaio daquilo que viria a acontecer em 1986, já com a ajuda de John Sculley, o afastamento total de Steve Jobs da empresa Apple, empresa que ele próprio havia criado desde de a tenra semente e era, em si, a própria alma. Foi o confronto desigual e desleal,  mas sempre inevitável, entre o gênio criador e o capitalista de risco.

Apple. Intel. Genentech. Atari. Google. Cisco. Todas empresas muito conhecidas, com equipes e pessoas geniais de sucesso estratosférico e, com apostas altas ao redor. Por trás de cada uma das empresas mais revolucionárias do mundo estão um punhado de homens com aporte de capital para investimento que, através de timing, previsão e muita sorte, veem oportunidades e as aproveitam: são os capitalistas de risco originais.

Muitas dessas empresas não poderiam, ou acredita-se que não poderiam, ter se tornado realidade sem se debater, e se deixar levar, pelos capitalistas de risco. A partir disso, poderíamos parar com essa dissertação e recomeçar tudo a partir de um novo título: Arthur Rock e o "Assalto" ao Apple Seed...

Jobs estava interessado em desenvolver um computador pessoal que pudesse chamá-lo de sua "criação", e aquele afastamento compulsório do projeto Lisa deve tê-lo magoado muito. Embora os engenheiros da Apple tivessem criado o acrônimo LISA (Local Integrated Software Architecture) para explicar o nome do projeto, todos sabiam que Lisa era, também, o nome de sua primeira filha, Lisa Nicole Brennan-Jobs, nascida em 1978 e de quem Jobs estava afastado na época.

Apple Macintosh
Assim, aparentemente conformado, Jobs passou a adotar o projeto Annie, que vinha sendo encabeçado por Jef Raskin, que um ano depois, seria rebatizado de Macintosh de modo que Jobs empenhou-se no desenvolvimento desse computador que, por fim, revolucionou a indústria da informática. Curiosamente, com o Macintosh reacendeu um certo interesse em displays em formato retrato.

Ambos os produtos da Apple, Lisa e Macintosh foram lançados com menos de um ano de defasagem: o lisa saiu em Janeiro/2003 enquanto o Macintosh em Janeiro/2004. Durante todo o tempo relativamente longo do projeto desses dois produtos (o do Macintosh ainda maior), a Apple foi sustentada, principalmente, pelas vendas do Apple II que ainda continuavam a crescer, mesmo depois de 5 anos de amadurecimento.

O Apple Lisa havia sido concebido, inicialmente, para ser uma máquina vendida ao preço de 2 mil dólares, baseada em um microprocessador de dezesseis bits, em vez dos oito bits usados no Apple II, foi o primeiro computador da Apple a utilizar a interface gráfica baseado na tecnologia observada, copiada e aprimorada a partir do Xerox Alto, pois o Lisa foi lançado antes do Machintosh.

Apple Lisa
Embora também revolucionário, pois contava com um sistema de proteção de memória aprimorado, sistema multitarefas, um sistema operacional baseado em disco rígido, suporte para 2MB de memória RAM, Slots de expansão, além da interface gráfica e uso de mouse, o Apple Lisa foi um fracasso comercial. 

Tudo porque ele foi lançado ao preço de US$ 9.995 no varejo. Parte do fracasso comercial deveu-se a própria Apple e também a Jobs, que o prazo de apenas um ano converteu o Macintosh num concorrente mais barato que o Lisa, com o agravante do Mac ser mais rápido e totalmente incompatível com o seu predecessor.

Com isso, o Macintosh tornou-se um sucesso em vendas e em elogios por parte de influentes veículos de comunicação da época, enquanto parte importante do preço do Lisa, e do seu fracasso, pode ser atribuída ao seu excesso de memória. A título de comparação, em 1990 ainda se vendiam computadores com menos memória que o Lisa já tinha em 1983. Em janeiro de 1985, o Lisa 2/10 foi equipado com um emulador Macintosh e rebatizado Macintosh XL. Com isso a Apple lançou uma nova e curiosa forma de competição industrial e comercial: a auto concorrência.

O “ataque da Apple ao Xerox PARC” é descrito como "um dos maiores assaltos da história da indústria" e isso era endossado por Jobs, até com um certo orgulho quando falava: “Quer dizer, Picasso tinha um ditado que afirmava: ‘Artistas bons copiam, grandes artistas roubam’. E nós nunca sentimos vergonha de roubar grandes ideias.”. 

Outra avaliação aponta a situação como uma grande trapalhada da Xerox. “Eles estavam com a cabeça em copiadoras e não tinham a mínima ideia sobre o que um computador podia fazer. Eles simplesmente transformaram em derrota a maior vitória da indústria de computadores. A Xerox poderia ter se tornado a dona de toda a indústria de computadores.” disse Jobs a respeito da direção da Xerox.

Mas aquelas inovações observadas, copiadas e aprimoradas a partir do Xerox Alto, não se estabeleceriam no mercado apenas em 1983, com o lançamento do Apple Lisa pois, a Xerox chegou a lançar antes, um computador com as inovações do Xerox Alto, batizado-o de Xerox Star.

O equipamento foi disponibilizado, ainda em 1981, visando o mercado de escritórios em rede, sob a designação estendida de "The Xerox Star 8010 "Dandelion"". O Sistema de Informação 8010 da Xerox foi o primeiro sistema a usar uma metáfora do desktop totalmente integrado e conjunto de aplicativos.

Xerox Star 8010 "Dandelion""
Inicialmente, o termo "Star" referia-se tanto ao desktop e quanto ao software de aplicação (Sistema Operacional + Aplicativos). No entanto, o sistema como um todo, transformou-se em o comummente conhecido "The Xerox Star." O software de de aplicação. foi mais tarde renomeado para "ViewPoint", e, mais tarde renomeado novamente para "GlobalView".

Desenvolvimento do Star começou em 1977, usado conceitos provenientes do Xerox Alto. O desenvolvimento começou em máquinas de desenvolvimento precoce, de codinomes Dolphin e Dorado, que também poderiam executar o software do Alto. O resultado final foi  software completamente novo e escrito em  ambiente programação da Xerox MESA, em vez de BCPL, no qual o software do Alto havia sido (o BCPL inclusive, usava um microcódigo diferente). O hardware final do 8010/Dandelion  não era compatível com o Alto.

A série Star - Viewpoint - Globalview de 1981 representam a implementação mais completa da "metáfora do desktop" de todos os sistemas até o advento do desktop interfaces gráficas maduras, bem mais tarde no Mac e no PC / Unix / Linux a partir de 1990.

Estes sistemas estavam 10 anos à frente de seu tempo, com a composição sofisticada de documentos no aplicativo WYSIWYG, construído em Ethernet, e-mail, digitalização em rede impressão a laser, ambientes de desenvolvimento, incluindo Smalltalk, e muito mais.

O grande problema foi que custando US$ 16.596 no varejo, acabou por ser um fracasso comercial relativamente enorme, para uma empresa do tamanho da Xerox, vendendo apenas 30 mil unidades. As estações de trabalho Xerox, enquanto um fracasso comercial, ocupam uma posição importante na linhagem de sistemas de computação visual.

A relação de Jobs e sua filha, Lisa Brennan-Jobs, só se tornou mais próxima a partir de meados de 1986, quando a menina completou 8 anos.

NOTAS:


(1) Para acessar este interessante vídeo, após clicar no linque disponível aqui, clique em 'FREE' e, em seguida, no botão PLAY ( ►) do vídeo. Saiba que, por que existe este linque para esse vídeo-documentário, a partir desta página, alguém se aproveitou e usou de pretexto para reclamar sobre "direitos autorais" (acho que foi alguém que não gostou muito da forma como eu "peguei pesado" com a minha própria versão sobre os "benefícios" que alguns personagens causaram à Apple), e com isso o Google-Adsense suspendeu a veiculação de propagandas em todo este site.

Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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