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sábado, 5 de maio de 2012

Muçulmanos e Cristãos falam a mesma língua?

Introdução:

Este artigo é, na verdade, de autoria de J.M. (ver nota no final) e a tradução de Wesley Nazeazeno. Todavia, eu mesmo não haveria de compilar aqui se eu não cresce na importância de se considerar isso em nosso tempo. Sinto mesmo que Deus pede para mim avisar a todos, que cristãos e muçulmanos DEVEM pensar menos em suas diferenças e em suas picuinha e DEVEM começar a focar mais, naquilo que Deus lhes proveu de comum pois, ambos são, por caminhos distintos, herdeiros incontestáveis da fé comum de Abraão.

Além do mais, o mundo descrente nos observa e o próprio inimigo de Deus e de nossas almas também nos observa e nos julga, condenado-nos mesmo, o tempo todo, diante de Deus e dos homens, pelos nossos próprios procederes mal pensados, no que diz respeito as nossas relações uns para com os outros, de modo que o mundo não tem visto em nosso relacionamento, de uma maneira geral, coisa que derive daquilo que somos devedores uns dos outros: do genuíno amor que flui de Deus.

Portanto, temos muito que fazer juntos, basta boa vontade de olhar para as coisas comuns da nossa fé e sabedoria para aceitar e usar as diversidades como fortaleza! Podemos ter ações em comum, que resultem para a glória do nosso mesmo e único Deus! Deixarmos de brigas tolas, nestes tempos do fim, e nos voltarmos contra o verdadeiro inimigo de Deus e das almas humanas! Entendermos as nossas diferenças e semelhanças pode nos ajudar a uma união consciente. 

A tradução de Wesley Nazareno do texto de J.M. começa aqui:

Quando ouvi isto pela primeira vez, fiquei um pouco surpreso. Meu amigo, Blama (uma variação do oeste africano para Ibrahima) abaixou suas mãos e sua cabeça. Estendeu ambos os dedos indicadores, segurou-os firmemente um ao outro e declarou, “os muçulmanos e cristãos são como isto. Sem diferença”.  Até ali, eu havia estado tentando convencê-lo de que as duas religiões são muito diferentes, e agora ela estava me dizendo que nós éramos iguais. Eu estava fazendo meu melhor para apontar dissimilaridades entre nossas Escrituras, nosso Deus, nossos profetas e como nós devemos viver. Aparentemente, Blama viu coisas diferentes de mim.

O propósito deste artigo é explorar diferenças entre o islamismo e o cristianismo, mas usando como base e premissa que palavras usadas por ambos, não são as mesmas. Por isso espero que à palavra final, o leitor começará a compreender a tremenda complexidade das palavras de ambas as religiões e que o leitor, alegremente, não usará palavras que não comunicam a verdade do evangelho de ‘Isa Al-Masih (Jesus, o Messias).

Palavras têm significados:

Esta premissa é muito simples. Palavras têm significados. As palavras escritas para a leitura do leitor nada mais são que veículos para o significado. Os símbolos físicos de ‘d’, ‘e’, ‘u’ e ‘s’, quando combinados adequadamente, produzem representações visuais significantes.

Tenho certeza de que todos nós concordamos que palavras têm significados. Quando usamos uma palavra, nós o fazemos porque concordamos entre nós de que ela tem um sentido específico. Por exemplo, se alguém quer comunicar “prato”, a palavra “frívolo” não é usada. Semelhantemente, se alguém deseja comunicar uma idéia mais transcendente, como a esperança que alguém teria pelo sucesso da comunicação, ninguém empregaria esta frase: “Eu realmente gosto de seu vestido, Franciele!”

Para complicar tal simples noção, entretanto, podemos adicionar à confusão o assunto da comparação entre as religiões. Todas as religiões não falam sobre Deus, pecado, o bem e o mal? Porque um muçulmano e um cristão usam as mesmas palavras, devemos entender a mesma coisa, certo? Afinal, tanto um como o outro crê que Deus é um, o criador, onipotente, onisciente, onipresente e totalmente diferente de qualquer outro ser. Ambos crêem que os homens pecam, que o pecado é mal porque é um ato de rebeldia contra Deus. Então, qual é o problema?

Deixe-me ilustrar através de uma analogia um pouco “crua”. Parado à frente da entrada de sua casa estão um Ford e um Fiat. Deixe-me fazer uma lista de semelhanças entre os dois:
  • Ambos são automóveis usados para transporte;
  • Ambas palavras começam com “F” e têm quatro letras;
  • Ambos usam produtos derivados do petróleo;
  • Ambos podem ter a mesma cor.
Se nós simplesmente empregarmos semelhanças entre os objetos, poderíamos corretamente dizer que aparentemente o Ford e o Fiat são idênticos. Talvez focaríamos na característica básica dos dois: eles são automóveis, cujo propósito é o transporte. Certamente, estão estas semelhanças dominando nossa compreensão do Ford e do Fiat? Não são apenas similares de modos importantes, mas também são categoricamente falando iguais! Eles são automóveis. Com certeza um vendedor da Ford pode dizê-lo que um Fiat não é um automóvel, mas quem pode confiar num vendedor de carros?!

Mas a questão continua: Um Ford é o mesmo que ou tão somente similar ao Fiat? Há diferenças entre eles?
  • Um é de fabricação estadunidense, o outro italiano;
  • Um pode ser automático, o outro pode ter marcha manual;
  • Um pode ser novo, o outro velho;
  • Um pode ter quatro portas, o outro apenas duas.
Semelhança e Similaridade:

Baseado nestas observações, o Ford é similar ou equivalente ao Fiat? Se alguém fazer uso apenas da primeira lista, aquela lista de comparações, os dois carros podem muito bem ser tidos como equivalentes (o mesmo). Por outro lado, se a segunda lista, a de características contrastantes, for usada em adição à primeira, a única possível conclusão é que os dois carros são simplesmente similares. Isto é, eles compartilham de similaridades e coisas em comum, mas eles não são o mesmo ou equivalentes.

Para maior clareza, deixe-nos distinguir entre a idéia de “semelhança” e “similaridade”. Primeiro, deixe-me oferecer esta definição específica para semelhança: quaisquer dois itens, pessoas ou idéias são equivalentes em cada característica e atributos. Filosoficamente, estamos falando da identidade estrita. Uma hipótese essencial que alimenta nossa noção de semelhança é que “mudanças” existem. Semelhança não permite qualquer mudança ou alteração. Em propósito desta discussão, Muçulmanos e Cristãos concordam que algumas coisinhas mudam. De fato, podemos concordar que Deus é o único Ser que não é sujeito a mudança. Porém, isto se refere às Suas características e atributos, mas não ao nosso entendimento de Deus. Mais sobre isto depois.

Similaridade não é semelhança. Similaridade é um conceito flexível, oscilante, maleável. Semelhança é firme, inquebrável, absoluto. Duas coisas, pessoas ou idéias podem compartilhar qualquer número de similaridades. O fato de serem parceiros em similaridade, por definição, não os fazem o mesmo. Semelhança e similaridade são conceitos mutuamente exclusivos.

O Ford e o Fiat são similares. As similaridades deles são um fato que provam que eles não podem ser o mesmo. Se o Ford e o Fiat fossem realmente o mesmo exato carro (porém talvez chamados por nomes diferentes pelas pessoas), nós não poderíamos dizer que são similares. Me recordo de meus próprios filhos e suas dificuldades na língua inglesa. Muitas vezes, um deles dirá algo como “este lugar parece uma loja”. O que por está sendo descrito realmente é uma loja. Se isto é parecido (similar a) uma loja, isto não pode ser uma loja. Isto deve ser um prédio de escritórios, uma casa, um banco ou até uma garagem, mas não pode ser uma loja. Então, eu gentilmente corrijo a frase, “isto não pode parecer uma loja se isto É uma loja”. Alguém de seis anos não entende perfeitamente o valor de “ser”.

Segundo, a definição de similar: dois ou mais itens, pessoas ou idéias as quais possuem ao menos uma característica mantida em comum. Obviamente, então, quanto maior o número de características e atributos tidos em comum, maior será a similaridade. Podem ser até infindáveis as características tidas em comum, mas, se houver uma só característica que não seja equivalente, os dois não podem ser chamados de o mesmo.

Similaridade trabalha com uma escala de contrastes e comparações. Nós podemos dizer “x” é muito mais parecido com “z” ou podemos dizer que “z” é quase o mesmo que “s”. Ambas sentenças lidam com similaridade. Semelhança é identidade. Não há escala de valores de comparação. Ambos os itens, pessoas ou idéias são iguais, equivalentes e idênticos ou não são.

Por isto pode parecer muitas vezes que Muçulmanos (e Cristãos) têm cometido este tipo de erro. Este erro é conhecido como uma falácia equivocada (equivalendo dois ou mais conceitos que não são o mesmo pensamento, que são similares). Palavras que têm sentidos similares (isto é, que compartilham de coisas em comum) são feitas para serem equivalentes. Muçulmanos dizem “carro” significando Ford, enquanto Cristãos pensam em Fiat! Muçulmanos dizem “Allá” e pensam que este é o Deus da Bíblia.

As Palavras Islâmicas têm sentido Cristão?

Aqui é pressuposto que o leitor é Cristão (mas estou certo que há Muçulmanos que também o lerão). Por esta razão, é assumido que o leitor possui um entendimento cristão acerca de Deus, seus atributos, suas características e sua revelação. Por esta razão, não tentaremos definir ou listar as características de Yahweh, mas tão somente as características e atributos de Allá serão investigadas. Deixemos o leitor decidir se as palavras significam o mesmo ou se são apenas similares. Se as palavras são similares, qual é o grau de similaridade?

Allá
  1. O caso para semelhança: Muçulmanos e Cristãos concordam que o Todo-Poderoso é Um. É concordância de que ele é o criador de todas as coisas. Ele é onisciente, onipresente e onipotente. Sem listar os 99 nomes de Allá, é geralmente assegurado pelos Cristãos que boa parte destes nomes podem ser encontradas correlativamente na Bíblia. Enquanto há muito que podemos saber sobre Allá, há uma imensa mina de conhecimento que nós não sabemos. O Todo-Poderoso é totalmente diferente, ainda que é dito que deve ser mais próximo que a veia jugular dos homens (Alcorão 50:16).
    Allá revela sua vontade aos homens em um livro dado através de profetas. Ele clama por obediência à sua vontade. Ele pune o mal e galardoa o bom. Ele perdoa, mostra misericórdia e compaixão, mas também mostra sua fúria e indignação.

    Allá é auto-existente, digno de ser adorado, ouve e responde orações, sustenta o universo, livre de qualquer necessidade ou carências, irresistível, a luz dos céus, Senhor do alvorecer, etc.

    O que os Cristãos poderiam objetar quanto a estas qualidades também existentes em Yahweh? De fato, tanto Allá quanto Yahweh são categoricamente idênticos: o Único, verdadeiro, Criador, Deus Todo-Poderoso Sustentador que governa o universo. A questão permanece: Eles são similares ou idênticos?
  1. O caso para similaridade: 

  2. Pergunte a um Muçulmano se o Todo-Poderoso conceberia em vir a ser um homem;
    Pergunte se o Alcorão revela a pessoa do Todo-Poderoso ou tão somente sua vontade;
    Pergunte se o Todo-Poderoso pode permitir pessoas a mentirem em certas circunstâncias;
    Pergunte se o Todo-Poderoso teria compaixão daqueles que estão indo para o inferno;
    Pergunte se o Todo-Poderoso teria uma essência possível de ser conhecida.
Conclusão:

Espero que o leitor tenha se deparado com a complexidade da situação. O debate entre Muçulmanos e Cristãos somente pode ser benéfico quando ambos lados pensam, falam e escrevem claramente. Nossas palavras devem refletir precisamente o entendimento originado a partir de nossas próprias Escrituras. Palavras devem ter significâncias e, por esta razão, devem ser usadas apropriadamente. No debate entre Cristãos e Muçulmanos há certas palavras (tais como “Deus”, “Alá” e “Yahweh”) as quais compartilham coisas em comum. Com muita freqüência, em tentativas ingênuas de promoção de algum diálogo, nós fazemos estas coisas em comum o pináculo de nossa discussão. As palavras usadas por Muçulmanos e Cristãos não possuem o mesmo significado necessariamente. Quando é dito que Alá = Yahweh = Brâmane = Allá, isto é mais do que um mero descuido. Isto demonstra uma grande ausência de compreensão do significado ou conteúdo das palavras.

Há palavras e conceitos os quais trazem consigo a necessidade de um exame bem detalhado, o qual ainda não foi bem tratado. Estou apresentando apenas uma pequena introdução para este processo. É esperado que esta introdução incitará outros para examinar palavras, da maneira como elas são usadas no Islamismo e no Cristianismo, e também os significados que estão por trás destas palavras. Nunca deixe isso ser dito, que “estamos discutindo semântica”. Isto é um argumento de pessoas levianas, as quais geralmente usam de subterfúgios para se esconder ou alguma esquiva para desviar as atenções do real fato do problema: semântica, significados e palavras são importantes.

Isto faz-nos convenientes para usar cuidadosamente e sabiamente as palavras. Não podemos ser culpados por assumir que quando um Muçulmano diz “Alá”, ele está falando da Divindade com todas as características, atributos e essências de Yahweh. Não entender assim é ser culpado por falácia e equívoco. Não queremos que equívocos venham a ser nossa vocação.

NOTA: Este artigo é uma tradução de "Do Muslims and Christians speak the same language?"

Penso que seja importante a nós cristãos considerarmo que, independente da falácia que existe na origem da fé do islã, nós devemos, sempre, abdicar de falar-lhe em tons ameaçadores, ou mesmo fazer-lhes contendas desnecessárias. Precisamos manter em mente que no passado, por inúmeras vezes, tanto cristãos  quanto muçulmanos usaram a religião como pretexto para lançar guerra de conquistas uns contra os outros e que isso causou, verdadeiramente, celeumas históricas, em ambos o lados, as quais demandarão, ainda, muita paciência para superar.

A Bíblia mostra claramente a total inutilidade de nós cristãos, herdeiros que somos da graça que foi exclusiva dos judeus, nos contendermos em guerras contra os árabes (irmãos dos judeus por parte de Abraão) e a sua religião pois, o próprio Deus Jeová decretou e avisou (por meio do anjo que falou a Agar), desde de o início da separação que, nem eles poderão nos vencer nem nós poderemos vencer a eles:

"Disse-lhe também o anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.
E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.
E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus que me vê; porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?"
Gênesis 16:11-13

De modo que o único saldo de tais contendas tem sido os traumas, as perdas e os danos, para ambas as partes.

Lembremo-no ainda que, a religião do islã nasceu do genuíno desejo de demover o antigo povo árabe do politeísmo idolatra que eles, antes do islã, praticavam. Além do mais, a origem deste povo é nobre, pois eles descendem de Ismael, que assim como Isaque, também é filho de Abraão e foi alcançado por promessa e por proteção de Deus. Demonstrar uma boa dose de sincero repeito é o mínimo que podemos fazer em relação eles.

Há uma verdade que nós cristãos evidentemente sabemos, que o Senhor Jesus foi bastante claro em nos ensinar e que devemos buscar compartilhar com amor, com pessoas de todas as nações:

"Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos" Jo 15:1-8

Esta verdade precisa ser testificada, sim, mas acima de tudo, com a vivência de uma experiência de amor, movida pela ação do Espírito Santo de Deus em em nós, antes de tudo, e primeiramente entre nós mesmo, para que sejamos observados como assim sendo e, por conseguinte, estendendo o nosso amor, que flui de Deus, também para com os da fé do islã, para que assim sendo, eles também possam vir a crer, no diferencial incomparável que é o sacrifício resgatador do Senhor Jesus. Isso, de modo algum tem a ver com contendas sociais ou conquistas políticas. Precisamos seguir a Bíblia e não políticas humanas.

Por acaso não estar ligado "a videira" seria pior do que estar ligado a ela e ainda assim dar frutos ruins, frutos da carne, ou mesmo não dar fruto algum?

“Então perguntei ao anjo que falava comigo: Meu senhor, que é isso?
Respondeu-me o anjo que falava comigo, e me disse: Não sabes tu o que isso é? E eu disse: Não, meu senhor. Ele me respondeu, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos.” Zc 4:4-6


Depois da libertação do exílio babilônico, Zorobabel, em 537 A.C., liderou um restante judeu na volta a Jerusalém e Judá. (Esd 2:1, 2; Ne 7:6, 7; 12:1) Como governador nomeado pelo Rei Ciro, confiou-se a Zorobabel os vasos sagrados de ouro e de prata que, anos antes, tinham sido tirados do templo por Nabucodonosor. (Esd 5:14, 15) Em Jerusalém, sob a direção de Zorobabel e do sumo sacerdote Jesua, erigiu-se o altar do templo no sétimo mês (etanim, ou tisri, setembro-outubro) (Esd 3:1, 2), e, no segundo ano, no segundo mês (zive, ou íiar, abril-maio, de 536 A.C.) começou a construção do templo propriamente dito. (Esd 3:8) Reconhecendo a má motivação dos não-judeus, que pediram para participar na obra de reconstrução, Zorobabel, Jesua e os cabeças das casas paternas declararam: “Não tendes nada que ver conosco na construção de uma casa ao nosso Deus, pois nós mesmos, juntos, construiremos para Jeová, o Deus de Israel, assim como nos mandou o Rei Ciro, rei da Pérsia.” — Esd 4:1-3.

Estes não-judeus, porém, continuaram a desanimar os reconstrutores do templo, e, por fim (em 522 A.C.), conseguiram um embargo oficial da obra. Dois anos mais tarde, Zorobabel e Jesua (Josué), incentivados pelos profetas Ageu e Zacarias, corajosamente reiniciaram a construção do templo, apesar do embargo. (Esd 4:23, 24; 5:1, 2; Ag 1:1, 12, 14; Za 1:1) Depois disso, uma investigação feita nos arquivos persas vindicou a legalidade da obra deles. (Esd 6:1-12) Durante toda a obra, os profetas Ageu e Zacarias continuaram a incentivar Zorobabel, fortalecendo-o para a obra e garantindo-lhe que tinha o favor divino. (Ag 2:2-4, 21-23; Za 4:6-10) Por fim (em 515 A.C.), o templo foi concluído. (Esd 6:13-15) Também, durante a governadoria de Zorobabel, cuidou-se das necessidades dos levitas, recebendo os cantores e os porteiros seu quinhão, “conforme a necessidade diária”. — Ne 12:47.

Apesar de, em tudo, parecer um governante reto e justo,ainda assim Deus sentiu a necessidade de alertar a Zorobabel: "... Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito. ..." Amém!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Amor Devido Entre os Filhos de Abraão (Carta aos Crentes):


"Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida." Lucas 10:13-15

Alguma vez você, cristão, já parou para pensar que, a religião dos muçulmanos é, de fato, também fruto da graça misericordiosa do nosso Deus, que num curto período de tempo e de eventos, converteu uma grande multidão de pessoas da idolatria politeísta para a adoração a um único Deus verdadeiro e que, o fato dessa conversão não ter sido, ainda, totalmente completada com a inserção deles na nova aliança (que é o Evangelho de Jesus Cristo), é porque Deus faz as coisas conforme a sua vontade, acontecerem no momento e sob as circunstâncias que Ele bem desejar designar.

Pois bem, o Deus ao qual os muçulmanos chamam de Allah e reconhecem como o Deus de toda a Criação, porque Ele é o seu Criador e Sustentador, é também o mesmo Deus de Abraão, do qual os povos árabes, os muçulmanos originais descendem diretamente. Isso também é bíblico e ocorreu pela permissão e vontade de Deus.

Os cristãos poderiam ter tido uma participação importante no complemento da conversão dos muçulmanos, levando a eles de maneira sincera e pura o Evangelho de Cristo. Todavia, em sua fúria destrutiva, desde cedo Satanás, inimigo de todas as almas que confiam em Deus, se interpôs entre muçulmanos e cristãos, impedindo que se estabelecesse entre estes uma boa comunicação que decorresse de uma relação baseada no amor.

Isso aconteceu, e ainda acontece, para a derrota de, indistintamente, todos os homens crentes. Estabeleceu-se uma guerra estúpida, que ocorre, ora aberta, ora velada mas, sem que os homens busquem o seu fim, tanto para a vergonha dos cristãos, quanto para o prejuízo dos muçulmanos.

Que o Deus de Abraão estenda sobre todos nós a sua infinita misericórdia, porque todos nós somos tolos e, não atingimos compreender a magnitude da consequência da promessa da antiga aliança,  aliança feita ao homem por meio de Abraão quando o Senhor Deus, dando a sua palavra que não pode mentir, disse "e em ti serão benditas todas as famílias da terra." Gênesis 12:3

"Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei" (Ge 12:1). Assim Deus começou a separar um povo especial que iria receber bênçãos especiais e por meio do qual "serão benditas todas as famílias da terra" (Ge 12:3).















Uma vez que por meio da aliança com Abraão se tornavam benditas todos as famílias da terra, ora, por que seria a família de Ismael, aquele que por causa de intrigas femininas precisou ser rejeitado, o próprio Deus se encarregou de lhe prover proteção especial, seria uma família menos abençoada?

Por que haveria de vir o Messias, somente para salvar aos filhos de Jacó, se Deus preferiu, para fazer cumprir a promessa feita a Abraão "e em ti serão benditas todas as famílias da terra." Gênesis 12:3, que Ele viesse para, com seu sangue, prover pagamento de resgate por toda a humanidade dispersa sobre a Terra?

Segundo a Bíblia, a mais provável procedência de Abraão seria a cidade de Ur dos caldeus, situada no sul da Mesopotâmia, onde seus irmãos também teriam nascido. O final do capítulo 11 do primeiro livro da Torah, ao descrever a genealogia do patriarca hebreu, assim informa, mencionando o nome anterior de Abraão:

E estas são as gerações de Tera: Terá gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló. E morreu Harã, estando seu pai Terá ainda vivo, na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus. (Gênesis 11: 27-28)

A tradição diz que seu pai Tera era fabricante de ídolos e que Abrão viveu neste ambiente idólatra até que Deus se revelou a ele. A literatura bíblica canônica faz associação de Abrão com idolatria em apenas uma única passagem que literalmente diz: “Disse então Josué a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do Rio habitaram antigamente vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor; e serviram a outros deuses.” Josué 24:2. A questão de quais livros pertencem à Bíblia é chamada questão canônica.

Diz também a tradição que Abrão sempre desprezou os ídolos e que chegou a destruir alguns com as suas próprias mãos, todavia, não há texto bíblico canônico que dê suporte a esta afirmação, mas sim, "O Livro dos Jubileus", considerado como uma obra apócrifa, tanto entre judeus, quanto entre cristãos.

Este livro diz que Abrão, já aos catorze anos de idade, quando ainda residia em Ur dos caldeus com sua família, teria começado a compreender que os homens da terra haviam se corrompido com a idolatria, adorando as imagens de escultura. Então Abraão não aceitou mais adorar ídolos com o seu pai Terá e começou a orar a Deus, pedindo-lhe que conservasse a sua alma pura do erro dos filhos dos homens e também a de seus descendentes.

A Bíblia nos mostra, em em Gêneses 11:28, 31 que "morreu Harã (irmão de Abrão) estando seu pai Terá ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos caldeus". Isso ocorre por volta de 2155 a.C., com Abrão ainda pequeno e que algumas décadas mais tarde "... tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali."

Este fato de Terá desejar se dirigir a Canaã é muito curioso, pelo fato de que o Senhor Jeová sequer havia ainda se manifestado diretamente a Abrão e, mesmo quando Ele o fez, posteriormente (já na localidade de Harã), lhe disse apenas: "... para a terra que eu te mostrarei", sem mencionar, a princípio, Canaã.. Também é curioso o fato que Terá tenha, aparentemente, se demovido do seu objetivo inicial (ir à terra de Canaã), após alcançar uma localidade ainda desabitada, onde ele e toda a sua gente que o seguia acabaram por fundar uma nova cidade, cujo nome dado foi Harã (que séculos mais tarde viria a ser uma cidade Assíria) e teriam todos habitado ali por um tempo (algumas décadas), até a morte de Terá.

Sendo Terá um fabricante de ídolos, de muito bom proveito para ele teria sido permanecer trabalhando a sua arte e comercializando-a em Ur, pois o sudeste da Mesopotâmia era, então, de longe, a região de maior concentração demográfica, com mais de uma dúzia de povoamentos, entre Ur e a então pequena Babilônia, mas que viria em poucas gerações se tornar no núcleo de um poderoso império. Mesmo assim, foi Terá quem moveu inicialmente a Abrão (de Ur até Harã (ou Haran, ver mapa anterior)), por mais da metade da distância total a ser percorrida de Ur até Canaã.

Note que o entendimento do versículo de Gênesis 11:31: "Tomou Tera a Abrão seu filho, e a Ló filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos Caldeus, a fim de ir para a terra de Canaã; e vieram até Harã, e ali habitaram.", deixa implícito que o irmão de Abrão, Naor, não migrou com a família, mas, sim, permaneceu em Ur e, muito provavelmente, manteve, ali, os tradicionais negócios de sua família (lembrando que o avô de Naor, ou seja, o pai de Terá e também avô de Abrão, também se chamava Naor, ou seja, houve, ai, um homônimo, porém separado em duas gerações).

Decerto que é muito provável que todo pai que perca um filho para a morte (como ocorreu com Tera em relação a Harã) sinta uma profunda decepção e, por conta disso, podem haver a tomadas de decisões que resultem em profundas mudanças. Talvez tenha sido isso a real motivação que tenha movido Tera e sua família, a partir de Ur até Haran, enquanto que o escritor da Bíblia simplesmente omita tal informação, pois, o mais importante é que, após a morte de Tera, Abrão prosseguiu, de fato, até Canaã.

Outro fato é que o Senhor Jeová separou totalmente Abraão da idolatria, aos 75 anos de idade, para a sua adoração verdadeira e, outro fato é que a benção sobre Abraão superabundou de tal maneira que, a partir de Abraão (em hebraico: אברהם, Avraham ou ’Abhrāhām) se desenvolveram não apenas o Judaísmo mas, todas as três das maiores vertentes religiosas da humanidade, as denominadas religiões abraâmicas, tendo na base o judaísmo, dai advindo o cristianismo e por fim, o islamismo.

A vocação do Islã para a glória de Deus foi apresentada ainda na narrativa do livro de Gênesis, no capítulo 16, logo depois da apresentação da narrativa da vocação dos próprios judeus, descrita ainda no capítulo 15, do mesmo livro de Gênesis.

Deus prometia a Abrão: “ … mas aquele que sair das tuas entranhas, esse será o teu herdeiro.” “E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça.” Gênesis 15:4,6. Todavia, ao que parece, não houve um bom entendimento entre Abrão e sua esposa Sarai quanto a essa promessa de Deus. Sarai já era então conhecida como uma mulher estéril.

A esterilidade já não era algo de estranho de ocorrer, visto que aquele era um grupamento humano onde ocorriam frequentes cruzamentos consanguíneos. Como maneira de manter a tradição e a propriedade ligada a família, casamentos entre primos e entre tios e sobrinhas eram comuns de acontecerem. Naor, o irmão que não acompanhou Abrão até Canaa e que ficou habitando em Harã, era casado com uma sua sobrinha sua, que era órfã de Harã, enquanto que a própria Sarai era meia-irmã de Abrão.

Sarai passou a sentir-se e apresentar-se insegura sobre a sua capacidade de gerar filhos para Abrão e assim sucedeu o fato de, por uma articulação da própria Sarai, Ismael foi gerado de Abrão, por conjunção dele com Agar, a serva egípcia de Sarai. Ismael nasceu e passou a ser destinado a ser o grande patriarca dos árabes do islã, mesmo antes que viesse a nascer Isaque, de onde decorreria, como filho da promessa, a vertente do judaísmo – cristianismo.

É interessante notar que, apesar de não ser "o filho da promessa", Ismael foi, de fato, "o filho primogênito" de Abrão (e nascido de suas entranhas) e isso tinha muio significado tanto para os homens, quanto para Jeová Deus pois, a primo genia está associada a ideia de primícias, que são os primeiros frutos, a prioridade que honra (Provérbios 3:9), as quais têm que ser dadas (Deuteronômio 18:4), de modo que, com a atitude de Sarai de maltratar a Agar, a sorte de Ismael passou a ser determinada pelo próprio Senhor Jeová.

Isso se evidencia por meio do anjo que anunciara diretamente a Agar: “Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, de modo que não será contada, por numerosa que será. Eis que concebeste, e terás um filho, a quem chamarás Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição. Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.” Genesis 16:10-12

Com isso Ismael foi selado com promessa de Deus, de sorte que todas essas três religiões mencionadas são monoteístas e centradas na benção do mesmo Deus. Isso fica mais claro ainda quando Jeová, por ocasião da instituição do sinal de pacto da circuncisão entre Deus e a casa de Abrão. Abrão não entendendo claramente, o que dizia Deus, prostrou com o rosto em terra, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara, que tem noventa anos? Depois disse Abraão a Deus: Oxalá que viva Ismael diante de ti! Ao que Deus responde:

“Na verdade, Sara, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe chamarás Isaque; com ele estabelecerei o meu pacto como pacto perpétuo para a sua descendência depois dele. E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis que o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e multiplicá-lo-ei grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação.” Genesis 17:19,20

Assim, Ismael, mesmo não sendo “o filho da promessa” fazia, todavia, parte do pacto eterno entre Deus e a “casa de Abraão” e, deste modo, Ismael foi circuncidado: “Logo tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa e a todos os comprados por seu dinheiro, todo varão entre os da casa de Abraão, e lhes circuncidou a carne do prepúcio, naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara. E Ismael, seu filho, tinha treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne do prepúcio. No mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.” Gênesis 17:23,25-26

Depois que Isaque nasceu e Sara demonstrou ainda mais dureza de coração ao pedir que Abraão despedisse a Agar e a seu filho Ismael, foi o próprio Deus quem lhe explicou e lhe consolou: “Não pareça isso duro aos teus olhos por causa do moço e por causa da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto ele é da tua linhagem.” Ge 21:12,13  e, de fato, Jeová protegeu Ismael e sua mãe Agar em sua própria sorte, e, com o tempo, cumpriu em Ismael todas as promessas feitas a ela e a Abraão. Ismael e sua mãe moraram no deserto de Parã. Anos depois ele tornou-se um arqueiro talentoso e casou-se com uma mulher egípcia, tal qual sua mãe o era e, com ela, ele teve pelo menos 13 filhos. Portanto, essa é a raiz da origem dos povos árabes, semita-egípcia.

Apesar da cisão na família, os irmãos Isaque e Ismael não viveram, de modo algum, com inimigos. Aquela cisma ocorria mesmo por causa da "alma feminina", expressada mais abertamente por Sara, que era quem menos devia ter razão, pois fora ela mesma quem propriamente havia criado toda aquela confusão, desde o início, ao oferecer sua serva como procriadora.

Deste modo, quando veio a morrer Abraão e, já falecida anteriormente Sara, Ismael e Isaque voltaram, eventualmente, a se unir: “ Então Isaque e Ismael, seus filhos, o sepultaram na cova de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, que estava em frente de Manr” Genesis 25:9

Ismael viveu até os 137 anos de idade e a multiplicação da sua descendência ficou conhecida, por longo tempo, como ismaelitas, todavia, o islamismo não nasceu, imediatamente, com Ismael mas, muito pelo contrário, com o tempo as tribos ismaelitas passaram a se tornar essencialmente politeístas, como eram, então, também os egípcios, com quem os Ismaelitas mantinham, fortes relações e ainda outros povos ao redor.

A própria matriarca Agar era da etnia dos egípcios e, muito embora Agar tivesse tido uma experiência direta e pessoal de contato com o Anjo do Senhor e, mesmo Ismael tendo sobre si os cuidados diretos de Jeová, com o tempo, isso não se preservou e a adoração ao Deus único e verdadeiro se perdeu, como forma de religião entre os Ismaelitas e Deus permitiu que fosse assim.

Varias décadas se passariam até que ocorreria de José, que era filho de Jacó, chamado por Deus de Israel, que era filho de Isaque, que era irmão de Ismael e filho de Abraão, ser vendido como escravo pelos seus próprios irmãos, a mercadores de uma caravana de ismaelitas que se dirigiam, não coincidentemente, ao Egito.

O deserto de Parã, fica região nordeste da Península do Sinai, "todo aquele grande e terrível deserto que vistes, pelo caminho das montanhas dos amorreus, como o Senhor nosso Deus nos ordenara;" (Deuteronômio 1:19) que foi caminhado no êxodo do povo israelita e lugar mais provável onde eles passaram parte da sua peregrinação como pastores no deserto por quarenta anos, como uma correção necessária porquanto eles sistematicamente duvidavam do Deus Vivo que "ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite". Êxodo 13:21

Este mesmo deserto de Parã havia se tornado séculos antes antes, a base inicial da tribo dos ismaelitas. No entanto, como esse povo tinha uma vocação de diversidade nacional, ele passou a se dedicar como especialista no negócio do comércio em caravanas, o que os fazia manter famílias inteiras em constante movimento, vivendo como verdadeiros nômades.

Com o tempo, a domesticação de camelos e de dromedários foi levada a cabo em grande escala, para atender as necessidades, provendo um diferencial de vantagem competitiva para a finalidade das caravanas comerciais. Com o passar do tempo eles se espalharam, na mesma proporção em que diversificavam seus cultos politeístas e influenciaram e se mesclaram com várias outas tribos, incluindo, logo a princípio, os midianitas, seus irmãos, filhos temporãos de Abraão, que com dádivas e riquezas foram também enviados às terras orientais, a partir da região onde Isaque  permaneceu vivendo. (ver Gênesis 25:1-6).

Vários séculos depois de Abraão, o líder isralita Moisés encontraria em seu sogro Jetro, um midianita, não apenas um amigo, homem honrado e digno conselheiro, guia adestrado pelas terras desérticas e estrategista em administração popular mas, acima de tudo, ainda, um sacerdote em Midiã que "alegrou-se por todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egípcios. Então Jetro, o sogro de Moisés, tomou holocausto e sacrifícios para Deus; e veio Arão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moisés diante de Deus." (Êxodo 18:9,12).

Ao longo de toda a jornada dos israelitas, tudo aquilo que havia sido proposto e ensinado pelo midianita Jetro, sogro de Moisés, com a forma de divisão, delegação e administração da responsabilidade de julgar, chefiar e coordenar a movimentação do povo (ver Êxodo 18:13-27), não apenas mostrou-se aprovado, como foi reconfirmado por Jeová como uma prática excelente. Assim, também estes filhos de Abraão se tornaram um benção para toda a terra.

Com sua base em constante migração, o grosso da civilização árabe original (cerne da futura civilização islâmica) passou a se desenvolver no espaço vital encontrado na península desértica situada entre a Ásia e a África, denominada península Arábica, a qual compreende atualmente os países da Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Iêmen. É uma área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados, com centenas de milhares recobertos por um enorme deserto, pontilhados por alguns oásis e por uma cadeia montanhosa, a oeste. Somente uma estreita faixa no litoral sul da península possui terras aproveitáveis para a agricultura.

Até o século VI d.C., os árabes viviam em tribos, sem que houvesse um Estado centralizado. No interior da península havia tribos nômades denominadas beduínos, que viviam basicamente do pastoreio e do comércio. Às vezes eles entravam em luta pela posse de um oásis ou pela liderança de uma determinada rota comercial. Também era comum eles sofrerem ataque as suas caravanas que levavam preciosos artigos do Oriente para serem comercializados no Mar mediterrâneo ou no Mar Vermelho.

A escassez de vestígios históricos deixados é devido a natureza de suas vidas, caracterizada pela instabilidade típica de nômades, convivendo ainda com as dificuldades próprias do deserto, da areias e dos ventos. Marcos de civilização deixados para trás, ou que se supõe terem sido deixados, não puderam ser encontrados, por isto permanecem grandes e muitas lacunas na história árabe antiga, impossibilitando até os dias de hoje um esclarecimento maior, o que tem dificultado maiores avanços de historiadores e pesquisadores no estudo da história árabe antiga até o aparecimento do Islamismo no Golfo Árabe.

O texto mais antigo que cita a palavra “Árabe” é dos escritos assírios dos dias do Rei Shalmaneser III (859 a.C. a 824 a.C.), aparentemente a pronúncia “Arab” para eles significava “Principado” ou “Capitania” nos desertos que circundavam a Assíria. Todavia, desde tempos muito antigos que a faixa de terra muito quente compreendida partir da região do Golfo de Ácaba até a costa sul do Mar Morto é conhecida como Arabah, que significa "área seca e desolada". Foi a partir dai que os irmãos de Isaque, caminhando para as áreas inóspitas a leste mas, principalmente para o sul, foram penetraram na Península Arábica.

Apesar de dispersos num grande território os árabes passaram também a edificar algumas cidades, entre as quais as mais importantes localizavam-se a oeste da Península Arábica, na parte montanhosa desta. Eram elas: Latribe, Taife e Meca, todas na confluência das rotas das caravanas que atingiram o Mar Vermelho.

Após o ano 300 a.C., eles fundaram  sob influência do Império dos Partos, a cidade de Hatra, que foi governada por uma dinastia de príncipes árabes, dando origem a um primeiro reino Árabe, fora da Arábia, pela época do império da dinastia grega dos selêucidas. Com isso, os Árabes passaram a se tornar comuns na Mesopotâmia, ainda na época dos selêucidas.

Hatra se tornou, de fato, de maneira geral, a capital do primeiro reino árabe. Ela resistiu à invasão dos romanos em 116 e em 198 d.C. graças às suas poderosas muralhas reforçadas com torres. As ruínas da cidade, especialmente os templos onde se mistura a arquitetura de influência helênica e romana com motivos decorativos orientais, atestam a grandeza da civilização que a construiu.

Todavia, a cidade de Meca foi, sem dúvida, a mais destacada. Meca pode ter sido a "Macoraba" mencionada por Ptolomeu, muito embora arqueologia não tenha descoberto, ainda, qualquer inscrição ou menção à cidade de mesma época ou anterior ao período daquele autor. O historiador grego Diodoro da Sicília, que viveu entre 60 e 30 a.C. escreve sobre uma região isolada da Arábia em sua obra "Biblioteca Histórica", descrevendo um santuário sagrado que os muçulmanos vêem como referindo-se a Caaba em Meca: "E um templo foi definido em seus altos, sendo muito sagrado e extremamente reverenciado por todos os árabes".

Mas o que se sabe ao certo é que por volta do século V d.C. a Caaba era um local de culto para as diversas divindades das tribos Árabes politeístas. Como centro religioso de todos os árabes, ali se reuniam milhares de árabes, o que tornava o seu comércio ainda mais intenso.

Embora fossem politeístas e adorassem diversas divindades, os ídolos de todas as tribos estavam reunidas num templo, chamado Caaba, situado no centro de Meca, e isso lhes dava uma identidade nacional. A construção, que existe até os dias de hoje, assemelha-se a um cubo e, assim como a administração da cidade, ficava sob os cuidados da tribo dos coraixitas.

E foi assim, nesta situação, de um povo de religião politeísta que surgirá o profeta islâmico Maomé, cerca de 25 séculos depois de Ismael. Em partes, Maomé fez restituir o antigo pacto milenar do qual Ismael fez parte, reconvertendo o coração dos árabes para o monoteísmo. Com as pregações de Maomé, os muçulmanos passaram a acreditar que o Deus de todo universo é único e incomparável e o propósito da existência do ser humano é adorá-lo.

Maomé nasceu em Meca, no ano de 570 d.C. e pertencia ao clã Hachim da tribo dos coraxitas. Sendo órfão e pobre tornou-se condutor de caravanas de propriedade de uma rica viúva, com quem veio posteriormente a se casar.

À frente de caravanas, ele viajou por boa parte do Oriente Médio, onde teve contato com o Cristianismo e com o Judaismo. Em 610, quando meditava numa caverna do monte Hira, supostamente recebeu uma revelação, que afirmava ser do arcanjo Gabriel. Com esta revelação, que se encontra descrita no Corão, Maomé passa a pregar uma nova religião que inicialmente é recebida pela sua comunidade e posteriormente pelas camadas árabes mais pobres.

A cidade de Meca, que basicamente vivia das peregrinações politeístas, abrigava a Caaba, o templo que continha 360 ídolos, para aonde as tribos árabes se dirigiam para culto - esta peregrinação era favorável aos comerciantes locais, que passaram a ver na pregação de Maomé um obstáculo.

Estes comerciantes juntaram-se contra a nova religião e perseguiram Maomé que fugiu com seus seguidores para Medina, nesta cidade, Maomé organizou um exército, com o qual veio a conquistar Meca em 630 e destruiu todos os ídolos da Caaba menos a "pedra negra", que continuou a ser adorada pelos maometanos, também conhecidos por islamitas ou muçulmanos.

Gradualmente, o número de crentes em Alá foi aumentando e, apoiado nessa força, Maomé começou a pregar a Guerra Santa, ou seja, a expansão do islamismo, através da força, a todos os povos "infiéis". O grande estímulo era dado pela crença de que os guerreiros de Alá seriam recompensados com o paraíso, caso perecessem em luta, ou com a partilha do saque das cidades conquistadas, caso sobrevivessem. A Guerra Santa serviu para unificar as tribos árabes e tornou-se um dos principais fatores e permitir a expansão posterior do islamismo. As tribos árabes do deserto vieram, de modo surpreendentemente rápido, a se converter a nova religião e a arábia foi unificada. Maomé morreu em 632 e seu trabalho foi continuado por seus sucessores, os califas.

Esse grande acontecimento histórico de conversão, acontecia exatamente num momento em que, concomitantemente, já disseminado por toda Europa, depois de sobreviver a toda sorte de perseguição por parte do império romano, durante três séculos, por um acordo de assimilação entre a Igreja e o Estado romano, o cristianismo, passava a se contaminar, cada vez mais, com o politeísmo pagão, em muitos casos, chegando até mesmo a regredir à abominável condição de adoração de imagens, coisa que Deus desejou que os homens tivessem decidido abandonar para sempre, de modo definitivo, desde de o momento que o obediente Abrão houvera saído de Harã, deixando a idolatria para trás.

Assista a última cena (apenas os últimos 3 minutos) do filme:
The Mists of Avalon (As Brumas de Avalon) - 2001 em:


Para entender do que se está falando quando se diz " ... o cristianismo, passava a se contaminar, cada vez mais, com o politeísmo pagão, ... ". A cena não revela simplesmente algo de fictício, mas mostra uma realidade que ocorreu com certa profusão no seio do cristianismo.

Os árabes desenvolviam mais e mais a sua civilização, independente do fato da conversão árabe não ter sido completada, segundo a minha ótica cristã, pois eles não passaram a crer no sacrifício resgatador de Jesus, o Cristo, o único caminho para uma verdadeira e completa conversão a Deus. Não obstante, o fato é que  eles passaram a viver um período de grandes bençãos e de desenvolvimento, justamente, enquanto a Europa entrava no obscurantismo dos primeiro séculos da idade média.

Muito embora não demorasse para a falta de uma completa conversão dos árabes os levasse a divisões e dissidências, e, mesmo que a violência tivesse vindo a se estabelecesse no seio delas, eles passaram a desenvolver-se como civilização, enquanto que todo avanço civilizatório greco-romano parecia ir como que desvanecendo pela Europa.

Por haver necessidade de terras férteis (ou de comércio com terras férteis), o islã parte em direção da Europa e norte da África, onde conquista muitos territórios e apesar do avanço muçulmano na Europa ter sido freado na Batalha de Poitiers, no ano de 732, pelo franco Carlos Martel, os árabes ainda conseguiram conquistar as ilhas Baleares, a Sicília, a Córsega e a Sardenha.

A extensão dos domínios muçulmanos pelo Mediterrâneo prejudicou o comércio direto da Europa Ocidental com o Oriente. Este foi um dos fatores que contribuíram para o isolamento dos reinos bárbaros cristãos que, a princípio, não tiveram outra opção a não ser voltarem-se mais ainda para uma economia agrícola e rural, o que contribuiu para a formação do feudalismo europeu.

A tolerância dos muçulmanos para com os povos conquistados, permitiu-lhes atingir grande progresso econômico e cultural, pois, utilizando elementos próprios e de outras culturas, desenvolveram conhecimentos e técnicas valiosas até hoje.

Foi o caso do uso da bússola e da fabricação do papel e da pólvora, aprendidos com os chineses e introduzidos no Ocidente. Em virtude da enorme extensão de seu império, os árabes difundiram o cultivo de produtos agrícolas, como a cana de açúcar, o algodão, o arroz, a laranja e o limão. Nas cidades árabes medievais, ao contrário da maior parte das cidades europeias  da época, haviam escola, universidades e bibliotecas.

No campo das ciências os árabes desenvolveram, principalmente, a matemática, com muitas contribuições à álgebra, geometria, trigonometria e a astronomia. A Medicina que desenvolveram baseou-se nos conhecimentos dos gregos, que até então não tinham sido aproveitados para desenvolvimento no ocidente.

Os algarismos que usamos atualmente, são uma herança indiana transformada e transmitida aos ocidentais pelos árabes, daí serem chamados arábicos. Até mesmo a palavra algarismo deriva da língua árabe e tais algarismos são, hoje, universais, usados em todo o mundo civilizado.

A ordem que o Senhor Jesus, o Cristo de Jeová Eloim, o Messias da promessa do Deus de Abraão, deixou a todos que o seguissem, é e sempre será a seguinte: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” em Mateus 28:19, confirmada na palavra da por Marcos 16:15 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.” e, ainda mais, que a marca dos verdadeiros cristão é e será para sempre: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” João 13:35.

Deste modo, as guerras cruéis, de cunho político e de interesses econômicos, tais como as denominadas “cruzadas”, foram, para o envolvimento de cristãos, uma péssima ideia e, ter sido apresentadas como "guerras santas", mesmo que o termo “guerra santa”, de fato, possa ser um jargão originário do próprio mundo dos muçulmano, como um ideal que os impulsionou a conquistarem novas terras através dele (pressão imposta aos povos vizinhos, que: ou se convertiam ou eram forçados a conversão) foi uma ideia ainda pior para os cristãos, algo historicamente lastimável. 

Se Maomé não pôde converter os árabes a Cristo, pelo menos converteu-os de volta ao mesmo Deus de Abraão e, apenas isso já deve ser considerado uma coisa de valor pois, afinal, haviam sido 25 séculos de afastamento dos descendentes de Ismael do pacto original feito entre Deus e a casa de Abraão. O compromisso do cristão para com Deus é deve se o de demonstrar amor e compaixão, e nada mais.

Depois da nova aliança, que significa o cumprimento do advento do Messias, Jesus, para benefício de toda humanidade, nenhuma violência, nenhuma guerra mais, cruzada alguma poderia ter sido justificada por motivo de fé cristã, nem pode o ser humano mais se deixar seduzir pelas falsidades e mentiras ditas falsamente em nome de Deus, mas que só fazem causar os horrores das guerras.

No entanto as nações de hoje, continuam a guerrear tanto quanto sempre guerrearam. Parece que o  coração do mundo, de modo algum, está convertido a Deus. Fome, doenças e sofrimento ainda existem hoje, tanto quanto em outras época houveram. Todavia, o verdadeiro justo vive e viverá pela genuína fé nas promessas da parte de Deus, que inclui acreditar que um dia se cumprirá plenamente a palavra dada pelo profeta Isaías: "Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra" - Isaías 2:4

Somos devedores uns dos outros em um amor que fluir de Deus que nos tem feito um em Cristo e, um  dia seremos forçado pelo próprio Deus, a ter tudo em comum. Meu Querido irmão se na caminhada algo se levantar pra quebrar a comunhão o meu coração na força do Senhor pra você vai liberar ...perdão!


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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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