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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão


 Mas afinal, quem foi, de fato, o Senhor Jesus? Abram as suas Bíblias em Mateus, capítulo1.

A primeira coisa com a qual nos deparamos ao abrir o Novo Testamento, em seu início, é com a genealogia de Jesus. O que é genealogia?

Genealogia é o estudo da origem, da descendência e da relação entre famílias, ou, simplesmente uma lista ou um diagrama, que enumera e nomeia, os antepassados de um indivíduo, indicando os casamentos e das sucessivas gerações que o ligam a seus ancestrais.

A genealogia, entre todos os povos tem a sua importância, todavia para o povo hebreu, especialmente para as narrativas bíblicas, a genealogia se reveste de singular importância. Daí o fato de encontrarmos algumas genealogias na Bíblia.

No texto bíblico em questão, a genealogia apresentada é a de Jesus Cristo (ou Jesus, O Cristo), e vamos nos deter apenas no versículo 1, que nos diz: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” este versículo é fundamental para o estudo de “quem foi o Senhor Jesus”, filho do homem, todavia, de antemão, é preciso esclarecer que, para entender o Senhor Jesus, é necessário se considerar as duas naturezas dele:
  • a natureza de Jesus ser humano, filho do homem;
  • a natureza de Jesus ser espiritual, filho de Deus;
A primeira foi uma natureza eventual e transitória, assim como é, ainda hoje, a natureza de cada um de nós, seres humanos (dai a pergunta: Quem foi?), mas a segunda natureza é uma natureza espiritual eternal (o que nos levará a mudar o tempo do verbo da pergunta para o presente: Quem é?).

Todavia, por ora, vamos nos ater à primeira natureza, que é aquela na qual, de fato, importa e compete mostrar Jesus, como como sendo “filho de Davi e filho de Abrão”, voltemos, pois, a consideração da genealogia.

É obvio que se formos olhar a genealogia inteira, veremos que Jesus era filho de José, e que José era filho de Jacó, que por sua vez era filho de Matã, que era filho de Eleazar, que era filho de Eliúde, e por aí segue-se a genealogia de Jesus, até que, passando pelo rei Davi, evidentemente, chegaremos ao patriarca Abraão.

Uma genealogia pode tanto ser apresentada em modo descendente, quanto ascendente e, a genealogia completa de Jesus até Abraão, se encontra apresentada, nos versículos 2 – 16, deste mesmo capítulo 12 de Mateus. Mas repare que Mateus, sabiamente, se antecipou e destacou, logo no versículo 1, a relação de Jesus apenas com dois personagens da história bíblica: Davi e Abraão.

Ao final, já no versículo 17, Mateus arremata: “De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo, catorze gerações.”

Penso que o Espírito Santo do Senhor Jeová, não teria inspirado Mateus a considerar o tal número “catorze”, três vezes, de modo recorrente, se isso não tivesse, também, algum significado importante para nós, que cremos nas escrituras. Mas eu confesso que, por ora, eu o desconheço e não estou interessado nele, neste momento. Importa aqui, que Jesus, de fato, descendia da linhagem de Davi e de Abraão e que a exposição da genealogia serve para comprovar isso.

O Messias, o Ungido de Deus para ser o Salvador, deveria ser filho (descendente) de Abraão, simplesmente por que Deus, a seu tempo, o havia prometido que assim seria. Jeová prometera a Abrão (que mais tarde teria seu nome mudado para Abraão), que ele seria o pai da raça da qual viria o Messias. Vejamos os textos:

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:1-3)

Aqui Jeová faz a Abrão uma petição acompanhada de promessas: muitas bençãos (mais do que aquelas que Abrão já tinha até então) e, principalmente, descendência (coisa que Abrão ainda não tinha). Todavia não houve aqui, ainda, de modo explícito, a promessa de vinda de um Messias, um salvador para humanidade, mas sim, Jeová lança as bases, um desafio preparatório disso, quando diz: “ … e em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

Mesmo talvez não tendo entendido perfeitamente significado do desafio lançado, até por que, nem carecia entender pois, até então, o desafio não era algo entre Deus e o homem, mas sim entre Deus e Satanás, apenas as promessas, já foram motivação suficiente para o crente Abrão obedecer, de modo excelente, a petição de Deus. Com isso a história pôde, então, prosseguir e estando já as promessas iniciais do Senhor plenamente cumpridas, chegamos a um outro novo momento histórico (agora, Abrão já se tornou Abraão):

“Então, o Anjo do SENHOR bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus e disse: Por mim mesmo, jurei, diz o SENHOR, porquanto fizeste esta ação e não me negaste o teu filho, o teu único, que deveras te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” (Gênesis 22:15-18)

Neste momento da vida de Abraão, em “que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.”, e de um modo todo especial, “creu Abraão em Deus e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus”.

Abraão conseguira provar, naquele exato momento, com aquela atitude, que aquilo que Deus precisaria fazer pela humanidade, para a salvação dela, o ser humano, Abraão, também era capaz de fazê-lo por Deus. A atitude de fé aperfeiçoada de Abraão contrariou, naquele exato instante, toda a afirmação contraria que o Diabo fazia sobre nós humanos a Deus de modo que a futura vinda do Messias, já não era mais um mero desafio, mas sim, um fato resolvido e selado.

O selamento do pacto da vinda do messias foi uma maravilha absoluta e imensurável, contudo coisa maravilhosa ainda, digna de nota, foi que Deus, no último instante, houvesse poupado a vida do inocente Isaque, demonstrando que Ele sempre foi o Deus que afirmava que “Agrado-me da benevolência e não do sacrifício; e do conhecimento de Deus antes do que de holocaustos.” pois, “Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, ..." (Oseias 6:6; I Samuel 15:22). 

É por causa deste momento de atitude de fé aperfeiçoada de Abraão, pela qual selou-se a vinda do Messias, que a palavra de Deus diz ainda: “Sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão. Ora, a Escritura, prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações. De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão.” (Gálatas 3:7-9)

Mas, prosseguindo, além de descendente de Abraão, o Messias deveria ser, também, filho de Davi, pelo mesmo motivo, simplesmente por que Deus prometera, e assim deveria ser cumprido:

Tendo resgatado e trazido para Jerusalém a Arca da Aliança do Senhor e vivendo um momento de paz e descanso, Davi desejou construir uma casa para Jeová, um templo para o seu Deus, o Deus de Abrão, de Isaque e de Jacó. Todavia, a palavra de Deus foi dada ao profeta Natã, com Deus rejeitando tal empreitada, contudo, Deus assim falou a Davi:

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.” (2 Samuel 7:12-13)

Sabemos que Davi teve vários filhos. Em I Crônicas 3:1-9. temos o nome de pelo menos 19 destes filhos de Davi, que são: Amnom, Daniel, Absalão, Adonias, Sefatias, Itreão, Siméia, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar, Elisama, Elifelete, Nogá, Nefegue, Jafia, Elisama, Eliada e Elifelete. Note que, conta-se aqui, apenas filhos do sexo masculino.

Você acha muitos os filhos de Davi? Isso não é nada perto do que Deus pode fazer, além do mais, fora Ele mesmo quem prometera a Abrão: “... multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; ...”, portanto, tinha que assim mesmo.

No entanto, quando se fala em “O filho de Davi”, o primeiro nome que nos vêm à mente é o de Salomão, que foi o herdeiro do trono. Salomão teve o papel de prefigurar a Cristo como o filho de Davi, o Herdeiro do trono e do reino de Davi. Conforme Jeová prometera, Salomão como filho de Davi e herdeiro do trono, após assumir a suas herança fez principalmente duas coisas:
  • Edificou o templo de Deus no reino de Israel. Davi queria edificar, mas Deus não o autorizou a fazê-lo (ver I Crônicas 17.1-12 e I Cronicas 28:1-3), de modo que Davi só pôde fazer os preparativos, estocando boa parte dos materiais, para que Salomão, mais tarde, o construísse (ver I Crônicas 29); O templo foi construído (ver a partir de II Cronicas) e passa a ser o símbolo da presença de Deus no reino, lugar a partir de onde Deus se manifestava através de seus servos escolhidos.
  • Após terminar as obras de construção do templo, Salomão ora a Deus e Deus lhe responde (ver II Crônicas 7.12-16). Deste modo, Salomão passou a falar palavras de sabedoria (Ver alguns exemplos em I Reis 3.5-12; 4.29-34; 10.1-9).
Como a genealogia mostra, Jesus veio ao mundo, tendo nascido “da casa de Davi”, cumprindo a fórmula pactual feita com Davi. Nesse pacto Deus promete ser o Deus de seu povo e torná-los seus e aquele era um pacto eterno de Deus, a despeito das diferentes circunstâncias. (I Samuel 7:24, 29). Esse foi sempre o propósito do pacto.

Deus promete estabelecer o reino de Davi e o seu trono para sempre (I Samuel 7:12-13). Deus fez assim, com que aquele pacto e o referido reino, estejam ligados para sempre, e assim revelou ainda a óbvia natureza espiritual deste reino. Essa foi uma promessa que só poderia ter sido, como foi, cumprida em Cristo, o Rei dos reis (Lucas 1:32-33).

Alguns dentre nós podem até duvidar que Davi tenha conseguido entender, naquele momento, a exatidão daquilo de estava acordado. A de que o "trono" do qual Deus falava, era realmente, sempre, o trono dEle próprio, o trono do reino de Deus, mesmo quando um homem, como Davi, ou um filho da casa de Davi, se assente nele. Mas eu creio, pela fé, que Davi tenha entendido pois, a integridade daquele pacto teria que ser peça chave para que o Messias viesse a nós. Assim, Davi cedia o seu trono para glória de Deus.

Todavia, Salomão, ao se tornar um homem maduro, passou a apresentar distúrbios de comportamento desregrado com relação aos prazeres do sexo e se uniu a muitas mulheres que não conheciam a Jeová e lhe fizeram inclinar o coração para seguir outros deuses e Salomão começou a fazer o que era mau aos olhos de Jeová e não seguiu plenamente a Jeová como Davi, seu pai. Começaria ai, os problemas e as dores para o reino humano da casa de Davi, mas o pacto selado, no que dizia respeito ao Reino de Deus, a exercido pela descendência da casa de Davi, continuaria valendo, para sempre, como fora prometido.

Além de ter nascido na casa de José, descendente de Davi e do ventre de Maria, esposa de José, Jesus, o Cristo, desde cedo expressou uma outra marca característica como o filho de Davi: tal qual Salomão, Jesus falou também palavras de sabedoria. Mas Jesus suplantou Salomão em sabedoria, porquanto ele ofereceu revelações a mais da parte de Deus, que Salomão a seu tempo não teve.

O templo, de pedra, ouro, madeira e prata, construído por Salomão, já não precisaria mais ter a mesma importância, pois é Jesus que passara a ser, em si mesmo, o próprio templo, revelação que foi nos dada quando ele afirmou: “Destruí esse templo, e em três dias eu o reconstruirei” (João 2, 19).

Esse “novo” templo também já foi terminado, com a morte e ressurreição Jesus, muito embora ele continuasse, sempre, em contínua expansão. Este é, ainda hoje, o verdadeiro templo de Deus, não passageiro, não temporal e suscetível a ataques e destruição, mas eterno, e ainda não apenas instalado no reino de Israel, ou no território de qualquer outra nação ou sob a denominação de qualquer outra instituição humana, mas sim, no próprio Reino de Deus.

Esse templo é o que o próprio Jesus chama de “a minha igreja”, a igreja de Jesus e que é Ele próprio, adicionado ainda de cada ser humano que a Ele se ligue, formando um único corpo, um único templo.

Em Mateus 16:18 encontramos Jesus dizendo que edificaria a sua igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Em I Coríntios 3, do verso 9 em diante, vemos a igreja como sendo um edifício  figurativo construído sobre o fundamento que é Cristo e que quando nos ligamos a Cristo, tornamo-nos, nós mesmos, também templo Deus e que é esse o templo que Jeová protege, pois é nesse templo que habita o Seu Espirito.

Em todo o Novo Testamento vemos que Jesus continua a se manifestar através da igreja, que é Ele próprio, a videira, juntamente com cada ser humano, que passa a se ligar a ele, como ramos da videira, formando assim um único templo, e que já não é mais nós que vivemos (em nós mesmos), mas Cristo que passa a viver em nós (Gálatas 2:20).

Em Efésios 3:10 vemos que através da igreja Deus tem manifestado a todos, inclusive às potestades e principados nos lugares celestiais, a Sua sabedoria, que é multiforme. Paulo, inspirado, ensina: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.” 1 Coríntios 12:11-12

Assim é a natureza de ser espiritual Jesus. Havia a necessidade dessas duas naturezas em Cristo. Para que o projeto de salvação da parte de Deus se concretizasse, era necessário que o sacrifício do Messias representasse um sacrifício de valor infinito, a ser pago em nosso resgate. Para isso Ele tinha que ser a própria perfeição, a primícia de toda criação, o verbo que havia no principio, junto a Deus, o filho unigênito, todo especial, de Deus, que foi tornado carne e oferecido em sacrifício. Ele é O Filho e O Templo, e nós nos tornamos como filhos ao nos unirmos a Ele, tornamo-nos membros do templo que Ele é. Não há outro caminho, ninguém dentre nós se chegará a Deus sem estar ligado a ele,

Falando, ainda, sobre sua própria natureza espiritual, Jesus interrogou os fariseus que estavam reunidos, dizendo: “Que pensais vós do Cristo [Messias]? De quem é filho? Responderam-lhe: De Davi. Replicou-lhes ele: Como é então que Davi, no Espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos de baixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém podia responder-lhe palavra; nem desde aquele dia jamais ousou alguém interrogá-lo.” (Mateus 22:42-46)

O Cristo esteve como homem, mas não era, de modo algum, tão somente um homem. Mas o Cristo que é da natureza espírito e o Cristo foi da natureza carne É, sem dúvida, uma única e mesma pessoa, um único e mesmo ser, que por um relativamente curto espaço de tempo teve a sua natureza “modificada” de espiritual para carnal, na “forma” de um ser humano, que foi filho do homem, Jesus de Nazaré, o filho de Davi.

Apesar de Cristo nunca ter deixado de ser quem ele sempre foi, ao ser mudado para a forma humana, ele foi ligado a essa natureza que modo que ele não podia mais ter acesso a poderes associados exclusivamente a sua natureza de ser espiritual. Isso tem inúmeras implicações e, como exemplo, cito duas que considero importantes:
  • A de que “fenômenos sobrenaturais”, ou seja, os denominados milagres, acontecem “naturalmente”, emanados do poder do Espírito de Deus e causados por uma petição de fé, que pode partir de qualquer ser humano crente neste poder. Jesus, não apenas intercedeu por vários milagres, muitas vezes deixando bem claro ao agraciado que “a tua fé te salvou; a tua fé te curou”, como ainda, ensinou aos seus discípulos que qualquer um deles poderia, de modo eficaz, atuar como intercessor por milagre também, exercendo isso com fé, petição, oração, jejum e ação de graças;
  • Que sob a tortura dos soldados romanos, Jesus sentia as mesmas dores que qualquer homem sentiria na carne, não podendo ele evitá-las e nem ao menos amenizá-las, e ainda que, o sofrimento do seu martírio, como virtual homem carnal, foi então, um sacrifício absolutamente real. Jeová entregou, de fato, o seu amado unigênito, desprovido da realeza espiritual (estando virtualmente  preso a carne), a um doloroso sacrifício de vida (preço a ser pago), em favor do resgate da raça humana (todas as famílias da terra), suas criaturas especiais (amigos), cônscio de que um ser humano (Abraão) faria exatamente a mesma coisa por Ele, se e quando Ele o pedisse.
O obediente Abraão fez por merecer e o adorador rei Davi cedeu o lugar, por isso nos veio Jesus, que mereceu, por não pecar jamais, e cedeu lugar, entregando toda glória do seu sacrifício ao Pai.

Considerando que Jesus vive desde o princípio e viverá para sempre, a natureza carnal humana que ele assumiu, ocorreu apenas durante um átimo da existência dele. No mundo espiritual, o conceito humano de tempo não existe. O intervalo de tempo que durou a natureza humana de Jesus, vai DESDE UM MOMENTO APÓS a sua concepção, durando ATÉ o momento em que ele ASCENDEU AOS CÉUS.

Sabemos que Jesus foi concebido pelo poder do Espirito Santo, assim como qualquer milagre. De modo que, Jesus não foi concebido por meio de uma concepção convencional, ou seja, com a fertilização ou fecundação, a fusão de dois gâmetas para produzir um novo organismo, como é natural aos seres vivos sexuados, incluindo os humanos.

Os gametas, chamados ainda de células sexuais, são as células dos seres vivos que, na reprodução sexuada, se fundem no momento da concepção, para formar um ovo ou zigoto, que dará origem ao embrião, cujo desenvolvimento produzirá um novo ser da mesma espécie. Os gâmetas têm tipos morfologicamente distintos e o órgão ou o indivíduo que produz o gâmeta de maiores dimensões - o ovócito secundário ou óvulo - tem a denominação de fêmea ou feminino, enquanto que o que produz o gâmeta de menor dimensão, normalmente móvel, é chamado macho ou masculino.

Os gâmetas são células haploides, ou seja, elas têm apenas um conjunto de cromossomas, uma vez que são produzidos por meiose, enquanto que o ovo ou Zigoto, produto da concepção sexuada, resultante da união dos dois núcleos haploides, por sua vez, é uma célula diploide. Células diploides são aquelas cujos cromossomos se organizam em pares de cromossomos homólogos.

O processo de união, ou seja, a concepção em si, salvo raríssimas distorções, só pode ocorrer entre duas células eucarióticas mutuamente compatíveis, ou seja, as quais o conjunto de cromossomas tenham o mesmo número. Assim, para cada característica existem pelo menos dois genes, estando cada um deles localizado num cromossomo homólogo. Diz-se que estas células possuem 2n cromossomos, onde n é o número de cromossomos (número de haploide) característico da espécie em questão.

No caso da espécie humana, n corresponde a 23 cromossomos por célula, pelo que as células somáticas possuem 2n, ou seja, 46 cromossomos. Quando ocorre a fecundação, os 23 cromossomos presentes no espermatozoide juntam-se com os 23 cromossomos presentes no óvulo. As mulheres possuem o último par de cromossomos do conjunto, ou seja, o 23º par, igual a XX onde X é um tipo de cromossomo. Já os homens o possuem como XY, de modo que é isso que determinando seu sexo.

A partir do Zigoto, várias divisões mitóticas vão dando origem a um novo indivíduo (embrião). A quantidade e a distribuição do vitelo (estoque de alimento existente nas células) variam de acordo com o organismo considerado e dependem, inclusive, do tipo de desenvolvimento do embrião.

Existem várias técnicas possíveis a se especular sobre a concepção Jesus, que o tornou um ser humano, incluindo a concepção (fertilização) “in vitro” ou outra ideia correlata qualquer, até mesmo alguma que a nossa ciência ainda nem tenha atingido em termos de conhecimento, e creio que nenhuma delas seria problema, de modo algum, ao poder do espirito santo de Deus.

Todavia acredito ser de fundamental importância considerarmos o seguinte: para validar o plano da salvação, Jesus teria que ser aquele mesmo ser, que antes esteve junto a Deus que era O Filho de Deus e não necessariamente ser um filho consanguíneo de José, descendente consanguíneo de Davi e de Maria.

Eis ai o grande mérito de Davi: ele já havia concedido toda a glória do seu próprio trono a Deus, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Por aquele pacto, Davi aceitou adotar O Filho de Deus, como seu próprio filho.

Já sabemos que após a fecundação (fertilização) forma-se o zigoto. A partir desse momento inicia-se a divisão celular para a formação do que a ciência humana atualmente denomina de pré-embrião. Assim, após um ciclo de horas a partir da fertilização teremos pré-embriões com 2 células, após mais um ciclo de horas teremos o mesmo com 4 células, mais um ciclo de horas e teremos 8 células e assim por diante, numa divisão celular em progressão geométrica.

Já, na reprodução assexuada, esta ocorre sem a intervenção de gâmetas. Na reprodução assexuada intervém um único progenitor. Neste caso não existe junção das duas células sexuais ou gâmetas. Assim não existe junção do material genético, por isso os descendentes são geneticamente iguais aos progenitores e nestes casos, diz se que os novos seres são clones do progenitor.

Os casos em que se apresenta a reprodução assexuada são nos conhecidos:
  • Bipartição ou Cissiparidade: um indivíduo divide-se em dois seres, sensivelmente atingem as dimensões do progenitor. Existe em seres unicelulares e em alguns pluricelulares – Planária;
  • Gemulação ou Gemiparidade: nos diferentes casos na célula ou corpo mãe há formação de uma dilatação ou gomos que cresce “colado” à mãe e depois de crescer separa-se. Algumas vezes estes gomos nunca se separam da mãe, criando colônias de indivíduos cooperantes. Existem em seres unicelulares (leveduras) e seres pluricelulares (anémona do mar e hidra de água doce);
  • Esporulação: Neste caso formam-se as células reprodutoras, os esporos, que em condições favoráveis, germinam dando origem, cada um, um novo indivíduo. São exemplos os fungos como o bolor do pão e a penicillium e as plantas como os fetos;
  • Fragmentação ou multiplicação vegetativa: Um animal onde ocorre este tipo de reprodução é na estrela-do-mar. Os cinco braços da estrela partem-se e a partir de cada um forma-se uma nova estrela-do-mar. E, no entanto, no mundo das plantas onde este tipo de reprodução acontece com maior incidência. Vários órgãos das plantas podem enraizar-se e dar origem a novas plantas (begônias, tubérculos, bolbos, rizomas, estolhos, açucenas e tulipas);
Independente da reprodução ser sexuada ou assexuada, existe, sempre, um conjunto de cromossomas característicos de uma dada espécie, o cariótipo. O cariótipo humano normal é composto por 46 cromossomas, associados em 23 pares de cromossomas.

Desde modo, o poder do Espirito Santo de Deus precisaria, tão somente, produzir por algum tipo de reprodução assexuada, a partir do próprio Deus, um zigoto de espécie humana, um ser de uma única célula diploide, e Jesus estaria já concebido, para em seguida, implantá-lo no útero de Maria, onde a natureza já criada, se incumbiria de dar continuidade, com a clivagem (divisão celular), produzindo o feto.

Ora é sabido que os demais seres espirituais criados por Jeová, a saber, os anjos, não tem sexo. Ora, por que duvidar de qualquer coisa a esse respeito, se a nós mesmo, seres humanos mortais, é dada a oportunidade de estarmos, com nosso limitado conjunto de conhecimentos, com os nossos experimentos, chegando, cada vez, mais próximo disso, mesmo não sendo isso por nosso próprio mérito, mas por permissão do Senhor.

Jesus, o Cristo, morreu como morre um homem, e tinha que ser assim pois, como homem ele precisava vencer a morte e ressuscitar. Deste modo Jesus reapareceu aos discípulos, em carne e osso e só deixou de ser humano quando ascendeu aos céus, mas o seu corpo tão pouco, ficou entre nós, e este é um novo mistério do poder do Espírito de Deus, o qual nós ainda não estamos habilitados a conhecer.

Além do mais, por mais que tenhamos avançado em nossa ciência humana, o tudo continua sendo para nós, ainda do mesmo modo, como escreveu Shakespeare em sua peça Hamlet, a tragédia da dúvida e do desespero do solitário príncipe e da violência do mundo (a peça mais representada e estudada até hoje): “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”.

O que importa é que estejamos certos, crentes e conscientes de que foi, de fato, O Filho de Deus que se fez carne e habitou entre nós, de que ele foi o Messias da promessa, e que com seu sacrifício perfeito nos atrai a ele, para que nós com ele nos unamos, como nosso único meio possível de salvação.

Que a graça do Senhor Jesus seja com todos.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Buscai ao Senhor Enquanto se Pode Achar, Invocai-o Enquanto Está Perto. (Isaías 55:6)


Convertam-se ao Senhor! ( Joel 2: ) - O que?

12 Todavia ainda agora diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto.
13 E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal.

Não se preocupem (Mateus 6: ) - Como?

25 Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
26 Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
27 Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
28 E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam;
29 contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.
30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir?
32 (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso.
33 Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
    34 Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de
         amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Convite à salvação de graça ( Isaías 55: ) - Por que?

6 Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.
7 Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos; volte-se ao Senhor, que se compadecerá dele; e para o nosso Deus, porque é generoso em perdoar.

A ressurreição ( Lucas 24: ) - Por quem?

3 Entrando, porém, não acharam o corpo do Senhor Jesus.
4 E, estando elas perplexas a esse respeito, eis que lhes apareceram dois varões em vestes resplandecentes;
5 e ficando elas atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais entre os mortos aquele que vive?
6 Ele não está aqui, mas ressurgiu. Lembrai-vos de como vos falou, estando ainda na Galiléia.
7 dizendo: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressurja.
    8 Lembraram-se, então, das suas palavras;

sábado, 3 de março de 2012

Breve História do Cristianismo, da Judeia para Roma e para o Mundo


De fato, não houve grande interferência direta do governo de Roma contra o cristianismo, desde a morte do Senhor Jesus, em 29 d.C. até que o imperador Nero veio a se tornar o primeiro perseguidor romano de cristãos, acusando-os de terem provocado o incêndio de Roma, no ano 64 d.C.

Nesse nada curto período de tempo, que durou cerca de 35 anos, a perseguição contra os cristãos era exercida, essencialmente, pelos judeus. Todavia, quanto mais alastrada e intensa se tornava a perseguição judaica contra os cristãos, por todo império romano, o cristianismo também se alastrava e se fortalecia, ainda mais.

Até se tornar também um cristão, o notável apóstolo de Jesus, Paulo, antes chamado de Saulo de Tarso, um dos principais servidores do sumo sacerdote do Sinédrio que havia condenado Jesus, Caifás, havia sido qualificado como um dos mais zelosos perseguidores de Cristãos. A sua conversão foi resultado de uma fracassada tentativa dele se deslocar desde Jerusalém até a distante cidade de Damasco, a fim de trazer cativo um grupo de cristãos, que se encontravam naquela localidade Síria. Algum tempo antes, Paulo havia participado do martírio do cristão Estevão, e possivelmente, participou também, do martírio de outros cristãos, talvez menos notórios, e não mencionados na Bíblia.

Os judeus manipulavam, com uma certa maestria, as estruturas administrativas locais do Estado romamo. Ao contrário do Estado grego, seu antecessor, que havia sido marcadamente especulativo, o romano era jurídico por excelência. Sem a conivente autorização dos romanos, os judeus não poderiam ter perseguido os primeiros cristão, nestas primeiras três décadas e meia.

Para os judeus, o cristianismo havia nascido como uma seita indesejável, que se desenvolvia no seio do próprio judaísmo. O próprio Jesus, autor e consumador da fé cristã, era, para os judeus, como provável messias, uma grande decepção, que frustrava de modo contumaz as suas circunstanciais expectativas.

As relativas autoridades judaicas da época, esperavam por alguém com uma outra aparência e poder, para ser o líder que libertaria a região da Judeia da dominação romana, um rei poderoso que lideraria, politicamente, os judeus rumo à independência. Contudo, por ser Jesus como era, e se parecer apenas, não mais do que um simples profeta, como muitos dos que já haviam sido, anteriormente, desprezados, os judeus preferiam considerar que Jesus era, tão somente, um blasfemo, e não o messias que ele se autodenominava perante eles.

Como ele apenas pregava a paz, o amor a Deus e ao próximo e a remissão dos pecados, pregando, quase que exclusivamente, para algumas multidões das camadas sociais mais baixas da Judeia, as autoridades romanas não lhe deram grande importância e o consideraram, apenas, como um simples agitador popular, menos importante até, do que um ativista zelote qualquer, os quais, com entusiasmo, rebelavam-se contra o império romano com desejo de expulsá-lo pela força das armas. Todavia, com o período que se iniciou desde a morte de Jesus, foram as relativas autoridades judaicas que, com o mesmo entusiasmo, não deram trégua alguma em perseguir severamente os cristão, e de modo terrível, sempre com a conivência administrativa romana da localidade.

As circunstâncias em que Jesus Cristo, já adulto, teria surgido na cidade de Jerusalém formavam um quadro altamente explosivo, pois, de fato, a Judeia jamais se submetera totalmente ao controle do domínio imperial romano, ocorrendo frequentes sublevações, levando o Estado dominador a uma postura de ações puntuais mais repressivas, em relação à população local, do que aquela que ele praticava em outras regiões mais complacentes com a dominação do império.

Lendo-se os livros apócrifos de Macabeus I e II é possível se constatar que não houve intervalo algum entre o fim da dominação grega e o inicio da dominação romana sobre a região da Judeia. Houve, sim, simplesmente uma substituição imediata de domínios, de modo que os judeus vinham reagindo, mesmo desde antes do início da dominação romana, ainda sob o domínio grego, por meio de movimentos armados, contra a presença imperial estrangeira.

Em 175 a.C., Antíoco IV Epífanes chegou ao trono do império grego Selêucida e iniciou uma campanha de assimilação contra os habitantes da Judeia. Num esforço de unificar os elementos Gregos do seu império, Antíoco determinou a destruição da fé Judaica e a helenização dos Judeus. Um Édito foi publicado impondo os rituais religiosos aos Judeus em Jerusalém, sob pena de morte.

O sacerdote Matatias, recusou publicamente a adotar o helenismo, e iniciou uma revolta, escapando de Jerusalém, primeiramente para a aldeia de Modin, e depois para o deserto, levando consigo outros combatentes. Com a morte de Matatias, seus filhos Judas, cognominado "macabeu", e depois da morte deste, Jônatas, assumem a liderança do movimento de revolta e conseguem importantes conquistas e impõem uma certa liberdade a Israel frente à dominação grega e acabam por conseguir restabelecer o culto, purificado e dedicando novamente o Templo de Jerusalém, em 165 a.C..

Todavia a história do livro de Macabeus é bastante clara em mostrar que foi apenas após uma aliança ocorrida entre os macabeus e os romanos, uma aliança defensiva com o senado romano, e contra os gregos, que permitiu expelir definitivamente os invasores helenistas, o que pôs um termo, ao movimento guerrilheiro liderado por Judas Macabeu, filho de Matatias, e de seus irmãos. Paralelamente a isso, ocorria que do ponto de vista militar, a Grécia havia entrado num declínio tal, que os romanos conquistaram todo o seu território, de 168 a.C. em diante, ainda que, em contrapartida, a arte, a cultura e a religião grega, é que houvessem, de fato, conquistado os romanos.

Na Judeia, sucedendo ao terceiro irmão Macabeu, Simão, encontramos o filho deste, João Hircano, que consolida o poder em suas mãos realizando ainda mais alianças com Roma e outros impérios de sua época. Essa dinastia, a dinastia da casa de Matatias, conhecida como "asmoneus", passa governar a Judeia. Para governar, João Hircano e seus sucessores, usurpam tanto o título de etnarca como o de sumo-sacerdote. Os assideus, alarmados com as ambições dos Asmoneus e com o caráter secular que assume o seu reinado, rompem com eles. Segundo este grupo, ao se fazer sacerdote sem possuir o direito de família os Asmoneus cometem uma terrível falta. Isto gerou a ruptura profunda entre os descendentes dos Assideus (fariseus e essênios) e o partido ligado aos asmoneus (saduceus), os três partidos judaicos que então se formam.

Não obstante ao fim do domínio do helenismo grego sobre a Judeia, as diversas controvérsias entre os partido judaicos, agravado por dissidências internas, de continuo mantinham os judeus enfraquecidos como nação e o seu reino, agora sob o permanente olhar rapinante da águia romana. A questão a ser levantada aqui é: O que o povo judeu supunha ter em haver com a politeísta idolatria estatal romana, que não fosse a mesma coisa que tivesse em haver com o panteísmo helênico dos gregos?

A Roma cuja fama empolgara os macabeus, levando-os a buscar com ela aquele pacto, mas sem consultar a Deus (ver Capitulo 8 do livro apócrifo I Macabeus), agora era o que se tornava em ameaça maior. O fato é que, em 64 a.C., em meio a um novo acirramento das disputas internas dos judeus, o general romano Pompeu marchou com suas tropas, invadiu e conquistou Jerusalém e fez do débil reino judeu um estado vassalo de Roma.

Entre 57 a.C. e 55 a.C., Aulo Gabínio, procônsul da Síria, dividiu o antigo reino em Galileia, Samaria e Judeia, com cinco sinédrios (côrte de juízes). Em 40-39 a.C. Herodes, o Grande foi apontado Rei dos Judeus pelo senado romano, no entanto em 6 d.C. seu sucessor e filho, Herodes Arquelau, etnarca da Judeia, foi deposto pelo imperador romano Augusto.

A deposição de Herodes Arquelau (4 a.C. - 6 d.C.) como governante do reino a Judeia, foi o primeiro grande acontecimento histórico envolvendo o povo judeu, após o nascimento de Jesus e a frustrada tentativa daquele rei, de eliminar a vida de Jesus, enquanto Jesus ainda era pequeno, por ordenar a matança dos inocentes referida nos evangelhos. Mas o messias sobrevivera, porquanto Deus havia escolhido o momento perfeito para a sua vinda.

O cruel e despótico Arquelau, foi banido para a Gália e os territórios que ele antes governava, a Judeia e a Samaria, foram anexados à administração romana direta, estabelecida em Cesareia, enquanto que em Jerusalém, foi sediado um destacamento militar sob o comando de um tribuno, aquartelado na Torre Antônia, no ângulo nordeste do Templo.

Esse fato marcou o fim de Judá como um reino, mesmo que apenas teoricamente independente, e mostraram ainda que, as promessas da aliança entre Roma e os Macabeus, jamais se cumpriram, de modo efetivo, simplesmente porque, muito embora Judas Macabeu tivesse ficado deveras impressionado com os relatos que ouviu, sobre a grandeza daquele império diante das nações do mundo, ele, por infelicidade, perdera o olho singelo, por não ter buscado consultar ao Senhor Jeová sobre um assunto tão importante, de modo que a aprovação de Deus, jamais esteve presente naquela aliança, muito embora, quisesse Roma ou não, gostasse ela ou não, daquela ocasião em diante, ela passaria a ter uma participação mais ativa, no contexto dos planos de Deus.

Anos mais tarde, um dos irmãos de Arquelau, Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, foi o responsável pela prisão do profeta João Batista, e, posteriormente, também pela sua morte, por causa de Herodias, a ex-mulher de um outro seu irmão, Herodes Filipe. Herodias, por ambição de se tornar rainha deixara o marido para viver com Antipas em 27 d.C. e por isso era censurada por João Batista. Ardilosamente provocado á lascívia por sua sobrinha Salomé, a mando da mãe, Herodias, durante o festejo da celebração de seu próprio aniversário, Antipas acabou por concordar em executar a morte João Batista, a quem já mantinha em cárcere. João o Batista era seis meses mais velho que Jesus e seu primo, consanguíneo, em segundo grau.

Foi em meio a esse clima politicamente tenso que Jesus procurou exprimir uma mensagem baseada no amor ao próximo, no perdão às ofensas e no desapego aos bens materiais. Tal mensagem em nada ameaçava o domínio romano, mesmo porque, segundo os evangelhos, Jesus sempre enfatizou que a sua pregação nada tinha de política, e que o reino a que ele se referia, não era um reino terrestre.

No entanto, assim como as autoridades romanas buscavam formas de fazer agrados para com as corrompidas autoridades judaicas, também a recíproca precisava ser verdadeira. A tolerância romana quanto a liberdade de culto judeu no templo de Jerusalém, precisava ser compensada com os judeus dando lugar a liberdade de cultos estrangeiros em suas cidades. Por isso, de um lado, Antipas, homem de ânimo doble, fazia concessões à cultura dos gentios romanos, mas por outro cultivava a tradição religiosa judaica, deslocando-se, anualmente, de Tiberíades para Jerusalém, onde participava das festividades da Páscoa (Pessach). Desde modo foi que Jesus, já adulto, irritado, encontrou o templo profanado, enquanto casa de oração para todas as nações.

Tiberíades, foi mandada construir por Herodes Antipas, em homenagem ao imperador romano Tibério , exclusivamente para ser a capital da Galileia e sua construção foi acelerada, por contribuições romanas, sendo concluída em apenas dois anos. O historiador judeu Flávio Josefo escreveu sobre a população original de Tiberíades, com evidente desprezo, pela gente que Antipas implantou ali, vinda de todas as partes do império.

A dominação romana da Judeia, apesar de aparentemente tolerada pelas autoridades relativas judaicas, como fato estabelecido e consumado, continuava sendo, no fundo, algo extremamente detestável à consciência judaica da época de Jesus. No entanto, uma dissidência dentro da própria religião do judaísmo, como aquela a que se aparentava a pregação de Jesus, e ainda trazendo o desalento da decepção com respeito às expectativas sobre do messias pela ótica judaica de então, era algo ainda mais abominável àquela mesma consciência.

Já, para os romanos, o conturbado caráter político da região da Judeia, aliado à característica postura romana de combater sistematicamente o surgimento de toda e qualquer grande liderança que pudesse vir ofuscar o predomínio do Império, poderiam fazer de Jesus, um inimigo potencial para Roma. Todavia, o fator realmente preponderante, foi a atitude comum do Estado romano, de procurar, sempre, aliar-se às elites das áreas dominadas, utilizando-as como um elemento de controle sobre os setores populares.

Tal atitude significava mais do que simplesmente a manutenção do império, pois provia um instrumento adequado de expansão do mesmo. Dessa forma, a condenação imposta a Jesus pelos romanos foi, de fato, um ato de simpatia para com as autoridades religiosas judaicas, que já o haviam repudiado como blasfemo.

Segundo os Evangelhos, Jesus foi preso não pelos romanos, mas sim, pelo judeu e amigo Judas, acompanhado de um destacamento de soldados e dos oficiais dos principais sacerdotes e dos fariseus, com tochas, lâmpadas, e armas. A gota d'água, para Caifás e outros dos principais senhores do sinédrio, já havia sido a ocasião da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado em um singelo jumentinho, sob as saudações de vivas do povo, clamando "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana nas alturas!". Tendo Jesus entrado em Jerusalém, foi ao templo.

Assim Jesus foi levado, detido, para interrogatório. Todavia as autoridades judaicas sabiam não poder condená-lo por si sós e nem ao menos detê-lo, por muito tempo, sem que houvesse um tácito, porém manifesto, consentimento por parte da administração romana.

Com urgência, as autoridades judaicas, ora virtualmente submissas às leis romanas, encaminham o detento Jesus ao governador Romano, sob acusações de blasfêmia. Numa sequência de eventos aparentemente tumultuadas, porém manobrada pelas autoridades judaicas, Jesus foi entregue a tortura, a mando do procurador romano Pôncio Pilatos e por fim, ainda por instância dos judeus, Jesus foi condenado à morte por cruz (ou por estaca) no ano de 29 d.C.. A morte de Jesus foi executada pela administração romana, pois as autoridades judaicas relativas, não tinham poder de executar sentenças de morte em seu próprio território, por estarem sob o governo romano.

O apóstolo e médico Lucas é quem narra com maiores detalhes os fatos ocorridos, no capitulo 23 de seu escrito evangélico:

"E levantando-se toda a multidão deles, conduziram Jesus a Pilatos. E começaram a acusá-lo, dizendo: Achamos este homem pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo ser ele mesmo Cristo, rei. Pilatos, pois, perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes. Então disse Pilatos aos principais sacerdotes, e às multidões: Não acho culpa alguma neste homem.

Eles, porém, insistiam ainda mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judeia, começando desde a Galileia até aqui. Então Pilatos, ouvindo isso, perguntou se o homem era galileu e, quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes (Antipas), que também naqueles dias estava em Jerusalém (para a ocasião da festividade da páscoa).

Ora, quando Herodes viu a Jesus, alegrou-se muito; pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; e esperava ver algum sinal feito por ele e fazia-lhe muitas perguntas; mas ele nada lhe respondeu.

Estavam ali os principais sacerdotes, e os escribas, acusando-o com grande veemência. Herodes, porém, com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o com uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos. Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes tornaram-se amigos; pois antes andavam em inimizade um com o outro.

Então Pilatos convocou os principais sacerdotes, as autoridades e o povo, e disse-lhes: Apresentastes-me este homem como pervertedor do povo; e eis que, interrogando-o diante de vós, não achei nele nenhuma culpa, das de que o acusais; nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar; e eis que não tem feito ele coisa alguma digna de morte. Castigá-lo-ei, pois, e o soltarei. [E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa.]

Mas todos clamaram à uma, dizendo: Fora com este, e solta-nos Barrabás! Ora, Barrabás fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio. Mais uma vez, pois, falou-lhes Pilatos, querendo soltar a Jesus. Eles, porém, bradavam, dizendo: Crucifica-o! crucifica-o!

Sedição significa: Perturbação da ordem pública; agitação, sublevação, revolta, motim, de modo que Barrabás, era um criminoso político no julgamento dos romanos mas, não o era para os judeus. Assim, Jesus foi torturado pelos romanos e, por fim, crucificado.

Antes do por do sol daquele mesmo dia, por intercessão do então ainda judeu, José de Arimateia, Jesus foi sepultado, segundo o costume dos judeus, por que ele era judeu, porém, com respeito a lei mosaica relativa aos delinquentes que são condenados a morte, como narrado em Mateus 27:59-

"E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo, de linho, e depositou-o no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha; e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.  Mas achavam-se ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas defronte do sepulcro.

No dia seguinte, isto é, o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus perante Pilatos, e disseram: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, quando ainda vivo, afirmou: Depois de três dias ressurgirei. Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia; para não suceder que, vindo os discípulos, o furtem e digam ao povo: Ressurgiu dos mortos; e assim o último embuste será pior do que o primeiro.

Disse-lhes Pilatos: Tendes uma guarda; ide, tornai-o seguro, como entendeis. Foram, pois, e tornaram seguro o sepulcro, selando a pedra, e deixando ali a guarda." Mas Jesus ressuscitou como havia sido predito.

Por isso, ao vencer a sua própria morte, com a sua ressurreição, Jesus não apenas destruiu o poder da morte sobre toda a humanidade em si, mas superou também a própria lei e selou o estabelecimento uma nova aliança entre Deus e os Homens, a qual, todo ser humano existente na face da terra, passou a ter direito de escolha do perdão da parte de Deus.

Após ser preso e morto, a tendência esperada, compartilhada tanto por romanos, e mais ainda por judeus, era a de que seus seguidores se dispersassem e seus ensinamentos fossem, aos poucos, esquecidos. Todavia, por obra de um poder que os romanos nunca antes haviam conhecido e que os judeus já haviam esquecido quase que por completo, o Espírito Santo de Deus, ocorreu justamente o contrário.

É justamente nesse fato que se assenta a fé cristã. Como haviam antecipado os profetas no Antigo Testamento, Jesus, o Cristo, ressuscitou, apareceu a seus apóstolos, que estavam escondidos e temerosos e ordenou que se espalhassem pelo mundo pregando sua mensagem de amor, paz, restauração e salvação, a toda criatura. Durante as primeiras três décadas e meia da sua existência, em que o cristianismo foi, de contínuo, severamente perseguido e combatido pelo judaísmo, o governo romano esteve sempre em conveniente conivência, tentando agradar as autoridades dos judeus. Só mesmo um Espírito de poder sobrenatural verdadeiro e santo, poderia mover uns poucos humanos obedientes, acuados e simplistas, mesmo debaixo de tribulações, a agir de uma maneira tal, a causar a maior revolução libertadora de todos os tempos.

Neste período, o cristianismo se espalhou a ponto de, partindo da Judeia, já ter atingido a própria capital do império, Roma, para onde fora levado, notadamente, por prosélitos cristãos, principalmente os convertidos de origem étnica judaica. Estes, invariavelmente pertencentes às classes sociais mais baixas, que uma vez tornados cristãos conversos, viam na situação de tornarem-se empregados, servos ou mesmo escravos de senhores em Roma, melhores condições do que aquelas que existiam em se permanecer na miséria e tribulação, que lhes era infringida pela perseguição que sofriam vivendo na Judeia, que chegava ao ponto de lhes ameaçar, frequentemente, a própria vida.

Nesta época, em Roma, ainda não havia judeus em número muito considerável, principalmente para causar manipulação local contra os cristãos, devido ao genuíno ódio que os cidadãos judeus comuns nutriam por Roma, e assim, os cristãos podiam gozar, a princípio, de relativa liberdade e dignidade ali. Porém, a cumplicidade corrupta entre as autoridades judaicas e romanas continuava.

A queda de Herodes Antipas começou quando seu sobrinho, Herodes Agripa I, que herdara a tetrarquia da Traconítida (região histórica do antigo Israel, ao sul de Damasco, incluindo as montanhas Antilíbano e Batanea. Significa "região pedregosa.") de Filipe, foi reconhecido como rei pelo imperador romano Calígula.

Influenciado por Herodias (a mesma que causou morte de João Batista), Antipas foi a Roma para exigir a mesma honraria. Mas Agripa antecipou-se a ele, fazendo chegar uma mensagem ao imperador, onde acusava o tio de conspirar com os Partos, inimigos do Império Romano. Chegando a Roma, Antipas não somente teve suas pretensões negadas, como ainda perdeu sua tetrarquia (da Galileia), que foi entregue, em acúmulo, a Agripa. Exilado para Lião (Gália), em 39 d.C., Antipas, veio a morrer nesse mesmo ano.

Isso sucedeu dessa forma pois, desde a idade de 6 anos, após o assassínio de seu pai, Agripa I, havia sido criado em Roma, na corte do imperador Tibério, e havia tido a oportunidade de crescer como companheiro íntimo do futuro imperador Calígula e era também muito extrovertido e dado a boas relações com toda sorte de gente importante da corte romana. Entregando-se a uma vida dissoluta, desperdiçando todo o dinheiro que sua mãe lhe deixara, na busca desenfreada de prazeres exóticos, passou a ser perseguido pelos credores, de quem tomara altas somas emprestadas, a altos juros, viu-se obrigado a deixar Roma e a refugiar-se junto ao tetrarca Herodes Antipas, que concedeu-lhe apenas um modesto emprego de comissário comercial em Tiberíades.

De volta a Roma, Agripa caiu nas boas graças de Antônia, mãe de Cláudio e avó de Calígula, que lhe emprestou a quantia necessária para resgatar seus débitos pendentes. Algum tempo depois, uma conversa descuidada em uma carruagem, custou-lhe seis meses de liberdade. Ele comentara com Calígula, que seria bom que Tibério não demorasse a morrer, para que seu companheiro assumisse logo o trono. O comentário foi escutado pelo cocheiro e repassado ao Imperador.

Tibério morreu seis meses mais tarde e Calígula tomou seu lugar, mandando soltar Agripa e, como forma de compensação, nomeou-o rei dos territórios que tinham sido as tetrarquias de seu tio, Felipe, falecido em 37 d.C., e de Lisânias, compreendendo os distritos nordeste da Palestina e as áreas setentrionais em volta do monte Líbano. Agripa permaneceu mais um ano em Roma antes de assumir seu reino, mas quando o fez, promoveu uma volta triunfal, só pelo prazer de ver sua irmã e o marido, roerem-se de inveja.

Quando Calígula foi assassinado, em 41 d.C., Agripa estava, lá mais uma vez, visitando Roma e desempenhou um papel importante nas negociações entre os militares e os senadores, que desembocaram na confirmação de Cláudio, como novo imperador. Agradecido, Cláudio concedeu-lhe o governo da Judeia, Samaria e da Idumeia, que eram uma província romana desde a deposição de Herodes Arquelau, acumuladas as que agripa já tinha por direitos anterior.

Desse modo, apesar de ter sido tudo sob as benesses romanas, reconstituiu-se o reino que Herodes, o Grande, construíra e que fora desmembrado após sua morte. Parecia que que Agripa I tinha tudo em mãos para realizar "a grande virada judaica", que era o que os Judeus, mesmo após Jesus, continuavam esperando de um messias. Mas quando Agripa I decidiu construir novas muralhas em Jerusalém, teve que interromper as obras, por ordem de Cláudio. O historiador Josefo afirma que, se as obras fossem completadas, elas teriam tornado a cidade inconquistável.

Agripa morreu repentinamente, de complicações abdominais, após cinco dias de agonia, em 44 d.C., sob suspeitas de ter sido envenenado, porém a Bíblia nos narra o que realmente ocorreu: " ... por aquele mesmo tempo o rei Herodes [Agripa] estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; E matou à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro." (Atos 12:1-3).

Porém, Pedro foi liberto da prisão em pouco tempo, pela ação do poder sobrenatural de Deus, antes mesmo de tomar conhecimento do assassínio de Tiago, e antes também que Herodes Agripa pudesse ter tido a oportunidade de lançar mãos dele. Agripa, contrariado, deixa Jerusalém e retorna a Cesareia, e pelo mesmo poder que libertou Pedro, sucedeu que: " ... num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem. E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou. E a palavra de Deus crescia e se multiplicava." (Atos 12:21-24).

Assim, Agripa se fora e enquanto "a palavra de Deus crescia e multiplicava", em três décadas e meia de contínua migração, facilitada pela inexistência de fronteiras dentro do império e pela necessidade da capital por mão de obra escrava ou de servidores de baixo custo, e ainda com a multiplicação das conversões de cristãos na própria Roma, crescendo admiravelmente muito rapidamente em número, os cristãos passaram a chamar para si, a atenção do Estado romano.

De início, professado apenas pelos descendentes de judeus que viviam na periferia de Roma, o cristianismo logo difundiu-se, primeiramente pelas camadas mais pobres da população, especialmente entre os escravos, e pouco a pouco foi evoluindo, até passar a atingir também os cidadãos e mesmo algumas famílias da nobreza romana e se tornar, consequentemente, alvo de preocupação por parte do Estado, pois, afinal, eles pregavam uma total submissão apenas a Deus, e não ao império e ao imperador romano.

Além do mais, a presença do apóstolo Pedro, e por fim, também do apóstolo Paulo, em serviço missionário ali em Roma, estimulou, ainda mais, os cristãos a se multiplicarem e a começarem uma certa forma de organização de estrutura de serviço, maior e mais eficiente do que aquela experimentada, originalmente, em Jerusalém. Era frequente a necessidade da comunidade cristã de Jerusalém, de ajuda material por parte das comunidades cristãs que vinham surgindo em outras localidades.

Contudo, em Roma, por fim, aconteceu de o imperador Nero dar inicio a perseguição romana direta contra os cristãos, no ano 64 d.C.. Tal primeira perseguição durou quatro longos e terríveis anos, e, sob ela, tanto o apóstolo Pedro quanto Paulo, pereceram. Concomitantemente, a força da perseguição da parte judaica contra os cristão entrava em colapso, pois a partir de 66 d.C. com deflagração da revolta dos judeus em Jerusalém contra os romanos, que se espalhou por toda a Judeia, as autoridades Judaicas já não contariam mais com as benesses do Estado. Nesta ocasião os cristão que ali ainda restavam, sabiamente, se lembrando dos avisos proféticos de Jesus, se mobilizaram em grande número, para se afastar da região do conflito, antecipadamente.

Jerusalém foi sitiada e finalmente atacada pelos romanos em 70 d.C., com um saldo de mais de 100.000 mortos, tendo sido destruído, inclusive, mais uma vez, o templo de Jerusalém. Toda a região da Judeia continuou sendo varrida e arrasada pelos romanos, com grande parte da sua população sendo ou dizimada ou dispersa para fora da região, até nos três anos seguintes.

A perseguição romana contra os cristãos, e agora também, igualmente contra os judeus, voltaria a se acentuar, ainda mais, no reinado de Domiciano, notadamente de modo cruel, a partir do ano 92 d.C..

Todavia, isso não conseguiu impedir que, pouco a pouco, o espírito legalista típico do estado romano fosse se afirmando também na formação da subsistente comunidade cristã de Roma, dando-lhe uma ênfase cada vez maior na organização das estruturas eclesiásticas, a ponto de, entre os anos de 88 a 97 d.C., os cristãos de Roma, infelizmente, sentirem-se com força organizacional o bastante, para passar a dar o troco aos judeus que outrora os perseguiam, com Clemente, Bispo de Roma, terceiro sucessor do apóstolo Pedro, responsabilizando-os pela persecução que Nero havia impingido contra os cristãos. Por causa da atuação moderadora de Clemente, em uma crise da comunidade cristã de Corinto, para a qual ele escreveu uma longa e importante epístola, os cristão de Roma, mais tarde, viriam a reclamar a primazia da sua sede, Roma, sobre todas demais comunidades de cristãos.

A agora enraizada e justificada perseguição e o desprezo contra os cristãos por parte do Estado romano, persistiu por longo tempo, variando de intensidade de tempos em tempos. A recusa dos cristãos em aceitar o culto da divindade do imperador foi, para os romanos, com toda probabilidade, a base jurídica de tais seguidas perseguições. Clemente foi preso no reinado de Trajano e condenado a trabalhos forçados. Por continuava a atuar na conversão de outros presos, foi por isso martirizado, em 101 d.C..

Já, a primeira perseguição que envolveu todo o território imperial aconteceu sob o governo de Maximino, apesar do fato de que apenas o clero tenha sido visado. Foi somente sob Décio, em meados do segundo século, que a perseguição generalizada – tanto ao clero quanto aos leigos – tomou lugar em toda a extensão do Império. Gregório de Tours trata deste tema em sua História dos Francos, escrita no final do século VI:

“Sob o imperador Décio, muitas perseguições se levantaram contra o nome de Cristo, e houve tamanha carnificina de fiéis que eles não podiam ser contados. Bábilas, bispo de Antioquia, com seus três filhos pequenos, Urbano, Prilidan e Epolon, e Sisto, bispo de Roma, Laurêncio, um arquidiácono, e Hipólito tornaram-se perfeitos pelo martírio porque confessaram o nome do Senhor."

Apesar de confundir as épocas de perseguição (pois menciona, ao mesmo tempo, personagens que foram martirizados sob Maximino, Valeriano e Décio), o testemunho de Gregório mostra o quanto o tema da perseguição marcou o imaginário da Igreja nos primeiros séculos. As perseguições estatais seguintes foram inconstantes até o terceiro século, apesar do "Apologeticum" de Tertuliano, de 197 d.C., ter sido escrito ostensivamente em defesa de cristãos perseguidos e dirigido aos governantes romanos.

Todavia, mesmo debaixo de perseguição e adversidade, o cristianismo continuava sempre crescendo. No período de reinado do imperador Diocleciano, houve um clímax persecutório, no qual, a agora já muito bem organizada igreja de Roma, passou por um momento de terrível perseguição. O imperador fez mais essa tentativa, entre os anos de 303 a 305 d.C. de suprimir o cristianismo, por suprimir a igreja, eliminando tanto clérigos quanto leigos, e mais uma vez foi um fracasso.

Para saber muitos mais detalhes sobre as várias perseguições aos cristãos ocorridas sob o Império Romano, veja o excelente documentário: Documentário Espelho dos Mártires

Assim, a igreja de Jesus Cristo sofria de perseguição m perseguição, até que aconteceu um fato divisor de águas: Diocleciano abdicou do trono, e seus quatro generais, que governavam regiões administrativas, entraram em guerra. Os dois generais que mais tinham possibilidade de chegar a ser imperador eram Constantino e Magêncio. A vitória de Constantino sobre Magêncio, na Batalha da Ponte Mílvio, em 28 de outubro de 312 d.C., perto de Roma, a qual Constantino, posteriormente, atribuiu ao Deus cristão, explicando, na noite anterior à batalha, ele havia sonhado com uma cruz, e que nela estava escrito: “In hoc signo vinces”, do latim que significa: "Sob este símbolo vencerás".

A partir de Constantino tornado imperador, em 313 d.C., os imperadores passaram a “proteger e estimular cada vez mais a fé cristã”, promovendo uma crescente fusão entre a igreja e o estado, nas qual muitos ajustes, de ambos os lados, foram feitos para que cada um se adaptasse às necessidades do outro, até que, na época de Teodósio I, em 380 d.C., o Império Romano tornou-se oficialmente um “estado cristão”.

Muito embora aquela aparentemente conveniente “conversão estatal”, em seguida o império romano continuaria com o seu já existente declínio, caminhando, até mesmo, ainda mais rapidamente para a sua ruína, até que por fim a humanidade ocidental, herdeira do legado do império romano, passou a entrar num longo período de obscurantismo histórico, com a queda de Roma a partir de 476 d.C..

Isso ocorreu, não que o cristianismo, em si, causasse o declínio do império romano pois, no início do século IV apenas de 5% a 7% dos romanos tinham se tornado cristãos, e, por essa época, em sua grande maioria, estes estavam vivendo na parte Oriental do império, exatamente o lado que permanecerá mais forte e estruturado durante a crise final do século V.

Já, no século III, que havia sido a fase mais aguda de crise econômica e social, enquanto os cristãos, embora bastante organizados, ainda não passavam de uma minoria que se reuniam nas catacumbas da Capital, nas fronteiras de expansão do império, as elites dirigentes das legiões romanas e suas ações em consonância com as estratégias oficiais do estado, exigiam um número incessantemente crescente de soldados, de elevação de soldos e recursos para as guerras.

Por outro lado, houve ainda uma diversificação cultural e religiosa, que a sociedade romana expandida experimentou, após o contato com as populações das colônias e com a naturalização dos bárbaros. Tal fato possibilitou à população insatisfeita do núcleo do império, passar a duvidar da influência dos deuses oficiais greco-romanos nas decisões políticas, explicação que até então legitimava o poder do império e do imperador, levando um bom número deles a buscar adesão a crescente religião cristã.

O fato é que, depois das dificuldades experimentadas do século III, vários imperadores procuraram centralizar ainda mais o Estado, a fim de obter um maior controle dos cidadãos de um tão vasto império, agora existentes em grande diversidade sócio cultural e religiosa, para que deste modo fosse mais fácil mobilizar os enormes recursos humanos e financeiros para defender, sem em nada abrir mão, a estupidamente expandida fronteira do império e o fragilizado núcleo imperial, e, principalmente, unificar isso tudo em torno de uma ideologia única.

Com Constantino I, passou-se a eleger o cristianismo, devidamente fundido e adaptado, de maneira discreta, à antiga religião greco-romano oficial do Estado, como a religião capaz de produzir aquele desejado monopólio ideológico unificado. Afinal de contas, o cristianismo era, de fato, contra todas a possibilidades e expectativas, a religião que mais crescia, e passava a influenciar a nata romana, mesmo debaixo de adversidades.

Creio que Roma foi devorada por si própria e por seu incessante e compulsivo desejo expansionista e, eu, particularmente não creio, que imperador romano algum, que tenha vivido até a queda do império do ocidente, efetivamente tivesse crido, verdadeiramente, no Deus dos cristãos, e, principalmente enxergado, que a real fonte de sucesso do cristianismo, contra todas as adversidades as quais ele era submetido, era o poder daquele mesmo Deus.

Roma, enquanto Estado imperial, tentou “usar” em seu benefício o cristianismo, mas o cristianismo era algo que até então as elites romanas, verdadeiramente, não entendiam e nem sequer conheciam ao certo. Por isso, não é de estranhar não ter obtido exito em extrair o efeito expectado disso.

O fato é que Roma estava se condenando, por não vislumbrar a possibilidade de retroceder em sua política de expansão já realizada e, nem mesmo o “esforço final” de “absorção” do cristianismo ocorrido, apesar de dar algum alento e sobrevida, de modo algum conseguiu reverter a falência final do império.

Durante toda a “Pax Romana” a instituição militar tinha se visto orientada para múltiplos objetivos. Além da defesa fronteiriça de mais de 9000 Km, da fortificação de pontos estratégicos, construção de estradas e segurança pessoal das mais altas magistraturas imperiais, transmitir elementos da cultura, religião e língua latina às regiões onde se fixavam as guarnições militares, bem como a criação de condições favoráveis para o desenvolvimento das economias locais, a sua presença impunha o respeito e a aceitação incondicional da soberania de Roma: assim era a paz romana.

A manutenção da paz e da estabilidade no mundo romano era atribuída aos militares como tarefa primordial e de grande importância: Era uma paz armada e atingível apenas com a presença das legiões. Essa era a única forma de assegurar uma harmonia mínima e a articulação entre o poder imperial e as vastas regiões a governar, servindo de instrumento de apoio à execução de medidas de carácter administrativo, todavia, de maneira notória, isso também fez com que o império, de modo inevitável e continuamente, consumisse a si próprio, em termos de recursos.

Por outro lado, influenciada pelos decretos da oficialização e da resultante “adaptação” que propiciariam a “liberdade” de culto e de manifestação, “o cristianismo”, ou melhor, a agora oficialidade do cristianismo, a igreja, passou, de modo infeliz, a tornar-se, para alguns, veículo de promoção social e de meio para a obtenção de cargos e benefícios públicos.

Na medida em que essa nova nomenclatura romana de “fé cristã” se consolidava como religião, os territórios onde ela “desabrochava”, dividiram-se em dioceses e paróquias, à frente dos quais foram postos bispos e párocos, sob a chefia do papa, sucessor de Pedro e bispo de Roma, a capital, e agora sob as benesses diretas do Estado romano em decadência.

Assim, como religião oficial e marcadamente urbana que se tornara a partir de fins do século IV, os demais cultos “não ajustados” que existiam, notadamente, nas regiões mais remotas e de fronteira do império, passaram a ser severamente perseguidos, ainda nas derradeiras décadas do moribundo império. Por conseguinte, os seguidores das várias diversificações de paganismo bárbaro, tiveram que se refugiar na zona rural, donde vem o uso costumeiro do termo “pagão”, de modo generalizado, a essas populações. Pagão significa tão somente habitante do campo.

A perseguição sofrida pelas mãos desses “cristãos oficiais do império romano” era exercita, em concomitância, com as ações puramente militares de manutenção da fronteiras do império e de mobilização forçada de recursos em colonias insubmissas, de um modo cruel e pernicioso. Curiosamente, o primeiro grande saqueador de Roma, o rei Visigodo Alarico I, havia recebido treinamento militar romano para atuar como comandante de tropas auxiliares a serviço do próprio império, antes de rebelar-se e promover três cercos a capital, até saqueá-la, em 410 d.C.

Isso fez com que os povos bárbaros aprendessem, inicialmente a reagir, pela força das armas, com maior consistência pelo uso de táticas essencialmente de guerrilhas, contra as incursões das legiões romanas, para em seguida, se organizarem a ponto de poderem partir para o contra-ataque e para o ataque, que desferiu os golpes finais que encerram com a existência do “império romano cristão do ocidente”.

Porém, após o fim do império, o agora “poluído” cristianismo, pela sua nomenclatura centrada em Roma e seu culto ritualístico deformado, sobrevivera, e até se arvorava herdeiro do império vencido, passando de perseguido a perseguidor, continuaria a crescer nas sombras do obscurantismo da idade média, e ainda teria, para o bem e para o mau, muita história para escrever, arvorando-se muitas vezes, de modo truculento, do nome de Jesus.

A mensagem da verdade da nova aliança, é e sempre foi a mesma: “Por meio disso saberão que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós” Jo 13:35 e Jesus vai além, desafiando a nossa condição imperfeita e nos mostrando que é mesmo debaixo dela que devemos buscar santidade: “Ouvistes que se disse: ‘Tens de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo.’ No entanto, eu vos digo: Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também a mesma coisa os cobradores de impostos? E, se cumprimentardes somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem também a mesma coisa as pessoas das nações? Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito." Mt 5:43-48

Sob a nova aliança de Jesus, nenhum ato mais de violência, de qualquer espécie, se justifica, por mais elevados que possam parecer os objetivos ou intenções a estes associados. Na nova aliança, tudo é sugerido, nada exigido e, consoante a isso, assim também deve ser os salutares propósitos evangélicos que um cristão coloca em seu próprio coração.

Deste modo, por exemplo, acontecimentos aparentemente positivos para o desenvolvimento da "igreja", como o da ordem de fechamento da academia platônica de Atenas, por mandado do imperador bizantino Justiniano, no ano de 529 d.C. trouxeram, efetivamente, nenhuma glória para o nome de Deus. Comparativamente com aquilo que se nos pareceu um discurso frustrado, louco e solitário, proferido pelo apóstolo Paulo, aos atenienses no Areópago, séculos antes, de fato, a determinação de Justiniano foi, deveras, contraproducente para o serviço do reino de Deus. Neste segundo evento, embora falando a uma plateia, por cultura e por orgulho, notadamente inamistosa, por fazer uso de legítimo amor cristão, centrado na graça do livre-arbítrio da parte do Senhor, mesmo que tenha parecido pouco aos nossos olhos, o apostolo de Jesus gerou, bons frutos do Espírito. Já, quanto ao primeiro evento, aquele obteve tão somente, um exito maior, em criar celeumas de relações humanas que, até os dias de hoje, representam obstáculos ainda maiores, em que as boas novas do evangelho venham a atingir as mentes e os corações daqueles que se fazem a si mesmos ateus e agnósticos.

Não é por falta de avisos da parte de Jeová que tais fatos, a saber: a vazão da nossa força violenta corrupta, ocorrem de contínuo entre nós humanos, pois Ele mesmo nos tem também acusado a consciência cauterizada desde muito cedo: “Que hei de fazer-te, ó Efraim? Que hei de fazer-te, ó Judá, quando a vossa benevolência é como as nuvens da madrugada e como o orvalho que logo desaparece? Por isso terei de talhá-los por meio dos profetas; terei de matá-los por meio das declarações da minha boca. E os julgamentos sobre ti serão como a luz que sai. Pois, agrado-me da benevolência e não do sacrifício; e do conhecimento de Deus antes do que de holocaustos. Eles, porém, como Adão, transgrediram o pacto; É nisso que agiram traiçoeiramente para comigo. Gileade é uma vila de malfeitores; suas pegadas são sangue. E como que atocaiados contra um homem, a associação dos sacerdotes são guerrilhas. À beira do caminho cometem assassinato em Siquém, porque só se empenharam em conduta desenfreada. Vi uma coisa horrível na casa de Israel. Há ali fornicação da parte de Efraim. Israel se aviltou. Também para ti, ó Judá, está determinada uma ceifa. Ao querer eu trazer do cativeiro o meu povo.” Os 6:4-11.

Vinde, pois, e retornemos para o Senhor, enquanto Ele pode ser achado, pois para o fim dos tempos está reservado: "E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra." Is 2:4
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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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