O homem que conhece a sua própria glória, antes que ele tenha conhecido a glória do seu Deus, este homem está condenado a cair prematuramente, seja para a sua correção ou para a sua destruição! A. L. Lenz
A telenovela "Máscaras" que está sendo exibida pela TV Record está prestando um grande serviço a soberania nacional. Finalmente os brasileiros, que nem se lembravam mais das aulas de química, estão aprendendo, pela ficção da novelas, o que existe de poder no negócio do Nióbio.
Eu mesmo devo confessar que, apesar de já ter ouvido, bem antes, falar sobre o Nióbio, por ocasião que estive visitando Araxá – MG em 2004 a convite da direção da CBMM (foi a única vez que viajei em um jato particular em toda a minha vida), só fiquei interessado (e impressionado) com as questões que concernem ao Nióbio agora, com a tal novela supra mencionada.
Acreditem, o negócio do Nióbio é deveras poderoso!
Recentemente, o professor Luiz Roberto Martins de Miranda, da COPPE, UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em orientação a diversas teses de mestrado e doutorado, descobriu ser o óxido de nióbio um poderoso agente anticorrosivo, capaz de suportar a ação de ácidos extremamente agressivos, como os naftênicos, hoje muito comuns no dia-a-dia da indústria de petróleo. Tal descoberta gerou patentes de processos e de produtos, hoje já em uso por indústrias de petróleo e aciarias com o nome comercial de "Niobização".
O Brasil detém 98% das reservas mundiais exploráveis de Nióbio no mundo, e mais de 90% do total do minério presente no Planeta Terra. As Jazidas estão presentes em 3 cidades brasileiras: 61% proveniente de Araxá (MG), 21% das reservas em Catalão (GO) e outros 12% em São Gabriel da Cachoeira (AM).
Outra reserva, de menor importância, de minerais de Nióbio é a do Canadá.
Na CPI dos Correios, o sr. Marcos Valério deixou escapar que "levou o pessoal do BMG ao José Dirceu para negociar Nióbio" e "o grosso do dinheiro vem do contrabando do Nióbio."
Mas ... ninguém teve coragem de investigar!
Já um pouco debilitado pelo câncer que o tinha acometido, em entrevista concedida a Rede Vida em 2006, entre várias outras colocações magistrais, o falecido Dr. Enéas Ferrreira Carneiro disse:
"Comparado ao (prejuízo causado) pelo mensalão, a mesada dos nossos "colegas", que tristemente, venderam a nossa confiança, comparados àquilo que nós perdemos em minério, aquilo ali, me desculpe, é mesada de trombadinha. Mas o nosso cidadão comum não sabe, o nosso cidadão comum não entende."
Veja o vídeo da entrevista (é pena, lamentável mesmo, que alguém tão sábio como o professor Enéas tenha tanta dificuldade em falar mais calmamente para que todos pudessem entender melhor e, mais claramente pois, os farsantes que ficam vivos, como o Lula, por exemplo, nunca irá nos explicar nada da verdade sobre tais falcatruas bilionárias). Mas o mais importante, é que esse ilustre brasileiro não se calou!
Segundo o Cel. Gelio Fregapani (um dos maiores conhecedores da Amazônia na atualidade), 96% das reservas mundiais de nióbio localizam-se na Amazônia e sob o subsolo Ianomani, há toneladas de ouro.
ONGs fajutas, financiadas pelos países de primeiro mundo e em parceria com ladrõezinhos nacionais, incentivam a criação de reservas indígenas e manipulam as populações indígenas, muitíssimo menos com o objetivo de preservá-los ou ajudá-los, e muito mais com o objetivo de apoderarem-se destas riquezas, em detrimento da nação brasileira.
Apesar disso ter continuado assim mesmo, sempre dessa forma, nos anos do governo do ex-presidente Lula, a ladroagem do Níóbio e de outro minérios vem de antes e:
Passa pela privatização fraudulenta da Vale do Doce, aprovada e coordenada pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, remonta a tempos mesmo anteriores, aos do ex-ministro da Justiça contrabandista, Ibrahim Abi-Ackel que, em 2005, filiado ao Partido Progressista, veio a ser nomeado relator da CPI do mensalão.
Em suma, colocaram uma ratazana enorme para brincar de punir os ratinhos PT ... mas o PT merecia passar por esse desmascaramento pois, ele traiu a confiança do povo, desde o primeiro momento do governo do Lula: com o Lula na presidência, a corrupção apenas saiu do atacado, onde ela costumava agir desde sempre, com as muito mais poupudas do que todos os mensalões juntos, comissões milionárias do intocável ex-ministro Antônio Delfim Netto (citado como peça-chave no escândalo Coroa-Brastel, mas o S.T.F. não obteve licença para processá-lo), e passou a ser deslocada para o varejo.
Nada mais do que isso ocorreu! Até mesmo os lobistas que representam os interesses dos que levam o grosso do dinheiro, continuaram, inclusive, a ser o mesmos personagens de sempre.
Isso para que ninguém do PT venha querer dizer para a história, que ele(a) foi enganado por Satanás pois, a quadrilha que ainda está no poder em nosso país (Lula e seus companheiros), continua ainda permitindo este roubo descarado e que continua a ameaçar nossa soberania. O PT já teve muita chance de mostrar a o que veio: Ele veio a ser farinha do mesmo saco, porém sem a mesma elegância dos bandidos anteriores.
O Nióbio é um metal sem o qual não se fazem foguetes, mísseis, turbinas, armamentos, aços especiais, instrumentos cirúrgicos, pontes e edifícios que melhor resistam a terremotos.
Pois saibam que 100% do Nióbio comercializado no mundo é brasileiro. Todavia, oficialmente o Brasil exporta apenas 40% do total global produzido. CADÊ A DIFERENÇA? SUMIU?
RESULTADO: subfaturamento e prejuízo certo de bilhões de dólares.
Não é de se estranhar que a maior reserva de nióbio em extração está na cidade de Araxá (MG). O prefeito atual foi eleito pela inusitada e fantástica coligação de 14 partidos (um por todos e todos pelo Níóbio):
PT / PDT / PL / PMDB / PSDB / PSC / PP / PPS / PFL / PSDC / PSB / PV / PSL / PC do B.
Isso após Lula ter se hospedado na casa do presidente da CBMM, a maior exploradora do nióbio brasileiro, e de ter seu programa Fome Zero financiado pela ONG dessa companhia (Folha de S. Paulo).
Estão imaginando o mesmo que eu?
E tem mais: logo após o assento do PT no governo nacional, o presidente Lula decretou a criação da reserva "indígena" Raposa Serra do Sol ...
E é de se estranhar mais ainda quando os índios se rebelaram, pegaram em armas e fizeram policiais federais como reféns, exigindo o cancelamento do decreto que cria a tal reserva. Perguntinha ingênua: mas se não são os índios que estão exigindo a criação da reserva, quem seria?
Ganha uma das maiores reservas do mundo de urânio e Nióbio quem souber responder...
Para finalizar, em recente entrevista o secretário de Turismo da cidade de Araxá relatou a importância do Nióbio...
"Pra que vocês tenham uma ideia daqui, os hotéis da cidade vivem abarrotados... e não só pelos turistas que visitam a cidade em razão do balneário junto ao Grande Hotel, onde se encontram os tratamentos em saunas, duchas, hidroterapia, mecanoterapia e aplicação da lama medicinal... os hotéis ficam abarrotados principalmente pelos americanos, japoneses, europeus, canadenses, árabes, e endinheirados do mundo inteiro atrás desse tal de nióbio...eles precisam dele para mil e uma utilidades... principalmente para a fabricação das turbinas dos aviões..."
As diversas aplicações do Nióbio:
Entre os metais refratários, o nióbio é o mais leve prestando-se para a siderurgia, aeronáutica e largo emprego nas indústrias espacial e nuclear. Na necessidade de aços de alta resistência e baixa liga e de requisição de superligas indispensáveis para suportar altas temperaturas como ocorre nas turbinas de aviões a jato e foguetes, o nióbio adquire máxima importância. Podem ser exemplificados outros empregos do nióbio na vida moderna: produção de aço inoxidável, ligas supercondutoras, cerâmicas eletrônicas, lente para câmeras, indústria naval e fabricação de trens-bala, de armamentos, indústria aeroespacial, de instrumentos cirúrgicos, e óticos de precisão.
O descaso nas negociações internacionais:
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a maior exploradora mundial, do Grupo Moreira Salles e da multinacional Molycorp, em Araxá, exporta 95% do Nióbio extraído de Minas Gerais.
Segundo um artigo de Ronaldo Schlichting, que cita o jornal Folha de São Paulo, 5 de novembro de 2003: “Lula passou o final de semana em Araxá em casa da CBMM do Grupo Moreira Salles e da multinacional Molycorp…” E, complementa que “uma ONG financiou projetos do Instituto Cidadania, presidido por Luiz Inácio da Silva, inclusive o ‘Fome Zero’, que integra o programa de governo do presidente eleito”.
O Brasil como único exportador mundial do minério não dá o preço no mercado externo, o preço do metal quase 100% refinado é cotado a US$ 90 o quilo na Bolsa de Metais de Londres, enquanto que totalmente bruto, no garimpo o quilo custa 400 reais. Na cotação do dólar de hoje (R$ 1,75), R$ 400,00 = $ 228,57. Portanto, $ 228,57 – $ 90,00 = $ 138,57. Como conclusão, o sucesso do governo atual nas exportações é “sucesso de enganação”. O brasileiro é totalmente ludibriado com propagandas falsas de progressos nas exportações, mas, em relação aos negócios internacionais, de verdadeiro é a concretização de maus negócios.
Nas jazidas de Catalão e Araxá o Nióbio bruto, extraído da mina, custa 228,57 dólares e é vendido no exterior, refinado, por 90 dólares. Como é que pode ocorrer tal tipo de transação comercial com total prejuízo para a população do país? É muito descaso com as questões do país e o desinteresse com o bem-estar do povo brasileiro. Como os EUA, a Europa e o Japão são totalmente dependentes do nióbio e o Brasil é o único fornecedor mundial, era para todos os problemas econômicos, a liquidação total da dívida externa e de subdesenvolvimento serem totalmente resolvidos.
Você ainda acha que o negócio do Nióbio é pequeno?
Deve ser frisada a grande importância do nióbio e a questão do desmembramento de gigantescas fatias de territórios da Amazônia, ricas deste metal e de outras jazidas minerais já divulgadas. As pressões externas são demasiadas e visam a desmoralização das instituições brasileiras das mais diversas formas, conforme pode ser comprovado nas políticas educacionais e nos critérios de admissão de candidatos às universidades. Métodos que corrompem autoridades destituídas de valores morais são procedimentos que contribuem para a desmontagem do país. Uma gama extensa de processos que permitam os traidores obterem vantagens faz parte para ampliar a divulgação da descrença, anestesiando o povo, dando a certeza de que o Brasil não tem mais jeito.
A questão do Nióbio é tão vergonhosa que na realidade o mundo todo consome 100% do nióbio brasileiro, sendo que os dados oficiais registram como exportação somente 40%. Anos e anos de subfaturamento tem acumulado um prejuízo para o país de bilhões e bilhões de dólares anuais.
Ronaldo Schlichting, no seu artigo publicado, ressalta que “no cassino das finanças internacionais o jogo da moda é chamado de ‘mico preto’, cujo perdedor será aquele que ao fim do carteado ficar com a carta do mico, denominada dólar”. É, devido à incompetência do governo brasileiro e do ministro da Fazenda, quem ficou com o mico preto foi o povo brasileiro, o papel pintado, falso, sem valor, chamado de dólar.
O que está ocorrendo é que o Brasil está vendendo todas as suas riquezas de qualquer jeito e recebendo o pagamento em moeda podre, sem qualquer valor, ficando caracterizada uma traição ao país e ao povo brasileiro.
Conselho autoriza BNDES a emprestar mais dinheiro à mineradora Vale:
Desde de Maio/2012, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá emprestar mais dinheiro à mineradora Vale do Rio Doce. O Conselho Monetário Nacional (CMN) suspendeu, até junho de 2015, o limite máximo de 25% do patrimônio de referência que o banco pode emprestar para a empresa.
O órgão também prorrogou por três anos, o prazo para que o banco ultrapasse esse teto nos empréstimos à Petrobras e Eletrobras. Desde 2009, as estatais estão isentas da restrição, que acabaria em julho deste ano. De acordo com o chefe do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do Banco Central (BC), Sérgio Odilon dos Anjos, a suspensão dos limites foi necessária para que o BNDES cumpra a função de estimular o desenvolvimento.
“Áreas estratégicas precisam ter alocação de recursos. Com a decisão, o BNDES terá mais liberdade para emprestar à mineradora”, disse o técnico do BC. Embora a Vale não seja uma empresa estatal, Odilon disse que a suspensão do limite de empréstimo é estratégica para o país. “Um banco como o BNDES trabalha no longo prazo. Estamos tentando evitar a interrupção de recursos para uma área tão importante como a mineração”, declarou.
Pela regra geral, cada instituição financeira pode comprometer, no máximo, 25% do patrimônio de referência e 50% dos ativos permanentes (como compra de ações e prédios) com cada cliente. O BNDES, no entanto, pode ultrapassar esses limites com as três empresas.
O curioso disso é que apesar da a empresa de valor trílionário Vale do Rio Doce, ter sido roubada do povo brasileiro e entregue como, praticamente, doada a iniciativa privada de maneira fraudulenta, ela ainda hoje precise de empréstimos a juros e limites especiais do governo brasileiro. Isso é o fim da picada! Isso é uma vergonha!
Recuará o governo ante as pressões internacionais? – Esperamos que não
Com a recente edição da Portaria 303 da AGU (Advocacia-Geral da União), o governo emitiu o sinal que pretendia limitar a interferência do aparato internacional na política indigenista, restabelecendo a soberania do Estado brasileiro sobre a ocupação física do território nacional.
Isto, naturalmente atraiu uma imediata e feroz reação do aparato indigenista internacional, que se mobilizou com a maior presteza para pressionar o governo brasileiro a retirar a medida . O previsível contra-ataque indigenista foi imediato, dentro e fora do País. A Funai divulgou uma nota oficial contrária à Portaria, alegando que ela restringe o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas - em especial os direitos territoriais, garantidos p ela Constituição.
A reação mais ruidosa veio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), vinculada às ONGs do Reino Unido, da Suécia, dos EUA e da Alemanha. “Essas entidades “exigem”, via COIAB, a revogação imediata da Portaria, dizendo que afronta a memória das numerosas lideranças indígenas mortas pelo latifúndio”, deixando clara a orientação de travar o desenvolvimento e a nossa ocupação da Amazônia. Claro, somente para nós, Elas, muitas vezes, exploram clandestinamente as jazidas minerais.
Diante da forte reação, o Governo Federal recuou e determinou um adiamento da medida para 25 de setembro, para proporcionar e ouvir os povos indígenas. O adiamento deixa dúvidas sobre a disposição do Palácio do Planalto para um confronto direto com esse insidioso aparato intervencionista supranacional. Sem a neutralização desse aparato na formulação das políticas públicas do País, será impossível avanços significativos em uma estratégia de desenvolvimento que contemple a ocupação racional do território nacional.
Acovardar-se-á a Presidente Dilma neste caso? Esperamos que não!
Em 2004, segundo ano do primeiro governo Lula, eclodiu um escândalo que ameaçou o então todo-poderoso ministro José Dirceu. Seu principal assessor, Waldomiro Diniz, havia sido gravado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, pedindo propina para ajudar na liberação dos bingos. Naquele episódio, pela primeira vez, manchou-se a imagem do PT, que, depois, viria a ser arranhada por uma série de escândalos – o principal deles, o Mensalão. Diferente do que ocorreu com relação a oportunidade até hoje, ainda, desperdiçada, com o "término em pizza" da CPI do Banestado, recentemente, oito anos depois da "queda" de José Dirceu, Carlinhos Cachoeira foi, enfim, preso pela Polícia Federal. Por que tanta demora? Eu só sei que no intermeio desses 8 anos, quem perdeu foi o Brasil.
A GThec, a mais poderosa organização voltada para o jogo dos Estados Unidos chegou ao Brasil comprando a Racimec, uma empresa curitibana que prestava serviços à Caixa, relativos aos Jogos de Loterias - CEF. Não muito tempo depois, a GThec (via Racimec) passou a dominar todo o serviço de Loterias da Caixa Econômica Federal. O conselho de administração da Racimec era integrado por José Richa (ex-governador do Paraná), Karlos Rischibieter (ex-ministro da Fazenda), Carlos Alberto Vieira, Simão Brayer e Antônio Carlos Lino da Rocua. A GThec administra um negócio de 1.5 bilhão de dólares e, cerca de 15% desse montante (225 milhões de dólares), provém exclusivamente do Brasil.
André Luis Lenz
Traição de Waldomiro Diniz e as suspeitas de que assessor continuou ativo no governo pegam PT de surpresa e crise política revela ao partido o ônus de ser governo.
Luiz Cláudio Cunha e Ugo Braga
Em julho do ano passado, quando ISTOÉ revelou pela primeira vez as relações comprometedoras de Waldomiro Diniz com expoentes do jogo legal e ilegal, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, perdeu a fleuma. Em pleno domingo, entrou em contato com o amigo e assessor e cobrou explicações. Waldomiro, que já conhecia o conteúdo da reportagem, negou que tivesse relações com bicheiros e contraventores eletrônicos e disse que na manhã seguinte iria desmentir a reportagem. O ministro achou que o desmentido seria uma reação tímida demais para o tamanho da denúncia e exigiu que o assessor tomasse medidas mais consistentes. Na sexta-feira 4 de julho, Waldomiro disparou ofícios ao procurador-geral da República, Cláudio Fontelles, ao corregedor da União, Waldir Pires, e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, pedindo de próprio punho para que fossem investigadas as denúncias feitas por ISTOÉ. Cópia dos ofícios chegou a ser entregue ao presidente Lula por Dirceu, que demonstrou surpresa com as acusações feitas ao seu subordinado. Para convencer o ministro de que nada tinha a temer, Waldomiro chegou a pedir por escrito a punição dos repórteres e a colocar à disposição das investigações os seus sigilos bancário e telefônico. Foi tudo jogo de cena. Na verdade, desde a terça-feira 1º de julho do ano passado, três dias antes de encaminhar os ofícios se colocando na posição de vítima, Waldomiro já tinha pleno conhecimento de que suas tramóias estavam registradas em fita de vídeo. Sabia também que o autor da gravação fora o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O pedido de investigação feito ao Ministério Público federal ficou parado na Polícia Federal. O que Waldomiro não contava é que a fita gravada pelo bicheiro, em que ele é flagrado pedindo propina, se tornaria pública.
Mas essa não foi a única mentira de Waldomiro Diniz. Seu talento de operador político – já demonstrado na campanha eleitoral de 2002 – continuou sendo exercido em favor de interesses pouco ortodoxos. Depois de operar na Loterj para obter recursos financeiros para as então candidatas Rosinha Matheus e Benedita da Silva, Waldomiro continuou gastando doses cavalares de energia nos bastidores do governo Lula, sempre em assuntos de interesse dos contraventores. A sua atuação explodiu como bomba no colo do governo Lula e deixou o ministro Dirceu no alvo de um furacão. A inexperiência de ser governo fez com que a sangria não fosse estancada imediatamente, tomando proporções gigantescas, inflando a oposição e transformando a gestão do PT numa grande vidraça. A traição de Waldomiro por pouco não ceifou a esperança. Desolado, o ministro pediu desculpas aos companheiros da base do governo, durante jantar na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), na noite de quarta-feira 18. Dirceu comentou que não sabia que as ações de seu subordinado tinham sido “tão criminosas e irresponsáveis”. “Queria pedir desculpas ao Brasil, mas o presidente Lula pediu que eu não fizesse isso agora”, teria afirmado o ministro, de acordo com um dos participantes do jantar.
Entre 1º de janeiro de 2003, quando foi nomeado assessor e ganhou uma sala no quarto andar do Planalto, e 14 de fevereiro, data de sua exoneração, Waldomiro participou de várias reuniões com os bicheiros, sempre tratando da regulamentação dos bingos. Há detalhes surpreendentes desses encontros. O primeiro deles aconteceu apenas cinco dias depois de o PT chegar ao poder. A atuação de Waldomiro em prol dos bicheiros nos últimos 15 meses envolve a empresa Gtech, multinacional americana responsável pelo sistema de informática das loterias da Caixa Econômica Federal. Essa empresa registra e vende as apostas, transmite, consolida e processa os dados. Presta o serviço desde 1994. Em 2000, no entanto, a direção da Caixa resolveu montar um departamento próprio para fazer o trabalho. Queria se ver um pouco menos prisioneira da Gtech. Para brecar os planos, a multinacional entrou na Justiça. O imbróglio corre até hoje.
O escândalo começa a tomar forma de maremoto quando Carlinhos Cachoeira entra no assunto. Cachoeira pertence à nova geração de bicheiros. Seu maior feito no ramo foi erguer a plataforma de controle online de apostas. Conseguiu emplacar seu produto em Goiás na década de 90. Depois, ungido pelo sucesso, espalhou-se por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. Guardada a devida proporção, fazia nos Estados o que a Gtech fazia no plano nacional. Carlos Cachoeira prefere ver o jogo regulado por um sistema online de controle das apostas. A arrecadação se daria sobre o apurado total – metade para a União, operada pela gigante Gtech, metade para os Estados, operada por ele mesmo.
Na moita – Para viabilizar seu plano, Cachoeira telefonou à Gtech. Falou com o então presidente da empresa, Antônio Carlos Lino da Rocha. Disse-lhe ter meios de influir no projeto de regulamentação dos bingos. Era fim de 2002. Combinaram uma data e marcaram a reunião. No dia 5 de janeiro de 2003, Lino da Rocha hospedou-se no Blue Tree Park, hotel cinco estrelas de Brasília, vizinho ao Palácio da Alvorada. Junto com ele estava Marcelo Rovai, então diretor da Gtech. Na manhã seguinte encontrariam Cachoeira e seu contato no novo governo. No dia 6 de janeiro, terça-feira, o bicheiro foi ao Blue Tree acompanhado do recém-empossado subchefe da Casa Civil, Waldomiro Diniz, seu velho conhecido do Rio. “Quando chegamos, o José Genoino estava saindo do hotel. O Waldomiro se escondeu atrás de um vaso de planta para ele não nos ver”, contou Cachoeira ao Ministério Público. No encontro, além de abençoar a estratégia conjunta da Gtech com Cachoeira, Diniz se comprometeu a atuar para renovar o contrato com a Caixa. Apertaram as mãos e despediram-se. Foi a última vez que o quarteto se encontrou. Dias depois o bicheiro viajou com a família para o Exterior, em férias.
No dia 13 de fevereiro, Lino da Rocha e Rovai voaram a Brasília. Encontraram-se de novo com Waldomiro. O trio voltou ao Blue Tree no dia 31 de março. Desta vez, a fatura do hotel foi paga com o cartão de crédito corporativo da Gtech. Outro encontro entre os três ocorreu no dia 3 de junho. Foi quando Cachoeira, recebeu um telefonema de um terceiro diretor da Gtech, que lhe contou pormenores da negociação com o assessor do ministro José Dirceu. Descartado do grupo, o bicheiro ficou fulo. Chamou Waldomiro e o esculachou. Soube que repórteres da ISTOÉ investigavam as relações perigosas dos jogos eletrônicos e bicheiros.
Em 8 de abril – época em que Diniz e diretores da Gtech se confraternizavam sem a presença de Cachoeira – saiu a renovação do contrato com a CEF. Pelo novo acerto, o banco e a multinacional aceitaram permanecer abraçados por mais 25 meses. A empresa deu 15% de desconto à Caixa. Um de seus diretores afirma que tal solução custou um pedágio de R$ 10 milhões em propinas. Antônio Carlos Lino da Rocha e Marcelo Rovai deixaram a Gtech seis meses depois. O banco estatal nega qualquer irregularidade. Afirma que a renovação foi acompanhada passo a passo pela procuradora da República Raquel Branquinho. Ela diz não ter nada com o assunto.
Reincidente – Tentando minimizar os estragos, o Planalto anunciou, na quarta-feira 18, a criação de uma comissão de sindicância para apurar a atuação de Waldomiro dentro do governo, com prazo de 30 dias para apresentar conclusões preliminares. O próprio líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), já admitia a hipótese – negada no início – de que Waldomiro possa ter exercido tráfico de influência durante a sua permanência na Casa Civil. “É possível que (Waldomiro) tenha usado o cargo para favorecer alguém, mas ele não tinha poder de decisão. Não lidava com orçamento, não tinha verba”, afirmou Mercadante. Apreensivos com a sorte do ministro Dirceu, a quem Waldomiro respondia, um grupo de parlamentares imaginava ter encontrado a bóia de salvação do chefe da Casa Civil: a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Encarregada de investigar a ficha de todo candidato a cargo de confiança no governo, a Abin seria apontada como responsável pelo deslize de acomodar Waldomiro num gabinete privilegiado do quarto andar do Palácio do Planalto. A agência não teria soado o alarme. “É, isso faz sentido”, admitiu Dirceu a um deputado aliado, na terça-feira.
O negócio é que existem sólidas evidências de que o personagem Waldomiro Diniz era bem conhecido pela Abin. Em dezembro de 2002, dias antes da nomeação, chegou à agência o pedido protocolar de LDB (Levantamento de Dados Biográficos) de Waldomiro Diniz. A Abin trabalhou direitinho: alertou que “havia indícios de envolvimento com a máfia dos bingos no Rio, quando presidia a Loterj”. A LDB saiu do Cedoc e voltou, dias depois, com “ordens superiores”: “Nós avaliamos fatos e pessoas, não indícios”, teria dito a diretora-geral da Abin, Marisa Diniz. Exterminaram os indícios e sobraram apenas dados burocráticos. Waldomiro pôde tomar posse do cargo sem sobressaltos.
Desde então, a Abin sabia que não era saudável levantar certos fatos da vida de Waldomiro. Tanto que, na sexta-feira em que explodiu o escândalo, o diretor do Cedoc, David Bernardes, recebeu um telefonema de manhã cedo: “E aí, tudo bem? Estamos cobertos?”, perguntava, com certa preocupação, seu superior na Abin, José Irigaray, secretário-executivo de Planejamento. A salva de artilharia que se prepara no Planalto deve mirar a diretora Marisa Diniz, na agência desde dezembro de 2000. Agora, o Planalto vai tentar dizer que dona Marisa da Abin “lavou” a LDB de Waldomiro e induziu o governo ao erro fatal.
Barra pesada - Waldomiro Diniz já vem sendo investigado pela polícia americana desde a década de 90 por suas ligações com a exploração de jogos eletrônicos. A inteligência militar soube da investigação americana antes de Waldomiro assumir a Loterj. Segundo um documento da Interpol, à frente da Loterj, ele foi considerado uma peça-chave do esquema internacional de lavagem. Em outro documento de 2001, em poder da PF, são colocadas restrições sobre suas atividades: “Um homem influente no meio político, capaz de garantir financiamento de campanhas eleitorais, mas que exerce atividades suspeitas.” De acordo com um policial que investigou o crime organizado, ele foi um dos responsáveis pela expansão dos bingos no Rio. Citando um relatório dos americanos, o mesmo policial disse que boa parte do dinheiro das campanhas a partir de 1990 saiu do contrabando de máquinas para jogos eletrônicos.
Hélio Contreiras
Demissão abre crise na Cultura - Um pedido de demissão coletivo na quarta-feira 18 deixou explícito um racha que havia no Ministério da Cultura. O estopim foi a exoneração de Roberto Pinho, que era secretário de Desenvolvimento de Programas e Projetos Culturais do Ministério, na segunda-feira 16. Numa só portaria, o ministro Gilberto Gil demitiu o seu guru político, amigo e compadre e acabou com uma amizade de 40 anos, alegando que Pinho o induziu a assinar um contrato irregular entre o governo e o Instituto Brasil Cultural (Ibrac), que iria executar a construção de 16 Bases de Apoio à Cultura em regiões carentes. O contrato de R$ 24 milhões financiados pela Petrobras foi cancelado depois que uma auditoria detectou irregularidades na escolha do Ibrac e da empresa MC Consultoria e Assessoria Empresarial. “O meu compromisso é com a política cultural, está acima das amizades”, avisou Gil.
A exoneração de Pinho esfacelou uma coesa turma de amigos baianos que atuava junto desde a década de 60 na militância cultural e política, da qual faziam parte o secretário executivo Juca Ferreira e o antropólogo e compositor Antônio Risério. Todos trabalharam juntos em 1988 quando Gil foi secretário de Cultura de Salvador. Risério pediu demissão em solidariedade a Pinho e levou com ele o coordenador do programa de recuperação de monumentos, Marcelo Ferraz, e a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Maria Elisa Costa. A carta, assinada pelos três, diz que a saída de Pinho resultou de “disputa de poder e intrigas”, trazendo o racha à tona: de um lado a turma de Roberto Pinho e do outro a de Juca Ferreira. Gil, que elogiou a atuação dos ex-funcionários, disse que já esperava essa reação. Agora, acredita, acabou a dicotomia em sua equipe.
Leonel Rocha
Bispo Rodrigues é afastado da Universal - O deputado federal bispo Rodrigues (PL-RJ) tornou-se a mais nova vítima de Waldomiro Diniz. Na madrugada da quinta-feira 19, Rodrigues foi destituído da função de líder da bancada da Igreja Universal na Câmara por decisão do próprio chefe da igreja, Edir Macedo. O crime do bispo foi ter recebido ajuda financeira de Waldomiro quando ele era presidente da Loterj em 2001 e 2002. O dinheiro foi utilizado para construir mais um templo da Universal no Rio de Janeiro. Macedo demitiu Rodrigues através de seu programa de tevê Fala que eu te escuto, destinado aos fiéis da Universal. Segundo Edir Macedo, “não vamos tolerar que os parlamentares que se elegeram com nosso apoio se tornem corruptos”. E aproveitou para alertar seu rebanho dizendo ainda que “os membros da nossa igreja não podem cair na tentação da corrupção na política”.
Ao assumir as rédeas do poder executivo federal em 2003, o PT - Partido dos Trabalhadores - fez uma opção pela continuidade, e não pela ruptura com os antigos regimes, enterrando a CPI do Banestado.
Apesar de ter sido o governo Lula o responsável por enterrar a CPI do Banestado, de fato, foi a cúpula do governo Fernando Henrique Cardoso, notadamente de alguns senhores instalados no BC, na época, quem abafou as denúncias dos ilícitos do Banco Araucária, que pertenceu (mas não pertencia) ao Sr. Jorge Bornhausen.
Um fato que chama muito a atenção é:
Como esse banco conseguiu praticar centenas de atos ilícitos sem ter sido punido? Embora tenha construído inúmeras formas para praticar crimes de lavagem e se especializado em evasão de divisas, esse esquema não funcionaria sem a anuência dos órgãos de fiscalização, principalmente o Banco Central (BC).
Mesmo com inúmeros processos e relatórios feitos por funcionários interessados em combater a criminalidade financeira, forças “ocultas”, vindas de escalões superiores do BC, impediam o prosseguimento de tais instruções e ainda presenteavam o Araucária com novas benesses, como a autorização especial para operar com contas CC5. Por que um pequeno banco tinha tanta influência na direção do Banco Central?
Depois de muito dinheiro rolar para o exterior – como demonstra a movimentação de uma única conta na Finambrás (corretora), onde corria cerca de US$ 3 milhões por dia, com picos de US$ 5 milhões – o Banco Central resolveu abrir inúmeros processos contra o Araucária. Diante de muitas resistências, alguns deles chegaram a percorrer 5 anos nos porões do BC sem que houvesse alguma condenação.
O destaque principal fica por conta do processo nº 9400371755, aberto em 1994, onde alguns auditores sérios do BC apontaram inúmeras irregularidades. Esse processo demonstrava cabalmente que haviam sido cometidos crimes de evasão de divisas pelo banco Araucária juntamente com o banco paraguaio Integración.
Os técnicos do BC foram enfáticos em solicitar a seus superiores, durante o ano de 1995 – diante da gritante prática de crime – a expressa paralisação do esquema montado pelo Araucária/Integración. A providência tomada pelo BC foi inversa, isto é, não só manteve o Araucária operando como mandou suspender a tramitação do processo.
Um ano depois, veio o prêmio. Juntamente com instituições de grande porte, como Banestado e Banco do Brasil, o Araucária – que apenas possuía duas agências – foi “regalado”, em 2 de maio de 1996, com a autorização especial para operar com contas de depósitos de domiciliados no exterior, as chamadas CC5.
Sendo um banco relativamente pequeno, para não dizer de fundo de quintal, o fato de ter tanto poder dentro do Banco Central espanta qualquer filho de Deus. Onde o Araucária encontrou todo esse poder, se Alberto Dalcanale, o presidente formal da instituição, não tinha tantos amigos no cerne do governo? Seria pelo fato de Alberto Dalcanale ser sobrinho de Paulo Konder Bornhausen, o famoso PKB, considerado gourmet de primeira, cozinheiro preferido de Fernando Henrique? Ele chegou a ser sócio formal do banco até 1995. PKB, irmão mais velho do senador Jorge Bornhausen, é casado com a tia de Alberto.
Se Alberto Dalcanale não tinha nenhuma ligação com o governo, o mesmo não pode ser dito sobre os Bornhausen, suspeitos de serem os verdadeiros controladores do Araucária. Tanto que, em 2003, Paulo Konder Bornhausen e os ex-dirigentes e ex-sócios do banco Araucária foram denunciados à Justiça Federal em Curitiba (PR) por operações de lavagem de dinheiro entre 1994 a 2000. Segundo os procuradores que ingressaram com o processo, em 1995, ano em que PKB ainda se mantinha formalmente na sociedade do banco, “cerca de R$ 5,5 bilhões foram movimentados para o exterior por meio de laranjas e do Araucária”.
Ou seja, não precisa ser nenhum especialista para perceber que existem indícios monumentais de que o banco Araucária possuía um lobby poderoso agindo na cúpula do Banco Central, no período de Fernando Henrique, para que seus ilícitos fossem acobertados. Mais ainda: somente esse lobby pode explicar o fato do Araucária receber a autorização para atuar com contas CC5. Não é à toa que o sobrinho do “tio” permaneceu intocável por quase uma década.
Esta é a história de um banco de fundo de quintal, chamado Araucária, que se tornou uma das maiores lavanderias de dinheiro e de evasão de dinheiro sujo da História do país. O fato do senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, jurar que o banco não é dele, nem de sua família, deu origem ao nome da série da série de reportagens: “O banco que não era da família Bornhausen”, do jornal a Hora do Povo, de onde compilei parte das informações aqui expostas.
Mesmo sendo difícil detalhar em poucas páginas toda a história de irregularidades, mostrou-se indícios e provas encontradas pelas investigações concluídas no âmbito do Congresso Nacional, do Banco Central e do Ministério Público de que o banco Araucária praticou corrupção através das contas CC-5, fraudou documentos, realizou operações ilegais no mercado paralelo de dólares, mandou dinheiro irregular por meio do banco Integración (Paraguai), tinha um caixa 2 no banco Surinvest, realizou operações fraudulentas com títulos públicos, participação em licitações dirigidas, tornou-se o representante do banco Opportunity no Paraná para operar com contas proibidas para brasileiros (as chamadas Anexo IV) e fez movimentações irregulares com os bancos Marka e FonteCindam.
E quanto a pergunta que nunca calou: Por que um pequeno banco tinha tanta influência na direção do Banco Central? É claro que com a interferência de pessoas que estavam dentro governo, ou melhor, no comando do governo.
Durante anos, as instâncias responsáveis pelas investigações sofreram pressão para que os trabalhos não prosseguissem. Isso rendeu fôlego para os envolvidos contarem com o esquecimento e com a impunidade. Esse chegou a ser um dos principais motivos para que uma CPMI, a do Banestado, tenha acabado, já pelas mãos do comando petista, sem um relatório final (o que só veio a acorrer na prática, em meados de 2010), ou seja, para que os verdadeiros envolvidos em casos de corrupção com dinheiro público ficassem sem julgamento, sem condenação.
Como afirmei no artigo anterior: Da parte do governo do PT, bastava um tiro, um único e certeiro, todavia este não foi dado. Isso para mim foi algo imperdoável, e bastou, fazendo com que eu, firme apoiador do PT desde o seu início e filiado desde 1985, deixasse de acreditar no partido como uma entidade digna de resolver os grandes problemas nacionais e, totalmente descrente do mundo da política, me tornasse um eleitor NULO desde 2004.
Atenção: Este quadro se encontra desatualizado, desde a data da postagem deste artigo e, certamente, apesar de verdadeiro, ele não expressa a realidade dos últimos anos, que, espera-se, os leitores tenham o seu próprio conhecimento para análise.
O Brasil perdeu, como sempre, mas eu me tornei livre! Todavia, há que se considerar coisas positivas: As transferências internacionais de reais, efetuadas por meio de créditos e débitos realizados em contas de não residentes, as famigeradas conhecidas “contas CC5”, não puderam mais ser realizadas no interesse de terceiros, inclusive pelas contas de instituição financeira residente ou domiciliada no exterior. Assim, somente recursos próprios de não residente, depositados nessas contas, podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira para remessa ao exterior, o que tem coibido os abusos. Enfim, é possível considerar que, até o presente momento, a instituição do RMCCI - REGULAMENTO DO MERCADO DE CÂMBIO E CAPITAIS INTERNACIONAIS, tem sido um excelente passo.
Não obstante, observa-se que a persecução aos crimes contra o sistema financeiro continua, de maneira inequívoca, muito aquém dos delitos perpetrados quotidianamente.
Votar Nulo resolve? Talvez não, mas é, sobretudo, um direito de escolha que me compete. Política é escolha. E o voto nulo é uma escolha como qualquer outra. Existe a possibilidade jurídica de se anular uma votação como um recado claro de que já sabemos que não nos adianta apenas eleger. Que queremos fiscalizar, que queremos o fim da impunidade de crimes do sistema financeiro contra nós, afinal, no fim dos trâmites regulares, é sempre quem trabalha e produz que acaba pagando as contas. De modo que eu quero justiça acima de governabilidade, quero poder retirar o poder de quem me enganou para poder se eleger, quero voto não obrigatório, quero poder eleger candidatos, mesmo independente dos partidos.
O resultado do referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, ocorrido no Brasil a 23 de outubro de 2005, que não permitiu que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento fosse efetivado, foi uma outra grande decepção para mim, mas eu continuo acreditando no regime democrático e no estado de direito, mesmo diante de tantos problemas e absurdos persistentes, na sua grande maioria, realizados e mantidos pelos grandes interesses econômicos, mesmo sob democracia e sob um poder judiciário viciado, no qual ainda sobrevive a lei do mais forte.
Ao assumir as rédeas do poder executivo federal em 2003, o PT - Partido dos Trabalhadores - fez uma opção pela continuidade, e não pela ruptura com os antigos regimes, enterrando a CPI do Banestado.
Disse-me também o SENHOR: Toma uma ardósia grande e escreve nela de maneira inteligível: Rápido-Despojo-Presa-Segura. Tomei para isto comigo testemunhas fidedignas, a Urias, sacerdote, e a Zacarias, filho de Jeberequias. Fui ter com a profetisa; ela concebeu e deu à luz um filho. Então, me disse o SENHOR: Põe-lhe o nome de Rápido-Despojo-Presa-Segura (ou "Apresse o Espólio, Acelere o Saque"). Isaías 8:1-3.
Estes versos da Bíblia, referentes ao nome dado ao segundo filho do profeta Isaías (Maher-shalal-hash-baz), refletem em sua simplicidade, um princípio básico da estratégia da arte da guerra. Havendo oportunidade, os combates devem ser rápidos, a vitória fulminante e com o menor custo possível.
O governo Lula teve esta oportunidade, de liquidar e fazer calar a seus opositores políticos. A batalha, que não houve, era contra o PFL e seu aliado, o PSDB. O momento foi a CPI do BANESTADO, o ano o de 2003, auge do capital político e popularidade de Lula.
Naquela conjuntura, o Planalto preferiu negociar a aprovação da reforma da Previdência, transformando em pizza mais um escândalo de evasão de divisas do país (o segundo maior de toda a sua história): Afastou o delegado José Francisco de Castilho Neto e sua elogiadíssima equipe de peritos e agentes. Estes federais ganharam o respeito rastreando o caminho do dinheiro, indo investigar nos Estados Unidos: O prêmio ao retornarem para o país, foi o descrédito e a geladeira.
Lula tinha a faca e o queijo na mão, mas escolhera mal seus executores, pois fez alianças por dentro do mundo policial com o grupo anterior. E ainda, apenas para manter o padrão de sua trajetória política, hesitou em atirar na hora certa. Dois anos depois, chorou a chance perdida e quase viu tudo ruir, com a CPI do mensalão.
Na frente operacional, escolheu um grupo de confiança continuísta. A começar pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), indicado pelo ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e respaldado pelo PFL. O delegado Paulo Lacerda, foi mais um dos federais fiéis ao grupo de Romeu Tuma, sendo que o próprio Lacerda fora assessor parlamentar de Tuma por longos seis anos. A gestão e presença de Romeu Tuma foi um divisor de águas dentro da mais respeitada e capaz instituição policial do país.
O ex-diretor do DOPS de São Paulo deparou-se, há 26 anos atrás, com uma PF civil, judiciária, altamente operacional, em vias de sindicalização e com ideologia constitucionalista. Para amparar-se, apoiou-se num tripé: - as prerrogativas dos militares; - a lealdade ao Palácio do Planalto; - a cobertura aos delegados da velha guarda. Boa parte dos conflitos internos da PF tiveram aí a sua origem.
Para culminar os erros, a lealdade da PF não foi inteiramente garantida. Muito em função de dois movimentos do titular do MJ:
O primeiro foi a demissão, ainda em 2003, de Luís Eduardo Soares, homem com trânsito nas federações e sindicatos de peritos e agentes, e apoiador destes servidores na mudança da Lei Orgânica, que rege a Polícia Federal. Caso a alteração fosse aprovada, a PF teria implantado o modelo do FBI, com academia e cargo inicial únicos. Seria o fim dos poderes atribuídos aos delegados, completando a medida iniciada com a Constituição de 1988, que já retirara destes o poder de prender para averiguação.
A segunda foi o endurecimento na greve dos agentes, papiloscopistas e peritos federais, iniciada em abril de 2004. Com a derrota do movimento grevista da PF, os setores mais ativos da corporação se distanciam do governo, entregando-o à própria sorte. Lula ficou, então, à mercê da vontade política da dupla Romeu Tuma e Paulo Lacerda, e seu corpo de diretores, superintendentes e delegados leais aos “velhos tempos”.
Não por acaso, a montagem do flagrante nos Correios, que deu inicio a CPI do mensalão, partiu da ABIN. Se fosse apenas um caso de corrupção, uma sindicância aberta e posteriores investigações da PF resolveriam o assunto. Com o flanco operacional desguarnecido, puseram a bomba relógio chamada Maurício Marinho no colo de Roberto Jefferson. Este, ao ver-se abandonado pelo então chefe de governo José Dirceu, a atira de volta. A partir daí a história já é mais do que conhecida.
Voltando ao flanco político, especificamente ao Congresso e a CPI do Banestado, observamos o seguinte:
Sem vontade política para apurar, com medo de desagradar ao sistema financeiro, apavorado com a hipótese de pôr grandes instituições em rota de colisão com o Banco Araucária e o Banestado na gestão do governador Jaime Lerner (PFL-PR), a maioria do governo concorda em arquivar a CPI.
Vale lembrar, investigações preliminares indicaram um desvio de mais de US$ 30 bilhões de dólares entre roubo aos cofres públicos e evasão de divisas através das famosas contas CC-5. Ainda assim, Sarney e Mercadante prepararam a pizza. Dois anos depois, os ventos mudaram e a pizza azedou. Tivessem emparedado o senador Jorge Bornhausen (PFL/SC), este teria renunciado e não partido para cima do governo, conforme o mesmo declarou, disposto “a acabar com essa raça petista”.
Vale lembrar, em 2003, o governo Lula tinha um rolo compressor no Congresso. Para demarcar o terreno da rinha, uma esporada precisa alcançava e resultava. Não precisaria nem ressuscitar investigações arquivadas no governo FHC, tais como: a compra de votos para a emenda da reeleição; a fraude no leilão do Sistema Telebrás, conhecido como o grampo do BNDES; a CPI do sistema financeiro, quando Salvatore Cacciola pagou o pato sozinho por mais de 1.200 pessoas físicas e jurídicas que lucraram, e muito, com a desvalorização do Real; isso sem falar em privatizações escandalosas como a da Cia. Vale do Rio Doce. Bastava um tiro e este não foi dado.
Um dos problemas da “esquerda”, quando ela se posiciona mais à direita, é o fato desta nova fração de classe dirigente, tentar se confundir e entrosar com a direita orgânica. Os operadores políticos do governo podem querer fazer parte do time, mas destes, só Palocci entrou pra valer, na ocasião, para o clube dos eleitos e favoritos. Os demais são uma moda passageira, que ao primeiro descuido, serão combatidos com a tenacidade de sempre. A equipe original de Lula (e de José Dirceu) confundiu-se com a direita, lavando o discurso, rebaixando a plataforma e até adotando alguns de seus métodos. Só esqueceu do principal, de assegurar com tenacidade a vitória, quando esta esteve a cair de madura (Maher-shalal-hash-baz, dizia-lhes, mas não ouviram ao Senhor)
Tamanha displicência em um governo com políticos tão experientes, recheado de ex-guerrilheiros, é quase inexplicável. Basta recordar o que fez José Serra em 2002 para entender o que dizemos. Com um tiro certeiro, Serra tirou a aliada Roseana Sarney do páreo. Bastou rosnar para os correligionários Paulo Renato e Tasso Jereissati e os dois tiraram o time de campo.
A CPI do Banestado foi a batalha que o governo Lula, em nome da pressuposta governabilidade, abdicou de ganhar. Isso não custou a amarga mazela do governo e do partido se esvair em sangue, pouco a pouco, com funeral em 2006, como pretendiam seus reais adversários (o PT hoje, diante de toda incredulidade, se encontra na 3º gestão presidencial consecutiva, o que lhes aumenta ainda mais a estupidez), todavia, custou de certo, ao partido e particularmente ao Sr. Luiz Inácio da Silva, o direito de mudar verdadeiramente, do ponto de vista político, a história do Brasil. Nunca mais o PT teve ou terá outra chance igual ... nunca mais!
Uma consequência de tanta complacência injusta, fez resultar no alongamento da história do doleiro do Banestado (escândalo de corrupção originado no tempo do governo do PSDB), chegando praticamente incólume ao Petrolão, passando pelo Mensalão (estes últimos, ambos escândalos de corrupção da era petista), a longa ficha corrida do "fora da lei profissional" Alberto Youssef, especialista em roubar o Brasil (junto com banda podre dos políticos) e sempre fazer "bons acordos" com a Justiça.
Nascido na capital de São Paulo em 31/01/1962 com a graça de André Luis Lenz, filho de Yolanda de Azedia Lenz e Luiz G. Lenz, residi toda a minha vida na cidade de Osasco-SP passando a infância e adolescência no bairro do KM18. Formei-me Técnico em Eletrônica pela FITO (Osasco) em 1981. Sonhando seguir carreira militar na aeronáutica me desiludi. Trabalhei em empresas como Scopus Tecnologia, Siemens do Brasil, LABO Computadores, Racimec, CELM, Videocompo e SENAI-SP. Casado com Deleide Neusa Novikovas em 1984, que me deu dois filhos: Claudia Wynie N. Lenz e Guilherme Bernardo N. Lenz. Divorciado em 2002. Formado em Processamento de Dados pela FATEC - São Paulo em 2002. Deixei o SENAI-SP em 2009 após 19 anos de bons serviço prestados e fazer duas viagens internacionais de estudos e pesquisas de longa duração para a Suécia (1999) e para o Japão (2001). Trabalhei, por último, na empresa Priscell Indústria e comércio LTDA, sendo responsável pelo projeto e produção de painéis elétricos (energia e controle) para automação de máquinas de fusão termo-controlada de adesivos e máquinas para linhas de armação, carregamento e fechamento de embalagens e cartuchos. Solteiro, cristão, cientista e SPH!